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Quem é este “Coronavid”? . Por Jeremias Macário

“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA

Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.

Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.

O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.

Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.

Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.

Essa é uma parceria com o amigo poeta e músico, baiano de Alagoinhas, Antônio Dean, que há muitos anos reside em Campina Grande da Paraíba com sua família, fazendo sucessos e cantando com sua profunda voz, a cultura nordestina para todo o Brasil.

Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”

Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.

espaco cultural a estrada (5)

Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.

UMA SEMANA POLÊMICA DE IDEIAS FUTURISTAS QUE TERMINOU EM RACHA (Final)

“NÓS NÃO SABÍAMOS O QUE QUERÍAMOS, MAS SABÍAMOS O QUE NÃO QUERÍAMOS” – Mário Raul Morais de Andrade, a respeito da Semana de Arte Moderna de 1922. Existia um caráter revolucionário na década de 20, com uma série de transformações políticas e sociais. No dizer de Menotti del Picchia, “houve quem cantasse como galo e latisse como cachorro”. “O que urge fazer: Enforcar o último rei com as tripas do último frade”- charge em “A Lanterna”.

“Eu insulto o burguês!… Eu insulto as aristocracias cautelosas… Morte à gordura… Morte ao burguês mensal… Mas nós morremos de fome! … Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio”… – trechos do poema “ODE AO BURGUÊS”, de Mário de Andrade.

“Estou farto do lirismo comedido/do lirismo bem comportado/do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de acordo com o senhor diretor…/ Abaixo os puristas…/ Quero antes o lirismo dos loucos/ O lirismo dos bêbados/ O lirismo difícil e pungente dos bêbados/ O lirismo dos clowns de Shakespeare/ – Não quero mais saber do lirismo que não é libertação” – “POÉTICA”, de Manuel Bandeira.

Em “OS SAPOS”, o mesmo Bandeira diz: “Eu ronco que aterra/ Berra o sapo-boi:/- “Meu pai foi à guerra”/ “Não foi”/ – “Foi”/ – “Não foi”. O sapo tanoeiro,/Parnasiano aguado, diz: “Meu cancioneiro/ É bem martelado… Urra o sapo-boi:/ “Meu pai foi rei”/ –  “Foi!” – “Não foi”…  Poema lido durante o evento.

Além da Semana, foram registrados outros fatos importante da nossa história, como a fundação do Partido Comunista Brasileiro, a Revolta do Forte de Copacabana e o Bicentenário da Independência do Brasil.

CURIOSIDADES DA SEMANA: Vila-Lobos fez um concerto de casaca e chinelos. Mário de Andrade realizou uma breve palestra nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo sob vaias e xingamentos. Na política, existia entre os participantes uma mistura de esquerda e direita, como de Plínio Salgado que mais tarde se tornou líder do integralismo fascista. Mesmo sob protestos contra os organizadores, a pianista Guiomar de Morais fez sua apresentação. Monteiro Lobato classificou os quadros de Anita Malfatti de caricaturas, de obras distorcidas, sem muita importância para seu talento.

RUMO A UMA SEMANA DE MUITO BARULHO

Onze anos antes, em 1911, circulou o semanário “O Piralho” (português macarrônico), de Oswald (Di Cavalcante era o desenhista), com um tom humorístico, que funcionou até 1917.

Em 1912, Oswald retornou da Europa com as ideias futuristas de Fillipo Tommaso Marinetti. Nesse ano, escreveu o poema “Último Passeio de um Tuberculoso pela Cidade de Bonde” – versos livres de escárnio ao passado.

Em 1913, o europeu Lasar Segal realizou a primeira mostra expressionista no Brasil, sem sucesso por causa das críticas dos conservadores. Monteiro Lobato já achava aquilo horrível.

Em 1914 aconteceu a primeira exposição de Anita Malfatti quando da sua volta dos estudos na Alemanha, na Escola de Belas Artes de Berlim. Ela também esteve nos Estados Unidos. No ano seguinte ocorreu o modernismo, em Portugal, a partir da revista “Orpheu”.

Em 1916, o sempre irrequieto Oswald escreve “Memórias Sentimentais de João Miramar”. No ano seguinte, o mesmo conhece Mário de Andrade, no Conservatório Dramático e Musical, em São Paulo, onde ele proferiu um discurso, condenando as antigas estruturas. Oswald trabalhava como repórter no “Jornal do Comércio” e quando terminou o pronunciamento, disputou no tapa a cópia do escrito com outro colega do “O Estado de São Paulo”. Oswald   levou a melhor.

Nesse mesmo ano, Mário publicou o livro “Há uma Gota de Sangue em Cada Poema”, em que descrevia os horrores da I Guerra Mundial. Menotti del Picchia lança o poema “Juca Mulato” e Guilherme de Almeida “Nós”. Numa transição de estilos, Manuel Bandeira divulga seu livro “As Cinzas das Horas”. Cassiano Ricardo, “A Frauta de Pã”. Di Cavalcante realiza, em São Paulo, sua exposição de caricaturas.

Em 1917, em 12 de dezembro, Anita Malfatti inaugura, em São Paulo, sua exposição de 53 trabalhos, inclusive com suas famosas telas do “Homem Amarelo”, “A Estudante Russa” e o “Japonês”, as quais criaram grande polêmica no meio artístico, tanto que o jornal “O Estado de São Paulo” publicou em sua edição de 20 de dezembro, o artigo “Paranóia ou Manifestação”?, assinado por Monteiro Lobato. Foi o mais importante evento cultural do ano.

