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:: ‘Na Rota da Poesia’

POEMAS À MARGEM – AFLUENTES ATO I

De autoria da poetisa e professora Mariângela Borda, do livro Antologia de Contos e Poemas (Editora Saramago)

SOB O LEITO DO AMOR

Sob os afluentes

Do prisioneiro rio,

A copular

As águas

De um

Leito

Fluído

À margem

Do amor,

O corpo

Em concha

Se fecha

À espera

Do oceano,

Que da sereia

Enamorado,

Busca

Seu canto

Que se

Abre

Mulher

Em Ato

Do amor

Em

Si.

DESEJO DE DESEJAR

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Oh, desejo de desejar!

Desvendar o infinito,

Curar a dor do finito,

Amar sem odiar,

Subir ao pico das montanhas,

Que vêm do mar,

Ardentes desejos,

De conhecer as entranhas,

Do pensar sem sofrer.

 

Sou ventania do obscuro,

Caminho do escuro,

Porque me roubaram,

O livre respirar de desejar.

 

Vontade de fustigar a razão:

De quem criou quem,

De onde viemos,

O que somos,

Para onde vamos?

Coisas da fé e da religião.

 

No desejo de desejar,

De me livrar dos maus sonhos,

Fiz minha melodia,

Nas lágrimas da sabedoria.

 

Exala o perfume

Do seu beijo, o ciúme,

E nem sei se é amor,

Ou desejo de desejar.

 

Desejo de desejar,

Aniquilar o tempo,

Parar o corrente vento,

A pedra remover,

Oh, solitária aflição!

Morrer sem confusão.

 

 

CANÇÃO DA NOITE

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Sou navegante solitário,

Interior de mim mesmo,

Da terra que me gerou,

Para viver nesse aquário,

Entre o ódio e o amor,

E nem todo mundo

É feliz aqui,

Do ir e do vir,

Nesse açoite

Da canção da noite.

 

A canção da noite,

Me transporta,

Para o vale silvestre,

Ao encontro do mestre.

 

Sou canção da noite,

Das criaturas noturnas,

Fantasma do conhecer,

Que me traz dor e sofrer.

 

Na canção da noite,

Sou fluxo e refluxo,

Morte que se arrasta,

Como ladra macabra,

Que se torna soberana,

Como sua espada tirana.

 

A canção da noite,

É sepulcro dos companheiros,

Que se foram cedo,

Levando nosso enredo.

 

É insondável

O que os olhos não penetram,

E me afogo,

No insaciável,

Da fonte que jorra,

Desejos amantes cantantes.

 

Na canção da noite,

Das estrelas cintilantes,

Vagalumes celestiais,

De luzes vagantes,

Que me indagam o porquê

Da existência do ser.

 

Ao cruzar as montanhas,

A canção da noite,

Me leva em suas entranhas

Para morar em seu luar,

Bem longe desse lugar.

 

 

 

 

ESCOLHO O TEU CHEIRO

Do livro “Suspiros Poéticos” – a beleza da lira cor – da poetisa Regina Chaves dos Santos, lançado na Bienal do Livro de Salvador, e participante do nosso “Sarau A Estrada”. Regina ofertou sua obra ao nosso “Espaço Cultural A Estrada” que agradece dele fazer parte como um dos mais raros perfumes da terra.

Regina Chaves

Uma noite para uma vida inteira…

E eu te prometo amor, amar-te – eternamente!

Sentindo que este amor que nos chegou ontem, embriaga faceira o meu coração, m- tomando conta de todo o meu ser!

Mergulho na imensidão desse querer, totalmente diferente e, – completamente apaixonado!

Simples assim,

– Dos mais raros perfumes escolho o teu cheiro

O teu cheiro de flo-da-pele provocando em mim, arrepios, – na magia do teu sorriso!

Eu te prometo amor, amar-te desde ontem – a vida inteira!

Sabes por que?

– Porque dos mais preciosos perfumes, eu escolho, o teu cheiro!!!

 

APOLOGIA AO SONETO

De autoria do poeta José Walter Pires, extraído do seu livro CREPUSCULARES

Apologia ao poeta Medeiros Braga

Como é belo, poeta, o seu soneto,

Transfigurado numa apologia,

Pois envolto na afável poesia

Fará jus às hosanas no coreto.

 

Quem sabe sinfonia em branco em preto

Nas notas recheadas de harmonia

Da batuta de plena maestria,

Como busco glosar neste dueto.

 

Desde Petrarca, o pai da criação

Transcende com a sua plenitude,

Trazendo na estrutura perfeição.

 

Por certo, resistiu, heroicamente,

Aos riscos enfrentados de amiúde,

Reinando virtuoso, plenamente.

 

MEU BEM-TE-VI AMIGO

Do poeta e cordelista José Walter Pires, do seu livro “Crepusculares” – Sonetos

Sinto que, aos poucos, flui uma amizade

Com o meu bem-te-vi, que, confiante,

Desce de uma mangueira, e, saltitante,

Pousa no meu quintal com liberdade.

 

Esvoaça com sua agilidade,

De um lado ao outro, olhando o circunstante,

No seu trilar festivo e cativante,

Sem demonstrar qualquer temeridade.

 

Que volte sempre e pouse sem receio,

Pois não irei fazer-lhe nenhum mal

Com essa relação que tanto anseio.

 

Assim, nessa constância, robustece,

O apego que, de forma natural,

Nasce desse avoar que me embevece.

 

TUAS PALAVRAS

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Na poesia das tuas palavras,

O garimpeiro bamburra,

Atrás do ouro nas lavras,

Ainda leva surra,

Dos coronéis e do nobre,

E o pobre atrevido

Vive sem sentido.

Os sábios se eternizam,

Na esteira da sabedoria,

E tuas poéticas palavras

Viram escrita-partitura,

Canção e cantoria,

Que nunca morrem,

Nem no tronco da tortura.

 

Tuas palavras

São fluxo e refluxo,

Sons divinais;

Não têm travas;

Brotam dos deuses astrais.

 

Tuas palavras

São como vinhedos,

De finos vinhos,

Que embriagam a alma,

Alinhavadas como ninhos

Dos passarinhos,

Ventos do ar a respirar,

Cachoeiras e ondas do mar,

Que batem nos rochedos,

Moldam as pedras,

Em polidas estalactites,

Amansam as feras,

E duram séculos de eras.

NA UTI DA VIDA

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

De cócoras,

Nas indígenas ocas,

Ou pelas mãos da parteira,

Numa cama de hospital,

Seja igual ou desigual,

Sua mãe berra,

Para abrir a porteira,

Se agarra nas raízes

Da sua mãe terra.

Você nasce e cresce,

Civilizado ou nativo,

Da barriga que lhe abriga,

Água e ar,

De nove meses,

Na UTI da vida,

Do Tratamento Intensivo,

E cada um sabe de si,

Vivendo sua UTI.

 

Na labuta da sobrevivência,

Na fé e na ciência,

Ora seu coração acelera,

Jorra sangue e se acalma,

Às vezes vira fera,

Na quimera da alma,

Transborda amor e dor,

Fel e mel,

Inferno e céu,

Na UTI da vida,

Do sentido do existir,

Mar revolto e calmaria,

Seja João, José ou Maria,

Nos arreios das andanças,

No veneno do cascavel,

No corcel da esperança,

Nas labaredas de fogo,

Como sensato e louco,

E tudo é assim:

Vim, vi e venci,

Na UTI da vida:

Porta de entrada e partida.

O NORDESTE E O SUL

Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Duas regiões distintas,

Com seus riscados culturais,

Uma roga pela chuva,

A outra que venha sol,

Oh, quanta tormenta e ternura!

Choro e lamúria!

Nos traçados, temporais!

Dizei-me, oh Senhor Deus!

Sobre esta pintura,

Donde vem tanta fúria?

No Nordeste queima o paiol,

O dilúvio bate no Sul,

E o poeta carrasquento,

No lamento do gaúcho,

Fica solitário e nu.

 

A seca racha o solo,

Mata a plantação e o rebanho,

Empurra o pau-de-arara para o Sul,

A mãe consola a criança no colo,

E o retirante segue escravo do ganho.

 

Leva anos e mais anos,

O nordestino ancestral,

Hoje é moço-menino,

E agora vê a enchente do Sul,

Tempestade, lama e vendaval,

Os rios do Pampa viram mar,

Matando nossos hermanos de lá.

 

Dizei-me, Senhor Deus!

Do Olimpo, o Zeus!

Para aonde vai essa caravana?

Contra nossa natureza,

Castigada pela mente insana,

Oh quanta loucura e avareza!

Tragédia, morte e terror!

Do Norte ao Sul,

Oxalá, meu pai xangô!

 

Não sei o que será dessa terra,

De tanta riqueza e pobreza,

Não faço parte dessa guerra,

Desse capital predador,

Que só criou sofrimento e dor,

Como o capeta belzebu,

Rachando o Nordeste e o Sul.

EU SEI…

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Eu sei…

Que não adianta

Procurar um sentido

Para a vida,

Se somos apenas aprendizes,

Grãos de areia,

Presos na teia,

Desse universo infinito,

Onde devemos cuidar

Bem das nossas raízes,

Para enfrentar tanta lida,

Nesse embate controverso;

Ser silêncio na hora certa,

Com a mente alerta.

 

Eu sei…

Que o tempo não espera;

Estamos em outra era

Da deusa tecnologia,

Que supera a filosofia,

O conhecer e o saber.

Eu sei que o mundo mudou:

Uns dizem para melhor,

Outros para pior,

Dominado pela alienação,

Na pista da contramão.

 

Eu sei…

Que o amor não é o mesmo,

Que não conta só sonhar,

Tem que realizar,

Nessa terra desembestada,

De ódio e guerra infestada,

Onde cada um tem sua vez,

Nessa loucura da insensatez.





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