novembro 2026
D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930  


Quem é este “Coronavid”? . Por Jeremias Macário

“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA

Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.

Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.

O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.

Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.

Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.

Essa é uma parceria com o amigo poeta e músico, baiano de Alagoinhas, Antônio Dean, que há muitos anos reside em Campina Grande da Paraíba com sua família, fazendo sucessos e cantando com sua profunda voz, a cultura nordestina para todo o Brasil.

Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”

Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.

espaco cultural a estrada (5)

Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.

“O CANGAÇO”

   O BANDITISMO COMUM E O SOCIAL

   Os brasileiros em geral ficam escandalizados e se chocam com a onda de violência com requintes de crueldades que tomou conta do país nos últimos anos. O povo clama por mais policiamento e mais armas. Alguns chegam a pedir pena de morte, o que na prática já existe em muitos casos.

   Esta visão nem sempre foi assim, conforme assinala o sociólogo e antropólogo Carlos Alberto Dória que, juntamente com seu colega Arthur Shaker, desenvolveu nos anos 70 do século passado um estudo sobre o Ciclo do Cangaço no Nordeste Brasileiro (1870-1940).

   De acordo com Dória, que escreveu a obra “O Cangaço”, houve um tempo em que a maioria das pessoas torcia pelos bandidos em luta contra a polícia. Parcela significativa da sociedade não contrapunha ao crime a necessidade de mais repressão.

  Para ele, a noção de “fora da lei” era relativa. Para a lei do Estado, qualquer um que age de forma violenta, roube ou mate é considerado um bandido. Mas, o “fora da lei” de que tratamos aqui, o bandido social, se distingue do criminoso comum.

  Em sua pesquisa sobre o Cangaço no Nordeste, Dória destaca que o bandido social era em geral membro de uma sociedade rural, encarado como criminoso pelo Estado e pelos grandes proprietários.

 No entanto, para a sociedade camponesa daquela época era considerado como herói por sua gente, seja um justiceiro, vingador ou alguém que rouba aos ricos. Este tipo de bandido nada tem a ver com o comum, o criminoso que a comunidade entrega à polícia.

  O bandido social era um camponês que, por algum motivo, “caiu em desgraça” perante os poderosos locais, ou um rebelde que merece ser admirado e protegido contra os inimigos.

   “Este tipo de banditismo social é um dos fenômenos mais universais da história. Existiu na China, na Inglaterra (Robin Hood), na Itália, na Espanha, no Peru, na Indonésia, na Ucrânia e no Nordeste Brasileiro”. O Billy The Kid e o próprio Lampião se transformaram em heróis legendários.

  Todos esses bandidos possuem traços comuns por terem surgido de sociedades rurais que viveram a transição entre a organização tribal, ou de clã, e a moderna sociedade capitalista em fase de industrialização, a qual destrói a predominância dos laços de família.

   “Nesta sociedade, portanto, será perfeitamente compreensível se um camponês resolver pegar em armas para “vingar a honra” de sua irmã, violentada pelo filho de um proprietário, ou se rebelar e defender seus parentes que se recusam a pagar os tributos devidos às autoridades”.

   Mas, Carlos Dória diz que Lampião está longe de ser o “modelo” de bandido social, embora tenha sido o mais famoso cangaceiro. Uma pesquisa, segundo o autor da obra, permite identificar dois tipos principais de “fora da lei”, o ladrão nobre, que rouba dos ricos para dar aos pobres, e o vingador, ou justiceiro, que ao procurar reparar uma injustiça, semeia o terror entre os opressores.

   Em seu entendimento, porém, Lampião consegue reunir, em sua trajetória de crimes, características tanto de um como de outro tipo. Nas sociedades rurais, o banditismo se manifesta através de surtos, de endêmico para epidêmico, como durante as secas prolongadas, exemplo da estiagem de 1877/79.

  Os principais surtos ocorreram na segunda metade do século XIX, período de franca expansão do capitalismo sobre o mundo rural. “No Brasil, apesar de o surto do cangaço ter ocorrido em fins do século XIX e começo do XX, existiram casos na primeira metade do século XVIII.

  Muitos iniciaram sua carreira de bandido não pelo crime, mas como vítima de uma injustiça ou perseguição movida pelas autoridades. Por isso que este tipo de bandido é admirado pelo povo.

Ele nunca é inimigo dos poderosos em geral, mas das autoridades. Mesmo finda sua missão, ele não consegue voltar a uma vida normal. Dessa forma, o banditismo se torna um modo de vida.

 

 

 

A CONQUISTA DE HOJE

   Não vamos falar aqui da história do Arraial da Conquista, fundada há mais de 180 anos, mas a de hoje com sua economia pujante, calcada, principalmente, no comércio e nos serviços, a terceira maior cidade da Bahia com cerca de 400 mil habitantes, só que ainda carente de obras de infraestrutura, que não acompanhou a demanda da sua população. Da pecuária, do algodão, do comércio, da cafeicultura e do ciclo educacional, temos uma Vitória da Conquista desenvolvimentista, mas com suas feridas na desigualdade social, na deficiência dos transportes públicos, no atendimento à saúde que ainda deixa a desejar, na falta de grandes obras de drenagem pluvial, que não suporta as grandes chuvas com as mudanças climáticas, ou o aquecimento global, sem falar em outras questões, como o abandono na cultura. Temos que olhar o nosso passado, mas encarar o presente para que tenhamos um futuro mais próximo, ou seja, uma cidade com menos desigualdades, mais arborizada, mais estrutura no abastecimento de água, no setor energético, com mais cultura e mais segura para se viver. Mesmo assim, temos que parabenizá-la pelos seus 186 anos quando foi instituído o Conselho Municipal, espécie de Câmara de Vereadores, em 1840, e empossado o primeiro intendente-administrador, ou prefeito.

DIA NACIONAL DA CULTURA

  Ah, senhora dona Cultura, tu és formosa e graciosa morena de feições indígenas, negras, brancas e amarelas, numa mistura de várias etnias! Senhora dona Cultura, que estais em todos lugares da vida, não apernas na arte, ainda desfilas nesta multidão como uma ilustre desconhecida!

  Tu és uma brasileira miscigenada representando todas as regiões, mas ficas mais dourada reluzente com o sol do agreste nordestino onde esbanjas mais conhecimento e saber num diversificado universo de linguagens, desde o erudito ao popular, com tuas danças, festas, escritas e oralidades.

   É no chão estorricado do Nordeste onde tu mais resplandeces, construindo teu rico folclore através das crendices do teu povo simples, religioso e até messiânico! Grandes nomes de escritores, de artistas em geral, trovadores, repentistas, cordelistas, oradores e contadores de causos te deram mais louvor aqui, senhora dona Cultura!

  Senhora dona Cultura, ganhastes até um Dia Nacional, 5 de outubro, em tua homenagem, mas isto só não basta porque ainda andas abandonada pelos cantos por aqueles que deveriam cuidar melhor de ti! Ficarias mais linda e bonita se fosses melhor tratada como uma rainha num fino salão de beleza!

   Senhora dona Cultura, nossas vidas perdem a graça, ficam ocas e vazias, sem sentido, como se a existência deixasse de existir, sem o teu sorriso da manhã e o teu encantado pôr-do-sol! Tu és a luz do dia e a inspiradora da noite que iluminas nossos poetas e cancioneiros!

   Senhora dona Cultura, sei que nos últimos tempos, com a decadência do ser humano que se bandeou para as tecnologias eletrônicas e virtuais das tais redes sociais, tu andas meio que macambúzia e triste, mas ainda existem aqueles senhores e senhoras da trincheira da resistência que te admiram e te defendem.

   Em épocas passadas teu nome era bem mais cultuado e idolatrado em todo território brasileiro, de norte a sul, do leste ao oeste, e não eras apenas um jarro de flores como decoração na mesa dos teus guardiões governantes.

   Hoje, eles são teus algozes e pouco cuidam de ti; não molham tuas raízes e tuas pétalas estão murchas, desbotadas e esqueceram até de festejar o teu Dia Nacional, mas nós ainda estamos aqui reavivando tuas seivas para que não morras.

  Senhora dona Cultura, perdoai os teus negligentes porque eles não sabem o que fazem! Eles e elas tentam te menosprezar, tirar de ti a sabedoria secular, tuas memórias e tradições históricas para deixar teu povo ignorante e bruto, mas estamos vigilantes.

   Esta gente conservadora, senhora dona Cultura, não te quer bem; tem o olhar atravessado e vesgo justamente porque teme passar de dominadora a dominada e tentam manipular as mentes mais fracas como se faz numa lavagem cerebral, mas eu te saúdo neste teu dia!

 

PERNAS DO TEMPO

(Chico Ribeiro Neto)

O despertador de mamãe Cleonice dava pra acordar a rua inteira. Aquele bicho redondo e branco, com duas perninhas e duas campainhas. Aquelas duas perninhas era o tempo correndo atrás da gente.

Escovar os dentes com a pasta Kolynos na escova Tek. Uma vez  na Serra da Carnaíba, município de Pindobaçu (Bahia), lugar de muita esmeralda, um garimpeiro com jeito de besta vendeu, como pedra preciosa, um pedaço de escova Tek verde, com as pontas lapidadas, a um comprador de Salvador metido a esperto  mas que deixou de ser depois de várias pingas no cabaré que tinha até francesa, na vila em que o esgoto corria pelo meio da rua.

No dia seguinte o “esperto” procurou, para matar, o garimpeiro sabido  que já tinha ganhado o mundo e ninguém sabe, ninguém viu.

É hora de calçar o Vulcabras, que passa em qualquer poça d’água sem molhar nossos pés, e ir andando pra o Ginásio São Bento, onde eu era bolsista, levando um pão com manteiga e açúcar.

Na volta do São Bento, tomar banho com sabonete Lifebuoy ou Eucalol. Foi numa campanha publicitária do Lifebuoy que surgiu a expressão “cê-cê”. Uma propaganda do sabonete dizia: “Nada de C.C. comigo”. Em letras menores, o anúncio explicava o significado das duas letras: “cheiro de corpo”.

Depois do banho, enxugar-se com uma toalha cheirando a naftalina, bolinha branca cujo cheiro afastava as baratas. Pentear o cabelo com o pente Flamengo, o que dobra mas não quebra, e usar o desodorante Van Ess (se falava Vanésse).

O Van Ess vinha em tubo flexível de plástico que você apertava para aplicar. Uma vez, meu irmão Luiz usou o Vanésse,  vestiu a roupa e foi pra rua. Volta logo depois, com os braços abertos: “Mamãe, o cabelo do sovaco tá tudo duro!”

O desodorante tinha acabado e dona Cleonice colocou laquê (produto para fixar o penteado) no tubo do Vanésse.

Ao me deitar, mamãe acende uma “Sentinela”, uma espiral que queima para afastar muriçoca, e me cobre com uma “Dorme Bem”, cobertor barato que espinhava muito. Sonho com Roy Rogers trocando tiros com os fora da lei, e as balas do revólver dele nunca acabam.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

O HOMEM MAIS SOVINA

   Trabalhar para viver, ou viver para o trabalho? Nos tempos atuais ainda tem muita gente que só vive para o trabalho, com a ganancia de só juntar grana e, normalmente, essas pessoas são por demais sovinas ao ponto de fazer caso de um tostão, ou centavo.

   A sovinice deveria ser mais um pecado capital que são sete, consolidados por teólogos da Igreja Católica como Evágrio Pôntico, o papa Gregório I e São Tomás de Aquino, mas é irmã da avareza, o apego exagerado ao dinheiro e aos bens materiais.

 O sovino é soberbo, tem inveja dos outros, conserva a ira, mas não vive na luxúria; não é guloso e nem preguiçoso. Na maioria das vezes nem se alimenta direito para não ter que gastar e nada de luxo e viagens. Trabalha como condenado, anda maltrapilho, sujo e até passa fome. Evita tomar banho todo dia.

 – Um pedacinho de carne para você e outro para mim, um tiquinho de feijão e uns caroços de arroz divididos – assim era Belizário para com a mulher, um cara que conheci lá no sertão, que tinha a fama de mão de vaca, um sovino de primeira, que só vivia para trabalhar como escravo; botar dinheiro de papel no colchão e cabaças de moedas na cumeeira da casa.

Todo dia ele olhava o varal da carne e reduzia o tamanho entre ele e a esposa, com pena de acabar. Toda vizinhança conhecia Belizário quando ele retornava da feira resmungando ter gastado muito com comida.

   Se não vendesse, Belizário deixava o mamão ou outras frutas apodrecerem, mas não se atrevesse pedir que ele não dava a ninguém. Tinha uma chácara na fazendo e passava fogo de espingarda quem entrasse nela.

   . Foi o cara mais sovina que já conheci na vida. Para guardar mais dinheiro, só tinha uma calça, uma camisa e uma cueca samba canção. Quando estavam muito desgastadas e fedendo, mandava a mulher lavar e ficava nu trancado no quarto esperando secar no sol.

  O cara fazia a família comer numa cuia de cabaça e com as mãos para não comprar pratos e talheres. Nem copo tinha em sua casa e negava até dar água para alguém que passasse em sua porta. O bicho era miserável demais!

  Além da sovinice, Belizário era severo com os três filhos homens que comiam o pão que o diabo amassou e trabalhavam sem nada ter. Um dia os meninos armaram um esquema e caíram no mundo levando o dinheiro dele. Ficou enlouquecido e botou a mulher para fora de casa.

  Começou a juntar tudo de novo, mesmo vivendo sozinho como um cão molambento. Até ficou rico, mas nunca fez uma viagem e só frequentava a cidade em dia de feira para vender suas mercadorias. Andava num jumento para não ter que comprar um burro ou um cavalo.

  Um dia ele se atracou com um cara que o jurou de morte por causa do troco de um tostão. Era tão ranzinza que ninguém queria mais saber dele, nem tampouco puxar conversa. Ficou tão isolado e rejeitado no lugarejo que resolveu vender tudo e sumir para outras bandas.

   Belizário mão de vaca, ou sovino, como era conhecido nas redondezas, antes de ir embora e partir para longe, chegou a simular um assalto e até se feriu, espalhando a notícia de que roubaram todo seu dinheiro, talvez prevendo que alguém da família, por direito, fosse aparecer para pegar alguma coisa dele.

   Nunca soube que fim levou Belizário e onde morreu. Dia desse estava conversando com minha irmã e demos boas gargalhadas dos seus atos de sovinices. Sua casquinhagem era fora de série. Era como se fosse um vivo-morto.

  Mesmo nos dias atuais, ainda existem muitos Belizários por aí nesses grotões do Brasil. Quando conversava com minha irmã sobre esse caso, ela apontou para um Belizário de bermuda e chinelo, arrastando umas bugigangas num carrinho de mão.

CATINGUEIRO NORDESTINO

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Elevo minha alma ao universo,

Como milagre da existência,

E ao vento a zunir eu peço,

Bater forte com cadência,

Abrir suas valas nesse chão,

Jogar as sementes da reprodução.

 

Nasci catingueiro nordestino,

Quixabeira, angico e aroeira,

Sou americano do Sul Latino.

 

Catingueiro nordestino,

Feito mandacaru da sequidão,

Que o tempo adubou meu destino,

Criado no laço do patrão.

 

Na estrada da vida,

Levei muitas topadas;

Fui amado e odiado,

Até animal da montanha,

Da terra jorrei sangue,

Pecador e teia de aranha.

 

Nas lembranças de menino,

No pedregulho do orgulho,

Morrerei catingueiro nordestino.

PARQUE BOSQUE DA PAQUERA

   A NOSSA CULTURA SUMIU DAS PAUTAS NA CÂMARA DE VEREADORES

   Entre as questões, como a reforma tributária, assistência social e infraestrutura urbana, os vereadores de Vitória da Conquista discutiram nesta quarta-feira (dia 04/11), durante a sessão ordinária, a viabilidade de criação de um Parque Ambiental no Bosque da Paquera.

  A pauta reuniu matérias de interesse da administração pública, projetos legislativos, requerimentos, indicações e manifestações de reconhecimento a personalidades e instituições do município.

  De grande importância para os conquistenses, foi aberta a discussão sobre a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027, encaminhada pelo poder executivo. O projeto de lei número 27/2026 estima as receitas e fixa as despesas para o próximo exercício financeiro.

  A matéria será apreciada juntamente com o parecer das Comissões de Finanças, Orçamento e Contas e de Constituição e Justiça. Na ocasião foi colocado em debate e aprovado o requerimento da Comissão de Finanças, Orçamento e Contas que propõe a realização de duas audiências públicas nos dias 11 e 18 de novembro, às 14 h30min, para deliberar sobre o orçamento municipal de 2027.

  Outro tema de relevância foi a reforma tributária, cujo requerimento é de autoria do parlamentar Edvaldo Ferreira, que propõe uma audiência pública para primeiro de dezembro, com objetivo de discutir os impactos das mudanças no sistema tributário brasileiro para Conquista.

 No expediente, foi ainda apresentado o projeto de lei 149/2026, de autoria da vereadora Gabriela Garrido, que institui diretrizes para abordagem do tema “Direitos e Proteção dos Animais”, na rede municipal de ensino. A proposta busca inserir a temática no ambiente escolar.

 Tenho acompanhado os projetos do legislativo e do executivo no que concerne as ações nos âmbitos da política, da economia, da educação, da saúde, do meio ambiente e outras áreas, mas nada quanto ao problema da nossa cultura, que nos passa a impressão de ter sido totalmente esquecida, como se não fizesse parte na vida da sociedade.

   Ninguém fala, por exemplo, dos equipamentos culturais (Teatro Carlos Jheovah, Cine Madrigal e Casa Glauber Rocha) que continuam fechados há mais de cinco anos, nem do Plano Municipal de Cultura que está empacado na Secretaria de Cultura. Verdadeiramente, a cultura sumiu das pautas.

 Esteve presente na sessão ordinária a participação popular através da Tribuna Livre, com as manifestações de Lucimara Rodrigues que falou sobre a situação do fornecimento de fraldas pela prefeitura, e Fábio Vieira Santos, que solicitou espaço para tratar sobre o recebimento do Bolsa Família e a assistência oferecida pelos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS).

QUE FIM LEVOU O PROMETIDO PLANO MUNICIPAL DE CULTURA?

   Existem coisas nessa Bahia e nesse Brasil que começam a se projetar e depois caem no esquecimento e ninguém mais cobra, como promessa de político para com o eleitor. Uns chegam a dizer que o nosso povo não tem memória. Tem gente que depois de um mês ou mais não se lembra em quem votou.

   Vamos focar em nossa aldeia chamada de Vitória da Conquista. Em maio, se não me engano, foi realizada mais uma Conferência da Cultura (ah, essas conferências!), no Centro Cultural Camilo de Jesus Lima, por iniciativa da Secretaria de Cultura junto ao Conselho Municipal de Cultura, com o propósito de se criar o Plano Municipal de Cultura.

  Percebeu quantas vezes foi repetida, por força da circunstância da informação, a palavra cultura no parágrafo? Pois é, só que na realidade ela anda sumida das nossas vidas por pura negligência dos governantes e de nós mesmo que não cuidamos dela com carinho.

  No caso específico da Conferência, que já completou cinco meses de realizada, gostaria de saber que fim levou o prometido Plano Municipal de Cultura? Soube através de um técnico da própria Secretaria que ele ainda está lá nesta Casa, necessitando incluir mais um item no projeto relacionado à criança e ao adolescente, para depois ser enviado ao poder executivo.

  Lembro muito bem que logo após os debates da Conferência, com a participação dos artistas conquistenses e outras classes, foi anunciado na mesma semana a sua aprovação pelo Conselho Municipal de Cultura.

Portanto, já deveria estar nas mãos do governo municipal para apreciar seu arcabouço e encaminhar o projeto de lei para a Câmara de Vereadores onde deve ser aprovado, com suas emendas, se for o caso, e remetido à prefeita para ser sancionado e colocado em prática, com seu devido orçamento.

  Será que o anúncio foi apenas um alarme falso para acalmar a inquietação e o ânimos dos coletivos e dos movimentos quanto a questão de como a cultura passou a ser abandonada pela atual administração?

  Por que este silêncio com relação ao Plano e a outros problemas, como a não abertura dos equipamentos culturais Teatro Carlos Jheovah, Cine Madrigal e Casa Glauber Rocha há anos fechados? Desistimos de lutar pela revitalização da cultura?

   Entendo ser de suma importância o Plano Municipal de Cultura porque é ele que vai nortear a política cultural de Conquista através da fixação por lei de um calendário de eventos, como festivais de música, teatro, dança, salões de artes plásticas, feiras literárias, e não apenas o São João e o Natal.

   Quando assumi a presidência do Conselho Municipal de Cultura, de 2021/23, coloquei o Plano como principal pauta de trabalho e disse que seria um grande legado do mandato da prefeita Sheila Lemos, mas ocorreram vários obstáculos para sua conclusão. Sem a boa vontade do executivo, o Conselho sozinho não tem força para implantar o Plano.

   Esta questão do Plano tem uma longa história e virou uma novela do fim do mundo. Uma cidade da expressão e do porte de Vitória da Conquista, a terceira maior da Bahia, com cerca de 400 mil habitantes, já deveria ter seu Plano Municipal de Cultura.

   Infelizmente, muitos artistas não têm a dimensão do que seja esse Plano para a categoria, para os segmentos da sociedade, para a economia e o desenvolvimento do município e para sua população em geral.

LEMBRANÇAS E SAUDADES NO DIA COMEMORATIVO AOS FINADOS

   Por mais que saibamos que a vida é acompanhada da morte, desde quando nascemos, embora não gostemos de comentar sobre a dita cuja, sempre sentimos lembranças e saudades dos entes queridos que partiram.

  O Dia de Finados (02 de novembro) é de visitação dos cemitérios, de reflexão, depositar flores nos túmulos, rezas e preces seguindo nossas tradições culturais. Em outras partes do mundo, como no México, são de festejos, comemoração entre os que ficaram e homenagens de alegria aos que se foram.

  Assim é a vida e a morte, ambas femininas com suas delicadezas peculiares, cheias de amor e dor, duas peças da existência do ser mais misterioso e questionado pelos filósofos, antropólogos, religiosos, sociólogos e até pelos cientistas de plantão.

  Uns dizem que a vida é um milagre do Criador e a morte apenas uma passagem para outra dimensão, inclusive de reencarnação no conceito do espiritismo. As crenças e crendices são diversificadas em cada região. Existe até o ritual de depositar uma moeda na roupa do defunto para ele pagar ao barqueiro pela travessia na outra margem do rio.

  Etnias africanas nos ensinam que quando ela (a morte) chega, os espíritos dos ancestrais vão viver nas florestas e estão sempre por perto das suas tribos para desatar os nós dos seus descendentes. Tudo é fé como na canção do músico e compositor baiano Gilberto Gil que diz “Andar com fé eu vou que a fé não costuma falhar”…

  Outros levantam a interrogação de que a vida não tem sentido aqui na terra, se lá na frente nos espera a morte na figura de uma caveira com sua foice. Acho que o sentido e o valor da vida como passageira estão naquilo que se constrói de bem para que o outro construa por conta própria o seu sentido de viver.

  Quando se fala em morte, existia aquela cultura de se imprimir uma mensagem na lápide do falecido, a pedido dele em vida. Muitos ainda perguntam o que você colocaria em sua lápide? Eu diria para escrever a simples frase de que foi bom enquanto durou porque só o tempo é eterno.

  Como é de hábito em todos os anos, que não sei explicar, nesta tarde fui cumprir o meu rito de visitar os mortos; olhar as pessoas colocando flores nas sepulturas; vê-las acendendo velas; orando com contrição; e muitas almas derramando suas lágrimas.

  Estive lá no Cemitério Campo da Paz, da Prefeitura Municipal, observando o movimento e fiquei matutando que mesmo depois de mortos continuamos a ser vítimas das desigualdades sociais tão profundas neste país. Tudo é mais simples e pobre, inclusive aquelas covas abertas na espera daqueles que vão logo tombar.

Vi pessoas meio que perdidas procurando o número, quadra ou outra indicação onde estava a sepultura do seu amigo, amiga ou parente porque a administração não dispunha de informação precisa do local.

  Como todos anos costumo visitar um cemitério, venho notando a queda pela procura de flores, menos floristas nos portões, e a redução no movimento de visitantes, o que significa que até este hábito cultural vem sendo desprezado com o progresso e a tecnologia. São novos tempos, mas nem sei se de decadência ou evolução.

   Do alto apreciei a pirâmide do Museu de Kard e logo me veio à mente as pirâmides e os túmulos egípcios dos faraós que eram mumificados e enterrados com toda pompa de reis, levando consigo seus tesouros e pertences preciosos. Acreditavam na vida eterna quando passassem para o outro lado.

  Do lado de cá material, lembrei do poema “Morte e Vida Severina”, do grande poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto que fala do retirante que foge da seca em busca de uma vida melhor em Recife, mas na capital se depara também com a miséria. Como última recompensa, depois de tanto sofrer, é sepultado numa cova rasa.

   Diante de tanta pobreza, milhares de nordestinos, no passado recente, só tinham uma rede para enterrar seus corpos. Cangaceiros e soldados das volantes quando em combate ficaram estirados aos chão estorricado da caatinga agreste expostos aos urubus, animais selvagens e aves de rapina.

  Os cemitérios particulares são melhores tratados, os visitantes são mais chiques e chegam em seus carrões, sem falar nos túmulos com suas carneiras de arte, com anjos e esculturas de granitos e mármores de qualidade. Os parentes e amigos dos falecidos são recepcionados com certas regalias. Nem depois de mortos somos iguais.

O SARAU A ESTRADA VAI AO BAIRRO BRASIL

  Pela segunda vez o Sarau A Estrada irá à rua para levar cultura até o povo, seguindo a máxima do cancioneiro Milton Nascimento, de que “o artista deve ir onde o povo está”.  O evento está marcado para o próximo dia 14, das 16 às 19 horas, na Praça Mármore Neto, ou “Praça do Boneco” como é conhecida popularmente.

   Desta vez nossos artistas vão usar os equipamentos da Carreta da Cultura, da Secretaria Municipal de Cultura, para passar suas mensagens através da música, declamação de poemas, contação de causos e outras expressões e linguagens artísticas, sempre procurando interagir com a população que está convida a participar das nossas atividades.

   A primeira vez estivemos na Praça Nove de Novembro e contamos com o apoio de compositores e cantores da cidade, grupos de poetas, capoeiristas e uma exposição de peças artesanais da “Kokos e Kabaças”, do nosso companheiro músico e cantor Walter Lajes.

  O formato deverá ser o mesmo com apenas algumas modificações e adaptações, só que estamos saindo do centro da cidade, onde realizamos nosso primeiro sarau, para o Bairro Brasil, conforme decidiu nossa Comissão Organizadora, formada por Cleu Flor, Dal Farias, o cantor e publicitário Alex Nery, professor Itamar Aguiar, a atriz Edna Brito, os músicos Manno Di Souza e Dorinho Chaves, Conça, Cleide, Vandilza Gonçalves e Jeremias Macário.

  Para o próximo ano, o nosso propósito é levar o nosso Sarau até as periferias de Vitória da Conquista, aos distritos e povoados do município. Outra iniciativa é sair de Conquista para outras cidades da região e do estado, como a Lençóis, na Chapada Diamantina.

   Para quem ainda não sabe, o Sarau A Estrada completou 16 anos de existência e nasceu em 2010 entre um grupo de amigos com o nome de “Vinho Vinil”, visando valorizar a boa música popular brasileira gravada em discos de vinis.

    Durante esse tempo, o Sarau A Estrada desenvolveu diversos projetos, como CD, DVDs, vídeos durante a pandemia e chegou a se apresentar no Teatro Carlos Jheovah que se encontra fechado há cerca de quatro anos, bem como o Cine Madrigal e a Casa Glauber Rocha.

 Pelo seu trabalho, foi laureado pelo Conselho Municipal de Cultura com o troféu Glauber Rocha entregue pela Câmara de Vereadores. Nesses anos de existência, sempre funcionou no Espaço Cultural A Estrada e se tornou um evento bimensal que reúne artistas, jovens estudantes, professores, intelectuais e pessoas interessadas pela cultura.

 Temos sempre um tema de abertura, seguido de cantorias, declamação de poemas, contação de causos e a troca de conhecimento e saber entre seus membros. É um Sarau colaborativo de portas abertas onde todos contribuem com seu funcionamento.





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia