dezembro 2021
D S T Q Q S S
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031  

:: ‘Notícias’

A EDUCAÇÃO EM BOMBARDEIO

Como se não bastassem a destruição do meio-ambiente através da porteira aberta para passar a boiada e da cultura que virou coisa de comunista, a educação está sendo bombardeada pela pasta do próprio Ministério que dela deveria zelar.  Basta ao aluno ser uma peça manipulável pelo capital para ter sua vaga assegurada. Nada de pensar.

Como na época da ditadura civil-militar de 1964, está sendo banido o ensino de filosofia e sociologia para se criar a escola exclusivamente voltada para atender o mercado empresarial. O negócio é só aprender apertar o parafuso e girar a roda. Não precisa saber de suas origens e seus inventores. Sirva-se apenas como engrenagem do sistema, e nada mais.

A onda de intolerância, ódio e negacionismo chegou às salas de aula de todo país com denúncias de abusos. Recentemente, em Salvador, uma professora do colégio Vitória Régia foi vítima de racismo, e outra do Thales de Azevedo foi acusada para a polícia sob alegação de que estava agindo de forma doutrinária. Elas estavam simplesmente abordando temas de gênero, preconceito, assédio e diversidade, assuntos aprovados pela Secretaria Estadual de Educação.

O ensino formal no Brasil é regido por leis, como a de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, de 1996). Diz que a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisas, nos movimentos sociais, organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.

A lei garante ao aluno a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte, o saber e o pluralismo de ideias. Os debates em aula não podem ser tratados como doutrinação política porque estão amparados pela Lei Federal, a qual protege os direitos dos estudantes e também resguarda a valorização do educador.

Comportamentos de alunos e pais dessa natureza, como ocorreu em Salvador, infelizmente, contam como o amparo do capitão-presidente que dissemina ódio e preconceito. Cabe à sociedade, coisa que não vem fazendo, combater qualquer tipo de discriminação e lutar pela liberdade e igualdade.

Antes da prova do Enem, 33 funcionários do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) – não sei como ainda não defenestraram o nome do grande educador baiano – pediram exoneração de seus cargos porque estavam sofrendo assédio moral e pressionados para que determinados temas fossem excluídos das provas.

O MEC, comandado hoje pelo pastor, determinou que os alunos fossem filmados durante o hino nacional. Nesses tempos de pandemia – doença infecciosa (a Covid-19) que se espalha pela população do planeta, a educação está também sofrendo do mesmo problema, não que atinja diretamente à saúde, mas a área social como um todo.

Nos três últimos anos, os três ministros que ocuparam a pasta, incluindo o atual, só falaram barbaridades, como a de que as universidades devem ser reservadas para uma elite intelectual, que não é a mesma econômica do país. No obscurantismo deles, a universidade deve ser para poucos.

O maluco do Abraham Weintraub fez duros ataques ideológicos ao educador Paulo Freire. Declarou ainda que as universidades possuem laboratórios de drogas sintéticas, de metanfetamina e plantações de maconha.  Há três anos que a educação vem sendo bombardeada por todos os lados, com o aval do capitão-presidente.

Dados de instituições internacionais do setor mostram que em 1980 o percentual de brasileiros com ensino superior era de 2,79%, contra 3,36% do México e 4,76% da Coréia do Sul. Em 2010, apenas 5,63% dos brasileiros tinham ensino superior. No mesmo período da pesquisa, o México passou para 9,81% e a Coréia para 30%.

O poder da educação para o crescimento econômico e social da população é indiscutível, como está comprovado nos índices dos países desenvolvidos. A educação no Brasil é como um velho reboco de um casebre caindo aos pedaços. É uma pandemia que já dura muitos anos, com variantes mais contagiosas nos últimos três. Existe vacina para curar esta doença maligna, mas ela é renegada pelos negacionistas do fascismo.

O CRONISTA FOTÓGRAFO

Fotos de José Carlos D´Almeida

Com sua perspicácia e sensibilidade de ver o que muita gente não consegue enxergar, o fotógrafo José Carlos D´Almeida, filho de Itapetinga, mas conquistense por adoção, é um cronista do tempo através de suas imagens clicadas de suas lentes, numa harmonia entre o obturador e a luz. Ele consegue muito bem preencher os espaços para uma reflexão, num colorido com mais destaques para o preto e o branco.

