:: ‘Na Rota da Poesia’
“OLHOS DA PAIXÃO”
Do livro “SUSPIROS POÉTICOS”- a beleza da lira cor, da autora poetisa amiga Regina Chaves dos Santos.
A brisa me contou
Que sentiu o cheiro do meu amor,
– ele vem vindo!
Trazendo nos olhos o encanto da paixão e no coração,
– saudades de seu bem que lhe espera, sorrindo!
Entre milhas e milhas ouve-se uma canção,
Para aliviar o aperto de seu coração…
Canta para as estrelas, adiante no céu,
– lhe fazendo companhia na solidão!
Com os olhos enchidos de carinho
O pensamento invade,
O canto das saudades…
Exalando perfumes, – entre dois corações!
– A brisa me contou, sorrindo!
COMO DESATAR ESSE NÓ?
De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
O vaqueiro,
Amansador de burro brabo
Deu um nó cego,
E ainda bateu um prego.
Como desatar esse nó,
E decifrar esse quiproquó?
Dizem que o universo é infinito,
E se for finito,
O que existe além disso,
Trevas no precipício?
Como desatar esse nó,
E decifrar esse quiproquó?
Se Deus existe,
Quem, então, criou Deus?
Tudo é mistério sem razão,
Coisas da fé e da religião,
Como desatar esse nó,
E decifrar esse quiproquó?
A vida já nasce com a morte,
Uns saudáveis e fortes,
Outros pobres miseráveis,
Até com doenças incuráveis.
Como desatar esse nó,
E decifrar esse quiproquó?
Os espíritas acreditam
Na reencarnação,
Os cristãos afirmam que não,
Que a alma segue outra dimensão.
Como desatar esse nó,
E decifrar esse quiproquó?
A ciência se liga na matéria,
Não sabe da onde viemos,
Nem quem somos,
E para aonde vamos.
Como desatar esse nó,
E decifrar esse quiproquó?
E o amor não correspondido,
Fica o dito pelo não dito,
Se conhecer é sofrer,
Melhor é não saber?
Como desatar esse nó,
E decifrar esse quiproquó?
SERRA DOS BEM-TE-VIS
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Nasci menino nordestino,
Na Serra dos Bem-te-Vis,
Agreste de pinturas rupestres,
Parente do Neandertal,
Que navegou
Entre águas doce e de sal;
Fui laçado
Pelo existir do destino;
Enfrentei batalhas,
Em meu cavalo a galope,
Sobrevivi ao golpe;
Criei cicatrizes,
Nos fios das navalhas;
Mantive minhas raízes,
Da Serra dos Bem-te-Vis.
Cai e levantei;
Sei o quanto sofri
Nesse sistema brutal,
Quando rasgaram
Minha mente,
Nela colocaram um chips
De lavagem cerebral,
Mas nunca esqueci
Da Serra dos Bem-te-Vis.
No céu embaçado do inverno,
Cambaleando segui em frente;
Imaginei estar no inferno,
Na guerra dessa gente;
Revigorei minha alma,
No amanhecer do sol de verão,
Nos passos firmes
Do meu bastão,
Lá da Serra dos Bem-te-Vis.
Escalei montanhas;
Atravessei oceanos;
Conheci suas entranhas,
Solitário vivi, pedras removi,
Desde a Serra dos Bem-te-vis.
Lá na Serra dos Bem-te-Vis
Não apodrecem os sentimentos,
Nem existem intrigas verbais,
Que vão parar nas redes virtuais;
Não envelhecem
Os corações juvenis,
Lá na Serra dos Bem-te-Vis
POEMAS À MARGEM – AFLUENTES ATO I
De autoria da poetisa e professora Mariângela Borda, do livro Antologia de Contos e Poemas (Editora Saramago)
SOB O LEITO DO AMOR
Sob os afluentes
Do prisioneiro rio,
A copular
As águas
De um
Leito
Fluído
À margem
Do amor,
O corpo
Em concha
Se fecha
À espera
Do oceano,
Que da sereia
Enamorado,
Busca
Seu canto
Que se
Abre
Mulher
Em Ato
Do amor
Em
Si.
DESEJO DE DESEJAR
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Oh, desejo de desejar!
Desvendar o infinito,
Curar a dor do finito,
Amar sem odiar,
Subir ao pico das montanhas,
Que vêm do mar,
Ardentes desejos,
De conhecer as entranhas,
Do pensar sem sofrer.
Sou ventania do obscuro,
Caminho do escuro,
Porque me roubaram,
O livre respirar de desejar.
Vontade de fustigar a razão:
De quem criou quem,
De onde viemos,
O que somos,
Para onde vamos?
Coisas da fé e da religião.
No desejo de desejar,
De me livrar dos maus sonhos,
Fiz minha melodia,
Nas lágrimas da sabedoria.
Exala o perfume
Do seu beijo, o ciúme,
E nem sei se é amor,
Ou desejo de desejar.
