• (Chico Ribeiro Neto)

Garçom, não me venha com tulipa, caneca ou taça pequena. Eu quero é copo americano.

Não sei porque alguns bares sofisticados não têm o copo americano. Devem achar “vulgar”. Pois fiquem sabendo que o copo americano, criado em 1947 pela fábrica brasileira Nadir Figueiredo, consagrado nacionalmente, integrou, em 2009, exposição de design no Museu de Arte Moderna de Nova York  como símbolo da cultura material brasileira.

O nome surgiu porque o projeto usou uma máquina de prensa de vidro importada dos Estados Unidos.

Não entendo também porque certos bares e restaurantes “selecionam” seus clientes pelo tamanho da cerveja. “Só servimos long-neck”, avisa o garçom. Que charme! Cerveja de 600 ml deve ser coisa de pobre…

Tinha um velho muito pão-duro numa cidade interior baiano que sentava na mesa mais escanteada do bar e pedia uma cerveja. Detalhe: a cerveja natural, quente. Um dia, um cara se aproximou e perguntou:

“Por que o senhor só bebe cerveja quente?”

“Pra ninguém me pedir um copo”.

Leio que a cerveja surgiu na Mesopotâmia, há cerca de 6 mil anos, criada por povos antigos como os sumérios e os babilônios. Grãos molhados criaram uma papa que gerou uma bebida forte e nutriente.

Os monges nos mosteiros da Europa melhoraram a receita e começaram a usar o lúpulo para dar sabor e conservar melhor o líquido. Esses padres têm arte!

Para muitos, o gole do santo é sagrado. O famoso boêmio de um boteco no Rio pediu para ser cremado e que suas cinzas fossem enterradas num grande vaso de planta que havia na porta do bar. O pedido foi aceito e os amigos sempre despejavam alguns goles no vaso.

O velho jornalista e boêmio Walmir Palma recomendava: “Nunca emborque o copo nem deixe restinho de cerveja. Ou bebe ou joga fora”. Podia chamar coisa ruim.

Foi o maior “puta que pariu” que já ouvi. Depois da conta paga, o garçom levou o copo do meu amigo com o último gole de cerveja. Imperdoável.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)