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:: ‘Notícias’

EITA GENTE PERGUNTADEIRA!

(Chico Ribeiro Neto)

Eu estava com uma camiseta de Bariloche que meu filho Mateus me deu e logo ela me interpelou:

– Ah,o senhor também esteve em Bariloche? Que lugar lindo! Por enquanto, só conheço de fotos e vídeos. Minha filha esteve lá esse ano e para o ano vai me levar. Ela só não gostou muito dos argentinos, achou um povo meio rude, o senhor também não achou?

– Eu não sei dizer, senhora. Eu não estive lá, foi meu filho.

Uma mulher com um cachorrinho me aborda no canteiro central da Avenida Centenário:

– Você tem cachorro?

– Não, senhora.

– E gato?

– Não, senhora.

– Mas nem um passarinho?

– Não, senhora.

– Mas o senhor não sabe como é bom ter um bichinho dentro de casa. O senhor não pretende ter nenhum?

– Não, senhora, já vou.

Peguei um perguntador na fila de idosos do supermercado:

– O senhor tem problema de pressão?

– Não, senhor.

– E o senhor faz o quê para não ter?

– Nada, não, vivo normal.

– Dizem que a gente tem de caminhar todo dia. O senhor faz caminhada?

– Um pouco.

– E come de tudo?

– Sim, senhor.

– E não sente nada?

– Não.

– E dorme direitinho?

– Durmo.

– Pois eu tenho uma insônia terrível, levanto, bebo água, fico zanzando pela casa, ligo a televisão, faço um…

– Senhor, o caixa tá livre.

– E por que o senhor escreveu essa crônica?

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

AS FOFOQUEIRAS (OS) E O CELULAR

As fofocas nunca se acabam, mesmo com as novas tecnologias de comunicação. As presenciais ainda são melhores e mais proveitosas que as virtuais, as quais têm mais sabor; são mais sentimentais e emocionais.

Falar bem ou mal um do outro vem desde o homem Neandertal. Tem gente que não quer saber da vida alheia, mas tem aqueles ou aquelas fofoqueiras (os) de línguas ferinas que se alimentam dos erros e defeitos dos outros, e nem querem saber das virtudes, só quando morrem. Pura hipocrisia! Fulano era bondoso e um santo; vai fazer muita falta na terra!

Antigamente, nas cidadezinhas do interior havia aquele hábito das pessoas no final da tarde colocarem as cadeiras no passeio para prosear, principalmente as mulheres, mas havia também os compadres que chegavam da roça ou de seus afazeres. Naquele tempo, a grande maioria das mulheres era domésticas. Quando o sol baixava no poente, na hora da Ave Maria, seis horas, todos se benziam e agradeciam o dia com um amém.

Ah, tinha também aquela fofoqueira-mor que ficava na janela ou na porta olhando o movimento calmo dos passantes e sabia da vida de todo mundo, de cabo a rabo, pelo verso e avesso. Era a época onde o tempo parecia ter parado na monotonia das coisas. Nada acontecia de importante, mas a fofoca comia solta de boca em boca. Com as correrias de hoje, as fofocas caíram de produção, mas permanecem vivas.

– Olha, lá vai lá o corno manso do Geraldo. A uma hora dessa a mulher deve estar com outro na cama – dizia a comadre para a outra, e aí a conversa rendia dando linha para a imaginação, o que não falta ao fofoqueiro (a), sempre criativos.

– Aquela “zinha” é uma vagabunda pecadora que fica se atracando com o Ferreirinha do Pão toda vez que o marido vai para o sítio trabalhar.

– E você acha que ele não sabe do sucedido, comadre? Dizem até que ele é meio fresco e “viado”, que até já pegou a mulher no flagrar. Para dar uma de valentão, arrastou um facão e disse apenas que ia cortar os dois na próxima vez.

– Lá vai o “mão de vaca” avarento do Quincas que faz caso até de uma goiaba podre na chácara. Lembra de uma vez que ele teve uma briga feia com o amigo por causa de um tostão? – apontou a outra. Acha que vai levar tudo no caixão quando morrer, e tome falar de quem se atrevia cruzar a rua. Não sobrava nem para crianças (moleques) e idosos.

– Ih, comadre, esqueci de botar mais água no feijão. Já estou sentindo o cheiro de queimado! Vou lá e volto logo. Naquele tempo o fogão era movido a lenha e a luz a motor diesel. Tudo se apagava por volta das dez horas da noite, mas antes tinha o sinal de alerta.

– Ah, comadre, quem passou aqui foi o coronel Juvêncio com seu capanga. Contam até que o cabra é pistoleiro matador pernambucano. Falam por aí que o coronel guarda dinheiro debaixo do colchão e até na cumeeira da casa. É um tipo seu Lunga, ranzinzo. Sabe que ele bate até na mulher?

– Olha o safado do “Caniço”, sonso e dissimulado, metido a moralista! O boato é que ele faz mal para a filha de 13 anos, com sua descaração, e a mulher, coitada, suporta tudo calada! O prefeito e a primeira dama também caiam no pau. O que mais rolavam eram as falcatruas dos dois. – Compraram até carro novo, e ela anda nos trinques!

Não faltavam também os homens fofoqueiros que falavam da seca, da cacimba sem água, das perdas das plantações, das dívidas e do dinheiro escasso, mas o papo também girava em torno de mulheres. Cada um mais machista que o outro.

– E aí, compadre, está sabendo do caso da filha de seu Joaozinho de Calu. Ficou mal falada com um cara aí que veio de São Paulo, todo metido a besta de óculos escuros, e depois foi embora.

– Pois é compadre, e a danada é fogosa das pernas grossas e peitos formosos. Também só anda com aquele vestido decotado, pra lá e pra cá se rebolando, mostrando a bunda para todo mundo. Dizem até que está prenha. É uma vaca!

No pé de ouvido, o outro revelou em segredo que comeu a dona Creuza, a vizinha que não parava de dar mole para ele, com aquela regaterice de sempre, toda serelepe.

– Cuidado compadre que o marido dela caminhoneiro é brabo e contam até que ele já matou um cara quando morava lá para aquelas bandas da Paraíba. Dizem que veio parar aqui corrido da polícia.

É, meus amigos, nos tempos que não existiam telefone com fio e celular móvel, as fofocas, os boatos e as fake news corriam soltos de bocas em bocas, muitas maldosas e outras verdadeiras, mas com exageros. Como no ditado popular: Onde há fumaça, há fogo.

Agora com o celular e as redes sociais, onde quase ninguém bota mais cadeiras nos passeios para papear por causa do progresso que gerou a violência, as fofocas não deixaram de existir. Continuam mais velozes e até mais agressivas, ofensivas e mortais.

 

 

AS ENCHENTES NO RIO GRANDE DO SUL E A FALTA DE OBRAS DE CONTENÇÃO

Depois das tragédias no Rio Grande do Sul, os gaúchos começam a reconstruir suas vidas retornando para suas casas através de doações. As empresas e fábricas, com maior poder aquisitivo, voltam a abrir suas portas e até os turistas mostram suas caras, mas não vi e ouvi da parte dos governantes se falar sobre projetos preventivos de contenção para evitar que os fatos se repitam.

A única coisa que escutei de prepostos de uma prefeitura é que o poder público estava comprometido em instalar serviços de monitoramento das mudanças climáticas com sinais de alertas para as populações deixarem suas casas para os abrigos em momentos de riscos, como sempre em prédios escolares num amontoado de gente, e lá vem novamente as campanhas de doações.

Esse é o nosso Brasil que prefere fazer armengues e remendos do que planejar. Ora, essas providências paliativas anunciadas são de baixo custo e não resolvem o problema crucial das enchentes, principalmente dos lagos Guaíba e dos Patos. Até parece um deboche porque as casas continuarão sendo inundadas e as pessoas vão perder seus pertences.

Durante as enchentes de maio e junho, fora os recursos federais, grande parte dos brasileiros se uniu para arrecadar dinheiro, materiais diversos, mantimentos e outros produtos para socorrer as vítimas. Até o momento não ouvi falar sobre a quantia de valores monetários enviados para o Governo do Rio Grande do Sul e prefeituras atingidas e o que foi feito dessas verbas.

Ora, não deveria haver uma prestação de contas como forma de transparência e satisfação a quem se prontificou a contribuir? Onde esses recursos foram utilizados e quantos milhões foram arrecadados? Tenho certeza que a população em geral, que já paga impostos altos, colaborou bem mais que o governo federal.

Logo que passa a catástrofe, tudo é esquecido; dá-se uma merreca para os pobres; abre-se créditos, praticamente sem juros, para os empresários tocarem seus negócios; limpa-se as sujeiras dos entulhos e lixos; conserta-se as estradas e pontes; e nada de obras de proteção (canais e bacias para escoamento das águas), como foram realizadas em Nova Iorque, em Mahatma, e em Amsterdam, na Holanda.

Ouvi noticiários de uns técnicos arquitetos e urbanistas do exterior que apareceram no Rio Grande do Sul, mas que eu saiba, foi anunciado pelos governantes sobre possíveis projetos nesse sentido e início de obras para conter próximas enchentes.

Eles vão apenas dar uma ajeitada nos diques, fazer algumas reparações nas comportas que estavam enferrujados e nas casas de bombeamento de água. A partir daí, nada de manutenções nesses equipamentos que já demonstraram ser deficientes.

Numa tragédia desse porte, quem mais se lasca são os pobres e aqueles que perderam suas vidas (quase 200 pessoas). Os ricos possuem seus fundos de reservas; têm seus seguros; e se recuperam rapidamente. Os moradores estão reconstruindo suas casas nos mesmos lugares, bem como os pescadores e ribeirinhos.

