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:: ‘Notícias’

“QUEM NÃO TEM CÃO, CAÇA COM GATO”

      Gosto muito dos ditados populares que me fazem lembrar dos mais velhos, dos nossos ancestrais. Sempre ouvi esse quando a pessoa estava no aperto e precisava encontrar uma saída para o problema, só que é complicado caçar com um gato.

  É uma maneira de falar para a gente se virar da forma do possível. Sou também adepto do ditado “antes só que mal acompanhado” e que me perdoem os protetores dos animais, não dá para confiar no gato.

  Tem aquele de “enfiar o pé na jaca” quando alguém numa festividade, evento ou numa roda de bar bebe além do limite e se embriaga. Pode ser comilança exagerada quando a pessoa se empanturra e por aí vai.

   Pise no rabo de um gato, mesmo sendo o dono, e ele avança em você rasgando sua pele com as unhas e ainda morde. No cachorro, ou cão, ele sai de manso e não lhe ataca.

   O felino é por natureza individualista, egoísta, fica na dele e não é amigo fiel do dono. Só não me agrada esse povo chamar o bicho de meu filho, principalmente as madamas, chegando a deixar de lado seu próprio rebento sangue do seu sangue.

Quanto a esse negócio de não ter cachorro e caçar com gato, um matuto sertanejo levou a sério e colocou sua ação em prática. Na falta do cão farejador, ele foi com o gato. Dentro do mato ele soltou o bichano que sumiu sem deixar pistas e miados.

  Ele ficou só com a espingarda e o seu dia não foi da caça. Ao cair da noite, ao pôr-do-sol, voltou para casa de mãos vazias e nada de gato aparecer. Dois ou três dias depois ele surge de soslaio se esgueirando pelos cantos, de barriga cheia, todo envergonhado.

  Na certa se empanturrou de nambus, perdizes e outros animais menores e se esqueceu do dono. Fosse o cachorro, avisava com seu latido e ainda trazia a caça para seu amigo. O caçador olhou para o gato, fez suas matutadas e tratou logo de arranjar um cachorro.

   Essa coisa de fazer arranjos e armengues quando não se tem a ferramenta principal para lhe ajudar, não dá certo. É só pepino! Quando não se tem cachorro, melhor mesmo é ir só, ou não se arriscar, do que levar o gato.

  Talvez essa expressão popular da nossa cultura explique o esquema de fazer “gato” numa rede de energia elétrica puxando um fio ou cabo clandestino para sua casa ou comércio.

Geralmente não dá certo, corre-se o perigo de um incêndio com altos prejuízos, sem contar que é um crime de contravenção. O mesmo se faz com a empresa de água e programas de internet e televisivos via aparelhos contrabandeados.

  Não vá nessa onda de caçar com gato que é uma barca furada. Se não tem o cachorro, melhor usar outros métodos mais confiantes e convencionais do que levar um gato que vai terminar lhe deixando na mão. Melhor mesmo é ser cachorro do que gato, mas dizem que o felino é mais astuto, sagaz e mais rápido para dominar sua presa.

 

O FURDUNÇO NO SUPREMO

Houve tempo em que o Supremo Tribunal Federal (STF) era uma das instituições de maior credibilidade no país junto à Polícia Federal. Hoje se tornou uma vergonha, uma imoralidade e um furdunço que deixou toda nação brasileira estarrecida. Mais parece um comitê político dividido, cada um com seu candidato.

Essa deterioração de desvios de conduta e do princípio maior de guardião da Constituição já vinha ocorrendo nos últimos anos quando os ministros, com raras exceções, deixaram infiltrar em seu seio a política partidária. Ela foi corroendo o ambiente e separando seus membros entre o ódio e a intolerância, como no Brasil atual.

Quando eles mesmos abrem a boca e dizem que o Supremo é um poder independente que julga com isenção e imparcialidade, mentem para si mesmos e para toda sociedade. Virou um grupo político, cada um com sua tendência de esquerda, centro e direita.

Fosse um anjo enviado por Deus para salvar Gomorra da sua perdição orgística, diria ao Supremo Criador que somente livraria do fogo ardente uma mulher e um homem e recomendaria que eles não olhassem para trás se não quisessem se transformar em pedras de sal.

