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:: ‘Notícias’

AS PEQUENAS E AS GRANDES

AS COISAS GRANDES FICARAM PEQUENAS E VICE-VERSA

  – Parceiro, tive que cortar uma estrofe e algumas frases porque ninguém escuta mais músicas longas nos dias de atuais. Tem que ser tudo pequeno e curto. É assim que a banda toca.

   No sentido contrário, isto me faz lembrar dos tempos dos grandes festivais dos anos 60 e 70 das músicas de Edu Lobo (Ponteio), Caetano Veloso (Alegria, Alegria), Geraldo Vandré (Disparada), Chico Buarque (A Banda), Gilberto Gil (Domingo no Parque) e tantos outros com suas longas letras de conteúdo social e político.

 A grande maioria do povo não quer mais saber e nem ouvir letras musicais cumpridas. A turma dos axés, dos arrochas, pagodes e sofrência tasca uma pequena estrofe e o resto é só barulho. A galera cai dentro e não sabe nem o que o cantor está falando. A mensagem não importa mais. A cabeça ficou pequena e nela só cabe pouca coisa.

  Observou que no mundo moderno e na era da tecnologia quase tudo é pequeno, a começar pelos chips onde suporta um montão de informações. Os microfones, os gravadores e outros aparelhos eletrônicos são manejados na ponta dos dedos.

  A cultura ficou pequena e curta, bem como os poemas de poucas linhas. O número de leitores de livros é pequeno e até a inteligência e o QI estão apequenando. Na literatura, prevalecem os livrinhos de no máximo 150 páginas. O conhecimento e o saber moram entre poucos. A cuca está estressada e não comporta mais textos grandes.

  – Seu áudio está muito longo e não tive tempo para ouvir todo. Fatia a fala – repreende o amigo. Raramente se usa o telefone e, quando acontece, tem que ser rápido no gatilho. O mesmo ocorre com as mensagens no celular. A palestra tem que ser pequena.

  As pessoas andam apressadas e os papos têm que ser curtos. Hoje é só um alô e raramente um bom dia. A grandeza de prosear, jogar conversa fora e contar causos ficou para os matutos sertanejos do campo, ou para os mais idosos.

  Diante de tantos problemas e na luta pela sobrevivência, seu bom humor ficou limitado e restrito. A pessoa se irrita com qualquer coisa e a paciência não é mais a mesma. “Não tenho mais paciência para aturar uma reunião”.

 – Porra, aquele cara é muito chato e conversa demais. Ninguém tem saco para ouvir sua prosa e suas histórias. Parece até que não faz nada na vida.

Quando amigos se encontram nas ruas dos grandes centros urbanos, mal dá para um dedo de conversa. Ambos estão na correria. Dizem por aí que até o tempo encurtou, porém, isso é pura ilusão. Ele continua na dimensão de sempre.

   Para os pobres e arremediados das classes médias baixas, o dinheiro está cada vez mais pequeno, a não ser que se faça falcatruas e malfeitos para crescer a grana. Por falar nisso, a honestidade, a ética e a seriedade reduziram de tamanho.

Da calçola, passou-se parra a calcinha curtinha. A cueca samba canção ficou cuequinha. O biquíni de antigamente virou tanga e fio dental, e até o amor ficou pequeno e passageiro. Casamentos que duravam anos, agora se acabam em poucos meses. A paz não é mais duradoura.

 – É meu camarada, vivemos no mundo das coisas pequenas e reduzidas, mas outras permanecem grandes e só aumentam, como o ódio e a intolerância, as guerras para vender armas, a concentração de renda nas mãos de poucos, as imbecilidades e os besteiróis, as violências, as ambições, as ladroagens, as bandidagens, os corruptos e as corrupções.

  Cresceram também o número de igrejas e fanáticos fundamentalistas, a extrema direita e esquerda caninas, o radicalismo e as metrópoles de milhões de habitantes amontoados nos arranha-céus, casebres e favelas.

  Enquanto isso, as florestas, as matas, os cerrados e as caatingas estão ficando pequenos e desérticos com o aumento da depredação ao meio ambiente. Ah, isso só faz aumentar, inclusive o consumismo.

   Temos hoje grandes temporais, enxurradas, ciclones, rajadas de ventos, deslizamentos de terras, incêndios, catástrofes e elevação das temperaturas com o aquecimento global, sem falar nos acidentes de trânsito e homicídios.

QUER “SACANAGEM”?

( Chico Ribeiro Neto)
” Só tomo cerveja depois que boto um salzinho na boca”, diz uma amiga.
Bar sem tira-gosto bom não presta.
Um tira-gosto inesquecível. Minha colega, jornalista Helô Sampaio, pegou um pedaço de charque no armazém e bar do Capenga, na Avenida Vasco da Gama, e jogou em cima do velho balcão de madeira. Jogou álcool e tocou fogo. Quando a chama estava bem baixinha, quase apagando, ela jogou a farinha, que grudou na carne. Depois, haja cerveja.
Cito alguns bons tira-gostos: moela com pão, passarinha, charque frito, carne do sol, casquinha de siri, salame, amendoim cozido ou torrado, caldo de feijão, peixe piramutaba frito, agulhinha frita, acarajé e torresmo. Uma farofinha é indispensável. Antigamente havia nos botecos ovos cozidos de várias cores na prateleira do balcão.  “São de hoje”, atestava o dono do bar.
Tinha um cara que frequentava o Bar do Chico, na Barra, cujo tira-gosto era uma salada de tomate, cebola e pimentão temperada com sal e azeite.
Na minha juventude toda festinha tinha “sacanagem”, sucesso nas décadas de 70 e 80. Não é  o que você está pensando. Era um espetinho feito com rodelas de salsicha em lata, queijo, azeitona e outros ingredientes.
A origem do termo é explicada por Lorena K. Martins no artigo “Tá a fim de uma sacanagem? Petisco de festa dos anos 80 reina nas mesas dos bares em BH”, postado no site otempo.com.br em 4/4/2025: “A origem do termo ‘sacanagem’ ainda é incerta, mas, segundo o historiador Luiz Antônio Simas, em seu livro “Sonetos de Birosca e Poemas de Terreiro” (2022), a explicação mais provável está na forma como os insumos eram montados no palito. Como ele descreve, “o fato de um ingrediente vir trepado em cima do outro já diz tudo: é uma sacanagem generalizada, com o queijo trepando no pimentão, a salsicha por cima do presunto e por aí vai”.
Havia também o tira-gosto coletivo. Não esqueço do amigo e jornalista Raimundo Machado, que, depois que a gente fechava a edição do jornal A Tarde, por volta de meia-noite, chegava na barraca de Dona Edna, vizinha ao jornal, e pedia logo uma cerveja e um mocotó em prato fundo. Cortava tudo miudinho, fazia aquele mexidão com pimenta e farinha, traçava uma boa garfada e passava o prato para o vizinho.
Uma vez, em Caculé (BA), um visitante chegou querendo um tira-gosto de ave, uma codorna, juriti ou perdiz. Com dois amigos, rodou vários bares onde só tinha tira-gosto de carne ou de linguiça de porco. Até que chegaram no boteco de um velhinho e perguntaram se havia tira-gosto de ave e ele respondeu: “A única ave que tenho aqui é um galo velho que tá lá no terreiro e que, se eu botar pra cozinhar agora (11 da manhã) só vai tá pronto meia-noite”.
Adoro uma tripa de porco frita na hora, com farinha, numa barraca de feira do interior. Se esfriar, não presta. Fica goguenta.
Será que no céu tem tira-gosto? Ou é só vinho de missa com água?

O SÃO JOÃO SHOW BUSINESS

   Prometi a mim mesmo não mais falar ou fazer algum comentário sobre o nosso saudoso São João tradicional nordestino, mas de tanto ver e ouvir absurdos, extravagancias e a morte lenta desta festa junina, não consigo controlar minha revolta contra esses embusteiros prefeitos, artífices da destruição da nossa cultural.