Como já disse alguém por aí: Esse não é mesmo um país sério. Não existe planejamento e, ainda por cima, é um país comandado pela corrupção, pelo superfaturamento e pelo suborno. O que existe mesmo é a indústria da seca no Nordeste e agora das enchentes no Sul. Um exemplo está nas tragédias de Petrópolis e Teresópolis, no Rio de Janeiro. Depois de anos, a situação permanece praticamente a mesma.

E por falar das secas nordestinas, onde levas e levas de retirantes deixaram suas terras para serem escravos em outros estados sulistas; exterminaram plantações e animais; e mataram crianças e idosos de desnutrição, nunca houve uma comoção geral dos brasileiros (campanhas de maciças de doações) do mesmo tamanho e em proporções iguais como agora no Rio Grande do Sul, que tanto menosprezou e depreciou os nordestinos, chamando-os de  inferiores porque não concordam com a mesma política expressa por seus moradores.

“VOX POPULI, VOX DEI”

Este é verdadeiramente um país cristão conservador com uma ala cada vez mais extremista e fanática, um viés que está ocorrendo em várias nações do mundo, como Estados Unidos, a França símbolo do saber filosófico, da igualdade, liberdade e fraternidade, bem como, de outros territórios da União Europeia.

Existem certas coisas na esfera religiosa que são ditas de forma impensada, emplacada no nosso subconsciente, que se tornaram máxima popular, mas sem nenhuma lógica. Uma delas é sair por aí falando que “vox populi, vox dei” (Voz do povo, Voz de Deus). Fico aqui com meus botões a imaginar que isso não é verdade, nem racional.

Vamos ficar só no nosso caso brasileiro. Um exemplo são as eleições onde a maioria dos eleitores vota por favor e simpatia em gente vagabunda, oportunista, corrupta e até em criminosos milicianos. Isso, então, é a voz de Deus? Será que tem o aval Dele?

Quando se comete injustiças sociais, linchamentos e mais de 50 milhões vão para frente dos quarteis e ruas gritar por intervenção militar, será que é a voz de Deus? O povo apoia e elege candidatos genocidas e exterminadores, como foi o caso de Hitler, na Alemanha, Mussolini, na Itália e mais recente o “Bibi” em Israel. Foi a voz de Deus? Foi Ele que assim quis?

Reis, imperadores e rainhas diziam que eles eram os escolhidos por Deus. Todos eram obrigados a acreditar, reverenciar, venerar e obedecer. Que Deus é esse que só falou com Moisés, Abraão, Isac, David e outros hebreus? É tudo cascata da Bíblia escrita pelos homens do poder com seus interesses políticos e expandir seu número de fiéis.

Que me desculpem os religiosos (respeito a todos), mas não consigo engolir essa de que o homem, e não se incluiu aqui a mulher, foi feito à semelhança de Deus. É um outro absurdo. Ai vão retrucar que tudo é mistério e questão de fé.

Alguém aí pode me responder como é esse Deus? Quais suas feições? A imagem que temos é de um ancião todo barbudo eremita das montanhas ou saindo das nuvens com seu velho cajado, todo sisudo. Tanta maldade na humanidade desde a Mesopotâmia, passando pelo Egito, Roma, os Cruzados, a Inquisição da Igreja Católica e somos semelhantes a Ele!

Outra coisa desses fanáticos religiosos aderentes pregadores de amor à pátria, família e liberdade (fazem tudo ao contrário) dizerem que Deus só ajuda quem está com ele! Como assim? Quer dizer, então, que Deus é como aquele político malvado, tipo o velho ACM, que falava que tudo para os amigos e nada para os inimigos, isto é, quem não estava com ele no voto, estava fora da sua ajuda.

Cristo, do alto da sua sabedoria e visão humanitária, não atendia apenas aos seus seguidores, mas também aos pecadores e muitos que eram seus adversários. Mais uma vez, como descrevem os ensinamentos da Bíblia, era o filho de Deus.

Ora, nesse pensamento enviesado e torto, quer dizer que Deus é um daqueles ditadores tirânicos que manda eliminar sumariamente quem é seu adversário? Só ajuda aqueles que estão ao seu lado? No entanto, do outro lado, o cristão prega que Ele é justo, piedoso, amoroso e está com todos, não importa quem.

Se é à sua semelhança, não pode abandonar quem não tem Ele no coração. Se Deus age assim, então a outra parte está com o demônio. Os terráqueos, então, são comandados por Deus e Satanás, o mais citado entre os evangélicos.

Além da nossa imaginação, entre os céus e a terra, no delírio individual e coletivo, existem mais coisas esdrúxulas e paradoxais, como um monte de gente na beira de uma estrada rezando para um pneu murcho.

O nosso planeta está em ebulição, em pleno aquecimento global, com vulcões expelindo suas larvas, tufões arrastando tudo pela frente, enchentes inundando tudo e matando milhões, secas acabando plantações e deixando humanos e animais com sede, tempestades fora do tempo e outras tragédias e catástrofes. Tudo isso é obra de Deus ou dos próprios humanos?

Outra tremenda idiotice e burrice é dizer no Brasil que todos somos iguais, inclusive perante as leis. Ora, nesse sistema cruel dos poderosos que mandam, todos somos diferentes. Sem essa de igual! O rico é diferente do pobre injustiçado e do negro discriminado.

Somos diferentes em gênero e raça e até nos problemas. Por que uns nascem saudáveis e outros não, com tantas deficiências e doenças malditas desconhecidas? Eu me sinto sufocado, preciso respirar e ser livre.

Esse ar está cada vez mais poluído e tóxico, físico e mentalmente. Procuro, dentro da minha solidão interior, me afastar desse delírio cognitivo coletivo, que não é mais delírio quando milhões acreditam no surreal.

 

A FEIRA É MELHOR NA VÉSPERA

 

(Chico Ribeiro Neto)

Sexta-feira, 28 de junho, 12 horas. Começa a feira do sábado em Caculé, Bahia. Isso mesmo. Essa feira, que antes só era aos sábados, vai até o início da noite de sexta e retorna no sábado cedinho, começando a fechar depois do meio-dia.

A feira de sexta é a preferida dos moradores: “A gente compra tudo novinho, chegado da hora.”

Nos dias de maior movimento aparece o Shopping Chão: barracas que vendem peças de cama, mesa e banho e roupas masculina e feminina, às vezes com pequenas avarias. A etiqueta pode estar colada no meio das costas da blusa tapando um furo.

A feirante exibe com orgulho o molhe de cenourinhas, beterraba, alface, rúcula, espinafre, coentro e cebolinha e diz com orgulho; “É tudo da minha roça!”.

Quando dá meio-dia de sábado o movimento começa a cair e os feirantes lançam as promoções aos gritos de “é dois, é dois, é dois”, por um quilo de batata doce, ou “é quatro, é quatro, é quatro”, por uma penca de banana.

São quase 13 horas. Muitos já desarmaram as barracas. A caixa de som de uma loja da praça da feira toca:

“Pau-de-arara é a vovozinha

Eu só viajo é de avião.

Humorista de almanaque

Aprendiz de gozador

Eu vou lhe levar na Bahia

Você vai cair duro em Salvador (…)

(Trecho da música “Pau-de-arara é a vovozinha”, do Trio Nordestino).

Na feira de Caculé você pode ainda comer um churrasquinho de boi, porco ou frango por 5 reais e ganhar de cortesia uma dose de carqueja num copo de cafezinho. Você pode também fazer fotos, como estas:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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CENAS DE ZOMBARIA E DESRESPEITO

Como sempre em todo início de mês, o primeiro andar do Banco do Brasil, agência centro, (a situação de lotação não é somente nesta instituição) estava na manhã de ontem (dia 03/07) abarrotada de gente, especialmente de idosos que não sabem lidar com o treco da tecnologia. Para resolver seus problemas de ordem financeira (pagamentos, retiradas de aposentadorias e outras pendências) necessitam de orientações.

Estava lá para pagar uma multa de trânsito dos estradeiros pardais escondidos nas moitas, mas esse não é o caso. O que me deixou revoltado e me levou a fazer este comentário, ou crônica da vida, foi uma cena de zombaria e desrespeito praticados por uma funcionária fardada, não sei se terceirizada, que estava ali para agir no ordenamento das filas, mas dava um péssimo exemplo.

Como se não bastassem os furadores de filas tão abomináveis, a funcionária, por ordem sua, deixava que pessoas ligadas ao seu raio de relacionamento, não sei se de parentesco ou amizades, passassem na frente de uma filha de idosos para terem acesso às senhas. Estava bem claro ali o jogo de influência que não vem somente lá de cima.

Fiquei por um tempo a observar aquela atitude condenável e, para não me aborrecer – não tenho mais estômago para ver essas coisas que já me causam traumas em até ir à rua – fui embora sem resolver meu problema. A convivência entre certas pessoas está me deixando com tédio e me afastando do convívio social.

Em nosso país, infelizmente, a corrupção, o suborno e o jogo de influências de amizades e do “Quem Indica”, o famoso QI, não são privilégios somente de quem está lá nos três poderes. Eles são como pragas que invadiram todas as plantações em geral, sem distinção de classes.

Na vida dos afazeres do resolver “pepinos”, como pagamentos de contas, questões de empréstimos, problemas previdenciários, acertos financeiros e outras questões, entre as quais os cidadãos estão submetidos obrigatoriamente, quer queiram ou não, principalmente em bancos e repartições públicas, lá estão os sujos modus operandi de agir dos brasileiros que nos envergonham e entristecem.

