Nos tempos modernos desumanos, nada civilizado, as pessoas passaram a cunhar a expressão “sextou” como forma de libertação de uma semana de trabalho, para cair na gandaia no sábado e domingo; praticar o lazer; passear com a família; ficar em casa de pernas para o ar; e, principalmente, ir para um bar tomar umas e outras com os amigos para jogar conversa fora.

   Esse “sextou”, que se tornou verbo “conjugável” irregular significa relaxar, mas muitos profissionais não “sextam” e trabalham duro nos finais de semana em hospitais, na vigilância, indústrias, como motoristas de ônibus e outros setores. Quando estava na ativa como jornalista, “sextava” meia boca porque os fatos são imprevisíveis e demandam a cobertura jornalística.

   É, meu amigo, este tal de “sextou” é bom para algumas categorias, mas, para outras é um tormento porque têm que dar duro e ficar vendo os outros curtirem. Imaginou ter que dar plantão no sábado e domingo? Tem “sextou” para aposentado? Diria que depende.

Tem o lado bom da vida, mas é no “sextou” que ocorrem mais acidentes de trânsito (nego se embriaga e sai por aí dirigindo), mortes em brigas nos botecos das cachaças em discussões fúteis, inclusive políticas e até aumenta a violência contra a mulher. É a partir do “sextou” que aumenta a criminalidade e a violência.

   Até na Revolução Industrial não havia esse negócio de “sextou” porque o homem e a mulher trabalhavam todo dia. Eram escravos dos patrões. Davam um duro danado como burros de carga, na base da chibata. Coisa era na escravidão dos negros trazidos da África!

Graças a Marx e Engels, com o Manifesto Comunista (bate na boca para falar isso nos tempos atuais), as reformas trabalhistas foram ganhando espaço e o trabalhador foi tendo suas folgas. Agora já está em processo de andamento o fim da escala 6 x 1 para vigorar o 5 x 2, só que muitos vão continuar sem “sextar”.

   A grande maioria fica alegre quando chega sexta-feira, mete o pé na jaca e esquece que tem o “segundou”. É o dia de se levantar da cama se arrastando, com preguiça, de cara amassada para retornar ao trabalho e de mau-humor para atender o cliente. Ninguém quer ouvir falar do “segundou”. Tem medo como o cão corre da cruz.

Coisa feia é nas repartições públicas onde padece o usuário. Se você tem algum problema para resolver num órgão público, melhor não ir no “segundou”! Deixa “terçar”, mas tem pepino que precisa ser cortado! É como cebola que faz arder os olhos com aspecto de choro! Todos vão aos troncos e barrancos, se bem que tem os reservados que ficam inteiros para a labuta.

  Tem gente que não queria, de jeito nenhum, “segundar”, que fosse um dia de descanso para curar a ressaca, mas aí o cara ia cair na tentação e emendar o domingo com a segunda. Trabalhar é uma obrigação para sobreviver, mas o sujeito (a) entra na segunda já pensando no “sextar”.

  Com o estudante acontece a mesma coisa. Estudar é uma necessidade para se evoluir, crescer na vida, ganhar dinheiro e ficar rico (muitos não chegam lá), mas o estudante quando entra na escola fica contando os dias para chegar as férias e faz até trapaça com os pais para furar uma aula. No primeiro de janeiro, a maioria olha logo no calendário os dias de feriados e feriadões.

  Todo mundo mesmo quer é ficar na “valsa”, no ócio, sem fazer nada, mas a vida é uma batalha que só para na morte. Tem pensador por aí que defende o ócio como filosofia de vida, mas a pessoa iria cair no vazio e a alma não aguentaria por muito tempo.

Tem o aposentado inativo que fica o dia todo numa esquina jogando dominó, assistindo televisão ou no celular nas redes sociais vendo besteiróis. Para os atuantes que procuram preencher o tempo, ainda tem o “sextou” e o “segundou”.