Desejo de desejar,
Aniquilar o tempo,
Parar o corrente vento,
A pedra remover,
Oh, solitária aflição!
Morrer sem confusão.
CANÇÃO DA NOITE
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Sou navegante solitário,
Interior de mim mesmo,
Da terra que me gerou,
Para viver nesse aquário,
Entre o ódio e o amor,
E nem todo mundo
É feliz aqui,
Do ir e do vir,
Nesse açoite
Da canção da noite.
A canção da noite,
Me transporta,
Para o vale silvestre,
Ao encontro do mestre.
Sou canção da noite,
Das criaturas noturnas,
Fantasma do conhecer,
Que me traz dor e sofrer.
Na canção da noite,
Sou fluxo e refluxo,
Morte que se arrasta,
Como ladra macabra,
Que se torna soberana,
Como sua espada tirana.
A canção da noite,
É sepulcro dos companheiros,
Que se foram cedo,
Levando nosso enredo.
É insondável
O que os olhos não penetram,
E me afogo,
No insaciável,
Da fonte que jorra,
Desejos amantes cantantes.
Na canção da noite,
Das estrelas cintilantes,
Vagalumes celestiais,
De luzes vagantes,
Que me indagam o porquê
Da existência do ser.
Ao cruzar as montanhas,
A canção da noite,
Me leva em suas entranhas
Para morar em seu luar,
Bem longe desse lugar.
ESCOLHO O TEU CHEIRO
Do livro “Suspiros Poéticos” – a beleza da lira cor – da poetisa Regina Chaves dos Santos, lançado na Bienal do Livro de Salvador, e participante do nosso “Sarau A Estrada”. Regina ofertou sua obra ao nosso “Espaço Cultural A Estrada” que agradece dele fazer parte como um dos mais raros perfumes da terra.
Regina Chaves
Uma noite para uma vida inteira…
E eu te prometo amor, amar-te – eternamente!
Sentindo que este amor que nos chegou ontem, embriaga faceira o meu coração, m- tomando conta de todo o meu ser!
Mergulho na imensidão desse querer, totalmente diferente e, – completamente apaixonado!
Simples assim,
– Dos mais raros perfumes escolho o teu cheiro
O teu cheiro de flo-da-pele provocando em mim, arrepios, – na magia do teu sorriso!
Eu te prometo amor, amar-te desde ontem – a vida inteira!
Sabes por que?
– Porque dos mais preciosos perfumes, eu escolho, o teu cheiro!!!
APOLOGIA AO SONETO
De autoria do poeta José Walter Pires, extraído do seu livro CREPUSCULARES
Apologia ao poeta Medeiros Braga
Como é belo, poeta, o seu soneto,
Transfigurado numa apologia,
Pois envolto na afável poesia
Fará jus às hosanas no coreto.
Quem sabe sinfonia em branco em preto
Nas notas recheadas de harmonia
Da batuta de plena maestria,
Como busco glosar neste dueto.
Desde Petrarca, o pai da criação
Transcende com a sua plenitude,
Trazendo na estrutura perfeição.
Por certo, resistiu, heroicamente,
Aos riscos enfrentados de amiúde,
Reinando virtuoso, plenamente.
MEU BEM-TE-VI AMIGO
Do poeta e cordelista José Walter Pires, do seu livro “Crepusculares” – Sonetos
Sinto que, aos poucos, flui uma amizade
Com o meu bem-te-vi, que, confiante,
Desce de uma mangueira, e, saltitante,
Pousa no meu quintal com liberdade.
Esvoaça com sua agilidade,
De um lado ao outro, olhando o circunstante,
No seu trilar festivo e cativante,
Sem demonstrar qualquer temeridade.
Que volte sempre e pouse sem receio,
Pois não irei fazer-lhe nenhum mal
Com essa relação que tanto anseio.
Assim, nessa constância, robustece,
O apego que, de forma natural,
Nasce desse avoar que me embevece.
TUAS PALAVRAS
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Na poesia das tuas palavras,
O garimpeiro bamburra,
Atrás do ouro nas lavras,
Ainda leva surra,
Dos coronéis e do nobre,
E o pobre atrevido
Vive sem sentido.
Os sábios se eternizam,
Na esteira da sabedoria,
E tuas poéticas palavras
Viram escrita-partitura,
Canção e cantoria,
Que nunca morrem,
Nem no tronco da tortura.
Tuas palavras
São fluxo e refluxo,
Sons divinais;
Não têm travas;
Brotam dos deuses astrais.
Tuas palavras
São como vinhedos,
De finos vinhos,
Que embriagam a alma,
Alinhavadas como ninhos
Dos passarinhos,
Ventos do ar a respirar,
Cachoeiras e ondas do mar,
Que batem nos rochedos,
Moldam as pedras,
Em polidas estalactites,
Amansam as feras,
E duram séculos de eras.