Confesso que fiquei revoltado ao ver aqueles velhinhos (as) ali pacientemente esperando sua vez de pegar a senha e a mulher fardada atendendo seus amigos e amigas com abraços e papos, dando uma de grande mentora furadora de fila, como se tudo aquilo fosse normal. Aquilo poderia ser caracterizado como abuso de autoridade.

O pior é que ela concedia privilégios (jogo de influências) aos seus amigos de forma escancarada, como se estivesse agindo corretamente e no direito de desrespeitar e zombar de quem estava ali na fila obedecendo suas ordens. Ainda tem gente que fala que todos somos iguais perante a lei, nem nas coisas mais simples.

Além do povo brasileiro ser classificado como cordeiro, cordato e submisso, existe ainda aquela velha cultura de que você não pode ir de encontro contra quem está ali para colocar ordem, embora termine dando mau exemplo, senão a pessoa pode até ser presa por desacato e, ironicamente, perturbador da ordem pública.

 

FEDERAÇÃO REDE/PSOL AINDA NÃO FOI HOMOLOGADA POR CAUSA DA ESTADUAL

A esta altura das eleições de outubro em que os candidatos já estão fazendo suas campanhas nas ruas, a direção eleita da Federação Rede/Psol de Vitória da Conquista ainda não foi homologada e registrada na Justiça Eleitoral, tudo porque o presidente da Federação Estadual e do Psol, sr. Ronaldo Mansur tem colocado obstáculos para seu devido reconhecimento.

De pouco diálogo e conversa (tentei entrevistá-lo, mas não consegui), ele simplesmente vem negando o reconhecimento da Federação, alegando motivos que não convencem. O mesmo está ocorrendo com a diretoria municipal do Psol que, mesmo eleita em março passado com sete componentes, só três, inclusive do sr. Ronaldo como tesoureiro, tiveram seus nomes aceitos pelo presidente da estadual.

Na verdade, a diretoria está funcionando como se fosse uma comissão provisória devido à sua interferência, alegando que houve irregularidades nas indicações.  Está comissão, no momento, está sendo presidida por Ferdinand Martins. Muitos companheiros e companheiras vêm se sentindo desanimados diante desses imbróglios e até pensando em sair do partido.

Com essa situação indefinida e, levando em consideração que as convenções partidárias serão realizadas entre 20 de julho a cinco de agosto, quando os nomes dos pré-candidatos serão aprovados, corre-se o risco da Federação Rede/Psol em Conquista não ter candidatos ao legislativo, perdendo-se o prazo dos registros na Justiça Eleitoral.

Quero deixar bem claro que sou filiado ao Psol, mas não estou aqui falando em nome do partido, mas como cidadão e jornalista, para mostrar os absurdos que acontecem nessas agremiações políticas quando determinadas pessoas se acham donas e agem de forma ditatorial e unilateral.

O mais contraditório é que a nossa esquerda política sempre taxa a direita, principalmente a extrema, de ditadora. No entanto, existem membros dirigentes, ditos esquerdistas “defensores da democracia”, que agem da mesma forma ou até mesmo pior.

Esse tipo de atitude individualista e personalista só prejudica e dificulta o andamento dos trabalhos dos diretórios regionais, inclusive quando se dá uma de mandatário, com possibilidades de interditar a executiva municipal para colocação de gente sua.

Não posso confirmar com certeza se é o caso específico da Federação Rede/Psol de Vitória da Conquista, mas já aconteceram fatos semelhantes com outros partidos. Esses impasses só servem para dar espaço aos adversários da direita e da extrema que estão avançando e mais organizados.

Por incrível que pareça, historicamente a esquerda do passado, casos do PCB, PC do B e outros grupos leninistas-marxistas tinham uma linha ditatorial e até machista dentro dos partidos, embora pregassem a democracia. Nos tempos atuais, isso não é mais admissível e esses pensamentos precisam ser banidos.

Outra questão pertinente, já que está dentro do tema em descrição, é que o discurso da esquerda ainda continua velho e arcaico. Por parte deles, detentores do poder, não existe a humildade de se fazer um mea culpa e corrigir os erros. Talvez, por isso os jovens estudantes de hoje tenham se afastado por completo da política.  Isso também vale para a classe trabalhadora e os movimentos sociais.

Em conversa com um amigo neste final de semana, recordávamos dos tempos em que os estudantes unidos em torno da UNE (União Nacional dos Estudantes) e das associações secundaristas iam em blocos para as ruas e tinham a força de eleger candidatos, tanto do poder executivo e legislativo.

Nas décadas de 50, 60, 70 e até 80, os estudantes com cartazes e bandeiras nas mãos atraiam o povo que seguia, aplaudia e apoiava suas proposições e os nomes por eles indicados. Infelizmente, isso tudo se acabou e, por alienação e falta de motivação, ninguém quer saber mais dessa velha política que não renovou seu discurso e suas ações junto às bases, as quais foram abandonadas e esquecidas.