  O nosso São João de outrora virou um show business, uma indústria de entretenimento voltada para o lucro, só que para os bolsos dos “famosos” pagodeiros, arrocheiros, sertanejeiros, axeseiros e lambadeiros que fazem suas porcarias musicais e recebem altos cachês pagos com o suado dinheiro do povo, manipulado pelos coronéis da política.

  Vou começar por Vitória da Conquista. De acordo com o Painel de Transparência dos Festejos Juninos do Ministério Público do Estado da Bahia, a Prefeitura Municipal vai pagar mais de quatro milhões de reais com a contratação de 95 atrações para o “Arraiá da Conquista 2026”. Estou achando que tem mais coisa nesse pirão.

    Até aí, tudo bem. O pior é que os artistas locais e nacionais receberão cachês que variam de cinco mil reais a seiscentos e noventa mil, uma excrescência em termos de diferenciação no que concerne aos valores. Os cachês mais altos serão abocanhados pelo cantor Pablo, seguido da cantora Joelma (R$550 mil) que viraram forrozeiros para inglês ver.

   Quanto mais vou citando estes disparates e desmantelos administrativos contra a nossa secular cultura do forrobodó, vou ficando mais tiririca da vida, virado no diabo. Uma banda local fica com cinco mil reais, isto para pagar lá pelo final do ano e ainda com a obrigação de se apresentar de graça num distrito. O estrangeiro do show business recebe adiantado e vai curtir em Dubai, nas arábias.

   Vamos viajar agora para o município de Quijingue, de pouco mais de 26 mil habitantes, lá no nordeste da Bahia, território do sisal, na microrregião de Euclides da Cunha. Lá é só pobreza e está atravessando uma seca, mas a prefeitura contratou uma tal de dupla mineira sertaneja dos irmãos Victor e Leo por setecentos mil reais.

  De onde vem toda essa grana, de um município tão pobre? O prefeito deve ser mais um daqueles que engana os bestas e tolos, de que a festa vai movimentar a economia e tirar a população da miséria e da fome.

Além de assassinar nossa tradição cultural, é mais um que vai a Brasília todos os anos de cuia na mão para dizer ao governo federal que os municípios estão “falidos” e sem grana para manter as prefeituras em funcionamento.

  Ouvi algumas reportagens jornalísticas dando conta que a Prefeitura de Irecê, antiga capital do feijão, pouco depois de Morro do Chapéu, estava com cachês previstos de vinte e um milhões de reais para pagar as atrações do show business, mas baixou para doze milhões depois de alguma intervenção do Ministério Público.

   Aqui perto de nós, em Anagé catingueira, distante pouco mais de 50 quilômetros de Conquista, a notícia é de que o MP-BA recomendou a suspensão dos contratos firmados pela prefeitura para os festejos juninos.

  O Ministério e os tribunais de contas do estado e dos municípios pedem esclarecimentos quanto aos contratos que estariam com indícios de irregularidades. Os órgãos estão solicitando relatórios fiscais e a comprovação da capacidade financeira do município.

  É um verdadeiro derrame de dinheiro, com falcatruas, superfaturamentos e outros malfeitos, que ocorre nesse período junino, para bancar artistas do barulho, com letras chulas que nada têm a ver com as nossas raízes nordestinas.

   As imagens televisivas passam megas estruturas de palcos que mais parecem com os shows do Rock Rio e Lolapalusa, tudo para receber os “artistas” da anticultura junina. Campina Grande, na Paraíba, e Caruaru, em Pernambuco, já foram referências de São João autêntico pé de serra. Hoje, até o romântico Roberto Carlos foi convidado para jogar flores para o povão inculto dos shows business.

As indumentárias das quadrilhas, do tipo fazem de conta, mais parecem alegorias de escolas de samba. Trocaram o ritmo do maracatu e do forró, com a sanfona, o triangulo e a zabumbada,  pelos rebolados dos arrochas, das lambadas, dos pagodes e dos sertanejos, com as guitarras, baixos e as baterias estridentes.

QUANDO SE CHEGA À VELHICE…

Falam muito da discriminação contra os negros, contra as mulheres (os misóginos), os LGBTS, os com problemas de deficiência física e mental, mas pouco quanto aos idosos. Vejo e leio muitas piadas e memes com o tom de sarcasmo e depreciação quando se chega à velhice.

Como a morte, que geralmente se esquece dela, enquanto tudo se faz e se arrisca por ambição para depois da vida nada levar, assim também ocorre com a velhice. Os jovens agem como se nunca fossem chegar a esse estágio e vê o idoso com certo menosprezo, embora nem todos.

Em meu entendimento, a maior idiotice e chacota é chamar o idoso de terceira idade, como se houvesse uma quarta, quinta, sexta e por aí vai. Uns dizem que é a “melhor idade”. Sinceramente, não me venham com essa! A melhor é a juventude quando bem aproveitada. Não vamos cair no sentimentalismo barato!

Pois é, meus amigos camaradas, nos tempos mais antigos, os filhos e familiares próximos tinham mais respeito com os idosos; ouviam seus conselhos e orientações; davam benção; cediam seus assentos nos ônibus; e cuidavam até a morte.

Nos tempos atuais, com as mudanças de conceitos, levados pelas modernagens, onde predominam o individualismo e o egoísmo na corrida pela sobrevivência pelo dinheiro e bens materiais, muitos entregam seus pais a um cuidador ou cuidadora, quando não sãos levados para um asilo e lá ficam esquecidos como objetos imprestáveis.

Quando se chega à velhice, os filhos não querem mais escutá-lo porque acham que o pai ou a mãe estão ultrapassados e arcaicos. Infelizmente, a nossa sociedade “moderna” se tornou mais desumana e até diria, cruel. São os novos tempos, com a inversão dos valores humanos!

Quando um velho esquece de algum fato, acontecimento ou de fazer algo, é porque está caduco e colocam logo a culpa na idade. Se acontece com um jovem ou alguém de meia idade, entre os 20 até os 60 anos, é normal. “Relaxa, isso ocorre com qualquer um”.

O idoso não pode ter nenhuma falha ou erro no trânsito que é logo discriminado. “É coisa da idade”. Não pode vacilar e cometer    nenhum deslize porque algum idiota passa e aos gritos manda sair da rua e ficar em casa, sem falar nos xingamentos. Se houver um acidente com um idoso ao volante, mesmo que esteja certo e com razão, ele é o culpado.

– Sai da frente, meu tio – é assim o tratamento discriminatório. Idoso não pode avançar sinal, dar uma roubadinhas, estacionar torto ou coisa semelhante, senão leva aquelas “bordoadas” de palavrões. O motorista moço e imbecil pode fazer qualquer merda e ninguém se atreve reclamar ou xingar.

Quando saio com minha esposa (ainda não idosa), para resolver algum problema particular no banco, numa casa comercial ou repartição pública, observo que o atendente fica o tempo todo dirigindo mais a palavra a ela para explicar a questão, ou andamento do processo, como se eu fosse um senil que não entendesse nada.

É, meu amigo ou amiga, quando se cai na velhice, até parece que você não é mais gente, perde a razão e se torna um inútil. Imagina quando a pessoa é rica e tem um bocado de filhos gananciosos! Eles fazem logo um complô para interditar o velho ou a velha. É assim a vida, como ela é!

AS PAUTAS DA SESSÃO DA CÂMARA

  Na sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista desta quarta-feira, a partir das 9 horas, vários projetos, propostas e requerimentos de interesse da população estarão em discussão.

  Entre os destaques estarão em debate a preservação ambiental, sustentabilidade, acessibilidade e inclusão social, inclusive o projeto que institui o Programa Municipal de Implantação de Corredores Ecológicos, para conservação da fauna, flora e polinizadores, promovendo a integração entre áreas verdes e a proteção da biodiversidade de Conquista.

  Será ainda apresentado o projeto que cria a Política Municipal de Guardiões da Cidade, destinada à conservação e valorização dos espaços públicos do município.

   Na área da saúde estarão em pauta propostas, como a criação do Banco Municipal de Equipamentos para Reabilitação, garantindo acesso gratuito a equipamentos como cadeiras de rodas, muletas e andadores para pessoas em recuperação e reabilitação, além do Programa Calçada Acessível.

  A sessão também contará com apreciação de projetos voltados à educação cidadã, valorização da cultura, dos símbolos municipais e nacionais, bem como do reconhecimento das quadrilhas juninas como Patrimônio Cultural e Imaterial de Conquista.

  Serão apreciadas indicações encaminhadas ao poder executivo, moções de aplausos e de pesares a serem apresentadas pelos parlamentares conquistenses.

SARAU DEBATE “CASAS DE FARINHA”

   A professora e doutora Marise Oliveira Santos foi a palestrante do “Sarau A Estrada”, realizado no último sábado (dia 13/06/2026), no Espaço Cultural do mesmo nome, com o tema “Casas de Farinha”. A professora fez um relato do seu estudo e pesquisa de doutorado sobre essas unidades produtivas no Planalto de Vitória da Conquista.

   Os trabalhos do Sarau foram abertos por volta das 21 horas com o novo Hino do Sarau composto por Jeremias Macário e os músicos e cantores Dorinho e Baducha, com todos cantando o refrão “Avante, Avante, oh Sarau! / Estradeiros da Cultura/ de Mensagem Universal”.

Estiveram presentes ao evento cerca de 40 pessoas entre artistas, professores, estudantes, jovens e interessados pela cultura. Após os informes e comunicados, o cantor, compositor e músico Carlos Moreno nos brindou com sua cantoria num estilo romântico em homenagem ao Dia dos Namorados, 12 de junho e o de Santo Antônio casamenteiro (13/06).

  Num estilo pedagógico, esclarecedor e simples, a professora Marise discorreu sobre o assunto lembrando dos seus antepassados que viviam dessa atividade.

  Em sua tese de doutorado decidiu, então, levantar esta memória, um pouco perdida ao longo dos tempos, com o avanço do progresso onde hoje essas casas são todas motorizadas com as novas tecnologias.

  Durante o bate-papo, a pesquisadora contou várias histórias de pessoas entrevistadas donas de casas tradicionais de farinha que ainda eram movidas totalmente pelo braço humano. Segundo ela, essas casas foram desaparecendo em decorrência da força do capital onde a pequena atividade familiar vai sendo esmagada para dar lugar aos grandes empreendimentos.

   Durante as intervenções, muitos deram seus testemunhos de pais que também viveram desse ofício com suas casas de farinha artesanais, como o jornalista e escritor Jeremias Macário que lembrou de ter nascido e se criado dentro de uma casa de farinha.

   Além de viver do plantio da mandioca e ser dono de casa de farinha, seu pai também era construtor dessas unidades, cujos aviamentos principais eram constituídos de parafusos, feitos da baraúna, prensa, roda de cedro puxada a dois, ralador da mandioca, coxos e o forno que torrava a massa e a transformava em farinha.

  Em sua cultura tradicional, a professora ainda citou as raspadeiras, muito importantes no processo da farinha. Enquanto elas trabalhavam, faziam suas cantorias, contavam seus causos e fofocas. Esse lado cultural se encerrava quando a farinha estava pronta e aí entravam os beijus depois de um dia de labuta.

   Após essa discussão, o sarau teve mais uma noite memorável na cantoria da viola, com os cantores e músicos Manno Di Souza, Baducha, Dorinho, Fabrício e Alex Nery. A viola foi intercalada com a declamação de poemas, inclusive sobre “Casa de Farinha”.

  Num clima fraternal e de amizade entre os participantes, com a troca de conhecimento e saber, a festa cultural foi acompanhada dos comes e bebes típicos do período junino e varou a madrugada, como sempre acontece.

  A comissão organizadora conduziu os trabalhos com maestria, composta por Cleu Flor, Dal Farias (cicerone), Viviane Gama e Eduardo Marques. Como parte das atividades culturais, tivemos ainda a exposição da artista plástica Beth David, com seus quadros representando a indumentária dos cangaceiros.

 Na ocasião, Manno Di Souza e a escritora e poetisa Regina Chaves fizeram depoimentos emocionantes sobre as origens do sarau, que está completando, agora em julho, dezesseis anos de existência, as histórias, as acirradas discussões, o convívio entre as pessoas, os temas discutidos e a aprendizagem na troca de ideias.

Na oportunidade, Regina doou seus livros publicados, “Entre Palavras e Marés: Vozes Femininas” (Coletânia), “Escritas do Pensamento- o murmúrio das ideias em voz alta”, “Suspiros Poéticos- a beleza da lira cor”, e “Brisa Ventilando a Poesia” para o acervo do Sarau.

  Manno Di Souza, um dos fundadores, lembrou de casos interessantes durante esse tempo, inclusive de que o sarau nasceu do grupo “Vinho Vinil” lá atrás, numa conversa com Jeremias Macário e o fotógrafo José Carlos D´Almeida entre um vinho e um petisco. Sua filha Maria Luiza foi uma das crias do Sarau ainda criança.

  De lá para cá, o “Sarau A Estrada” cresceu, aumentou sua estrutura, inclusive com mais participantes, divulgou um CD de músicas e poemas autorais, vídeos, apresentou-se no Teatro Carlos Jheovah e até já recebeu o troféu Glauber Rocha. O próximo evento já está marcado para agosto, provavelmente no dia 22.

 

CDF É F…

( Chico Ribeiro Neto)
Cabelo colado de brilhantina, camisa bem engomada, caderno todo bem forradinho e sapato preto brilhando. Lá vem o CDF, aquele que só dá bom dia ao professor.
Sempre sentado na primeira fila, o CDF toma nota de tudo, até do espirro do professor.
Segundo os linguistas, o termo CDF surgiu de uma expressão popular usada por estudantes a partir da década de 70 (C. de Ferro). O apelido era direcionado a quem ficava sentado estudando por horas, sem se levantar, sem reclamar e sem dispersão.
Depois vieram outras variantes: o CDA (C.  de Aço) e o CDAI (C. de Aço Inoxidável).
Há uma observação atribuída ao jornalista e escritor Nelson Rodrigues de que o grande personagem da vida não  é necessariamente o primeiro da classe nem o último, mas aquele que encontra o próprio caminho.
O CDF é o primeiro a se apresentar quando o professor pede algum voluntário para ir ao quadro, e acerta todas as respostas.
Na igreja é ele quem segura aquela vela grande na frente do padre.
No recreio ele fecha a cara pras piadas de putaria, finge que está lendo e sonha em um dia estudar no Texas, Oregon ou Massachusetts.
CDF fica puto quando tira a nota 9,75. Ele nasceu para tirar 10 em tudo. É puxa-saco do professor e dedo-duro.
Quando vê um colega bagunceiro, grita logo: “Se não quer estudar, volte pra sua casa”.
O CDF é também o primeiro a se inscrever na equipe organizadora da XX Páscoa Estudantil. Ele só pede uma coisa nas orações: tirar 10 sempre.
Ele odeia jogar bola, “é perda de tempo”, e quando sai de férias fica doido pra voltar logo.
Dá presente à professora no Dia do Professor e no Dia das Mães.
Muito emocionada, a mãe do CDF está sempre à elogiá-lo : “Meu filho só pensa em estudar. Eu não preciso nem chamar ele pra fazer o dever de casa (hoje chamado de tarefa)”.
O CDF odeia política estudantil: “Escola é lugar de estudar, não de fazer política”.
O CDF vai pro céu? Ele tá estudando pra isso.

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REVISÃO DOS VENCIMENTOS

  O projeto do poder executivo que prevê a Revisão Geral dos Vencimentos dos Servidores Municipais será discutido nesta sexta-feira (dia 12/06), a partir das 9 horas, em sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista.

  A proposta inclui reajuste de auxílio-alimentação, atualização da remuneração de categorias do serviço público e adequações salariais previstas em lei, que vai impactar milhares de funcionários.

  Durante a sessão, será também apreciado, em segunda votação, o projeto “Férias sem Fome”, destinado à garantia da segurança alimentar de estudantes da rede pública municipal durante os períodos de recesso e férias escolares.

   Os parlamentares vão ainda discutir propostas relacionadas à educação, saúde da mulher e assistência à maternidade, como os programas “Uniforme Completo” e “Bebê a Bordo”, além de projetos que assegurem acompanhamento especializado às gestantes com transtorno de espectro autista.

    Ainda nesta sessão de sexta, será apresentado o projeto “Jovem Eleitor”, iniciativa que busca promover a formação cidadã e incentivar a participação consciente dos estudantes na vida democrática e política do país.

  Na oportunidade, a presidente do Sindicato dos Professores, Simone Marques usará a Tribuna Livre para falar sobre as principais demandas da classe e a valorização dos profissionais da educação.

  Também, a senhora Lúcia Pilôto estará na Tribuna para discorrer sobre o projeto de arborização da Avenida Rosa Cruz .

A VACINA DA BUTANTAN CONTRA A DENGUE CAIU MAL NA REPERCUSSÃO

   Se já existe no país aquele mundaréu de negativistas da ciência com o registro do baixo índice de vacinação no Brasil nos últimos anos, a constatação de mortes e os graves problemas de saúde com pessoas (mais de 40) que tomaram as doses do Butantan contra a dengue, repercutiram mal na população, principalmente a menos esclarecida.

  Sabemos que a atitude do Instituto de São Paulo e do Ministério da Saúde em dar uma parada para averiguações dos casos, se foram em decorrência da vacina, ou não, é a mais correta, mas o estrago já está feito. O fato em si constitui prato feito para as críticas dos negativistas, sobretudo aqueles que combateram a vacina da Covid-19 lá atrás, nos anos 2020/22.

  A questão não é o baixo índice de casos, de 0,0008 por cento. Aqueles que rejeitam a vacinação, e não são poucos, não querem saber disso, se o número foi insignificante ou não. O lançamento de uma medicação ou vacina passa por uma bateria rigorosa de exames, testes de comprovação em laboratórios e voluntários e entendo que nada pode dar errado porque trata-se de vidas humanas.

  Não sou cientista, mas acho que qualquer leigo assim entende. Os negativistas aproveitam dessa situação, que pode ocorrer, para induzir e incitar mais ainda com fake news de que vacina mata e até provoca infartos do coração, como argumentou um primo meu com relação à Covid-19.

Em sua cabeça, baseado em pronunciamentos de “falsos” médicos e até verdadeiros com ideologias negativistas, cresceram muito as ocorrências de infartos naqueles que tomaram a vacina durante a pandemia. Não adianta tentar contrariar sua afirmativa e convicção com argumentos baseados na ciência.

  O Instituto Butantan, fundado em 23 de fevereiro de 1901, nome originário do tupi que significa “terra dura, dura”, é um dos mais conceituados e importantes centros de pesquisas biomédica do país, formado por um parque, museus, diversos laboratórios e fábricas, além de um serpentário.

  Justamente por ser um renomado instituto de pesquisa, essa incidência de mortes e sintomas pós vacinação, criaram repercussão negativa entre milhões de brasileiros.  Essa imagem, quer queira ou não, só vai ser reparada depois de um certo tempo.

    Milhares de negativistas já devem estar dizendo por aí, inclusive em redes sociais e outros veículos de comunicação, para as pessoas não tomarem vacinas e produtos do Butantan, o que é um absurdo, mas, infelizmente, é assim que a banda toca.

  Quando uma instituição, empresa ou qualquer entidade séria comete uma falha, mesmo que depois tudo seja explicado cientificamente, caso do Butantan, fica bem difícil recuperar a reputação, especialmente neste nosso país de hoje tão polarizado ideologicamente, com um bando de extremistas de direita terraplanistas.

  De qualquer forma, a transparência foi a melhor “vacina” para tranquilizar os brasileiros e até frear o ímpeto dos negativistas e fundamentalistas que não acreditam na eficácia da ciência e envenenam a cabeça da população inculta com ideias tacanhas, sem nenhum fundamento.

O RONCO DAS GRANDES CIDADES

    Na louca correria do dia a dia dos problemas, até acho que ninguém nunca parou num jardim, em um banco de uma praça, para ouvir o ronco ensurdecedor nos centros das grandes cidades ou metrópoles. Com o tempo, as pessoas vão ficando surdas e, de tão entorpecidas, não conseguem ouvir nada ao seu redor.