Está difícil arrumar a bagunça e catar os cacos dos destrambelhados e trapalhões. Não queria estar na pele do presidente Edson Fachin. A única solução seria a suspenção ou “demissão” de alguns, que ele não tem essa prerrogativa, de modo a tirar as frutas podres do cesto. Teria que refazer quase toda a corte.

Se tivessem hombridade, vergonha na cara, como o oriental japonês quando comete um malfeito e se sacrifica, no mínimo deixariam suas togas e pediriam para sair pelo bem do país e harmonia dos poderes, mas eles não largam o osso e preferem permanecer desmoralizados.

Se o Supremo é o protetor da Constituição, somente a ela deve satisfação e não ao executivo ou ao legislativo. Em minha opinião, e acho que de todos brasileiros de sã consciência, usando das suas faculdades mentais e razão lógica, ministro nenhum deve se envolver com política partidária. Os julgamentos e as sentenças devem ser técnicos e justos, não importando qual governo seja.

Para evitar essa contaminação pelo vírus letal da política, ministro não deveria ser indicado por presidente nem Senado, não ser vitalício até os 75 anos, de modo a não criar raízes apodrecidas em suas cadeiras ou poltronas confortáveis. Seu tempo seria no máximo de oito anos.

Existem três castas de poderes no Brasil e o Judiciário é uma delas, que há séculos atravancam o desenvolvimento social, aprofunda as desigualdades e concentra a renda nas mãos de poucos. Parem cara pálidas de falar que o povo é o patrão. Não passamos de súditos e escravos submissos.

O povo é apenas inocente útil nessa democracia mambembe tupiniquim. Se a população fosse literalmente patrão, arrancaria de lá os maus elementos, como o Alexandre, o Mendonça, o Gilmar Mendes engavetador de processos, o Tofolli e outros que mais deveriam estar no legislativo fazendo seus conchavos.

Pelas minhas humildes origens de filho de lavradores, sempre fui um socialista de esquerda e, pela minha formação que meus pais me deram, jamais compactuaria com um ministro de Supremo ligado à política partidária. Aquela Casa deve ser um templo sagrado da Constituição, livre das sujeiras mundanas e profanas.

Aquele tapete luxuoso da plenária, que não condiz com a pobreza do país, está cheio de ratos, ácaros e outros insetos. Com esses escândalos e decisões monocráticas de viés tendencioso, não é uma sessão para avaliar as escutas da Polícia Federal que irá restabelecer a ordem e a credibilidade. O estrago já foi feito. Não se cola uma taça de cristal quebrada.

Diante de todo esse furdunço macabro, como na Operação Lava-Jato, corre-se o risco dos processos contra aqueles que atentaram contra a democracia e a favor de uma intervenção militar, com as invasões do oito de janeiro de 2023, serem anulados com mais uma anistia, como aconteceu em 1979, beneficiando até torturadores da ditadura.

Os incautos deveriam baixar a cabeça e humildemente pedir perdão à toda nação por serem os verdadeiros culpados que fizeram do Supremo um furdunço ou num puteiro da Casa de Maria Joana. Estamos numa encruzilhada entre várias veredas que nem macumbeiro dos bons sabe indicar o caminho de saída.

Nem a esquerda e nem a direita devem colocar uma tarja preta nos olhos e defender o seu malfeitor que quebrou seu juramento e não honra a toga que vestiu. Se nem os brasileiros pensam em seu país, e tão somente em seus interesses egoístas individuais, temos uma tropa de traidores, uns explícitos, e outros incubados enrustidos.

