:: 13/ago/2026 . 22:38
MAIS UMA!
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(Chico Ribeiro Neto)
Garçom, não me venha com tulipa, caneca ou taça pequena. Eu quero é copo americano.
Não sei porque alguns bares sofisticados não têm o copo americano. Devem achar “vulgar”. Pois fiquem sabendo que o copo americano, criado em 1947 pela fábrica brasileira Nadir Figueiredo, consagrado nacionalmente, integrou, em 2009, exposição de design no Museu de Arte Moderna de Nova York como símbolo da cultura material brasileira.
O nome surgiu porque o projeto usou uma máquina de prensa de vidro importada dos Estados Unidos.
Não entendo também porque certos bares e restaurantes “selecionam” seus clientes pelo tamanho da cerveja. “Só servimos long-neck”, avisa o garçom. Que charme! Cerveja de 600 ml deve ser coisa de pobre…
Tinha um velho muito pão-duro numa cidade interior baiano que sentava na mesa mais escanteada do bar e pedia uma cerveja. Detalhe: a cerveja natural, quente. Um dia, um cara se aproximou e perguntou:
“Por que o senhor só bebe cerveja quente?”
“Pra ninguém me pedir um copo”.
Leio que a cerveja surgiu na Mesopotâmia, há cerca de 6 mil anos, criada por povos antigos como os sumérios e os babilônios. Grãos molhados criaram uma papa que gerou uma bebida forte e nutriente.
Os monges nos mosteiros da Europa melhoraram a receita e começaram a usar o lúpulo para dar sabor e conservar melhor o líquido. Esses padres têm arte!
Para muitos, o gole do santo é sagrado. O famoso boêmio de um boteco no Rio pediu para ser cremado e que suas cinzas fossem enterradas num grande vaso de planta que havia na porta do bar. O pedido foi aceito e os amigos sempre despejavam alguns goles no vaso.
O velho jornalista e boêmio Walmir Palma recomendava: “Nunca emborque o copo nem deixe restinho de cerveja. Ou bebe ou joga fora”. Podia chamar coisa ruim.
Foi o maior “puta que pariu” que já ouvi. Depois da conta paga, o garçom levou o copo do meu amigo com o último gole de cerveja. Imperdoável.
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
O LIXO DE CADA DIA
É incrível o acúmulo de lixo nas periferias de Vitória da Conquista em terrenos vazios abandonados como se não tivessem donos! Sabemos que tudo advém da falta de educação do povo que não tem consciência ecológica e política e do individualismo de cada um, mas o poder público, no caso a Prefeitura Municipal, tem sua parcela de culpa por não obrigar os proprietários a cercarem seus imóveis mediante uma fiscalização mais rígida com punições de multas. As imagens das nossas lentes dizem tudo. Não é por acaso que Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, é campeã no criatório de escorpiões e de pessoas picadas por esse bicho peçonhento venenoso! É vergonhoso para os conquistenses terem esse título no estado. Além dos escorpiões, são ratos, baratas, cobras e outros insetos que invadem as casas. Não existe nenhuma mobilização por parte da administração para conter esse avanço dos lixões nos bairros. Somos obrigados a conviver com o lixo de cada dia. Infelizmente, moro bem em frente de um terreno abandonado e vejo diariamente pessoas despejando seu lixo na área, como se fosse uma coisa normal e comum. O absurdo e a falta de respeito para como o outro são tão gritantes que os sujos mal-educados nem chegam a depositar seus lixos na parte mais distante da rua. Quando bate o vento, toda sujeira termina invadindo as residências mais próximas. Até quando temos que conviver com o lixo de cada dia?
A INSPIRAÇÃO
Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Tem momentos
Que você fica sem norte,
Para o riscado do escrever;
Não adianta garimpar o corte,
Dele não sai a pedra brilhante,
Pois o tempo lhe mastiga,
Como animal ruminante.
As ideias voam na poeira
Da catinga seca do sertão:
É a danada matreira,
Senhora dona inspiração.
Quando foge a inspiração,
Sua alma tormenta padece,
Porque as palavras se vão.
Essa tal da inspiração,
É como o inferno e o céu,
Na briga entre Deus e o Cão,
Rasga-se tanto papel,
Que ao poeta, ou escritor,
Seja lá quem for,
Só lhe resta a solidão.
Dizem que a inspiração,
É coisa de entidade,
De outra encarnação,
Que cada artista,
Tem seu ancestral;
Faz pacto com o diabo;
Tem que passar fome e miséria;
Viver como eterno sofredor,
Para ser um grande criador.
A inspiração,
É como adubo em chão bruto,
Que faz da planta brotar o fruto.
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