Ao captar pessoas, objetos, animais, prédios, a natureza e a vida cotidiana na cidade e no campo, suas fotos são reportagens e matérias jornalísticas, mas também delas brotam sentimentos, razão e emoção, como as que estão expostas na entrada do centro comercial Itatiaia, retratando, principalmente, os momentos difíceis de todos nós no período do isolamento social por causa da Covid-19, entre o meado do ano passado e em 2021.

Suas crônicas fotográficas se eternizaram no campo político e social em diversos jornais e revistas regionais, e até no exterior quando D´Almeida, como assim é mais conhecido, esteve por uns tempos em contato com a cultura europeia entre a França, Portugal e a Bélgica. De lá, com sua analógica, não muito sofisticada, trouxe na bagagem um monte de negativos que podem dar grandes exposições.

Conheci D´Almeida com sua máquina na mão produzindo suas crônicas fotográficas logo quando aqui cheguei, em 1991, para assumir a chefia da Sucursal “A Tarde”, sempre com aquele jeito simples e humilde, sacando do seu alforje uma novidade de mais uma imagem captada pela sua lente, com um olhar diferenciado. Pode também ser considerado de caçador de imagens.

Não é um literato do romance, da história, ensaísta ou ficcionista, mas é um escritor jornalista da fotografia onde suas imagens valem por mil ou mais palavras. A sua exposição no Itatiaia revela isso nas ruas e lugares por onde transitou, quase que desertos por causa da pandemia, mas as fotos registradas por sua máquina têm significado profundo, lírico, expressionista e, às vezes, um melancólico surreal.

O POVO ADORA SER ENGANADO

A Black Friday diz que o frete é grátis e que o produto é dividido em 24 meses sem juros. A carneirada entra na onda do supérfluo, cai dentro e compra sem precisar. Diz que é tudo uma maravilha nos preços. A Justiça Eleitoral faz a propaganda de que seu voto vai tudo mudar. O político fala do tudo pelo social, com a promessa de dias melhores.

A impressão que se tem é que o povo brasileiro adora mesmo é ser enganado e acredita em fake news, que a terra é plana, que o cara foi eleito por Deus. Isso só pode ser masoquismo. Como diz a canção, tudo muda para ficar em seu lugar. As propagandas na mídia estão cheias de enganação. O sistema é assim, constituído para encher a pança dos mais ricos na acumulação de bens.

Há séculos que o povo brasileiro é enganado, e basta chegar a época das eleições para começarem as enxurradas de mentiras. A lista de enganação é extensa porque a nossa população, a maioria inculta e iletrada, é uma presa fácil. Você acredita que todos são iguais neste Brasil? Que não existe racismo, e que somos todos solidários? Que a flexibilização segue os protocolos, quando a fiscalização é deficitária?

Quando arquitetaram a reforma trabalhista, os patrões do capital disseram que ela iria abrir mais vagas no mercado. O desemprego aumentou; acabou a negociação salarial; o rendimento do trabalhador caiu; a informalidade subiu e a reforma se transformou numa escravidão moderna onde o funcionário, chamado de colaborador (outra enganação), é explorado sem piedade.

Os termos mudam para se dizer que está havendo uma evolução. Tiraram o subdesenvolvido e colocaram o emergente que se afundou. A Secretaria de Transportes é agora de Mobilidade. Mas tudo continua ainda pior. A palavra mais em moda nos tempos atuais é resiliência, mas como ter se não lhe é dada a oportunidade para vencer, quando se joga a meritocracia no lixo.

Somos enganados em tudo. É como uma embalagem bonita, colorida e chamativa num produto sem conteúdo. Tudo porque deixamos nos iludir pela emoção do momento, e caímos no conto do vigário. Somos vítimas do estelionato e da falsidade ideológica em todos setores, a começar pela política. O preto pode se tornar branco, e o vermelho em verde.

Tudo que acontece de mal e ruim colocamos Deus no meio para resolver as pendengas. O homem predador destrói o planeta, e o fanático diz que é Deus que assim quis. O fiel acredita em tudo que o pastor fala, até que o caroço de um feijão cura a Covid. Tem uma outra canção que diz que é preciso morrer para poder viver.

