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:: ‘De Olho nas Lentes’

A UNIVERSIDADE É NOSSA

  Não sei se é coisa só da minha cabeça, uma opinião isolada, mas entendo que a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, criada por decreto em 1980, a partir do curso de Formação de Professores, precisa interagir mais com a sociedade conquistense. A vejo como um corpo acadêmico fechado de pensadores que discutem teorias e teses entre si. Lembro que quando aqui cheguei, em 1991, ir à Uesb era como fazer uma pequena viagem dentro de uma capoeira de chão batido. Tudo isso deixou de existir com a expansão da Avenida Olívia Flores e a instalação de instituições e empresas, conectando a Uesb à cidade em termos físicos. No entanto, a distância do conhecimento e do saber não me parece ter mudado. Sei que a Universidade realiza muitos projetos de extensão e outras atividades no campo econômico, cultural, social e político, mas existe uma sensação de que a comunidade não entra como participe e pouco usufrui de seus programas. Em seu Colegiado ou Conselho não poderia caber representações da sociedade? Como a Universidade é nossa, porque é paga pelo contribuinte, os membros dessa sociedade não deveriam também ter o direito em algumas decisões internas, como na votação da reitoria? Em Vitória da Conquista, infelizmente, só existem dois museus, o Regional, na Praça Tancredo Neves, e o Padre Palmeiras, na Praça Sá Nunes, administrados pela Uesb e poucos eventos são realizados naquelas unidades. Sinto que existem poucos projetos de desenvolvimento do município capitaneados pela instituição de ensino. Isto é falha do poder público, uma questão política que deixa de realizar convênios? É a sociedade que tem que buscar a Uesb, ir até ela, ou vice-versa? São questionamentos que precisam ser esclarecidos, mas Conquista poderia ser mais beneficiada pela Uesb no sentido de melhorias da sua infraestrutura, principalmente com projetos direcionados aos bairros mais carentes das periferias.  A impressão é que a Uesb não faz parte da cidade. É um debate que precisa ser provocado. Sabemos que dentro da Uesb existem correntes políticas que talvez impeçam um melhor relacionamento com a sociedade.

O MAU EXEMPLO DO PODER PÚBLICO

O ACESSO MAIS HORRÍVEL DE CONQUISTA

Pouca gente tem percebido que a entrada e a saída, ou seja, o acesso de Vitória da Conquista, cortando o Anel Viário, em direção a Anagé e a Brumado, na boca do agreste do sertão do sudoeste, é o mais feio e passa uma péssima imagem ao visitante. Não dá para instalar ali uma placa de “Seja Bem-Vindo”. Seria até ridículo e motivo para piadas.

Quem vem de Brumado e faz a rotatória do Anel e pega a avenida do mesmo nome se depara com sucatas, carros velhos enferrujados, lixo e entulhos de ambos os lados próximos ao Atacadão, principalmente de um grande terreno na faixa esquerda pertencente ao Governo do Estado da Bahia.

Comentamos aqui sobre o problema dos lotes privados abandonados que se transformaram em matagais, lixeiras e são verdadeiros atentados à saúde pública. Cobramos uma fiscalização mais rígida por parte da Prefeitura Municipal no sentido de penalizar os proprietários que não cercam ou muram suas áreas.

O mau exemplo, no caso específico desse terreno abandonado na saída de Conquista para Anagé há muitos anos, vem justamente do poder público estadual. Trata-se de uma extensa área infestada de ferros velhos, entulhos, mato, lixos orgânicos e sólidos, utilizada até para queima de fios para extração de cobre. O local mete medo por quem transita por ali.

Em determinados locais, o mau cheiro invade as residências ao lado do loteamento Sobradinho, cujos moradores sofrem com o barulho e a poluição de fuligens da “Sucata Esperança”. Em frente ao terreno ainda existem duas empresas de reciclagem e muitos estão denominando o local de “Rota do Lixo”. Aqui ali está mais para matança do que esperança.

Os moradores clamam por providências e reivindicam que o terreno seja beneficiado em prol da comunidade através da construção de casas populares, uma praça de lazer e entretenimento, escola, posto de saúde ou outros equipamentos, oferecendo outro visual à entrada da cidade.

Quando aqui cheguei, há 35 anos, este terreno já existia e continua lá sem nenhuma serventia, a não ser como depósito de lixos de toda espécie e estacionamento para caminhões da Sucata que se tornou num inferno para os habitantes das redondezas.

Nossas lentes flagraram um absurdo que viola a legislação brasileira no que diz respeito à preservação do meio ambiente e o desrespeito às pessoas que são obrigadas a viver dentro da sujeira em meio a ratos, cobras, escorpiões, mosquitos da dengue e todo tipo de insetos.

Sem dúvida, é o acesso mais horrível de Conquista, por muitos chamada de a “Suíça ´Baiana”.  Pelo visto, diante do  aspecto do terreno abandonado, está mais para “Haiti”. A terceira maior cidade da Bahia, com cerca de 400 mil habitantes, não merece isso.

MONTANHA DE SUCATA

 Essa não é uma montanha da natureza onde você olha no horizonte e ver a beleza do pôr-do-sol se despedir do dia para dar lugar à noite. Trata-se de uma montanha de sucata cheia de fuligens poluidoras do meio ambiente, bem próxima ao muro da minha residência, no loteamento Sobradinho, que por pouco não invade meu quintal e de outros vizinhos. As nossas lentes flagraram esse horror que incomoda centenas de pessoas, inclusive de quem mora nas adjacências.  Comentei esta situação calamitosa muitas vezes aqui sobre a “Sucata Esperança” que está mais para matança lenta de seres hu8manos. Conversei com moradores que me relataram que essa empresa quando aqui se instalou já existiam habitações no local. Como ela não chegou primeiro, a Prefeitura Municipal não deveria ter concedido um alvará para seu funcionamento, sabendo que a unidade de sucateamento seria um atentado à saúde público, como está ocorrendo. O que os moradores pedem é tão somente uma providência do poder público para que ela seja relocalizada para outra área desabitada.  O problema é grave e merece a devida atenção. Além das fuligens, dos barulhos diários das máquinas, essa sucata se tornou uma fonte de insetos, ratos, mosquitos da dengue, escorpiões e outros bichos peçonhentos venenosos que adentram às casas e podem matar gente.

O BUEIRO TRAVESSIA

É mais antigo que o “Bigode de Pedral”, ou o maior quebra-molas do mundo, localizado na Avenida Régis Pacheco. Foi construído na década de 50 – cerca de 70 anos de existência – originalmente para o escoamento das águas que descem da Serra do Periperi, mas se tornou num famoso ponto de travessia sob a BR-116, ligando os bairros de Nossa Senhora Aparecida ao Guarani. É hoje uma passagem improvisada para carros, bicicletas, pedestres, carroças e motos em uma área de grande movimentação que chega a congestionar o trânsito. Com o crescimento de Vitória da Conquista, transformou-se num atalho viário que gera insegurança. Não existe organização no trecho com regras de direção em vias próximas, como nas ruas Nilton Gonçalves, Paulinho Santos e Democrata. Motoristas reclamam problemas de infraestrutura, como buracos e dificuldade de visibilidade, gerando pontos de retenção. No local existe um senhor (não se sabe se é da Prefeitura Municipal) com um apito que tenta controlar o tráfego e pede um real aos usuários, numa forma de pedágio. Esse bueiro de Conquista me fez lembrar de um igual em Senhor do Bonfim, próximo à antiga Estação Ferroviária, que faz conexão com o centro e outros bairros da periferia da zona norte. Devido a ocorrência de acidentes, lá o poder executivo instalou duas sinaleiras em cada direção, resolvendo o problema do trânsito e oferecendo maior segurança para quem utiliza a passagem. Passou da hora da prefeitura, através da Secretaria de Mobilidade Urbana, tomar providências e fazer o mesmo aqui nesse bueiro da travessia da BR-116, ou Rio-Bahia.

O LIXO DE CADA DIA

  É incrível o acúmulo de lixo nas periferias de Vitória da Conquista em terrenos vazios abandonados como se não tivessem donos! Sabemos que tudo advém da falta de educação do povo que não tem consciência ecológica e política e do individualismo de cada um, mas o poder público, no caso a Prefeitura Municipal, tem sua parcela de culpa por não obrigar os proprietários a cercarem seus imóveis mediante uma fiscalização mais rígida com punições de multas. As imagens das nossas lentes dizem tudo. Não é por acaso que Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, é campeã no criatório de escorpiões e de pessoas picadas por esse bicho peçonhento venenoso! É vergonhoso para os conquistenses terem esse título no estado. Além dos escorpiões, são ratos, baratas, cobras e outros insetos que invadem as casas. Não existe nenhuma mobilização por parte da administração para conter esse avanço dos lixões nos bairros. Somos obrigados a conviver com o lixo de cada dia. Infelizmente, moro bem em frente de um terreno abandonado e vejo diariamente pessoas despejando seu lixo na área, como se fosse uma coisa normal e comum. O absurdo e a falta de respeito para como o outro são tão gritantes que os sujos mal-educados nem chegam a depositar seus lixos na parte mais distante da rua. Quando bate o vento, toda sujeira termina invadindo as residências mais próximas. Até quando temos que conviver com o lixo de cada dia?