A verdade é que a direita hoje está mais competente, atrevida e impetuosa. A impressão que se tem é que a esquerda se acomodou e não se atualizou aos novos tempos, daí o avanço da extrema em vários países do mundo, sobretudo entre os mais desenvolvidos.

 

A MORTE É SOBERANA

– Lá vem você com este assunto triste e macabro – disse um amigo meu quando falávamos sobre questões existenciais, vida na terra, origens e seus mistérios que nem a ciência é capaz de desvendar.

– Sei que quase ninguém gosta de tratar do tema e até faz de conta que ela não existe, principalmente os ricos e poderosos que fazem suas maracutais, usurpam dos direitos dos outros, roubam, corrompem, só pensam em se empanturrar no dinheiro e nas coisas materiais como se fossem eternos – respondi.

O filósofo Nietzsche, que morreu louco, dizia que a morte é como uma serpente que se arrasta como uma ladra e depois se torna uma soberana. Se comentamos e louvamos tanto a vida e ela está sempre presente na literatura, na poesia, na música e nas artes em geral, por que não discutir também sobre a morte? A morte só existe porque existe vida.

A vida tem seus aperreios e glórias, talvez tanto quanto a morte. Quer queira ou não, ela está sempre presente entre nós até com nomes esquisitos dados pela mídia, como curva da morte, trevo da morte, encruzilhada da morte e por aí vai. Meu amigo deu até risadas com isso, mas não é coisa para se rir.

Não quero entrar aqui no cerne filosófico e teológico da sua existência, do onde viemos, o que somos e para onde vamos. Isso nos leva à loucura do indesvendável do ser e só paramos na fé e na religião, nos conformando com o pouco que temos, uma prova das limitações do conhecimento e do saber.

Por medo, ou sei lá qual motivo, muitos acham que não se deve falar dela para não dar azar, não trazer maus espíritos. Foi mais ou menos nesse pensar que meu amigo procurou se desvencilhar desse papo sobre a soberana.

– Qual é cara, vamos conversar sobre coisas boas! Como sou chato continuei a dizer para ele que, como a vida, a morte tem seus imprevistos, suas artimanhas e se apresenta de várias maneiras e faces. A imagem que temos dela é de uma alma penada vestida de branco com uma máscara no rosto e uma foice na mão.

Ninguém gostaria de se encontrar com ela para bater uma prosa. Fala sério! Quando alguém a ver, tenta cortar por fora, mas não tem jeito, ela está por aí como enigma e mistério e cada religião a define da sua maneira. Os espíritas, por exemplo, dizem que ela não existe e que é só uma passagem para a vida.

Os cristãos católicos e evangelhos mandam tratá-la com resignação e orientam passar a vida se preparando para ter uma boa morte. Não sabia que ela era boa, mas uma traiçoeira que nos tira o prazer de vida, do curtir, do construir e do criar.

Em algumas civilizações ela é festejada com pompas, danças, música e rituais alegres na crença de que ela é vida e espírito ancestral que vai viver em outra parte, até nas florestas e nas montanhas.

Tem aquela história do barqueiro Caronte grego, filho de Érebo, que transporta os mortos por uma moeda para a outra margem do rio turvo. Ninguém consegue ver o seu rosto. Essa ideia mitológica pode ter vinda dos povos egípcios ou mesopotâmios. A moeda é um óbolo de Caronte (forma de pagamento) colocada na boca dos mortos antes do enterro. O rio dividia o mundo dos vivos do mundo dos mortos.

Tem gente que quando está naquela angústia, naquele sufoco, com graves problemas para resolver, numa fase depressiva, na pobreza, na fome, na prisão e onde nada dá certo, pede até que ela venha logo. Nessas ocasiões, aí é que ela não vem mesmo e se faz de pirracenta malvada. Não dá liga e vai dar seus passeios por outras bandas.

Já imaginou como ela tem várias maneiras de se apresentar! Às vezes é súbita e ligeira. Chega logo cedo nas crianças e jovens, sem pedir licença e causa muito sofrimento e dor. Outras vezes deixa você ficar bem velho e depois lhe joga num leite de uma cama a penar, em casa ou num hospital.

Na vida, é preciso também ter a arte de enganá-la. Quando ela bater em sua porta, não atenda ou diga que está muito ocupado numa atividade, como a escrever um poema, fazendo um texto sobre ela, enchendo seu ego, um conto, um romance, uma peça teatral, um roteiro de cinema ou outra atividade qualquer e convença a retornar outro dia.

Vá protelando o quanto puder, mesmo sabendo que a soberana é persistente e nunca vai desistir. Um, dia chegará sua hora. Existem situações, porém, que são os próprios homens e mulheres que atalham o natural e se tornam próprios mentores da soberana, quando na ira e na violência tiram a vida do outro.

O Estado, por exemplo, o monstro dos monstros, é a própria morte ou faz um pacto com ela e parte para o extermínio. As guerras são feitas em nome dela por ambição, ganância e poder. É, fiquei falando só, porque meu amigo não me aturou e caiu fora.

 

 

CARYBÉ, O ESCULTOR DOS ORIXÁS (Final)

(Chico Ribeiro Neto)

Reproduzo hoje a terceira e última parte da minha entrevista com Carybé, publicada na revista “Manchete” de 26/07/1975.

Carybé conheceu a fundo “essa cidade sagrada da Bahia, onde se reúnem todos os orixás do mundo para dar mais verdade à civilização”.

Segue a matéria:

“Carybé confessa que se deixou influenciar bastante pelo desenhista alemão George Grosz, que criticava o mundo do pós-guerra, e pelos pintores Gauguin e Van Gogh. Mas não gosta de ser chamado de pintor, de desenhista, de escultor, nada disso.

“Na profissão, sou como as mulheres de certas nacionalidades: faço tudo”.

Como não se inclui numa categoria profissional única, não dá a menor bola para a crítica. E acha até que a crítica podia perfeitamente deixar de existir. Paradoxalmente, Carybé crítica a chamada arte de vanguarda:

“Você vai a uma bienal e vê certas coisas que deveriam estar num parque de diversões. Quando alguém faz um livro, sabe pelo menos que aquilo é um negócio para ser lido. Mas quando um sujeito empalha um porco para que serve isto? Uma coisa que se faz para destruir depois não pode ser coisa feita com amor. É apenas para balançar o coreto. Dizem que é para agredir. Mas para que agredir? Ocorre com a pintura de vanguarda o que ocorre com o tal do ‘som novo’. Fazer som…Se aparecesse uma cor nova chamada ‘zup’, por exemplo, seria esplêndido. Mas o espectro está aí mesmo, tremendamente definido. E rico.”

Realista e sensato, Carybé não tem preconceitos contra artistas novos que o procuram:

“O chato é chato em qualquer idade. Tem cada velho chato por aí. Mas também tem cada jovem. Quando você vê que o rapaz ou a moça tem lenha para queimar, aí é ótimo. Mas às vezes chegam por aqui umas mocinhas de família rica que, não sabendo que rumo tomar, resolvem dar para pintoras. Aí, já viu.”

Ogã da mãe de santo Senhora, já falecida, do candomblé do Axê Opô Afonjá, Carybé é de uma honestidade profissional absolutamente exemplar. Apesar de profundamente instruído nos mistérios do candomblé quando resolveu fazer o primeiro painel dos orixás (“porque não existia ainda em nenhum lugar uma iconografia completa dos santos do candomblé”), passou o tempo todo consultando Mãe Senhora, Mãe Menininha de Gantois, Olga do Alaketu e outras autoridades. Até então, só havia representações esculturais ou gráficas de entidades como Exu, Ogun, Iemanjá e poucas outras.

Carybé personalizou os 29 orixás do culto, pondo um carinho particular no seu protetor, que é Oxossi, deus da caça e da floresta. Tem prêmios de Buenos Aires, da Bienal de São Paulo, já ilustrou livros de Jorge Amado, Rubem Braga, Gabriel Garcia Marques, uma edição de alto luxo de “Macunaíma”, “As Mil e Uma Noites”, tem um painel na Galeria Torre Boston, em Buenos Aires (um painel de três andares), outro na Galeria Belgrano, também em Buenos Aires, e executou os dois grandes murais do Aeroporto Presidente Kennedy, em Nova Iorque, “coisa alegre, muito alegre, para tirar o nervosismo de quem vai pegar avião.”

Amigo íntimo de Jorge Amado, que vê praticamente todos os dias, Carybé nunca quis saber da Europa:

“Cidade grande, com vida intelectual nos cafés e botequins, não tem a força (axé) do altiplano da Bolívia e do Peru, nem a vitalidade profunda dessa cidade sagrada da Bahia, onde se reúnem todos os orixás do mundo para dar mais verdade à civilização.”

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

 

 

 

 

A MULHER RENDEIRA E O ERUDITO

Depois de tanto fuçar nos estudos filosóficos, teológicos, da ciência, ler milhares de livros e colocar seu conhecimento e sabedoria acima da cabeça dos outros, o erudito foi acometido pelo vírus do sofrimento e da dor.

Não conseguiu desvendar os enigmas e os mistérios que nos cercam as origens planetária, do criador da vida, do infinito e o que há além da morte. Ele estava sendo consumido pelos próprios pensamentos, vivendo em compartimentos empoeirados. Suas pequenas máximas não alcançavam a fé.

Então, resolveu sair por aí pelo Nordeste para ouvir os mais humildes, os artesãos, os poetas, os cordelistas, repentistas e as expressões culturais do povo mais simples com suas crendices. Em suas andanças, no sertão mais agreste e profundo nordestino, terminou por se encontrar com uma velha senhora rendeira de bilros, que também sabia fiar, pacientemente, seu tecido naquele antigo tear que nos tempos atuais chamam de geringonça.