Lobato chama a mostra de extravagâncias de Picasso. Diz que Anita possui qualidades e talento, mas que suas obras são distorcidas pela teoria da arte moderna. No texto classificou seu trabalho de caricatura, numa mistura de futurismo, impressionismo e cubismo. Na verdade, ele cometeu um equívoco entre o expressionismo e o impressionismo.

Seu comentário provocou um escândalo no meio artístico e fez com que Mário, Oswald, Di Cavalcante, Guilherme, Menotti e outros formassem um grupo coeso em defesa de Anita Malfatti.

Em 1918, Guilherme de Almeida escreve “Messidor” e Manuel Bandeira aparece com “Carnaval”, muito aceito pelo público.

Em 1920, o grupo descobre um jovem escultor de Roma, Victor Brecheret, que apresentou a maquete do “Monumento às Bandeiras”. Segundo Mário, ele foi o criador do estado de espírito dos modernistas.

Em 1921, o grupo mais unido ideologicamente lançou, em 9 de janeiro, o “Manifesto do Trianon” em homenagem a Menotti del Picchia quando lançou o livro “As Máscaras”. Na ocasião, Oswald aproveitou para criticar os passadistas e defender a arte moderna, chamada de futurista. Conclamou o pessoal para novas lutas.

Em agosto, Mário faz sete artigos “Mestres do Passado”, chamando os parnasianos de malditos pela forma como escrevia. Em novembro ocorreu a exposição “Fantoches da Meia Noite”, de Di Cavalcante, e nela conhece Graça Aranha que retornava da Europa. Na conversa entre os dois nasce a ideia da Semana da Arte Moderna de 1922.

Nas edições de 29 de janeiro de 1922, o “ O Correio” e “O Estado de São Paulo” noticiam a organização do evento. O historiador do modernismo, Mário da Silva Brito chega a citar que a iniciativa do movimento se deveu a Graça Aranha.

OS ESPETÁCULOS E AS DIVERGÊNCIAS

Muitos outros jornais divulgaram o evento, anunciando que o primeiro espetáculo da Semana de Arte Moderna estava previsto para 13 de fevereiro. Graça Aranha se incumbiu de proferir a conferência “A Emoção Estética na Arte Moderna” onde fala de paisagens invertidas e interpretações desvairadas. De acordo com críticos, a palestra de Graça foi confusa e declaratória, cujo público pouco entendeu.

Nesse dia, as pinturas e esculturas expostas provocaram espanto e repúdio do público visitante, no Teatro Municipal de São Paulo. Os artistas mais visados foram Victor Brecheret e Anita Malfatti, mas houve irritação também contra a literatura.

Ainda nesse espetáculo houve apresentações de música de Ernani Braga que fez uma sátira a Chopin. Por causa disso, a pianista Guiomar Novaes protestou contra os organizadores. Na mesma noitada houve uma palestra de Ronald de Carvalho sobre “A Pintura e a Escultura Moderna no Brasil”, três solos de piano de Ernani Braga, três danças africanas de Vila-Lobos e poesias de Ronald de Carvalho e Guilherme de Almeida. Nesse clima de irreverência, ocorreram protestos contra a Semana.

No segundo espetáculo, muita algazarra no dia 15 de fevereiro. Mesmo com uma carta de repúdio ao evento, publicada em “O Estado de São Paulo”, a pianista Guiomar Novaes fez sua apresentação. Menotti del Picchia falou sobre “Arte e Estética”, com ilustração de textos de Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Plínio Salgado que anos mais tarde aderiu ao ver-amarelismo integralista. A cada apresentação, muitas vaias e latidos. Ronald de Carvalho leu o poema “Sapos”, de Manuel Bandeira, numa crítica ao estilo parnasiano.

Muitas vaias, latidos e xingamentos nas apresentações, mas, mesmo assim, Mário de Andrade, das escadarias do teatro, fez um discurso e leu trechos de “A Escrava que Não é Isaura”. Numa breve palestra, destacou a expressão das artes plásticas, justificando as criações dos pintores futuristas.

Vinte anos mais tarde, em 1942, na Casa do Estudante do Brasil, no Rio de Janeiro, Mário confessa em entrevista que foi muita coragem fazer aquele pronunciamento nas escadarias do teatro porque só recebeu ofensas e protestos. No entanto, destaca que o movimento não foi apenas artístico, como também político e social.

Menotti comentou que os conservadores iam enforcar os modernistas com vaias. “Nossa estética é de reação. Aceitamos o termo guerra por ser um desafio. Abomino a escola de Marinetti com seu dogmatismo e liturgia. No Brasil não há razão lógica e social para o futurismo ortodoxo”. Em um trecho do seu discurso, exalta o novo. “Queremos idealismo, luz, ar, e que o rufo de um automóvel espante da poesia o último deus homérico que ficou anacronicamente a dormir…” Disse que o grupo pretendia fazer uma arte genuinamente brasileira. No entanto, houve reação quando revelou a prosa e a poesia modernas declamadas pelos seus autores.

No dia 17 ocorreu o terceiro espetáculo da Semana, com músicas de Vila-Lobos em trajes de casaca e chinelos. Houve pouca lotação de público. Mais vaias pela sua irreverência, mas ele explicou que o uso dos chinelos foi porque estava com um calo nos pés.