 

O ARQUIVO PÚBLICO E SUAS MUDANÇAS

  Alguém aí sabe onde funciona o Arquivo Público de Vitória da Conquista, que guarda milhões de documentos históricos do município? Acho que poucos conseguem responder a esta pergunta. Desde quando foi criado, em 1978, ele já passou por seis locais diferentes, como Museu Padre Palmeira, Rua Coronel Gugé, Góes Calmon, Avenida Bartolomeu de Gusmão, Rua do Triunfo e agora no final da Avenida Juracy Magalhães. Fiz muita coleta de dados para meu livro “Uma Conquista Cassada”, quando se localizava na Rua do Triunfo, num prédio inapropriado por ser insalubre e úmido. Um Arquivo Público é como se fosse uma alma viva da história de um município e não pode ficar de lá para cá mudando de lugar em lugar sob risco de perda de documentos, sem contar os estragos nas mudanças de ambiente. Tenho um acervo cultural com mais de sete mil itens e sei muito bem o quanto são prejudiciais as mudanças, principalmente com relação a livros, pastas, jornais e documentos preciosos em papel. Ele hoje está num galpão fechado, com pouca luminosidade, sem levar em consideração o problema de acesso para muitas pessoas por ser distante do centro da cidade e de bairros mais periféricos. Não que seja um local escondido, como a Biblioteca Municipal, no Conquistinha, este equipamento também tem que ter um local definitivo que não esteja mais sujeito a mudanças. Com o advento da internet, poucas pessoas procuram um arquivo público para realizar alguma pesquisa, principalmente em se tratando de jovens estudantes que desconhecem a importância e o valor histórico de uma unidade dessa natureza. Por falar em tecnologia, a Prefeitura Municipal já poderia ter apresentado um projeto de digitalização do seu arquivo, uma demanda de muitos conquistenses com os quais já conversei sobre o assunto.  Nota-se pelas imagens das nossas lentes que não existe uma placa de identificação, mas o diretor Jailson Ribeiro garantiu que em breve será colocada. Apesar de tudo, os funcionários são bem prestativos e lhe atende muito bem.

KOKOS/KABAÇAS E CORDEL

 O artesanato KOKOS E KABAÇAS e o cordel estiveram ao nosso lado na Praça Nove de Novembro, no dia 24/07, prestigiando nosso “Sarau na Rua”, com suas artes indo onde o povo está. O músico e compositor Walter Lajes, com suas criações através dos cocos e cabaças e Aílton Dias, com seus versos cordelistas, homenagearam a nossa iniciativa de levar cultura à comunidade conquistense. Foi um evento inédito do “Sarau A Estrada” que está completando 16 anos de existência, reunindo artistas, intelectuais, estudantes, professores e pessoas interessadas pelo conhecimento e pelo saber na troca de ideias, com debates sobre variados assuntos, cantorias musicais, declamação de poemas autorais e contação de causos. Esse projeto foi um marco na história da cultura de Vitória da Conquista e outros deverão ser realizados em outros pontos da cidade, graças ao apoio de abnegados que colocaram a mão na massa para levar cultura à população. Louvor à Comissão Organizadora. O “Sarau na Rua” foi uma ousadia e um desafio de um sonho sonhado junto que se tornou realidade, como já dizia o nosso grande cancioneiro baiano Raul Seixas, em “Prelúdio”. Nos próximos, pretendemos incluir outras linguagens artísticas. Conquista teve sua cultura abandonada pelo poder público, mas continuamos na trincheira da resistência na luta pela revitalização do setor e clamamos pela criação urgente do Plano Municipal de Cultura que se encontra emperrado no poder executivo e ainda não foi enviado à Câmara Municipal de Vereadores para ser aprovado. O “Sarau A Estrada” também está nessa luta porque uma cidade sem cultura é como uma cidade sem alma.