E assim continuamos vivos-mortos, sendo o tempo todo enganados pelos mais astutos e mentirosos. Não passamos de uma manada conduzida pelo boiadeiro para o matadouro. Somos todos os dias enganados por esse emaranhado de leis, cheias de brechas que só servem para a elite. Está aí o consumismo desvairado e irracional que cada vez mais detona o nosso meio-ambiente.

Você acredita nessas reuniões do clima entre o capitalismo, que promete reduzir o metano e o dióxido de carbono no ar, mas com suas metas de cada vez mais aumentar o Produto Interno Bruto do seu país? Só uma coisa é certa, que a destruição do planeta não tem volta.

 

 

OPERAÇÃO VINDICTA: PMS SÃO ACUSADOS DE EXTORQUIR 200 MIL DE FAMÍLIA DE CIGANOS

Por Anderson Ramos e Gabriel Lopes 

Os policiais militares que foram presos na manhã nesta sexta-feira (26) (leia mais aqui), em Seabra e Serrinha, durante a Operação Vindicta, são acusados de extorquir R$ 200 mil de uma família de ciganos. A informação é da Polícia Civil.

Conforme a polícia, dos quatro mandados de prisão, apenas dois foram cumpridos. Os outros dois PMs que não foram encontrados são de Salvador e estão lotados em Paripe, ainda de acordo com as informações.

No início da manhã, o Coordenador de Repressão a Extorsão Mediante Sequestro, delegado Adailton Adan, afirmou que os policiais “fazem parte de uma quadrilha envolvida em extorsão mediante sequestro que atua em Salvador e Interior do estado”.

A quadrilha extorquiu a quantia de R$ 200 mil de uma das vítimas e a mantinha em um cativeiro. A Polícia Civil informou, ainda, que o sequestro ocorreu no dia 22 de agosto e a vítima foi libertada no dia seguinte.

A operação foi deflagrada pela Coordenação de Repressão a Extorsão Mediante Sequestro do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco), 13ª Coordenadoria Regional de Polícia de Interior (Coorpin/Seabra), a Coordenação de Operações Especiais da Polícia Civil (COE) e a Corregedoria da Polícia Militar (relembre aqui).

 

MINHAS ARTES!

Entre um texto político, social ou qualquer assunto que vier na cabeça, uma leitura e uns versos sobre a vida, vou temperando  o tempo com minhas artes de marcenaria (herança do meu velho sábio pai) e algumas “esculturas” trançadas de cipó que aproveito do muro do terreno vazio, por sinal cheio de entulhos, vizinho da minha casa. Assim vou ocupando esse vazio existencial brasileiro, turbinado de ódio e intolerância nas redes sociais (não tenho smartphone). O passatempo resultou em mais de dez peças, entre elas mesas, estantes, bancos, cinco esculturas de cipó ,e a aventura de montar um oratório que, na minha concepção, terminou sendo uma capela-oratório. E olha que nem tenho religião! Assim vou cumprindo o meu dever de passageiro da vida, circulando num trem que ainda não chegou à minha estação de saltar. Do espaço das janelas vou apreciando as paisagens, umas secas, áridas, outras verdes floridas, morros, planaltos e planícies, ora com momentos alegres, tristes e melancólicos. Não faltam as reflexões, e só delas esqueço quando estou fazendo alguma coisa na espera do meu destino. Não sei o que virá depois, e se terá amanhã, mas vou fazendo as minhas artes.

GRUPOS AFROS REIVINDICAM MAIS DIREITOS EM SESSÃO ESPECIAL DA CÂMARA

A chamada “suíça baiana” ainda deixa muito a desejar e está longe de reconhecer, como deveria, a importância identitária da cultura e da religiosidade negra exercida no município de Vitória da Conquista que abriga dezenas de territórios quilombolas, terreiros de candomblé, entidades de capoeira e outras comunidades que expressam suas linguagens artísticas em diversas áreas.

Esta realidade foi ontem (dia 24/11) estampada nas vozes de representantes da etnia negra praticante, principalmente, do candomblé durante a realização da sessão especial da Câmara de Vereadores, que homenageou a Semana da Consciência Negra, com a entrega do prêmio Zumbi dos Palmares e apresentações de cânticos religiosos em louvor à capoeira (Esqueleto) e às crenças afro-brasileiras.

Nesses 500 anos de presença africana no Brasil, as comunidades afrodescendentes clamaram por mais respeito ao seu povo por parte dos poderes públicos de Vitória da Conquista, que até hoje não conta com uma praça representativa aos deuses orixás, nem ruas com nomes de personalidades do povo negro.