Durante o evento, Oswald leu “Os Condenados” e Agenor Barbosa foi aplaudido com “os Pássaros de Aço”. Nem todos escritores tiveram coragem de enfrentar o barulhento palco do Teatro Municipal.

Com foco na realidade brasileira, finalmente foi realizada a Semana que renovava a mentalidade nacional e brigava pela autonomia artística e literária. A Semana foi patrocinada pelo setor financeiro, com maior cobertura do “Correio Paulistano”.

REAÇÕES DOS JORNAIS

Sobre as atividades, a “Folha da Noite”, de São Paulo, em sua edição do dia 16/02, trouxe uma matéria classificando a Semana de mal, um fracasso, atraso mental e uma droga. Antes disso, no dia 30 de janeiro, A Gazeta já noticiava sobre o evento como um sarau futurista de escândalo artístico e revolucionário. Tratava a arte nova como extravagância e criticava Marinetti.

O movimento teve seu lado político de ataque à aristocracia. Di Cavalcanti disse ter sugerido a Semana a Paulo Prado, comentando que seria um escândalo. Mário de Andrade defendia a livre métrica e a rima, pois, segundo ele, a preocupação com essas regras prejudica a naturalidade de liberdade do lirismo objetivado.

Não foram só contestações, no dia 18/02, “O Correio” fez um comentário criticando os indivíduos que simplesmente ladravam e cacarejavam. Elogiou aqueles que aplaudiram com calor os libertadores da arte.

O jornal “O Estado de São Paulo”, numa matéria sobre a Semana, em sua edição do dia 29 de janeiro, fez menção a Guilherme de Almeida, Ronald de Carvalho, Álvaro Carvalho, Oswald, Menotti, Renato Almeida, Luis Aranha, Mário Raul de Morais Andrade, Ribeiro Couto, Agenor Barbosa, Moacir de Abreu, Rodrigues de Almeida, Afonso Schmidt (adepto do grupo Zumbi) e Sérgio Milliet que participaram do evento.

Nessa lista faltaram Cândido Motta Filho, Armando Pamplona (cineasta), Plínio Salgado, Rubens Borba de Morais, Tacito de Almeida e outros. Os nomes de Rodrigues e Moacir desapareceram no decorrer das campanhas polêmicas.

O PAU BRASIL, ANTROPOFAGIA E DESDOBRAMENTOS

Após a Semana foram surgindo outros acontecimentos relacionados ao evento. Em 18 de março, Oswald publicou no jornal “Correio da Manhã” vários artigos que resultaram no livro “Pau Brasil”, ilustrado pela artista Tarsila do Amaral. Propunha uma literatura vinculada à realidade brasileira (redescoberta do Brasil). Pregava o uso da língua sem arcaísmos e erudição, como falamos e somos.

Em 15 de maio, ele lançou a revista “Klaxon” (buzina externa dos automóveis) para propagar seu movimento antropofágico, com ideias inovadoras e atuais.

Nesse ano de 22 foram registrados fatos importantes da nossa história, como a Fundação do Partido Comunista Brasileiro (congresso de 25 a 27 de março de 1922), revolta militar do Forte de Copacabana, que depois gerou o tenentismo, em São Paulo (durou um mês) e se comemorou o Bicentenário da Independência do Brasil.

O historiador Nelson Werneck Sodré, em “História da Literatura Brasileira” narra que dentro do movimento houve muitos atos na disputa pelo poder político, como as manifestações da classe média.

Um mês depois da Semana, em primeiro de março, se deu a escolha na presidência da República para o sucessor de Epitácio Pessoa. A vitória foi de Artur Bernardes contra Nilo Peçanha. Bernardes decretou estado de sítio, censura à imprensa e intervenções nos estados. Mesmo assim, houve a marcha revolucionária dos militares que exigiam o fim da corrupção.

Mário, que sempre foi de direita, pequeno burguês, ingressou no Partido Democrático, em 1926. Ele conta que naquela época, após o movimento festeiro da Semana, tudo começou a estourar em intrigas entre casais de artistas, amigos e família.

O movimento, segundo Mário, teve o caráter anárquico, moderno, original, de consciência nacional e polêmico, mas também o sentido destruidor quando se partiu para o radicalismo. Tinha muito a ver com os tempos atuais.

Os revoltosos do tenentismo, entre 1923/24, vão para o interior onde se encontram com as tropas vindas do Rio Grande do Sul, comandadas por Luis Carlos Prestes que formou a Coluna de mil homens e percorreu 24 mil quilômetros, se internando depois na Bolívia.

Nessa onda de tendências, em 1924, na esteira do Pau Brasil e do antropofagismo de Oswald, apareceu o surrealismo com André Breton (1896 – 1970), que foi um participante do Dadaísmo de vanguarda no entre guerras. Era mais próximo do expressionismo, na busca da liberdade, do inconsciente na arte. Prevalece a não razão, com a exaltação à criança e o selvagem que existem dentro de nós. Foi uma ruptura com Breton, e optava-se pelo revolucionário marxista.

De 1922 a 1930 (rompimento de todas estruturas do passado), e até 1945, viveu-se um período áureo da fase moderna, tanto que Mário descreve como oito anos de orgias intelectuais que a história artística do país vivenciou.

MANIFESTOS PELOS ESTADOS

Ainda no rastro da Semana surgiu uma onda de manifestos pelos estados no período de 1925 a 1930. O Nordeste, por exemplo, criou o Centro Regionalista (edição de uma revista), em Recife, por volta de 1926. Grandes escritores, como José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, José Américo, Jorge Amado e João Cabral de Melo Neto são incluídos por críticos literários como regionalistas.

Em Minas Gerais, em 27 de janeiro de 1928 foi editada a revista “Verde Cataguazes”, com cinco edições. No rio de Janeiro, (1924), a revista “Estética”. Em São Paulo, em 1926, a “Terra Roxa e outras Terras” onde Mário Raul de Morais Andrade (1893 – 1945), formado em piano no Conservatório Musical de São Paulo, professor e diretor do Departamento Cultural de São Paulo, era um dos colaboradores.

Nesse tempo, Oswald cria o “Manifesto Antropofágico” através da Revista de Antropofagia em duas fases, a primeira com 10 edições, entre maio de 1928 e fevereiro de 1929 (direção de Antônio Machado). Na segunda etapa, a revista circulou nas páginas do “Diário de São Paulo”, com 16 números, de março a agosto do mesmo ano, com Geraldo Ferraz.

A primeira revista foi uma miscelânea ideológica de Oswald, Alcântara Machado e Mário de Andrade. Nela foi publicado o primeiro capítulo do livro “Macunaíma”. No terceiro número apareceu o poema “No Meio do Caminho, de Carlos Drummond, incluindo ainda artigos de Plínio e desenhos de Tarsila, na língua tupi e poesias de Guilherme de Almeida. Na segunda fase da revista houve uma ruptura com Mário.

Ficaram na linha antropofágica, Oswald, Raul Bopp, Geraldo Ferraz, Tarsila e Patrícia Galvão, a Pagu. Dou outro lado, Mário, Alcântara, Graça Aranha, Guilherme de Almeida, Menotti e Plínio Salgado. Os antropofágicos foram taxados de Preguiçosos no Mapa Mundi do Brasil.

Numa nova etapa do “Pau Brasil”, o movimento visava valorizar o índio e defender a nossa língua fosse falada pelo povo, bem como que nossa história fosse repensada. A origem do Pau Brasil surgiu da tela de Tarsila do Amaral, presenteada ao marido Oswald em seu aniversário de 1928. Oswald e Raul Bopp batizaram o quadro de Abaporu – homem que come, na linguagem indígena.

A intenção era dar uma resposta ao “verde-amarelismo” do “Grupo Anta” de Plínio Salgado que lançou as sementes do nacionalismo ufanista e fascista juntamente com Menotti, Guilherme e Cassiano Ricardo. Se debatiam o nacionalismo crítico das esquerdas contra o ufanismo exagerado de extrema direita, xenófoba e chauvinista. Oswald, Mário, Manuel Bandeira, Antônio de Alcântara Machado, Menotti, Cassiano, Guilherme de Almeida e Plínio àquela altura não se entendiam mais.

Era o verde-amarelismo ufanista e integralista de Plínio contra o nacionalismo afrancesado de Oswald que atacava os adversários em sua coluna “Feira das Quintas”, no “Jornal do Comércio”

Na verdade, foi um período fértil em manifestos e lançamento de revistas, mas em 1929 houve a quebradeira da Bolsa de Valores, último ano da Velha República, com a Revolução de 30.

 

ENTRE ENGAÇOS E BAGAÇOS

A paisagem clicada pelas minhas lentes pode ser feia ou bonita, mas isso depende do ponto de vista de cada um. O colorido também pode ser sem graça e até triste para alguns. Mesmo entre os engaços e bagaços da terra árida do sertão nordestino, sempre existe uma ponta de verde em alguma árvore no cenário cinzento de pedregulho, como se fosse um tufo de esperança para o homem resistente às secas. Não é somente o cacto e o mandacaru que aguentam a sequidão e sobrevivem às intempéries. Com as recentes chuvas que bateram em praticamente todas regiões, imaginamos essa imagem verde, mas é só o sol voltar a castigar e tudo volta ao mesmo estado, como no ciclo da vida de altos e baixos. Como a lente de uma máquina fotográfica, nosso eu interior a tudo registra, o verde e o seco, os bons tempos e os ruins, e temos que seguir em frente para não afogarmos no deserto, nem perecermos nas águas.

INFINITO REVOLTO SERENO

Um ser cativo tão pequeno,

A mirar o infinito revolto sereno,

De fortes correntes e ventos,

É o mar dos descobrimentos,

Esse revolto sereno.

 

Rios correm invisíveis ativos,

Nesse infinito sacrário,

Nos sentidos anti e horário,

Para outra banda continental,

De jangada, caravela e nau,

Navegaram polinésios nativos,

Bartolomeu, Vasco, Colombo e Cabral.

 

Nesse infinito revolto sereno,

Do cabo fervente diabo Bojador,

Do Boa Esperança até a Índia,

Mar mistério negreiro cemitério,

Infinito sereno de prazer e dor.

 

Infinito revolto sereno,

Do Pau Brasil que já sumiu,

Rota dos escravos Benim Ajudá,

Me cure dessa saudade veneno,

Do amor que ficou do lado de lá.

UMA PETROBRÁS ESQUARTEJADA

Só os mais velhos (muitos já se foram) se lembram da campanha, há cerca de 80 anos, do petróleo é nosso. Nos últimos anos, a Petrobrás, símbolo desse pertencimento nacional, foi sendo esquartejada, primeiro pela corrupção a partir do governo petista, e logo depois pela venda de seus ativos.  Triste país onde cada títere maluco e psicopata se incube de depená-lo!

Nos áureos tempos do passado, quem aí imaginaria que a Refinaria Landulpho Alves (RLAM) de Mataripe, na Bahia, seria vendida a preço de banana para um grupo árabe? Primeiro foram os poços do recôncavo, as distribuidoras e outras empresas. Nosso país está virando pó! Cada governante mete o seu machado na lasca, e a nação vai se transformando em gravetos.

Como na reforma trabalhista, ou melhor escravista, do Temer (o mordomo de Drácula) em que os empresários do capitalismo predador disseram que serviria para aumentar o número de empregos, o mesmo está acontecendo com o esquartejamento da Petrobrás. São todos mentirosos que nem pensem em seus filhos que vão ficar com essa maldita herança.

A saída da Petrobrás da Bahia gerou uma das piores crises de sua história na geração de emprego e renda, conforme assinalam os economistas Claudiane de Jesus e Pedro Gilberto Filho, em coluna assinada no jornal “A Tarde”.

De acordo com Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), do IBGE, comparando a média anual dos trimestres de 2021, enquanto o volume de trabalhadores do setor no Brasil reduziu 2,4%, passando de pouco mais de 159 mil, em 2020, para mais de 155 mil no ano passado, no estado a queda foi em torno de 30% (25.788 em 2020, para 18.328 em 2021).

De um modo geral, segundo a pesquisa, também houve drástica redução da renda média dos trabalhadores na Bahia, especialmente no ramo de óleo e gás, na faixa de 23%. Disseram que que a saída da Petrobrás de alguns segmentos iria surtir efeitos positivos na criação de novos postos de trabalho.

Está comprovado que a desintegração da empresa estatal não foi nada benéfica para a economia brasileira e baiana, muito menos para o consumidor baiano que agora está pagando um combustível bem mais caro com a venda da refinaria em relação a outros estados da federação. Agora são os sultões e xeiques árabes que ditam os preços. Cadê os sindicatos? Cadê a “oposição de merda” no Congresso? São todos cafajestes e farinha do mesmo saco!

Não me venham com essa colocar a culpa na pandemia. O esquartejamento da Petrobrás já vem ocorrendo há quase 20 anos, desde a roubalheira e os desinvestimentos da estatal a partir de 2015. Nesse ano, quando se deu a venda dos campos terrestres do recôncavo baiano, no terceiro trimestre o setor de óleo e gás empregava quase 38 mil pessoas. Hoje são 8.760 postos na região, conforme dados do terceiro trimestre da PNAD 2021.

Estamos mesmo lascados, sem ninguém para apelar! São verdadeiros bandidos salteadores dos nossos bens públicos que deveriam ser condenados por uma corte internacional, já que não existe justiça no Brasil. O que fizeram com o nosso dinheiro? Sempre gastam em orgias e em mesas de carteados em seus prostíbulos e cassinos clandestinos. Os ladrões estão todos soltos, e a Lava-Jato foi dissolvida pelo ácido assassino.

MATÉRIAS QUE EXCLUEM OS POBRES

Com o aprofundamento das desigualdades sociais no Brasil e a consequente redução do nível de instrução das pessoas, a linguagem da mídia com determinadas matérias, sobretudo a televisiva, exclui cada vez as camadas mais pobres de baixo poder aquisitivo.

Programas e reportagens noticiosas hoje oferecem “receitas” variadas para o bem-estar das pessoas, como prevenir das doenças através de uma alimentação saudável; controlar suas finanças com base num cálculo econômico de suas dívidas mês a mês; não se automedicar quando sentir alguns problemas de saúde; e até usar constantemente o protetor solar contra o câncer de pele.

Existe uma lista enorme de matérias na mídia onde recomendações dessa natureza deixam naturalmente os mais pobres de fora. É até uma afronta! É uma linguagem com um conjunto de normas que só podem ser seguidas a partir da classe média mais alta. A impressão é que estamos vivendo em uma nação desenvolvida.

Quando se diz, não se automedique, procure seu médico, você está falando para quem? Para um público mais restrito, porque somente poucos têm um médico neste país. Se o pobre sofre um mal-estar, ele vai logo para uma farmácia porque o paciente sabe que é difícil marcar uma consulta no SUS, e o atendimento leva meses. Cá com meus botões, fica complicado!

O repórter vai para um supermercado ou uma feira e leva um nutricionista em meio àquelas imagens coloridas de produtos, frutas, hortaliças e carnes, de preferência brancas, para o profissional dar as dicas de como comer bem para ter uma vida mais longa. Como é a reação daqueles que dependem de uma cesta básica para sobreviver? Imagine em sua mente.

Na atual realidade do nosso Brasil, é uma coisa surreal para milhões de pobres e desempregados que passam fome. Como o indivíduo vai comprar frutas, tomate e hortaliças se ele nem tem dinheiro para o feijão e o arroz? Será que o nutricionista tem alguma receita para o pobre miserável ter uma alimentação saudável?

O caso do protetor solar é outro exemplo clássico de reportagem jornalística que só atinge a poucos. Como recomendar a um pobre que ele sempre use uma substância química protetora dos raios solares? É até uma insensatez mental. Como já existe o auxílio absorvente para as mulheres, poderia se criar também o do protetor solar.

Sugeria às redações da imprensa em geral fazer uma pauta sobre essas questões e entrevistar especialistas em cada assunto específico, para ver se existe alguma solução para o problema, ou perguntar dentro da própria entrevista, como fica o pobre.

Controle de finanças só para quem tem hoje um salário razoável e, mesmo assim, o cara se endivida por causa do seu padrão de vida. Existe uma lista enorme de outras matérias nas áreas de saúde, alimentação e lazer onde os pobres são fatalmente excluídos. Por outro lado, a elite burguesa não aceita que os mais necessitados tenham acesso a esses bens. É mais uma vergonha em nosso país capitalista selvagem.

 

OS CURRAIS DOS BANQUEIROS

Minha tensão aumenta quando tenho que ir a uma agência bancária para resolver um problema, que seja um simples saque de um dinheirinho. Às vezes, fico adiando o compromisso, mas não tem como se escapar da tortura. Quando chegou no centro, olho para todos os lados da praça e só vejo filas amontoadas no Bradesco, na Caixa Econômica Federal e no Banco do Brasil. Aquilo vai me deixando mais desesperado e começo a suar.

Acho que estou com transtorno de pânico e trauma de banco, se esse é o termo correto na psicologia. A primeira batalha é ultrapassar aquela porta giratória que muitas vezes emperra. Depois de vencer a fila, introduzo, meio tremulo, o cartão no caixa eletrônico e recebo uma resposta na tela de que não foi possível fazer a leitura. Passo para outro e acontece o mesmo. Àquela altura, não é mais possível controlar a irritação. Continuo tentando até conseguir. Ufa, que alívio!

Olho para os lados e só vejo filas de pessoas de todas as idades, mais de idosos, naquele curral apertado dos banqueiros. Dia desse fui resolver uns “pipinos” e contei quatro filas, uma para o caixa eletrônico, outra para pagamentos em caixas presenciais, outra para prova de vida (o vivo tem que provar que está vivo) e uma última para pedidos de empréstimos, portabilidades e refinanciamento de dívidas. Ah, ia me esquecendo! Tem ainda a fila da senha.

Quando tenho que ir para essa “guerra de nervos” sempre levo comigo um livro para passar o tempo, mas fixo a atenção na leitura e os ouvidos atentos para as conversas de sofrimentos, queixas, malandragens de gente que quer levar vantagem em tudo (furar a fila) e brigas contra os vigias que ficam ali naqueles currais procurando orientar os clientes, ou pacientes, como queiram.

Ouço coisas estranhas de comadres com comadres, compadres com compadres ou entre um compadre e uma comadre. O papo gira em torno de doenças, de vizinhos chatos, da situação de pobreza no país, fake news sobre determinados fatos, informações deturpadas e outras coisas curiosas que rendem uma boa crônica.

Tem aquele que se faz de “inocente” e vai entrando no meio da fila. Não meu senhor e minha senhora, a fila é lá atrás. Ah sim, desculpe. Uma vez dessa ouvi um diálogo engraçado de um senhor a respeito de uma mulher, dessa “sabida astuciosa” que queria furar a fila.

– Veja só, um dia estou aqui, nesse mesmo lugar, e aí me aparece uma senhora, já meio idosa, não sei de onde, dizendo que estava sentada naquelas poltronas e entrou em minha frente – contava o senhor para uma comadre. Discuti com ela e disse que estava mentindo. A dona não gostou, e ainda me desatacou me chamando de ignorante, que tive uma professora égua. Respondi que realmente era uma égua igual a ela.

Quando chegou minha vez, até que fiquei um pouco mais calmo, mas só estava começando minha cruzada rumo a Jerusalém para combater os turcos, ou os mouros “infiéis”. O atendente mandou que eu procurasse um determinado funcionário do setor específico para meu caso, que me devolveu de volta como se fosse um pacote imprestável para o mesmo lugar.

Afinal de contas quem vai me atender?  Pergunto, já meio alterado. Aguenta coração! Meu pânico e meu trauma se elevam! O cara liga novamente para o colega, e só então, fui recebido. Era quase meio dia, e a barriga já dava sinais de ronco. Era fome mesmo! Só chegando mais gente e os currais mais cheios que antes.

Nesse meio tempo, um moço meio forte, sujeito mulato, tipo com jeito acostumado de passar rasteira nos outros, que queria ser atendido na frente de todos, discutia com o guarda, dizendo que estava passando mal. Meu senhor, se está passando mal, vou chamar o Samu – respondeu o vigia.

Não sei no que deu a conversa. Finalmente, quando já ia embora, naquele sufoco danado de espera, um senhor, visivelmente nervoso, batia na porta de vidro, gritando que queria falar com o gerente. Também não sei no que deu a discussão, ou confusão.

São coisas dos currais feitos pelos banqueiros financistas gananciosos que fecharam agências, demitiram bancários, reduziram o horário de atendimento e espremeram as pessoas numa só unidade. Quando alguém se revolta e parte para a violência – toda paciência e submissão têm o seu limite – chamam a polícia e leva o indivíduo no camburão. É a cara do Brasil, de um povo marcado como gado em curral.

A BURRICE E O FANATISMO BRASILEIRO NUMA NAU DE INSENSATOS ASSASSINOS

Pandemia, surto de gripe influenza, ômicrom, incêndios nas florestas, enchentes torrenciais, desastres da natureza com tragédias humanas, seca, inflação, desemprego e fome estão assolando o nosso país, como pragas do Egito, exterminando nosso povo. Mas, o que tem a ver tudo isso com burrice e fanatismo? Se formos analisar com mais profundidade filosófica, tem muitas ligações, principalmente em se tratando da Covid-19, da intolerância, do preconceito e dos desequilíbrios climáticos.

No último dia 11 (terça-feira), a Bahia registrou mais de cinco mil casos ativos de Covid, quase o mesmo patamar de agosto de 2021, enquanto um milhão e 500 mil baianos ainda não foram tomar a segunda dose da vacina contra o coronavírus. A imprensa noticia que 80% dos casos graves do coronavírus são de não vacinados que sobrecarregam os hospitais, inclusive nas UTIs.

Mesmo assim, diante desse caos, multidões se aglomeram nas praias e festas de paredões, sem máscaras, e o uso de álcool é só de cachaça. Tudo isso tem a ver com burrice e fanatismo, que não podem ser considerados como doenças pelos psicólogos, mas matam. Agora, a cegueira dos não vacinados individualistas da liberdade procuram as unidades de saúde e se submetem aos medicamentos fortes, os quais eles mesmo rejeitaram e negaram, alimentando e disseminando mentiras contra a vacina.

Por que, mesmo depois do avanço da imunização comprovar queda na expansão do número de óbitos e internações graves, milhões de pessoas negacionistas insistem em não se vacinar e se posicionar contra a ciência? Só pode ser burrice e fanatismo que, como tufões de grandes proporções, estão varrendo o Brasil e deixando rastros de destruições de terra arrasada.

Pronuncia-se muito o termo solidariedade quando se trata de doações de alimentos e produtos para as vítimas das chuvas na Bahia e em Minas Gerais, mas onde está essa solidariedade coletiva quando milhões se recusam tomar a vacina? De um lado as doações de cestas básicas e roupas, do outro o desdém em relação aos mortos pela Covid, seguindo o sentimento frio psicopata do capitão-presidente. Que solidariedade é essa?

Milhões se aliam às mentiras do banditismo digital. No lugar dos fatos confirmados cientificamente, colocam os falsos e menosprezam a chegada da variante ômicron com novas explosões do vírus em todo mundo. Como se saídos das trevas de uma toca ou de um armário, os radicais ignorantes, burros e fanáticos se multiplicam como pulgas ou piolhos nas redes socais, em mesas de bar e botequins, para propagar fake news e baboseiras de imbecis. A internet virou uma nau de insensatos.

Esse turbilhão de ignorância/idiotia tem uma obsessão por disseminar conceitos sem nenhum fundamento, valendo-se de distorcer ideias; inventar; afirmar que pesquisou tal coisa em algum lugar; e que viu um estudioso falar. Para o fanático doente crônico, vale tudo, e não adianta tentar um diálogo com ele. É até perigoso, porque o burro e o fanático são violentos e podem lhe assassinar.

O que leva o fanático a defender o ilógico, como declarar que a terra é plana, e que a vacina pode transformar a pessoa num jacaré ou lhe deixar enfermo numa cama? É como se fosse uma droga que emite um prazer na mente e vicia. O indivíduo sente a necessidade de estar sempre produzindo delírios mentais de forma descontrolada. O fanático possui dentro de si um comportamento disfuncional obsessivo e não aceita tratamento. O fanático se fecha dentro de suas convicções, para não lidar com seu medo e sua frustração interior.

Quanto as outras questões de enchentes, secas devastadoras, incêndios, fome, desastres da natureza e outras mazelas que invadiram nosso país nos últimos anos, também tem a ver com burrice e fanatismo. Ambos desagregam e provocam males adversos na coletividade. Não respeitar o meio ambiente é uma burrice do ser humano irracional que, com seu fanatismo, nega o aquecimento global. O consumismo não deixa de ser uma burrice fanática que não prejudica somente o dono.

 

UMA SEMANA POLÊMICA DE IDEIAS FUTURISTAS QUE TERMINOU EM RACHA (II)

 

“NÓS NÃO SABÍAMOS O QUE QUERÍAMOS, MAS SABÍAMOS O QUE NÃO QUERÍAMOS” – Mário de Andrade a respeito da Semana de Arte Moderna de 1922. Existia um caráter revolucionário na década de 20, com uma série de transformações políticas e sociais.

A Semana pregava a tomada de consciência da realidade brasileira – dizia José Nicola, em sua obra “Literatura Brasileira – das origens aos nossos dias”. Na conjuntura geral, de acordo com Mário de Andrade, São Paulo era a cidade mais moderna do Brasil e estava em contato espiritual e técnico com as mudanças no mundo. Graça Aranha foi um dos idealizadores do evento.

O cenário nacional era comandado pelas oligarquias através do poder na “política do café com leite” somado ao surto de uma burguesia industrial com a I Guerra Mundial. Nesse bojo, veio a urbanização da cidade nos primeiros 20 anos do século XX.

Eram os barões do café verso o operariado. Era um Brasil dividido entre o rural e o urbano de origem europeia, com vocação na luta de classe, tanto que entre 1901 a 1911, os anarquistas publicaram o jornal “La Battaglia”. Circulou ainda “A Terra Livre” (1905-1910 e ocorreram greves em 1905 e 1917. Somente em 1918 os jornais passaram a noticiar a Revolução Russa.

Antes da Semana de 22, num estilo ainda decadente, Manuel Bandeira escreveu “As Cinzas das Horas”. Mais ousado, veio em 1919, “Carnaval” e o poema “Os Sapos”, de sátira, declamado durante o evento de São Paulo e bem recebido pelo público.

Sobre Ribeira Couto em “Jardim de Confidências”, em 1921, o crítico Alfredo Bosi destaca que seus versos se inseriam no penumbrismo. Já Ronald de Carvalho, em “Luz Gloriosa” (1913) e “Poemas e Sonetos” (1919) e Guilherme de Almeida, com “Nós” (1917) “A Dança das Horas” (1919), “Livro de Horas de Soror Dolorosa” (1920) ficaram entre o parnasiano e o decadentismo, com substância lírica.

Com influência mais moderna e face política, Cassiano Ricardo escreveu “Dentro da Noite” (1919) e “Evangelho de Pã” (1917). Havia uma dispersão, mas o grupo ficou mais coeso a partir de 1920 e 21, aderindo mais à arte nova. Na turma dos futuristas, Bosi lista Di Cavalcanti, Vicente do Rego, o próprio Monteiro Lobato e Anita Malfatti que sofreram influência do italiano Marinetti (fascista).

Os artigos de Menotti del Picchia, na coluna “Hélios”, no “Correio Paulistano”, que deu muito espaço para a Semana, faziam promoção do grupo vanguardista. Do outro lado, Oswald de Andrade e Cândido Moto, no “Jornal do Comércio” davam ao movimento uma direção de liberdade formal com ideias nacionalistas, mas sem o ufanismo patriótico. Oswaldo chegou a denominar o movimento de aglomeração revolucionária futurista.

No entanto, Mário de Andrade e Sérgio Buarque de Holanda em seus comentários, negam esse futurismo paulista na esteira de Marinetti, mas admitem uma revisão de valores, o que denota que não havia hegemonia dentro do grupo que nascia.

Antes da Semana, Mário de Andrade lança “Paulicéia Desvairada”, seu primeiro livro de poesias onde mostra uma São Paulo misturada, miscigenada, estrangeirada, com a existência de diversas classes e ideias diferentes. Em seus artigos “Mestres do Passado” (seis no total), ele entoa um canto funeral para os parnasianos, numa forma de sepultar o passado de Francisca Júlia, Raimundo Correia, Olavo Bilac, dentre outros.

A esta altura, tudo se encaminhava para a realização da Semana da Arte Moderna, com mais união entre os intelectuais de São Paulo e Rio de Janeiro. Tudo indicava que o modernismo poderia ser lançado. Sobre “Paulicéia Desvairada”, Oswald considerou um marco, e chama Mário de meu poeta futurista em artigo no “Jornal do Comércio”, na edição de 27 de maio de 1921.

Em “Língua, Literatura e Redação” e “Literatura Brasileira – das origens aos nossos dias”, o autor José de Nicola faz uma análise da época dos primeiros anos do século XX, destacando que existia uma divisão entre o meio rural e o urbano. O meio urbano era caracterizado pela luta de classe do operariado, com influência anarquista dos imigrantes vindos da Europa, principalmente da Itália.

Nesse aspecto, o crítico literário cita o jornal “Terra Livre” (1905 – 1911) e a greve de 1917 sob forte influência da Revolução Russa. Tudo isso foi se somando para as mudanças de ideário no meio intelectual. Em 1922 aconteceu também a fundação do Partido Comunista Brasileiro, provocando um declínio do anarquismo e abrindo caminho para a organização da Semana.

Os elementos sociais e políticos formaram um palco ideal em direção a um movimento que mostrasse uma arte inovadora de maneira a romper com as velhas estruturas. Era uma São Paulo do café e da indústria conectada com o mundo. A Semana, então, apresentou, segundo Nicola, o lado político contra a aristocracia e a burguesia.

Di Cavalcante, segundo a pesquisa de Nicola, foi um dos primeiros a sugerir a organização da mostra. Anos depois, em seu livro de memórias, afirmou ter sugerido a Semana, que seria de escândalos literários e artísticos, “de meter os estribos na barriga da burguesinha paulistana”.

 

O NINHO

Estava nesta semana podando minha árvore de flores (ela já estava quase tombando ao chão do quintal) onde pousa o beija-flor e cantam os passarinhos. A poda tinha que ser feita, mas fazia aquilo com pesar porque por uns tempos lá se vão meus pássaros que todos dias aparecem e me saúdam com bons presságios. Quando partia para o outro lado, deparei com um ninho e, por pouco, minha faca não o atingiu. Tive que interromper o restante do corte para deixar que a natureza e a vida sigam seu curso. Não vai demorar muito para ter outras aves para me alegrar nesses momentos tão difíceis. A minha árvore logo vai voltar a florir e, com certeza, abrigar outros ninhos da vida.

SEM RETORNO

Poeminha mais recente de autoria de Jeremias Macário (rascunho)

Você não mais pensa no fim,

No ser vivo existir,

Sem mais retorno,

Sua batata queima no forno.

 

Esse caminho não tem retorno,

O amor perdeu sua cor,

Para onde você for,

Sua cabeça está no torno.

 

Dos penhascos caem as rochas,

Derretem gelos dos icebergs,

O nível do mar afoga focas,

E os homens abrigam nos albergues.

 

Rugem fuzis e metralhadoras,

Ogivas cortam espaço,

Motosserras, pastos e lavouras,

E da terra arranca o aço.

 

Os animais passam vírus,

Visões em confusões,

E nos campos de secos varais,

Não nascem mais lírios.

 

Você está sem retorno,

Na idade do fóssil carvão,

Do inverno que virou verão,

Sem primavera de flores,

Num inferno de dores,

Sem seu outono morno.

 

 





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