CRUZAMENTO PERIGOSO

  Na entrada do Bairro Miro Cairo, na Avenida Paulista que dá acesso à Avenida Sérgio Vieira de Melo com o Loteamento Sobradinho e à Avenida Brumado, existe um cruzamento perigoso que já cabia a instalação de um semáforo para disciplinar e controlar o trânsito, de modo a evitar acidentes mais graves. Quem desce da Avenida Paulista vindo do Anel Viário, já na chegada com a Sérgio Vieira de Melo, existe uma placa de PARE, só que motorista nenhum obedece e cruza direto a pista em alta velocidade. No local existia até uma faixa de pedestre que foi totalmente apagada. Nossas lentes flagraram a imprudência e vários momentos de perigo para ciclistas, pedestres, carroceiros e quem segue pela Vieira de Melo que tem a preferencial. A Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Mobilidade Urbana ou de Trânsito, precisa tomar uma providência urgente para disciplinar essa via, antes que ocorra o pior. Os transeuntes que precisam atravessar esses pontos, de um lado para o outro, ficam expostos a serem vítimas de atropelamentos. Por sua vez, o motorista que está circulando pela Sérgio Vieira de Melo e precisa entrar numa rua do Loteamento Sobradinho para pegar a Brumado fica sem nenhuma visão e corre o perigo de sofrer um acidente de qualquer veículo que está descendo a Paulista.  Só um semáforo resolveria o problema porque o cruzamento é bastante movimentado e carece de ordenamento. A situação é grave naquela artéria, sem falar na buraqueira e no total abandono dessas avenidas onde o mato toma conta do asfalto.

MENOSPREZO COM O FUNDADOR

    Alguém aí sabe, por acaso, me informar onde fica a Praça João Gonçalves da Costa, um negro forro vindo lá de Chaves, da província Traz os Montes, em Portugal, o fundador da Vila Imperial da Conquista que aqui chegou no “Sertão da Ressaca” no meado do século XVIII? Tenho certeza que poucos, e os conquistenses, de um modo geral, ao longo da sua história procuraram deixá-lo num canto escondido. Por qual motivo será esse menosprezo proposital? Quanto a praça, é um pequeno espaço ali nos fundos do Posto de Saúde CAAVE, uma coisa assim insignificante. Até a placa foi colocada num lugar errado, na esquina, no final da rua Senhorinha Cairo, numa pequena travessa com a rua João Pessoa. É uma pequena placa borrada apenas com o nome João Gonçalves, um sujeito qualquer. Será que esse tipo de tratamento desprezível foi porque ele veio de Portugal a mando do El Rei com a incumbência de procurar ouro e prata e aqui combateu e massacrou os índios mongoiós e Imborés, descendentes dos Pataxós e Camacãs? Lamentavelmente, poucos conhecem a história de Vitória da Conquista, sobretudo seus filhos que nasceram nesta terra do frio que muitos a apelidaram erroneamente de “Suíça Baiana”.  Dia desses vi e ouvi um vídeo sobre a história de Conquista onde mostra um João Gonçalves loiro de olhos azuis, quando ele era um negro do Terço de Henrique Dias que chegou a lutar no Quilombo dos Palmares. Chegou ao Sertão da Ressaca partindo de Minas Novas, no norte de Minas Gerais. A ocupação ocorreu no contexto da expansão das bandeiras portuguesas. Bem, a história é longa e seria bom que os conquistenses estudassem mais suas origens e valorizassem mais seus fundadores. Bem que merecia ser homenageado com uma avenida e não num canto escondido de uma pracinha com uma plaquinha numa esquina qualquer, simplesmente com o nome João Gonçalves. Conquista foi desbravada com o sangue indígena, como aconteceu em muitas outras regiões pelo Brasil a fora, e o seu conquistador era um negro nomeado pelo rei. Foi uma lenda e deixou seus feitos históricos.

        

FOGO NA SERRA!

  No último sábado passado (dia 04/07) ou, se não me engano, no domingo (dia 05/7), nossas lentes flagraram um grande incêndio no alto da Serra do Periperi que, pela cor da fumaça preta, poderia ser queima proposital de pneus. Por si só, isto já representa um absurdo em termos de agressão ao meio ambiente, principalmente na Serra que há quase 100 anos vem sendo depredada pela ação humana. Por ter ocorrido em final de semana, pouca gente percebeu e não vi e nem li nenhum noticiário na mídia. Esse incêndio durou por muito tempo e nem sei se lá estiveram o Corpo de Bombeiros e a fiscalização da Prefeitura Municipal para averiguar a situação e conter o fogo. Tudo indica que foi um ato criminoso premeditado. Além da poluição tóxica no ar, os moradores dos bairros mais próximos, na altura do Anel Viário, certamente foram impactados. Apesar de ter sido tombada no último governo do ex-prefeito José Pedral, por volta de 1996, a Serra do Periperi continua sendo alvo de invasões e degradações por negligência das administrações públicas que não montam uma estrutura adequada para protegê-la  dessas ações nefastas, como incêndios dessa natureza.





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