:: ‘Na Rota da Poesia’
MELHOR
De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Melhor não pensar muito
No sentido do existir,
Que somos mortais errantes
Porque você pode pirar,
Siga as ondas do mar,
Deixa o tempo fluir,
Melhor jogar prá lá,
Essa de quem sou,
Ou para onde vou,
Se existe céu e inferno,
O antigo e o moderno,
Se a fé é mistério,
Sem lógica e critério,
Acredite na ciência,
Melhor ter paciência,
Seguir sua mente,
Melhor ser realista,
Do que ser idealista,
Olhe pra frente
Que atrás vem gente,
Melhor não viver na ilusão,
Mas cada um faz sua opção,
A vida não é assim tão bela,
Como natureza em aquarela,
Por que um nasce perfeito,
Outros com seu defeito?
Nunca diga que seu filho,
Vítima da Zica, deficiente,
Foi teu Deus quem te deu,
Assim você xinga Ele
De injusto vingador,
Foi o presidente, o governador
Essa cruel humanidade,
Destruidora do meio ambiente,
De ganância e insanidade,
Que nos traz todo horror.
Seja paz, seja amor.
MEU CHORO
De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Travei minhas batalhas,
No amor e na guerra;
Cravei minhas patas nesta terra;
Usei parabelos e espadas;
Enfrentei gente nas navalhas,
Em meu terreiro,
Risquei meu facão;
Encarei o cangaço,
No fuzil e no punhal de aço;
Fui Conselheiro e Lampião.
Sou flor e espinho,
Que brotam deste chão,
Das artérias do meu coração.
Do meu moído choro,
Não saem lágrimas,
Moram em minhas entranhas,
Torradas como castanhas.
Meu choro vem lá do fundo,
Ora lamento e sentimento,
Que inunda todo meu mundo.
Meu choro sangra noite e dia.
Que nem o canto da cotovia,
Pode minha dor aliviar,
E ela já faz parte de mim,
Como início, meio e fim.
Choro pelos meus pecados,
Na procura do existencial,
Contra a injustiça social,
Como ferido animal,
Sapecado em seu meio ambiental,
E oro a Zeus e ao Senhor Deus,
Que nos afaste do mal,
Deste açoite global.
Eu choro, choro, choro,
Com fé e esperança,
No ritmo dessa dança,
Sensata e insana,
Para que a mente humana
Não seja tão desumana.
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ADAGAS AFIADAS
De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Oh, deuses gregos-romanos!
Cada um com sua saga ancestral,
Seu feroz instinto animal:
Alianças e tramas atadas,
Com suas adagas afiadas,
Montaram cruel assassinato,
Num trágico secreto ato.
Da Gália Italiana,
Gauleses da terra parisiana
Com seu exército treinado,
Homens bravos mercenários,
Júlio César contrariou o Senado,
Cruzou o Rio Rubicão,
Como um deus furacão,
Em Roma imperial,
Foi louvado e amado
Em sua carruagem triunfal.
Uma guerra civil romana,
Em quarenta e nove
Antes da era cristã,
Fez-se uma carnificina humana,
Brandiram as espadas tiranas,
Nas batalhas sanguinárias,
Que se tornaram lendárias.
No Egito como um tufão
Encurralou o general Catão
Que preferiu se sacrificar,
Ao invés de se entregar;
Renegou a clemência,
Para não ser um prisioneiro
Do seu senhor no cativeiro.
Com suas legiões seguiu avante,
Pois na frente tinha mais gente;
Negociou com a rainha Cleópatra,
Dela fez sua amante,
E do seu ovário
Gerou o bastardo Cesário.
Em Alexandria,
Admirou todo seu esplendor;
Rendeu vênias ao seu criador:
Alexandre, o Grande,
Vindo do rei Filipe da Macedônia,
Que o mundo desbravou,
Como maior conquistador.
Nas Colinas da Anatólia
Praticou sua oratória:
Vim, Vi e Venci,
No aqui e no agora,
Pontuou sua hora,
Consagrou mais uma vitória,
Como guerreiro da história.
Depois de tanto inverno infernal,
Num inferno sem igual,
Destronou o vingador Pompeu,
Que já era pelo povo odiado,
Depois fugiu e foi assassinado,
Para não mais voltar ao reinado.
Em Roma assentou os colonos,
O plebeu apoiou seus comandos;
Deu terras aos seus veteranos;
Ajustou o planeta em seu astral;
Reformulou o calendário anual;
Recebeu mil honrarias:
De rei, deus imperador
Coroado até como ditador;
Expandiu todo vasto império
Do Oriente ao Ocidente.
Ciúmes, invejas e ódio,
Intrigas ambiciosas palacianas,
Brutus virou conspirador,
Com Cassius e Decimus,
A conspiração se espalhou;
Transformaram tudo em terror,
Nas noites cálidas romanas.
Com suas adagas afiadas,
Escondidas em suas togas,
Como feras em manadas,
A César apunhalaram,
Em nome das ideias republicanas,
Senadores enganaram,
Com suas ganâncias espartanas.
Conspiradores traidores,
Nas armações planejadas,
Mais de vinte adagas afiadas,
De mortais ciladas,
Dilaceram suas carnes,
Até costelas quebraram,
E o sangue jorrou no plenário,
Num um aterrorizante cenário,
Na Casa de Pompeu do Senado
Seu maior inimigo,
Onde imaginava ser seu abrigo:
Tudo estava pelos adivinhos previsto,
Em quarenta e quatro antes de Cristo.
Depois os assassinos se refugiaram,
No forte da Colina Capitolina,
Com seus seguranças gladiadores,
E toda Roma chorou suas dores,
Até a sua deusa protetora divina.
No funeral de quatro dias,
Os céus se abriram,
Caíram tempestades e ventanias,
Que lhe fizeram imortal,
Como filho de Vênus e Júpiter,
Na Roma de Rômulo ancestral.
Sua pessoa foi deificada;
Deu nome a outros imperadores,
Que em Roma dinastia reinou,
Depois das adagas afiadas,
Que deixaram mentes revoltadas.
O tribuno Cícero das catilinárias,
Bradou com suas catilinárias,
Marco Antônio hábil negociou,
Um armistício de trégua,
Mas a vingança não tardou.
Outra guerra civil começou,
Da Gália Otávio César Augusto,
Que de Júlio herdeiro se tornou,
Um criou julho e o outro agosto,
O moço ergueu sua espada,
Carregando também sua adaga,
Formou até um triunvirato,
Todos caíram em seu prato,
Não sobrou um conspirador,
Teve até oficial desleal,
Que só queria fazer bacanal,
Que de tanto medo se suicidou.
Por quarenta e um anos,
Augusto César governou,
Jesus ainda era um adolescente,
Com sua filosofia envolvente,
Encantava toda mente,
Pregando paz e amor,
Quando o sucessor Tiberius
A Judéia massacrou
Pilatos lavou suas mãos,
Os sacerdotes insanos,
O filho Deus na cruz crucificou.
ESCUTE O SILÊNCIO
Por Regina Chaves dos Santos, do seu livro Suspiros Poéticos – a beleza da lira cor
Escute o silêncio- não mais silencioso!
O ar entra e sai pelas narinas,
O coração cadencioso,
O toque da brisa nos cabelos,
A pele em arrepios… – pulsão da vida!
Uma voz, um canto distante,
Olhos fechados
-Suspiro profundo!
-Silenciosamente:
Sinta, olhe, permita-se, admire,
– Acolhe!
Nada queira interpretar… escute o silêncio!
A sonoridade da mãe terra… não estás só,
Encha os pulmões de ar, – liberando-o vagarosamente!
…Visite o coração, volte para dentro de si… e no silêncio,
Signifique-o – sem o olhar de prévia censura!
Ainda que chegue o medo, deixe as lágrimas rolarem,
– ouça o coração, deseje o recomeço, se ame… e no
Silêncio – fique bem com a tua companhia!!!
MEU CANTO
De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Meu canto não é de amor,
Não tem rosa e flor.
É mais de pranto e dor.
Ele pede passagem,
Para contar sua viagem,
Através do tempo,
Que o vento levou,
Na tempestade da saudade,
Da angústia existencial,
Do nascer e viver,
Até a finitude do morrer.
Meu canto é agreste,
Vem lá do meu Nordeste,
Retirante explorado,
No estalo da chibata,
Do chão seco estorricado,
Terra forte ferida,
Da poeira castigado,
Do poluído ar,
Roupa a quarar,
Filho da enxada,
Da foice e do machado.
Meu canto,
Em me resiste,
De que a felicidade
É alma passageira,
Da vida que nos passa,
Aquela rasteira,
E nos deixa a ilusão,
De que ela é toda bela,
Como pintura de aquarela,
Mas tem ácido de limão.
MENINO MOLEQUE
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Quando menino traquino,
Franzino nordestino,
De pai roceiro e carpinteiro,
Cresci na labuta da mandioca,
Que da terra saia
Como se fosse minhoca.
Depois fui para cidade pequena,
Da minha querida Piritiba,
Enfrentar outra cena:
Como menino moleque,
Paquerei uma morena,
Onde fiz o primário,
E de lá fui para o seminário,
Para ser padre vigário.
Estudei o latim e o grego,
Até o português e o francês;
Larguei a batina,
Porque não era minha sina,
E rumei pra capital,
Só com meu embornal.
Ainda aprendiz,
A rua era o meu lar,
Passei no vestibular
Para o curso de jornalismo,
Onde aprendi tanto ismo;
Duelei com a sorte
Como sertanejo forte;
Inventei ser escritor
Menino moleque,
Que nunca sonhou ser doutor,
Apenas um respeitado senhor,
Lá do interior.
REVISOR DE JORNAL
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Em pleno sol de verão,
Na praça do poeta condoreiro,
Meu olhar se perdeu
Pela Baia de Todos os Santos,
No balanço dos encantos
Das ondas do mar do barqueiro.
Estava avexado sem emprego:
Era só desassossego,
E nem sabia,
Que naquele dia,
Ia virar revisor de jornal,
Com trabalho salarial.
Zanzei pela rua Chile;
Cruzei com a Mulher de Roxo;
Mais adiante com irmã Dulce;
Beijei sua mão;
Pedi sua benção,
Com o sinal da cruz abençoou:
Vá meu filho,
Com seu Deus Nosso Senhor.
Na velha calçada de pedra,
Ainda vi o trilho do bonde,
Rangendo como carro de boi,
Que com seu tempo se foi.
Vaguei pela praça da Câmara;
Admirei o Lacerda Elevador,
Na Catedral entrei e orei,
Do Terreiro retornei
Até o prédio do “A Tarde”;
Contei minha situação ao doutor,
E de lá sai com o título de revisor.
DAR TEMPO AO TEMPO
De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Oh, tempo, tempo, tempo!
Dar tempo ao tempo,
Ou tudo tem seu tempo:
É o mais popular dito,
De quem roga seu visto!
Oh, tempo, tempo, tempo!
Memória da nossa história,
Oh, quanto falam de ti!
Como canto do Bem-Te-Vi.
Dizem que a tudo curas,
Até nossas mágoas e loucuras.
Quando bate o sofrimento,
Ou aquela ferina decepção,
Lá vem aquele consolo:
De dar tempo ao tempo,
Pra acalmar a aflição.
O arrependido dos erros,
Das besteiras que fez,
Implora que o tempo volte,
Pra coisas fazer diferente;
Outros dele têm saudade,
Para que sua felicidade
Se repita novamente.
Oh, tempo, tempo, tempo!
Estás nos autores literários,
Nos escritos dos diários,
Nas canções das poesias,
Rebentos de maresias.
Oh, tempo, tempo, tempo!
És criança, jovem e idoso,
Supremo divino silencioso.
O amor pede mais tempo,
Para cicatrizar sua dor,
Como o devedor ao credor,
E chega o tempo,
Para acertar as contas,
Porque ele não pode parar,
É como o vento,
Viajante da nave do ar.
Tu vais e renovas o ano,
Na ilusão do ser humano.
Oh, tempo, tempo, tempo!
Tu és nosso eterno senhor,
Seja pobre, ou doutor:
Tem o tempo de plantar e colher,
O de nascer e o de morrer.
LINHAS DAS MÃOS
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
As linhas das mãos,
Como diz o poeta:
São correntes digitais,
Ou cordéis em varais,
Fileiras de poesias,
Xilogravuras de fantasias.
As linhas das mãos,
Como a íris da visão,
São linhas diferentes,
Riscos das nossas mentes,
Com início, meio e fim,
Enigmáticas assim.
Tem as linhas,
Do sertanejo nordestino,
Queimadas pelo sol,
Calosas e grossas,
Cada qual com seu destino,
As do doutor são finas,
E as delicadas femininas.
Olho as linhas das minhas mãos,
Veja as suas como estão,
São cicatrizes do tempo,
Nos traços e espaços,
Lembranças de amor e dor,
De um passado que não passou,
Que nem o vento levou.
As linhas das minhas mãos,
Colheram o que plantaram;
Tiveram amigos e inimigos,
Amaram e odiaram,
E lágrimas enxugaram.
Depois de tantas andanças,
Feitas de fé e esperanças,
Por este mundão do meu Deus,
Entre nobres e plebeus,
Olho as linhas das minhas mãos,
E não entendo o que elas são.
Lembro que uma cigana,
Vinda lá da Toscana,
Leu as linhas das minhas mãos,
Previu coisas do meu destino,
Desde quando mirrado menino,
Que teria longa existência,
Mas não conseguiu ver,
Se a minha finitude
Seria repentina ou de sofrer.
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FLOR DE PRIMAVERA
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário, em homenagem à sua neta Cecília.
Flor de primavera,
Perfume abrindo o sol de verão,
Nascestes na virtual era,
Oh, menina soberana,
Cecília é teu nome visão,
Da terra Brasil primaveril,
De origem romana,
Latina Americana.
Flor de primavera,
Teu meigo sereno olhar,
Vai além do horizonte do mar,
Coisa mais linda de se ver,
Como florada de Ipê!
Seja bem-vinda, Cecília,
Aos braços mágicos da vida,
Essa misteriosa passageira,
Peregrina deusa romeira,
De encontros e desencontros,
Amores e dissabores,
Mas dizem que ela é bela,
Como as tintas da aquarela,
Encanto flor de primavera.