O BOI QUE PAROU UMA AVENIDA

(Chico Ribeiro Neto)
Um boi na pista causou um engarrafamento de três horas na Avenida 23 de Maio (região central de São Paulo) até ser laçado por um sargento do Corpo de Bombeiros.
O curioso é que, mesmo depois de amarrado, o boi continuou provocando lentidão no trânsito, porque os motoristas passavam devagar para ver o animal capturado.
Uma veterinária foi entrevistada pela Folha de S. Paulo e explicou que “ainda é uma incógnita o trajeto que o boi fez para chegar à avenida”. Engraçado foi o mapinha feito pela Editoria de Arte do jornal, mostrando “as áreas afetadas pelo boi”, citando as vias que tiveram tráfego lento.
O boi mexeu com o centro de São Paulo e chamou a atenção de todo mundo. Muitos, ao verem o engarrafamento que durou das 7 às 10 da manhã, se perguntaram o que era: greve de ônibus? Passeata dos bancários? Algum novo jacaré que veio andando lá do Tietê?
A pergunta da veterinária me deixa matutando sobre de onde teria vindo aquele boi. Será que era o “boi voador” da música de Chico Buarque? “Manda prender esse boi/seja esse boi o que for”.
Os animais surpreendem com suas aparições inesperadas. O gato que desce do muro num salto, os cachorros que resolvem “cruzar” na frente do convento, a galinha que entra pela janela da casa, o passarinho que faz cocô na sua cabeça, o boi que aparece no meio da avenida e o chipanzé que fugiu do caminhão de um circo e pulou de uma vez no capô de um carro.
Estas aparições tiram a gente do sério, é a natureza interferindo na fria rotina dos homens, a nos sacudir para o inesperado da vida.
“Uma flor nasceu na rua”, diz Drummond em seu belíssimo poema lembrando como passa “o rio de aço do tráfego”.
De vez em quando, surge uma novidade,  um animal ou uma flor, para bagunçar o coreto, engarrafar uma avenida e arrancar olhares estupefatos.
Naquele dia, centenas de paulistas chegaram ao trabalho com uma novidade pra contar. Se demora um pouco mais, o boi ganharia nome, camisa do Corinthians e poderia até ser perseguido violentamente por quem nunca mais viu um quilo de carne. Toureiro era o que não faltava para essa “farra do boi”.
O boi que apareceu na Avenida 23 de Maio, na semana passada, tinha uns quatro anos, pesava cerca de 200 quilos e,  segundo a veterinária, estava “passando bem”. Certamente um pouco estressado de ver tanto carro e pouco mato.
O animal foi recolhido ao Centro de Zoonoses da prefeitura. O dono do boi tinha cinco dias para se apresentar e retirá-lo. Caso não aparecesse, o boi seria leiloado. A avenida que foi pasto por três horas retornou à sua vidinha de trânsito.
(Crônica publicada no jornal A Tarde em 2/10/1991).

CÃMARA DISCUTE PROJETOS

  Além da Tribuna Livre usada pela senhora Lúcia Piloto que apresentou um projeto de arborização da Avenida Rosa Cruz, a sessão ordinária da Câmara Municipal de Vitória da Conquista foi marcada por vários projetos do legislativo, concessão de moções de aplausos, debates e denominação de ruas e avenidas da cidade.

  Em matérias da Ordem do Dia na sessão desta última quarta-feira (dia 09/09), os parlamentares colocaram em pauta a denominação de Naildes Moreira Santos à Unidade Básica de Saúde, localizada no povoado de Algodão, distrito de José Gonçalves.

  O projeto de Lei Ordinária da Casa denomina de Praça Mário Silva à praça 01, situada no Casulo Bela Vista da Serra, entre as ruas 01 e 02, em frente à sede da Associação. Denomina também de Praça João Batista à praça 02, no Casulo Bela Vista, entre as ruas 03 e 04.

  O legislativo institui no calendário oficial do município de Vitória da Conquista, o São Pedro da Família do Bairro Patagônia, a ser comemorado anualmente no mês de julho e dá outras providências.

  Institui o Dia Municipal do Círculo de Oração e das Dirigentes do Círculo de Oração no município. A vereadora Gabriela Garrido requer a realização de uma Audiência Pública, no dia 20 de outubro de 2026, às 19 horas, em comemoração ao Dia das Filhas de Jó, no plenário Carmem Lúcia.

  Entre outras moções, a Câmara manifesta seu aplauso ao juiz de Paz Geraldo Liberato Aguiar Assis Filho, em reconhecimento à sua dedicada atuação em favor da comunidade conquistense, contribuindo para a formalização das uniões e a valorização das famílias.

Manifesta ainda aplausos ao Clube Baiano de Parapente, na pessoa do seu presidente Rafael Guerra pela realização do 1º Open Bahia de Parapente 2026. Concede moção de aplausos à quinta edição da Festa da Roseira, na pessoa do seu realizador Ricardo Babão e toda sua equipe organizadora, ocorrida nos dias 6 e 7 de setembro, no povoado da Roseira, distrito de José Gonçalves. Manifesta pesar pelo falecimento de José Cerqueira Costa, cuja trajetória foi marcada pela participação política, organização popular e pela defesa das causas sociais.