O vereador pelo PT, Alexandre Xandó, organizador da sessão especial junto à Mesa Diretora, presidida por Luis Carlos Dudé, fez duras críticas à Prefeitura Municipal que insiste em cobrar IPTU dos terreiros de candomblé. Informou que houve um contato com o poder executivo para que essa taxa fosse dispensada, mas sem resposta. Em seguida, anunciou que está entrando na justiça contra essa cobrança.

Na ocasião, o parlamentar cobrou da prefeitura que abra um sistema de cotas raciais para concursos públicos, inclusive para mestres em capoeira. Xandó também criticou a violência policial contra negros na cidade, dizendo que existe uma matança indiscriminada de jovens. Estiveram presentes ao ato pai Celi (José Carlos) e o mestre de capoeira, Quequeu, que repudiou o racismo no país.

A maioria das falas dos religiosos presentes à sessão (contou com a participação do vice-reitor da Uesb- Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Reginaldo Pereira), como pai de santo Ricardo de Oxossi, mãe Olinda, a pedagoga Elizabete (Beta), se pronunciou em defesa dos negros e pediu respeito ao seu povo.

Em seu pronunciamento, pai Ricardo elogiou a presença de vereadores evangélicos na sessão (alguns faltaram), afirmando que isso demonstrava bons ventos de união e tolerância religiosa. “Todos nós queremos saúde, educação e que se acabe de vez com o racismo. Combatemos o racismo com mais educação e não com leis”. Ele ainda reclamou que estão acabando com a memória cultural do povo negro, apontando que em Conquista não existe uma praça em homenagem aos orixás.

Sobre essa reivindicação, o presidente da Câmara, Luis Carlos Dudé anunciou que está em entendimento com a construtora VCA para criação de uma praça dos orixás em Conquista. Mãe Lene condenou a prefeitura pela suposta intenção de demolição da escola localizada no Quilombo Cachoeira dos Porcos, a qual está em péssimas condições de funcionamento. As comunidades pedem a reforma do equipamento e não o fechamento.

Existem no município 33 comunidades quilombolas que, segundo denúncia de Elizabete, a Beta, estão sendo desmontadas e sem demarcação e titulação. “Tudo para o negro é difícil”- enfatizou. Outro problema dessas famílias é a falta constante de água nas localidades.

 

A EVOLUÇÃO DO EXTREMISMO DE DIREITA E A VOLTA DAS TREVAS

Talvez os espíritas e as religiões afros, mais que os historiadores e cientistas, possam dar uma explicação mais plausível sobre o que vem ocorrendo com a volta avassaladora das ideologias extremistas e negacionistas no planeta terra, inclusive em nações mais desenvolvidas que sempre defenderam a liberdade e a democracia, consideradas mais avançadas em termos civilizatórios.

É um fenômeno inexplicável essa volta às trevas e ao obscurantismo como numa repetição maldita da história. Alguns intelectuais da África, como Soyinka, na passagem entre o colonialismo e o pós-independência de países do continente, falam muito dos males ancestrais que se arrastam para o presente. É o passado replicando o presente. É a Idade Média se incorporando em pleno século XXI.

Na Europa, nas Américas e outros continentes, as ideias fascistas, nazistas, de supremacia da raça, do preconceito, da discriminação e retrógradas negacionistas da ciência estão retornando com força através das eleições de líderes de extrema. Esse quadro se tornou mais visível nesse período pandêmico da Covid-19 onde milhões se recusam a vacinar como forma de negar a ciência.

Entre as democracias em retrocesso, Brasil e Estados Unidos estão na lista do relatório anual da Organização Internacional IDEA, com sede em Estocolmo. Os principais motivos são do presidente-capitão e do ex-Donald Trump. Mais de um quarto da população mundial estão nesse rol. Seriam cerca de 70% se forem somados os regimes autoritários, ou com tendência à degradação. Desde 2016 a lista já incluía Índia, Filipinas, Polônia, Hungria e agora, a Eslovênia.

Voltamos ao tempo das inquisições do pensamento, faltando apenas montar as fogueiras, como está acontecendo, particularmente em nosso Brasil de hoje. Confesso que tenho ficado chocado e angustiado com fatos absurdos, como o mais recente de uma professora de filosofia, em Salvador, que foi vítima de um processo numa delegacia só porque estava cumprindo seu dever de lecionar sua matéria, sem intenção de inocular ideologia em seus alunos. Ela falava sobre a Semana da Consciência Negra e foi denunciada como esquerdista, comunista e macumbeira. Isso remete à ditadura civil-militar no seu pior momento do AI-5.

A cada dia cresce mais e mais o fundamentalismo evangélico, com intolerância religiosa e ódio homofóbico. Aumentam a violência contra a mulher, o feminicídio e o racismo ao negro, com brutal agressão. A polícia executa os cidadãos, e o capitão-presidente incentiva cada vez mais o uso de armas. Foi aberta a porteira para a boiada da destruição das nossas florestas. O meio ambiente padece.

A impressão que temos é que está havendo um surto de raiva sem precedentes na história da humanidade, com a redes sociais repletas de imbecis incultos e estúpidos soltando espumas venenosas pela boca. Não existem debates de ideias e argumentos. Só sobraram os xingamentos extremistas, tanto de um lado, como do outro, num país dividido com milhões passando fome na extrema pobreza.

Por outro lado, o planeta está pegando fogo com o aquecimento global, que não tem mais volta. A terra vai se acabar. Os caras na reunião do clima passam dias se estapeando sobre redução dos índices de dióxido de carbono e metano. Assinam documentos e depois não cumprem o dever de casa quando retornam aos seus países de origem.

Cada um só quer elevar o seu Produto Interno Bruto (não importa o tipo de combustíveis queimados), incentivar o consumo das famílias, ostentar seus luxos e gastar cada vez mais. Os mais ricos trocam de carro, de celulares e outros aparelhos todos os anos. O lixo é cada vez mais crescente. É uma tremenda contradição porque a conta a favor do meio ambiente nunca bate. A própria mídia que denuncia e condena a destruição, é a mesma que estimula o crescimento. Ninguém quer reduzir o consumo, a não ser os pobres que já fazem isso obrigatoriamente.

NOSSO JUMENTO ESTÁ EM EXTINÇÃO

Vejo os ambientalistas e as associação dos animais defendendo os cães, gatos, baleias, tartarugas e bichinhos do lar, mas quase nada se fala do nosso jumento, símbolo do Nordeste e servidor do homem do campo por séculos, que está sendo, impiedosamente, extinto, com o aval das autoridades governamentais.

Pelo interior a fora, ele é comprado por até 10 reais e sua carne e o couro exportados por até três mil reais para os chineses. Ele, o jegue, um personagem do Novo Testamento, que tanto ajudou o agricultor por séculos foi substituído pelas motocicletas e agora está sendo maltratado em currais e morto pelos frigoríficos.

O quadro dessa situação foi exposto pela Assembleia Legislativa da Bahia e noticiado na coluna do meu amigo Levi Vasconcelos no jornal A Tarde. O assunto foi discutido em sessão da Comissão do Meio Ambiente, presidida pelo deputado José de Arimatéia, defensor da causa animal.

De acordo com dados apurados, entre 2010 a 2014 foram abatidos mil jumentos na Bahia. Entre 2015 a 2019, o número subiu para 91.145, um crescimento de mais de oito mil por cento. O extermínio está próximo. Está sendo raro encontrar um jumento no sertão, resistente à seca.

A Comissão da Assembleia denunciou que não existe qualquer tipo de fiscalização por parte dos órgãos governamentais, nem mesmo as fazendas de reprodução. Na Bahia, os exterminadores para mandar carne e coura para a China são os frigoríficos de Amargosa, Jacobina, Simões Filho e Itapetinga, por um punhado de empregos.

Há pouco tempo, houve denúncias graves de maltratos desses animais em currais dos citados frigoríficos morrendo de fome e sede, mas, de lá para cá não mais se falou nisso. Enquanto isso, o jumento, um animal dócil, cantado em versos pelo nosso cancioneiro rei do Baião, Luiz Gonzaga, vai sendo exterminado pela ganância do lucro dos donos de frigoríficos.

GRUPO “APODIO” DISCUTE SITUAÇÃO DO TEATRO CARLOS JEHOVAH

Desde outubro, um grupo de jovens denominado de “Apodio” vem discutindo e chamando a atenção da sociedade conquistense para a situação do Teatro Carlos Jehovah. O movimento tem realizado reuniões presenciais em frente ao equipamento cultural, colocando em pauta vários assuntos e produzindo vídeos, desenhos e imagens, inclusive com proposta de uma ação judicial em defesa do teatro.