  Ao comentar sobre este assunto, um músico amigo meu me disse certa vez que harmonizando  bem as batidas com os gritos e sussurros de gente conversando nos passeios, o ronco dos motores e as buzinas dos veículos, as britadeiras e furadeiras nos asfaltos, as sirenes das ambulâncias e dos carros apressados da polícia, os sons das propagandas, os anúncios dos ambulantes e os megafones nas portas das lojas dariam para compor uma sinfonia.

   Não quis muito questionar porque não sou do ramo, não é minha especialidade, mas respondi que ficaria uma sinfonia desafinada, no que ele retrucou afirmando que, com uma letra adaptada ao tema numa boa gravadora, daria uma bela melodia da vida. Acrescentou ainda que a IA faz tudo isso hoje.

    Fico aqui imaginando que um músico, ou maestro, poderia juntar todos as batidas desses sons das grandes metrópoles e fazer a partitura de um concerto. Poderia render um rock, um folk, um axé music tipo “bate estaca”, um country ou até mesmo um samba brasileiro autêntico. Não sei se daria um forró, mas tudo dependeria da composição.

   Pelo menos me livraria daquele trauma quando sou obrigado a sair da minha casa para ir ao centro de Vitória da Conquista resolver “pepinos”, principalmente em repartição pública. É tanta preocupação que nem consigo dormir direito na véspera.

   Minha vida foi uma loucura infernal em Salvador, pra lá e pra cá, como um doido para ganhar dinheiro, mas, com o passar do tempo, a idade bateu forte que não suporto mais as grandes cidades. Meu desejo é me recolher em meu insignificante canto, isolado de tudo, num buraco qualquer.

   Prefiro o mugido da vaca, o relinchar dos equinos, os uivos dos coiotes, os latidos dos cachorros e raposas, o cantar do galo na madrugada e dos pássaros no campo do que o barulho das grandes cidades. O som dos animais e as cantorias dos adjutórios lembram minhas raízes telúricas.

   Como agora quase tudo é na base da senha, fico irritado com a zoeira das fofocas e besteiróis dos compadres e comadres esperando pacientemente seus momentos de serem chamados. Pior ainda é ter que ficar de olho no painel, com a voz de uma mulher, ou sei lá quem, avisando senha PNH 124, mesa 13.

Para ter menor impacto nos meus nervos, que não são mais de aços como antes, levo um livro para ler, só que não consigo mais me concentrar. Ou leio ou fico de olho na tela! Deveria ter uma lei aprovada pelo Congresso Nacional, o mais caro do mundo, proibindo a frequência de idosos nesses lugares.

   No entanto, como o Estado é masoquista, tirano e maquiavélico, quanto mais matar o velho lentamente, melhor, porque é menos um custo previdenciário. É um alívio quando cai mais um atestado de óbito no INSS, mas sempre tem um herdeiro.

  O plano dessa gente do poder vai nessa direção, tendo em vista que as pesquisas dão conta que em pouco tempo vamos ter uma população maior de idosos no Brasil. Os caras já estão fazendo as contas e apertando o cerco.

  Parece que fugi um pouco da questão do ronco das grandes cidades. É meu marrento hábito de ir alinhavando um assunto com um outro, mas acho até que uma coisa tem a ver com a outra.

Bem que os músicos do Sarau A Estrada poderiam se reunir para fazer o som, o ronco ou a louca sinfonia dos centros das grandes cidades. Será que daria uma boa melodia? Poderia até juntar com os sons dos bichos da zona rural.

  Para fazer um teste, é só ficar ali por uns tempos na Praça Barão do Rio Branco, na Nove de Novembro e imediações. Eu até me prontificaria contribuir com alguns versinhos, e aqui em nosso meio o que não faltam são poetas e poetisas inspirados.

  O que acham disso Itamar, Viviane, Luis Altério, Dal Farias, Carlos Maia, Manno Di Souza, Baducha, Dorinho, Jânio Arapiranga, Fabrício, Nery e, enfim, todos estradeiros da vida? Vão dizer que estou é ficando caduco, lelé da cuca!





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