Por alguns instantes ficou embasbacado, boquiaberto ao ver a habilidade daquela mulher com os bilros e os fios entre os dedos das mãos no compasso certo com os pés no pedal, num ritmo perfeito da fiação, bem diferente do seu cérebro intrincado e confuso.

Deu um bom dia, ou boa tarde, sei lá, e cumprimentou a senhora em voz baixa, meio sem jeito, com receio de atrapalhar seu trabalho. Ao sentir sua inquietação, e ao olhar aquele senhor de barba de intelectual, aparência fina e educado, como é costume da gente do interior, a rendeira a ele se dirigiu:

– Pode falar, seu doutor, não fique aí parado. Seja bem-vindo à nossa renda e ao tear, profissões originárias e tradicionais das mulheres imigrantes portuguesas açorianas, mas que está se acabando com o tempo. As jovens agora só querem ir para as cidades de celular na mão.

– Como a senhora aprendeu essa arte tão preciosa e admirável de confeccionar fios que se entrelaçam, sem se embaralhar? – Indagou o doutor.

– Ah, seu doutor, tudo isso vem desde minha tataravó, que passou para minha bisavó e daí para minha avó, minha mãe e eu foi a única das sete filhas que aprendeu esse ofício de rendar. Ela contou a história de dona “Santinha”, Maria Amélia Furtado, a primeira rendeira famosa por essas redondezas. Tudo indica que ela era do Ceará.

O erudito, homem do querer esmiuçar, quis saber de mais coisas e até pediu desculpas se não estava atrapalhando sua obra. Poderia confundir sua ágil mão. Por um momento, ficou a matutar como o complicado se tornava simples e com resultados concretos no final, diferente das suas indagações filosóficas que paravam em algum ponto, confusas e sem respostas. Sua rotina era um quebra-cabeça.

–  Não atrapalha não, seu doutor! Aqui a gente já faz tudo de olhos fechados, sem errar os pontos das linhas nos lugares certos. Pode ir falando que escuto. Passo o dia todo aqui sentada, no meu silêncio interior, que nem ouço o barulho dos humanos, só o canto dos pássaros e o gado berrando na cacimba quando bate a seca e a falta de água.

O erudito quis saber de mais detalhes sobre seu trabalho, quais fios usava, se não era cansativo, estressante e se aquilo dava algum sustento para a família, isto é dinheiro, “bufunfa”, grana.

– Aqui é uma terapia de vida e me sinto bem e feliz com isso. Faço com amor. Nada de estresse e cansaço! Evita a gente ficar pensando em besteiras. Nem me preocupo com o tempo e até entro pela noite com o nosso velho lampião. Normalmente utilizamos os fios de linho, algodão, seda, viscose e outros mais.

– Quanto a renda das rendas, seu doutor, dá para sobreviver e não passar fome com a venda de colchas, lençóis, fronhas, redes, blusas e outras peças artesanais que alguém compra ou levamos para as feiras das cidades. Tudo isso já é um outro processo depois da fiação no bilro e no tear.

Curioso, como todo estudioso do pensar e do saber, o doutor quis ver o produto final, que ele não consegue quando se depara com as dúvidas sobre Deus e outros mistérios existenciais e espirituais. Em sua mente, os temas e assuntos sempre estão além da sua cabeça. Mesmo assim, o mestre erudito acha entender de tudo.

A mulher rendeira o levou para uma sala apertada e mostrou suas rendas bem trabalhadas, feitas com todo carinho e dedicação, sem mistérios.

Ele ficou extasiado a olhar as rendas e bordados. Com as mãos, sentiu aquela textura fina, os traçados, os fios a deslizar e o cheiro do tecido em suas narinas.

Repentinamente bateu um estalo em sua cabeça, e o erudito propôs comprar toda produção da rendeira, e olha que nem pechinchou preço.  O mais inesperado é que ele terminou por fazer uma parceria com a rendeira para adquirir seus produtos.

Depois daquela longa conversa experimental e prática, do hotel retornou para a capital e lá resolveu deixar tudo, inclusive sua cátedra como professor. Montou uma loja de rendas artesanais nordestinas com o nome “Mulher Rendeira”, para divulgar aquela cultura secular, ou porque não, milenar.

Passou a ser mais feliz, alegre, emotivo e baniu o sofrer. Deixou seus colegas estupefatos e sem entender aquela brusca mudança de atitude.

A mulher rendeira continuou a rendar, com toda paciência do mundo, e até melhorou de vida como fornecedora do novo cliente comerciante que garantiu a si mesmo não explorar sua mão-de-obra, ou de fada da artista da renda. “Olê, mulher rendeira,/olê mulher rendar,/me ensina a fazer renda/que te ensino a namorar”…

 

 





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