“É COM MUITA ALEGRIA”

  Existem coisas na vida em que a gente já fala e faz sem sentir. Os atos caseiros são bons exemplos, como acender uma luz no quintal em pleno dia. Na linguagem, existem os chamados bordões que se tornaram comuns e se repetem automaticamente.

– “E com muita alegria” que abro esta solenidade de inauguração. “É como muita alegria” que assumo a presidência dessa instituição. “É com muita alegria que entrego esta obra, e por aí vai com esse rosário de alegria, muitas expressas de maneira demagógica, principalmente entre políticos.

   “Pego nesta pena para lhe dar notícias”… Antigamente iniciava-se uma carta, que não existe mais, dessa maneira. Os causos e as estórias sempre começavam com “era uma vez”…

   “Feliz Natal e Boas Festas” são os bordões mais ouvidos em final de ano. Durante o ano, quando encontramos alguém, dizemos logo “e aí, beleza, tudo bem? Para concorda com o outro vem sempre aquele “pois é. Para afastar algo ruim, “Deus que o livre, ou credo”.

  Numa situação chata, difícil de mudar, vem logo o “faz parte”. Para perguntar sobre algo, usamos o “cadê”? Algumas frases saíram da televisão e do rádio, como “não é assim uma Brastempo”. Tem também aquela do “jeitinho brasileiro”.

  Difícil não encontrar alguém que não tenha um alcaguete na fala e até em seus discursos. Conheço muitos que volta e meia não largam o “tá”, o “né”, “pode ser”, “sabe como é”, e nem percebem. Os “amigos” ficam com receio de corrigir.

  Acho engraçado e até possessivo essa frase de “meu povo” “minha gente” que saem muito da boca dos líderes e dos políticos, principalmente, como se fossem donos daquelas vidas. Muitos são oportunistas e aproveitadores de ocasiões.

  Por falar nisso, a época que se ouve mais bordões demagógicos e falsos é no período das eleições que acontecem de dois em dois anos. A propaganda eleitoral tem de montão, de “bater de pau”, para se escolher entre os mais mentirosos, como as promessas impossíveis de serem cumpridas. A palavra povo é a mais citada e abusada indevidamente.

“Vamos fazer justiça, doa em quem doer”, “ninguém está acima da lei”, “todos são iguais perante a lei”. “tudo será investigado” e o “momento carece serenidade”. São respostas que mais se escuta de “autoridades” quando subordinados ou até poderosos cometem malfeitos, atos de violência, crimes e corrupções.

Depois de certo tempo, quando baixa a poeira, tudo é esquecido e os processos são arquivados ou como se fala no popular engavetados para o bem geral de todos. Dizem que “ o brasileiro não tem memória”. Este é outro bordão. Não tem é “vergonha na cara”

  Tive uma professora de música que tinha o hábito de sempre usar o termo “que maravilha”, isto quando se tratava de coisa boa. Certo dia faltou um colega e ela indagou o motivo da ausência. Um aluno lá no fundo da sala respondeu que ele teria ido ao enterro do pai. Imediatamente, sem pensar, ela tascou um “que maravilha”! Uns ficaram pasmos e outros caíram na gargalhada.

  Tem gente que é metódica e quer que tudo esteja em seu devido lugar. Quando alguém toca em alguma coisa, a pessoa percebe que alguém esteve ali e deu uma mexida, mesmo que a diferença seja mínima possível.

  Não sou psicólogo, mas creio que esta coisa de repetição, seja através de palavras ou gestos, entranha no subconsciente e uma luz fica sempre piscando, quase impossível de se apagar da memória. Tem uns que não conseguem falar gesticulando exageradamente com as mãos, ao ponto de dar uma gastura em quem está ouvindo.

UM PROGRAMA ENGRAÇADO E CHATO

 De dois em dois anos as redes de televisão e rádio do Brasil são obrigadas a exibir por mais de um mês um programa engraçado e chato de se ver. Este, todo mundo está careca de saber qual é. A grande maioria assisti e até vibra com seus atores e atrizes preferidos.

 – Oh, como um programa humorístico pode ser engraçado e, ao mesmo tempo, chato?

 – Pois é, meu amigo, este é inédito! Engraçado porque é carregado de mentiras, promessas impossíveis de serem realizadas; não existe um projeto delineado e planejado no papel; não tem roteiro escrito; “quem tem boca diz o que quer”; e é feito na base do improviso, o que serve para testar a “capacidade” cognitiva do artista.

  É chato porque é sempre repetido e praticamente se ouve as mesmas coisas dos programas anteriores. A outra parte chata é que irrita o ouvinte ou telespectador quando entra o bate-boca onde os atores tentam ganhar na base do grito. Todos querem falar ao mesmo tempo.

  Dizem por aí que tem regras, normas e leis estabelecidas por uma Mesa Julgadora, mas é apenas um faz de conta. Vez ou outra corta-se alguém que solta um palavrão ou comete algo indecente, isto para dar uma desacelerada na turma.

  Quando o cara é repreendido, paga uma multinha; recorre e até alega que está sendo utilizado bode expiatório, mas o programa prossegue. Coisa é no final quando os participantes botam para quebrar!

  É muita gente engraçada que sai dos quatros cantos do Brasil porque os prêmios são valiosos e o artista vencedor não necessita trabalhar muito, sem contar os privilégios e as mordomias, como de só atuar três ou no máximo quatro dias da semana.

  A corrida é acirrada e o candidato ao teste se “vira nos trinta”, cada um com seu potencial artístico e criatividade. Uns contam piadas, causos do passado, anedotas e estórias da carochinha. Outros fazem malabarismos, caretas e expressões esquisitas.

   O comum é que todos comem qualquer coisa que se oferecer, até alimento estragado, insetos, carne de animais exóticos e entram em qualquer lugar, seja cavernoso ou não. Essa é a parte mais engraçada do programa.

  Ah, ia me esquecendo de dizer que tem o dia da votação para ver quem serão os aprovados no teste! Existe uma urna e cada um, entre os milhões de brasileiros, vota naquele que o votante achou mais “capacitado” durante a empreitada do engraçado chato.

O CANGAÇO, A AÇÃO DA POLÍCIA E OS CRIMES ORGANIZADOS NO BRASIL

  O modus operandi é praticamente o mesmo. Até parece que os comandos dos crimes organizados, as milícias e os narcotraficantes dos centros urbanos do Brasil de hoje aprenderam na mesma cartilha do cangaço nordestino de há cem anos, profissionalizado por Lampião.

  Dentro desse contexto, a polícia dos tempos atuais (não atingindo todos) não difere muito das tropas que combatiam o cangaço em termos de brutalidades, matanças e violências. Os sertanejos tinham mais medo daqueles soldados do que dos cangaceiros.

  O conceito hoje do cidadão brasileiro entre bandido e polícia, mudou pouca coisa. Os pobres, os negros e excluídos em geral continuam sendo massacrados em seus direitos, e a Justiça normalmente está do lado do rico e do poderoso. Essas categorias desassistidas ficam entre a cruz e a espada.

   As origens dessa violência e barbárie também se repetem. Nos séculos passados, até meados dos anos 1900, o território do Nordeste viveu completamente isolado do Estado, sob o comando dos coronéis, dos grandes proprietários de terras, dos chefes políticos corruptos. Reinavam as injustiças sociais.

  Nos últimos cem anos ou mais, os morros foram sendo invadidos pela pobreza miserável, inclusive de retirantes nordestinos, sem nenhum amparo e presença do Estado. O cangaço nordestino se tornou num cangaço urbano. Os bandoleiros cangaceiros de ontem são os bandidos criminosos de hoje que deixam a população entre a cruz e a espada, como vivia o sofrido nordestino.

   Os personagens só trocaram de pastos; os governantes por anos cruzaram os braços; o banditismo mudou de lugar; parte da polícia faz papel de coiteiros; políticos se envolvem com as máfias; a injustiça social pouco mudou; os lampiões comandam os crimes organizados; o cidadão é obrigado a pagar suas taxas de proteção; delator é morto barbaramente; e os subgrupos seguem as ordens dos chefões.

   O nordestino daqueles tempos, por mais de 50 anos, sofria muito mais nas mãos dos bandoleiros e policiais do que atualmente nas favelas. Viviam acossados por todos os lados e ainda tinham que enfrentar as secas inclementes que mataram milhares de pessoas de fome e doenças.

As mulheres eram as mais violentadas, discriminadas, presas pelo pai carrasco, estupradas ainda meninas de onze e doze anos e centenas obrigadas a seguir o cangaço. Estudar as questões políticas e sociais do Nordeste é se aprofundar no martírio daquelas mulheres, muitas ferradas com ferro em brasa, arrastadas pelos cabelos caatinga a dentro e mortas a pauladas, pior que animais selvagens.

    Nos anos 30, Lampião dividiu seu bando em subgrupos (Corisco, Virginio, Zé Baiano, Labareda, Zé Sereno e cada um dominava uma região, como acontece hoje nas grandes cidades. As arrecadações das extorsões contra os sertanejos, os saques, os sequestros, os pedágios de proteção eram divididos, sendo que a maior parte ficava com Lampião. Os métodos urbanos pouco diferenciavam dos de hoje.

Tudo era bem administrado e organizado. Para os denunciantes e delatores, a morte era certa e bárbara. Cabeças eram decapitadas e degoladas. Os comandos de hoje também têm seus códigos e “éticas de conduta”. Aqueles que cometem desatinos ou delatam, são queimados em pneus, esquartejados e até enterrados vivos.

 Coincidência, ou não, no meado dos anos 30 para e final da década, Lampião e seus bandos se tornaram personagens internacionais, inclusive cobiçados pelo comunismo da União Soviética para fazerem parte da Intentona Comunista de 1935, chefiada por Carlos Prestes.

   Eram até vistos como guerrilheiros revolucionários do povo camponês. Na era Vargas, considerados como “extremistas” e terroristas, como Trump classificou os comandos brasileiros. O cangaço passou a ser uma questão de ameaça à soberania nacional.

   As empresas alemãs Bayer e Zeiss (Alba Filme-Fortaleza) financiaram as filmagens de um documentário sobre suas ações criminosas, feitas pelo sírio-libanês Benjamin Abrahão (1936). Contava até com a simpatia dos nazistas de Adolf Hitler. O Governo Getúlio Vargas estava mais preocupado em combater os comunistas do que as atrocidades dos cangaceiros.

  Quanto ao fornecimento de armas e munições para os cangaceiros, a prática era quase semelhante. Além dos coronéis, fazendeiros, políticos e comerciantes que eram protegidos, o próprio exército e oficiais da polícia abasteciam Lampião com modernos equipamentos de última geração.

   Para disfarçar, os armamentos, muitos contrabandeados, eram transportados em cargas de farinha e outras mercadorias que iam para as feiras. Até meados dos anos 30, os cangaceiros tinham armas sofisticadas fabricadas na Alemanha, na Bélgica e Estados Unidos, enquanto as volantes, chamadas de “macacos” usavam velhos trabucos do início do século XX.

  Com sua estratégia militar, sua inteligência, astúcia, esperteza e como bom político nos relacionamentos com autoridades municipais e estatais, exemplo do compadrio com o governador de Sergipe, Eronides de Carvalho, eleito em 1935, Lampião seria hoje o chefe mais famoso de qualquer cartel ou organização criminosa. Naquela época, ele já era reconhecido internacionalmente como tal, como o bandoleiro mais famoso da América Latina.

 

SESSÃO VAI HOMENAGEAR A ACL

 Nesta quarta-feira (dia 02/09/2026), a partir das nove horas, a Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista vai realizar uma sessão ordinária mista para homenagear os 46 anos da Academia Conquistense de Letras-ACL, fundada em 03 de setembro de 1980.

   Durante o evento, o legislativo ainda vai discutir diversas pautas de interesse da população nas áreas da educação, do meio ambiente, da saúde, infraestrutura, dentre outros projetos enviados pelo poder executivo.

   Naquela época em que a Academia foi criada, Conquista vivia uma efervescência cultural, embora o país ainda estivesse vivendo num regime militar já em decadência, com pedidos de eleições diretas e retorno à democracia após a decretação da anistia geral e irrestrita, em 1979.

   A entidade cultural foi instituída por um grupo de intelectuais, com o objetivo de preservar a memória, incentivar a leitura e fortalecer a produção literária e cultural da região, passando a funcionar numa sala cedida pelo Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima.

    Naquele mesmo ano de 1980, a antiga Faculdade de Formação de Professores passou a ser a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, que ajudou a consolidar o ensino superior e a vida intelectual da região, um marco na história da educação conquistense.

   Nesses 46 anos de existência, a instituição congregou nomes expressivos da cultura regional, como Heleusa Câmara (primeira presidente mulher), Nilton Gonçalves, Carlos Jheovah, Ricardo Benedictis, Evandro Gomes de Brito, Erathósthenes Menezes, Mozart Tanajura, dentre outros.

  Nas comemorações dos seus 45 anos, em 2025, a ACL renovou seus quadros recebendo novos artistas como membros, com o propósito de incentivar a arte, com destaque para o poeta, cantor, músico e compositor Eugênio Avelino (Xangai), ex-secretário de Cultura do Município.

  Na ocasião, a ex-presidente Elvarlinda Jardim ressaltou o valor especial da posse dos novos acadêmicos. Xangai chegou a receber o reconhecimento por sua atuação, por exemplo, com o Prêmio Sharp de 1997 de melhor disco com “Qué Qui Tu Tem Canário” e o Prêmio Música Brasileira de melhor cantor regional, em 2016. O artista passou a ocupar a 37ª Cadeira da ACL, que representa simbolicamente seu patrono, o poeta Carlos Drummond de Andrade.

    Os presidentes sempre buscaram um espaço físico definitivo para sediar a ACL, e agora, mediante articulações políticas, ela passará em breve a funcionar no prédio do histórico Solar dos Ferraz, tendo como atual presidente o acadêmico Valmir Henrique de Araújo.

“GOSTO NÃO SE DISCUTE”

   Dizem por aí que gosto, religião e futebol não se discute, mas não tem jeito. Essas questões sempre aparecem numa roda de bate-papo, só que é como propaganda de bebida, com moderação e sem exagero.

  A gente costuma falar muito isso numa discussão quando se está tratando de gostos diferentes e sempre concordamos que devemos respeitar o outro. É o modo de se vestir, de se alimentar, de apreciar as coisas, do jeito de vida e, principalmente, quando se refere à música e à arte em geral.

   Existe pessoa insossa, sem gosto, que cai na rotina e até parece que já morreu e não descobriu. Tem aqueles que estão sempre experimentando novas experiências; realizando aventuras; fazendo esportes radicais; e andando por aí sem rumo. Outros nasceram para ser caseiros e, mesmo com dinheiro, nunca fizeram uma viagem. Existe coisa melhor que viajar? Deve existir, sim.

  Quando era mais jovem, sonhava ganhar o mundo como mochileiro andarilho sem nunca mais voltar para casa, como se não tivesse família. Tive até oportunidades, mas outros acontecimentos e fatos cruzaram meu caminho e o destino mudou. Fiz outros atalhos.

  É isso aí, “cada um tem seu gosto”, mas tenho observado que o de hoje não é mais como o de antigamente. A sensação é que os gostos do passado, da nossa velha geração, eram mais refinados, selecionados, saudáveis, prazerosos, qualificados, humanizados e tinham mais conteúdos. Existe coisa melhor que desfrutar os prazeres da vida? Mas tem vivente que não gosta.

  Com essa nova era da tecnologia, da internet, desse progresso de correria, da competição desvairada pelo dinheiro em busca do material, do baixo nível educacional e cultural, com a consequente ausência da conscientização política e social, os gostos foram perdendo aquele sabor.

  Um exemplo claro disso é com relação à musica, onde a grande maioria, especialmente jovens, opta por consumir o lixo de shows barulhentos com letras vazias, muitas de uma estrofe só, sem sentido, sem enredo, história e só banalização do amor.

Tem quem goste de som de carro, do tipo “bate estaca”, na maior altura, de furar os tímpanos. Vá falar com o sujeito que ele é um imbecil. Melhor não, porque pode ser um morto. Muitos andam por aí perturbando o sossego dos outros e acham que estão abafando.

 Na minha leitura, esses caras só têm titica de galinha na cabeça e não entendem que o ouvido dos outros não é pinico. Para eles, o outro é obrigado a gostar do estilo deles. “O incomodado que se retire”. É assim que os bichos pensam.

   – É, meu amigo camarada, muitos gostos foram se perdendo com o tempo. Não se gosta mais hoje de se ler um livro, assistir um bom filme, uma peça teatral, prosear causos interessantes e ouvir uma música de um compositor com letra de conteúdo, conhecimento e saber.

– Bem, já que falou nisso, gostaria de saber qual a definição atual de mau e bom gosto, se vivemos numa época de decadência da humanidade? O que era ruim, de péssimo gosto, virou bom. Podem me xingar, mas conheço gente que não come merda porque fede.

  – Você agora, de uns tempos para cá, tem andado com um gosto azedo e desgostoso, com a língua ferina! Deve ser a idade que faz a gente perder os gostos de outrora e ficar assim ranzinza, carrancudo e saudosista!

– Melhor mesmo é mudarmos de assunto e deixar o gosto dos outros para lá, pois não vamos mudar o gosto de ninguém, como os que passam a vida nas redes sociais curtindo e seguindo esses idiotas “influenciadores”! Vamos conversar sobre amenidades.

– Por falar nisso, agora me veio à cuca de que uma coisa que quase todo mundo gosta é de fofocar a vida alheia, embora alguém negue de pé junto. O fofoqueiro sempre está com o ouvido colado num canto, perto ou atrás de uma porta, escutando o que o outro diz.

  – Engraçado, o fofoqueiro sempre diz que não gosta de fofocar e que é de guardar segredo. “Minha boca é um túmulo”. Acredite se quiser, mas é melhor parar por aqui, porque “cada um com seu gosto”, e não se pode desgostar.

CADA ELEIÇÃO SAI PIOR

  É cada um tentando empurrar sua “merda” fedorenta para o outro e ninguém consegue limpar sua sujeira jogada debaixo do tapete. Todos são genéricos; o discurso e o verbo são os mesmos; e não se vê um candidato ao poder executivo com um programa de governo na mão.

   O horário do programa eleitoral na televisão e no rádio é um lixo, bem como as entrevistas e os debates onde eles procuram tergiversar e não respondem as perguntas. Cada eleição sai pior porque o próprio sistema eleitoral é arcaico e se falar em reforma é um palavrão.

  Só do fundo eleitoral são cinco bilhões de reais pagos pelos contribuintes e que são desperdiçados para eles falarem mentiras e um monte de besteirol para os eleitores que não aguentam mais ouvir esses cabras da peste, incluindo os que pleiteiam o legislativo.

   Por menos instrução que tenha, o eleitor já está de saco cheio desse discurso mofo e bolorento, seja da esquerda, do centro ou da direita, mas os caras de paus não se tocam e continuam a nos fazer de otários. O pior é que somos mesmo.

   Sabemos que as eleições fazem parte do regime democrático porque uma ditadura seria bem mais dolorosa, mas temos que reconhecer que elas (as eleições) não trazem mudanças políticas, sociais e administrativas, e isto vem sendo comprovado há séculos no Brasil.

  As eleições não resultam em mudanças, justamente porque todo sistema, parecido com o dos tempos dos coronéis, está podre e viciado. O indivíduo pode ser um cafajeste, corrupto, ultrapassado e até extremista, mas termina sendo eleito se tiver “bala na agulha” e a máquina do poder na mão.

Não passamos de um bando de masoquistas alimentando os sádicos. Até o pobre, o negro, o excluído e a mulher votam naqueles que os detestam e os discriminam. É um faz de conta que tudo vai melhorar.

  Até a propaganda do Tribunal Superior Eleitoral é enganosa quando fala da importância de se exercer a cidadania num país de cultura rasa e de nível educacional baixo, sem consciência política formada. Aliás, candidato nenhum trata da questão da cultura que é vista como um jarro de decoração em suas mesas.

A única coisa que o brasileiro tem é a cultura do voto. O idoso de mais de noventa anos ainda se arruma todo no dia da eleição e vai se arrastando até a urna. Fica feliz da vida.

  Como papagaios, os jovens de 16 anos, a maioria manipulados pelos pais, colegas ou pela religião, repetem os mesmos bordões de sempre nas entrevistas.

 Milhares votam por favores recebidos, o que representa o mesmo que se vender por dinheiro, ou são influenciados pelas famílias. No final, tudo fica como dantes na Casa de Abrantes, com insignificantes renovações nos quadros. Cada eleição sai pior.





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