O grupo tem mantido contatos com artistas e influenciadores da cidade, inclusive com a diretoria do Conselho Municipal de Cultura. De acordo com os participantes, o local onde está o mercado popular é de bastante visibilidade, sendo necessário saber como a prefeita está se articulando com relação ao espaço, pois existem conversas de uma possível demolição.

CONSULTA POPULAR

Qualquer decisão, segundo o grupo, precisa haver uma consulta popular, argumentando não ser a primeira vez que há a intenção de mudar a cultura para um lugar menos visível. “Não há investimento em cultura e na história da cidade. Tinha um grupo que contava a história de Conquista em uma peça de teatro e passei a entender a cidade através dessas pessoas” – diz um integrante do grupo.

Eles relatam que o teatro foi construído, em 1982, (tecnicamente bem planejado em termos de luz, espaço e acústica) como parte de um movimento do próprio Carlos Jeovah, que promovia festivais e elaborava espaços artísticos, influenciando muito no cenário cultural da cidade. Lembram que 20 anos depois, o teatro foi desativado por falta de iluminação e deficiência em suas instalações físicas.

Agora, conforme assinala o grupo, O teatro volta à mesma situação, e muitos nem sabem que existe. O “Apodio” defende a melhoria do espaço (existem poucos equipamentos) e a não demolição como se tem cogitado. Entre as melhorias, apontam a necessidade de mais mesas com canais e placa de sinalização mais visível onde está situado o estacionamento. “A cultura não precisa só de talentos e amor à arte, mas também de políticas públicas para continuar a existir”.

Para o grupo, ampliar o Carlos Jehovah não é uma boa ideia, pois a estrutura dele proporciona uma relação única com o público. A proposta é que o teatro esteja sempre aberto durante o dia para que as pessoas possam visitá-lo. Outra sugestão é melhorar o mercado de artesanato. Os membros do grupo querem saber sobre a proposta concreta do poder executivo sobre o destino do espaço, criticando as outras administrações que não deram importância para o teatro.

RESPONSABILIDADE E TOMBAMENTO

O grupo “Apodio” defende uma agenda construída pela sociedade onde o poder público assuma a responsabilidade pelo seu funcionamento, porque se trata de um espaço público. “Ficamos num ciclo em que os movimentos se formam, as pessoas vão para fora em busca de novas oportunidades, e o movimento morre de novo”.

A presidente do Conselho de Cultura, Hendye Graciele, presente em um dos encontros, parabenizou o trabalho do grupo e prestou seu apoio a todos que estão nessa articulação de reativar o teatro. “O espaço tem uma dimensão simbólica, econômica e cidadã, e é importante por estar no centro da cidade. O teatro e o Centro de Cultura não anulam um ao outro. Ele tem sua função para outros tipos de apresentação, necessária para os artistas. Não precisa destruir um equipamento cultural para construir outro. Temos que caminhar no sentido da utopia de ter um teatro em cada esquina” – afirmou.

Hendye assinalou que a gestão anterior do Conselho se aproximou muito dos artistas, “e eu acompanhei muito o trabalho de implementação da Lei Aldir Blanc e outras ações. Estamos atentos para dar continuidade a este trabalho”. Declarou ser importante levar essa discussão para dentro do Conselho de Cultura no sentido de que a Secretaria de Cultura abrace essa causa do grupo. Na ocasião, comunicou que foi enviado um ofício à prefeita solicitando informações sobre a situação do teatro.

O grupo imagina que a prefeitura pode argumentar que o espaço é subutilizado, mas isso não justifica sua possível desativação, rebatendo que a relação com o poder executivo tem sido difícil. Alega falta de apoio suficiente para que os artistas possam sobreviver. “A estrutura física do músico para trabalhar é mais simples do que a do pessoal que atua com teatro. Cada expressão artística precisa de instrumentos diferentes”.

Para Eduardo Nunes, quando um espaço público não tem política pública de manutenção, como equipamentos, circulação de obras/fomento (espaço de ensaios, por exemplo) e formação de novos artistas, fortalecimento da formação dos que já tem experiência/conhecimento e de formação de plateia, fica-se refém desse processo que não avança.

Gustavo Cirino considera que se perdeu uma boa oportunidade de reformar o espaço durante a pandemia. “Foram meses sem poder reunir as pessoas para assistir espetáculos naquele espaço”. Na oportunidade, Eduardo lembrou que o Cine Madrigal está sob a gestão da Secretaria de Educação, quando o aparelho deveria estar com a Secretaria de Cultura. Em sua opinião, o movimento deve ser ampliado para a retomada dos espaços públicos culturais.

Nas falas, comentou-se que a antiga gestão do Conselho de Cultura construiu um diálogo com a associação dos artesãos, e que o momento é oportuno para se pensar em conjunto com o setor para que o mercado de artesanato seja também contemplado nas mobilizações. O tombamento de vários espaços seria um instrumento de proteção para evitar qualquer derrubada de um equipamento cultural da importância como é a do Teatro Carlos Jheováh – destacou integrantes do grupo.

 

UM PLANO PARA NOSSA CULTURA ESTÁ NA PAUTA DO NOVO CONSELHO

Com propostas de interação com a sociedade e contemplar todas as linguagens artísticas, num movimento de resgate da nossa cultura, que tem sido desgastada nos últimos anos, a nova composição do Conselho Municipal de Cultura, eleita para o biênio 2021/2023, já tem como uma de suas principais metas de trabalho a criação de um Plano Cultural para Vitória da Conquista, que irá proporcionar suporte e direcionamento para as diversas atividades das políticas públicas do setor.

Nesse sentido, a ideia, de acordo com a presidente Hendey Graciele e da nova diretoria, é começar o planejamento das Conferências Municipais de Cultura que devem acontecer em 2022, das quais resulte num documento, que será apreciado, discutido e aprovado em sessões que contarão com a participação da comunidade e dos diversos segmentos culturais do município.

Com apoio da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer, isso demandará certo tempo para ser colocado em prática, mas as conselheiras e os conselheiros estão convictos de que o projeto representará um grande legado na definição de uma nova política cultural para a cidade, o que interessa não somente aos artistas, mas à sociedade em geral.

Além dessa visão de implantar políticas públicas e um Plano Municipal de Cultura para Conquista, com respeito à diversidade de expressões culturais, com ações estabelecidas para seus diversos eixos constituídos, como a literatura, a dança, o teatro, a música, as artes plásticas, o audiovisual, cinema, o patrimônio material e imaterial, o novo Conselho já está trabalhando na renovação do seu Regimento Interno e na melhoria da comunicação com a mídia em geral, com total transparência de suas atividades.

Para tanto, foi designada uma comissão para fazer as propostas de atualização do Regimento, que serão debatidas em plenárias e aprovadas nas próximas reuniões. Também já está instalada uma comissão responsável pelo processo de comunicação com a sociedade por intermédio da mídia local, com a qual esperamos contar com o apoio.

Em reuniões ordinárias nas cinco sessões realizadas com os novos membros, o novo Conselho já discutiu diversos assuntos de interesse da população, como o caso do Teatro Carlos Jehovah localizado no Mercado de Artesanato, procurando saber qual será o destino desse equipamento cultural, e se há algum planejamento para sua reforma e revitalização, principalmente agora com a liberação de eventos através das flexibilizações nesse período de queda da pandemia.

Nesse sentido, buscando esclarecimentos sobre o assunto, foi encaminhada uma minuta, ou ofício, à prefeita Sheila Lemos, requerendo uma posição mais concreta por parte do poder executivo. O Conselho está no aguardo para poder debater, dialogar com a sociedade e acompanhar as ações planejadas para o local, bem como se posicionar em reunião com os conselheiros.  A intenção do Conselho é sempre estar próximo das demandas das diversas categorias artísticas.

Nesse sentido, será realizada uma sessão extraordinária, no próximo dia 22 (segunda-feira), cuja pauta exclusiva versa sobre o Teatro Carlos Jehovah e o Mercado de Artesanato Raquel Flores.

Outra decisão prevista é agendar um encontro com o presidente da Câmara Municipal de Vereadores, Luis Carlos Dudé e componentes da Mesa Diretora, para tratarmos de assuntos de interesse da cultura do município e, ao mesmo tempo, solicitar o apoio do legislativo para que possamos realizar um trabalho conjunto em prol da nossa cultura, num elo com o poder público, os artistas e a comunidade.

 





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia