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Quem é este “Coronavid”? . Por Jeremias Macário

“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA

Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.

Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.

O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.

Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.

Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.

Essa é uma parceria com o amigo poeta e músico, baiano de Alagoinhas, Antônio Dean, que há muitos anos reside em Campina Grande da Paraíba com sua família, fazendo sucessos e cantando com sua profunda voz, a cultura nordestina para todo o Brasil.

Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”

Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.

espaco cultural a estrada (5)

Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.

“HÁ HOMENS QUE NADA SÃO…”

Em “Assim Falava Zaratustra”, de Nietzsche, no capítulo “Da Redenção”, ele conta que um dia Zaratustra passava por uma ponte onde estavam ”aleijados”, mendigos e um corcunda. Eles disseram que passaram a acreditar nos ensinamentos de Zaratustra.

No entanto, perguntaram se Zaratustra podia curar os cegos, fazer andar os paralíticos e aliviar um tanto o que leva às costas carne demais. Ele respondeu: “Quem tira da corcunda sua corcunda, tira-lhe ao mesmo tempo o espírito. Quem restitui a vista ao cego, este passa a ver na terra demasiadas coisas más. Passa a maldizer aquele que lhe curou”.

Em seguida, disse ter visto coisas bem piores, mas de uma não conseguia deixar de falar, dos homens a quem falta tudo. Foi aí que concluiu que “há homens que nada são, a não ser um grande olho, uma grande boca, ou um grande ventre… A esses chamo de “aleijados” às avessas”.

Quando saia de sua solidão ele atravessava pela primeira vez a ponte e não deu muito crédito para o que viu, mas não parou de olhar. Então, disse: “Isto é uma orelha do tamanho de um homem! Por trás dela movia-se algo tão pequeno, mesquinho e débil que dava dó”.

“Olhando através de uma lente ainda se podia reconhecer um semblante minúsculo e invejoso, uma alma vaidosa…” O povo dizia que a orelha era de um grande homem. “Eu, porém, nunca acreditei no povo quando falava de grandes homens e continuei a acreditar que se tratava sim de um “aleijado” às avessas que tinha pouco de tudo e uma coisa em demasia”.

Em sua narrativa sobre redenção, Zaratustra exclamou: “Meus amigos, ando entre os homens como entre fragmentos e pedaços de homens”. O mais espantoso, segundo ele, é vê-los destroçados e desconjuntados. São eles fragmentos, pedaços, mas não homens.

Para o filósofo, o presente e o passado são os mais insuportáveis. Há de vir uma ponte para o futuro. O povo perguntava quem era Zaratustra, e ele respondeu a pergunta com outras perguntas: “É um homem que promete? Ou que cumpre? Um conquistador? Ou um herdeiro? Um outono? Ou uma relha de arado? Um Médico? Ou um convalescente? É um poeta? Ou alguém que diz a verdade? Um libertador? Ou um dominador? Um bom? Ou mau?”

Ao invés de se dizer já era, que se diga assim quis – ensinava. “A isto eu chamaria de redenção”. “Vontade, assim se chama o libertador e o mensageiro da alegria. Esse foi meu ensinamento, meus amigos. A própria vontade é ainda escrava”.

Para Nietzsche, o querer liberta, mas como se chama aquele que aprisiona o próprio libertador? A vontade não pode querer para trás. Não pode aniquilar o tempo, e o desejo do tempo é sua mais solitária aflição”. Mais adiante, alerta que sua raiva acumulada é que o tempo não retrocede. O que foi já foi, assim se chama a pedra que a vontade não pode remover.

Remover pedra e vingar-se, para ele, é uma vontade libertadora que se torna maléfica e vinga-se de tudo o que é capaz de sofrer, por não poder voltar para trás. “É a vingança contra o que já foi, o ressentimento da vontade. Vive-se uma grande loucura em nossa vontade. E a maldição de todo humano é que essa loucura aprendeu a ter espírito”.

“Tudo passa e tudo merece passar, e é a própria justiça, essa lei do tempo, que o obriga a devorar seus próprios filhos. As coisas são ordenadas moralmente segundo o direito e o castigo. Ai! Como nos livrarmos do fluxo das coisas e do castigo de existir? Onde está, pois, a redenção?

“Nenhum fato pode ser destruído. Como poderá ser desfeito pelo castigo? Eis o que há de eterno no castigo de existir: A existência não pode ser outra coisa senão uma eterna sequência de fato e culpabilidade. A não ser que a vontade acabe por se libertar a si mesma e que o querer se mude em não querer”

Ainda sobre a redenção, Zaratustra assim diz que é preciso que a vontade, que é vontade de poder, queira alguma coisa mais elevada que a reconciliação. Mas como pode ocorrer? Quem ensinará também a retroceder?  No final, alerta ser difícil viver entre os homens porque é muito difícil calar, sobretudo para um falador.

Depois de toda conversa, o corcunda indagou: Por que é que Zaratustra nos fala de uma maneira e de outra a seus discípulos? Ele respondeu: Que há de surpreendente nisso? “Com os corcundas pode-se muito bem falar uma linguagem corcunda!”

EITA GENTE PERGUNTADEIRA!

(Chico Ribeiro Neto)

Eu estava com uma camiseta de Bariloche que meu filho Mateus me deu e logo ela me interpelou:

– Ah,o senhor também esteve em Bariloche? Que lugar lindo! Por enquanto, só conheço de fotos e vídeos. Minha filha esteve lá esse ano e para o ano vai me levar. Ela só não gostou muito dos argentinos, achou um povo meio rude, o senhor também não achou?

– Eu não sei dizer, senhora. Eu não estive lá, foi meu filho.

Uma mulher com um cachorrinho me aborda no canteiro central da Avenida Centenário:

– Você tem cachorro?

– Não, senhora.

– E gato?

– Não, senhora.

– Mas nem um passarinho?

– Não, senhora.

– Mas o senhor não sabe como é bom ter um bichinho dentro de casa. O senhor não pretende ter nenhum?

– Não, senhora, já vou.

Peguei um perguntador na fila de idosos do supermercado:

– O senhor tem problema de pressão?

– Não, senhor.

– E o senhor faz o quê para não ter?

– Nada, não, vivo normal.

– Dizem que a gente tem de caminhar todo dia. O senhor faz caminhada?

– Um pouco.

– E come de tudo?

– Sim, senhor.

– E não sente nada?

– Não.

– E dorme direitinho?

– Durmo.

– Pois eu tenho uma insônia terrível, levanto, bebo água, fico zanzando pela casa, ligo a televisão, faço um…

– Senhor, o caixa tá livre.

– E por que o senhor escreveu essa crônica?

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

POLUIÇÃO DE FIOS

Vitória da Conquista não é nenhuma “Suíça Baiana” – termo que serve de piada e chacota – nem mais a cidade das flores, como era conhecida antigamente, mas hoje pode ser considerada como dos quebra-molas e da poluição de fios, como bem mostra a imagem clicada pelas nossas lentes. Além de ser um atraso e irresponsabilidade dos órgãos (poder público, Coelba e operadoras de telefones), o perigo à população é constante. Só vão tomar uma providência quando acontecer uma tragédia. Na Avenida Rosa Cruz, próximo ao Centro de Convenções Edivaldo Franco, flagramos um monte de fios caídos no chão. Temos ainda, além da fiação, a poluição sonora e a visual no centro da cidade. É um absurdo e não se resolve porque um fica empurrando a responsabilidade para o outro. Conquista pode até ser a cidade do frio (existem outras com temperaturas mais baixas, como Maracás, Piatã e Morro do Chapéu), mas está bem longe de ser a “Suíça Baiana”. Vamos ficar nos quebra-molas e na poluição de fios nos postes.

POEMAS À MARGEM – AFLUENTES ATO I

De autoria da poetisa e professora Mariângela Borda, do livro Antologia de Contos e Poemas (Editora Saramago)

SOB O LEITO DO AMOR

Sob os afluentes

Do prisioneiro rio,

A copular

As águas

De um

Leito

Fluído

À margem

Do amor,

O corpo

Em concha

Se fecha

À espera

Do oceano,

Que da sereia

Enamorado,

Busca

Seu canto

Que se

Abre

Mulher

Em Ato

Do amor

Em

Si.

AS FOFOQUEIRAS (OS) E O CELULAR

As fofocas nunca se acabam, mesmo com as novas tecnologias de comunicação. As presenciais ainda são melhores e mais proveitosas que as virtuais, as quais têm mais sabor; são mais sentimentais e emocionais.

Falar bem ou mal um do outro vem desde o homem Neandertal. Tem gente que não quer saber da vida alheia, mas tem aqueles ou aquelas fofoqueiras (os) de línguas ferinas que se alimentam dos erros e defeitos dos outros, e nem querem saber das virtudes, só quando morrem. Pura hipocrisia! Fulano era bondoso e um santo; vai fazer muita falta na terra!

Antigamente, nas cidadezinhas do interior havia aquele hábito das pessoas no final da tarde colocarem as cadeiras no passeio para prosear, principalmente as mulheres, mas havia também os compadres que chegavam da roça ou de seus afazeres. Naquele tempo, a grande maioria das mulheres era domésticas. Quando o sol baixava no poente, na hora da Ave Maria, seis horas, todos se benziam e agradeciam o dia com um amém.

Ah, tinha também aquela fofoqueira-mor que ficava na janela ou na porta olhando o movimento calmo dos passantes e sabia da vida de todo mundo, de cabo a rabo, pelo verso e avesso. Era a época onde o tempo parecia ter parado na monotonia das coisas. Nada acontecia de importante, mas a fofoca comia solta de boca em boca. Com as correrias de hoje, as fofocas caíram de produção, mas permanecem vivas.

– Olha, lá vai lá o corno manso do Geraldo. A uma hora dessa a mulher deve estar com outro na cama – dizia a comadre para a outra, e aí a conversa rendia dando linha para a imaginação, o que não falta ao fofoqueiro (a), sempre criativos.

– Aquela “zinha” é uma vagabunda pecadora que fica se atracando com o Ferreirinha do Pão toda vez que o marido vai para o sítio trabalhar.

– E você acha que ele não sabe do sucedido, comadre? Dizem até que ele é meio fresco e “viado”, que até já pegou a mulher no flagrar. Para dar uma de valentão, arrastou um facão e disse apenas que ia cortar os dois na próxima vez.

– Lá vai o “mão de vaca” avarento do Quincas que faz caso até de uma goiaba podre na chácara. Lembra de uma vez que ele teve uma briga feia com o amigo por causa de um tostão? – apontou a outra. Acha que vai levar tudo no caixão quando morrer, e tome falar de quem se atrevia cruzar a rua. Não sobrava nem para crianças (moleques) e idosos.

– Ih, comadre, esqueci de botar mais água no feijão. Já estou sentindo o cheiro de queimado! Vou lá e volto logo. Naquele tempo o fogão era movido a lenha e a luz a motor diesel. Tudo se apagava por volta das dez horas da noite, mas antes tinha o sinal de alerta.

– Ah, comadre, quem passou aqui foi o coronel Juvêncio com seu capanga. Contam até que o cabra é pistoleiro matador pernambucano. Falam por aí que o coronel guarda dinheiro debaixo do colchão e até na cumeeira da casa. É um tipo seu Lunga, ranzinzo. Sabe que ele bate até na mulher?

– Olha o safado do “Caniço”, sonso e dissimulado, metido a moralista! O boato é que ele faz mal para a filha de 13 anos, com sua descaração, e a mulher, coitada, suporta tudo calada! O prefeito e a primeira dama também caiam no pau. O que mais rolavam eram as falcatruas dos dois. – Compraram até carro novo, e ela anda nos trinques!

Não faltavam também os homens fofoqueiros que falavam da seca, da cacimba sem água, das perdas das plantações, das dívidas e do dinheiro escasso, mas o papo também girava em torno de mulheres. Cada um mais machista que o outro.

– E aí, compadre, está sabendo do caso da filha de seu Joaozinho de Calu. Ficou mal falada com um cara aí que veio de São Paulo, todo metido a besta de óculos escuros, e depois foi embora.

– Pois é compadre, e a danada é fogosa das pernas grossas e peitos formosos. Também só anda com aquele vestido decotado, pra lá e pra cá se rebolando, mostrando a bunda para todo mundo. Dizem até que está prenha. É uma vaca!

No pé de ouvido, o outro revelou em segredo que comeu a dona Creuza, a vizinha que não parava de dar mole para ele, com aquela regaterice de sempre, toda serelepe.

– Cuidado compadre que o marido dela caminhoneiro é brabo e contam até que ele já matou um cara quando morava lá para aquelas bandas da Paraíba. Dizem que veio parar aqui corrido da polícia.

É, meus amigos, nos tempos que não existiam telefone com fio e celular móvel, as fofocas, os boatos e as fake news corriam soltos de bocas em bocas, muitas maldosas e outras verdadeiras, mas com exageros. Como no ditado popular: Onde há fumaça, há fogo.

Agora com o celular e as redes sociais, onde quase ninguém bota mais cadeiras nos passeios para papear por causa do progresso que gerou a violência, as fofocas não deixaram de existir. Continuam mais velozes e até mais agressivas, ofensivas e mortais.

 

 

AS ENCHENTES NO RIO GRANDE DO SUL E A FALTA DE OBRAS DE CONTENÇÃO

Depois das tragédias no Rio Grande do Sul, os gaúchos começam a reconstruir suas vidas retornando para suas casas através de doações. As empresas e fábricas, com maior poder aquisitivo, voltam a abrir suas portas e até os turistas mostram suas caras, mas não vi e ouvi da parte dos governantes se falar sobre projetos preventivos de contenção para evitar que os fatos se repitam.

A única coisa que escutei de prepostos de uma prefeitura é que o poder público estava comprometido em instalar serviços de monitoramento das mudanças climáticas com sinais de alertas para as populações deixarem suas casas para os abrigos em momentos de riscos, como sempre em prédios escolares num amontoado de gente, e lá vem novamente as campanhas de doações.

Esse é o nosso Brasil que prefere fazer armengues e remendos do que planejar. Ora, essas providências paliativas anunciadas são de baixo custo e não resolvem o problema crucial das enchentes, principalmente dos lagos Guaíba e dos Patos. Até parece um deboche porque as casas continuarão sendo inundadas e as pessoas vão perder seus pertences.

Durante as enchentes de maio e junho, fora os recursos federais, grande parte dos brasileiros se uniu para arrecadar dinheiro, materiais diversos, mantimentos e outros produtos para socorrer as vítimas. Até o momento não ouvi falar sobre a quantia de valores monetários enviados para o Governo do Rio Grande do Sul e prefeituras atingidas e o que foi feito dessas verbas.

Ora, não deveria haver uma prestação de contas como forma de transparência e satisfação a quem se prontificou a contribuir? Onde esses recursos foram utilizados e quantos milhões foram arrecadados? Tenho certeza que a população em geral, que já paga impostos altos, colaborou bem mais que o governo federal.

Logo que passa a catástrofe, tudo é esquecido; dá-se uma merreca para os pobres; abre-se créditos, praticamente sem juros, para os empresários tocarem seus negócios; limpa-se as sujeiras dos entulhos e lixos; conserta-se as estradas e pontes; e nada de obras de proteção (canais e bacias para escoamento das águas), como foram realizadas em Nova Iorque, em Mahatma, e em Amsterdam, na Holanda.

Ouvi noticiários de uns técnicos arquitetos e urbanistas do exterior que apareceram no Rio Grande do Sul, mas que eu saiba, foi anunciado pelos governantes sobre possíveis projetos nesse sentido e início de obras para conter próximas enchentes.

Eles vão apenas dar uma ajeitada nos diques, fazer algumas reparações nas comportas que estavam enferrujados e nas casas de bombeamento de água. A partir daí, nada de manutenções nesses equipamentos que já demonstraram ser deficientes.

Numa tragédia desse porte, quem mais se lasca são os pobres e aqueles que perderam suas vidas (quase 200 pessoas). Os ricos possuem seus fundos de reservas; têm seus seguros; e se recuperam rapidamente. Os moradores estão reconstruindo suas casas nos mesmos lugares, bem como os pescadores e ribeirinhos.

Como já disse alguém por aí: Esse não é mesmo um país sério. Não existe planejamento e, ainda por cima, é um país comandado pela corrupção, pelo superfaturamento e pelo suborno. O que existe mesmo é a indústria da seca no Nordeste e agora das enchentes no Sul. Um exemplo está nas tragédias de Petrópolis e Teresópolis, no Rio de Janeiro. Depois de anos, a situação permanece praticamente a mesma.

E por falar das secas nordestinas, onde levas e levas de retirantes deixaram suas terras para serem escravos em outros estados sulistas; exterminaram plantações e animais; e mataram crianças e idosos de desnutrição, nunca houve uma comoção geral dos brasileiros (campanhas de maciças de doações) do mesmo tamanho e em proporções iguais como agora no Rio Grande do Sul, que tanto menosprezou e depreciou os nordestinos, chamando-os de  inferiores porque não concordam com a mesma política expressa por seus moradores.

“VOX POPULI, VOX DEI”

Este é verdadeiramente um país cristão conservador com uma ala cada vez mais extremista e fanática, um viés que está ocorrendo em várias nações do mundo, como Estados Unidos, a França símbolo do saber filosófico, da igualdade, liberdade e fraternidade, bem como, de outros territórios da União Europeia.

Existem certas coisas na esfera religiosa que são ditas de forma impensada, emplacada no nosso subconsciente, que se tornaram máxima popular, mas sem nenhuma lógica. Uma delas é sair por aí falando que “vox populi, vox dei” (Voz do povo, Voz de Deus). Fico aqui com meus botões a imaginar que isso não é verdade, nem racional.

Vamos ficar só no nosso caso brasileiro. Um exemplo são as eleições onde a maioria dos eleitores vota por favor e simpatia em gente vagabunda, oportunista, corrupta e até em criminosos milicianos. Isso, então, é a voz de Deus? Será que tem o aval Dele?

Quando se comete injustiças sociais, linchamentos e mais de 50 milhões vão para frente dos quarteis e ruas gritar por intervenção militar, será que é a voz de Deus? O povo apoia e elege candidatos genocidas e exterminadores, como foi o caso de Hitler, na Alemanha, Mussolini, na Itália e mais recente o “Bibi” em Israel. Foi a voz de Deus? Foi Ele que assim quis?

Reis, imperadores e rainhas diziam que eles eram os escolhidos por Deus. Todos eram obrigados a acreditar, reverenciar, venerar e obedecer. Que Deus é esse que só falou com Moisés, Abraão, Isac, David e outros hebreus? É tudo cascata da Bíblia escrita pelos homens do poder com seus interesses políticos e expandir seu número de fiéis.

Que me desculpem os religiosos (respeito a todos), mas não consigo engolir essa de que o homem, e não se incluiu aqui a mulher, foi feito à semelhança de Deus. É um outro absurdo. Ai vão retrucar que tudo é mistério e questão de fé.

Alguém aí pode me responder como é esse Deus? Quais suas feições? A imagem que temos é de um ancião todo barbudo eremita das montanhas ou saindo das nuvens com seu velho cajado, todo sisudo. Tanta maldade na humanidade desde a Mesopotâmia, passando pelo Egito, Roma, os Cruzados, a Inquisição da Igreja Católica e somos semelhantes a Ele!

Outra coisa desses fanáticos religiosos aderentes pregadores de amor à pátria, família e liberdade (fazem tudo ao contrário) dizerem que Deus só ajuda quem está com ele! Como assim? Quer dizer, então, que Deus é como aquele político malvado, tipo o velho ACM, que falava que tudo para os amigos e nada para os inimigos, isto é, quem não estava com ele no voto, estava fora da sua ajuda.

Cristo, do alto da sua sabedoria e visão humanitária, não atendia apenas aos seus seguidores, mas também aos pecadores e muitos que eram seus adversários. Mais uma vez, como descrevem os ensinamentos da Bíblia, era o filho de Deus.

Ora, nesse pensamento enviesado e torto, quer dizer que Deus é um daqueles ditadores tirânicos que manda eliminar sumariamente quem é seu adversário? Só ajuda aqueles que estão ao seu lado? No entanto, do outro lado, o cristão prega que Ele é justo, piedoso, amoroso e está com todos, não importa quem.

Se é à sua semelhança, não pode abandonar quem não tem Ele no coração. Se Deus age assim, então a outra parte está com o demônio. Os terráqueos, então, são comandados por Deus e Satanás, o mais citado entre os evangélicos.

Além da nossa imaginação, entre os céus e a terra, no delírio individual e coletivo, existem mais coisas esdrúxulas e paradoxais, como um monte de gente na beira de uma estrada rezando para um pneu murcho.

O nosso planeta está em ebulição, em pleno aquecimento global, com vulcões expelindo suas larvas, tufões arrastando tudo pela frente, enchentes inundando tudo e matando milhões, secas acabando plantações e deixando humanos e animais com sede, tempestades fora do tempo e outras tragédias e catástrofes. Tudo isso é obra de Deus ou dos próprios humanos?

Outra tremenda idiotice e burrice é dizer no Brasil que todos somos iguais, inclusive perante as leis. Ora, nesse sistema cruel dos poderosos que mandam, todos somos diferentes. Sem essa de igual! O rico é diferente do pobre injustiçado e do negro discriminado.

Somos diferentes em gênero e raça e até nos problemas. Por que uns nascem saudáveis e outros não, com tantas deficiências e doenças malditas desconhecidas? Eu me sinto sufocado, preciso respirar e ser livre.

Esse ar está cada vez mais poluído e tóxico, físico e mentalmente. Procuro, dentro da minha solidão interior, me afastar desse delírio cognitivo coletivo, que não é mais delírio quando milhões acreditam no surreal.

 

A HORA DO SUPREMO SILÊNCIO”

Todos seres humanos precisam de um momento de silêncio para refletir que a vida não é somente festa e alegria. A humanidade deixou de fazer essa pausa, mas Zaratustra, depois de estar com seus discípulos e o povo, resolveu se recolher em sua solidão, regressar como urso à sua caverna.

Nietzsche chama de supremo silêncio em “Assim Falava Zaratustra”, que descreve esta hora em que seu coração estremece assustado, enquanto os ponteiros do relógio avançam. Disseram, então para ele não se entrincheirar em sua teimosia.

“Que te importa? Ainda não és bastante humilde. A humildade tem o couro mais duro”. Ele respondeu que conhecia bem seus vales. “Quem tem montanhas a deslocar, desloca também vales e planícies” – afirmaram para ele.

“É verdade que tenho andado por entre os homens, mas ainda não consegui atingi-los”. Perguntaram o que ele sabia a este respeito. “O orvalho cai sobre a relva no momento mais silencioso da noite”. Disseram que eu tinha esquecido o caminho e o jeito de caminhar.

Aquele que ordena grandes coisas, torna-se indispensável. “Realizar grandes coisas é difícil, mas é mais difícil ainda ordenar grandes coisas. Tu tens o poder e não queres reinar”. Zaratustra retrucou que ainda lhe faltava a voz do leão para mandar.

Tornaram a lhe dizer que são as palavras mais silenciosas que trazem a tempestade. “Os pensamentos que vêm com pés de veludo são os que dirigem o mundo. É preciso que voltes a ser criança e percas a vergonha. Tu te tornaste jovem muito tarde, mas aquele que quer voltar a ser criança deve também vencer sua juventude”

Zaratustra disse para si mesmo que já havia ouvido tudo e deveria retornar para sua solidão. Quando decidiu deixar seus amigos, desatou a chorar. No entanto, chegada a noite, ele partiu sozinho. Era meia-noite quando Zaratustra se pôs a caminhar em direção ao ponto mais alto da ilha para chegar a outra margem e embarcar para atravessar o mar.

Enquanto subia a montanha ele ia pensando sobre sua juventude e suas viagens solitárias, e falou para si: “Eu sou um viajante e um escalador de montanhas. Não gosto de planícies e parece que não posso ficar muito tempo sentado”. Ele passou a refletir sobre seu regresso e disse: “Segues teu caminho de grandeza. Tua melhor coragem é que agora não existem mais caminhos atrás de ti”

Sentiu que o mais suave iria se tornar o mais duro. Mais uma vez meditou de que aquele que sempre cuidou muito de si, acaba por cair doente com o excesso de cuidado. Insistiu que tinha que subir mais alto que ele mesmo, a fim de que pudesse contemplar suas próprias estrelas abaixo de si.

Ele subia a montanha consolando seu coração com duras máximas porque havia ferido seu coração. Decidiu, então, ir ao fundo da dor mais do que nunca, até suas águas mais escuras. “Assim o quer meu destino”. Para Zaratustra, as mais elevadas montanhas vêm do mar.

Quando chegou perto do mar e se encontrou sozinho entre as rochas da margem, sentiu-se cansado do caminho e ainda mais cheio que antes de ardentes desejos.

 

CONQUISTA NO RECORDE DA DENGUE

Será que os moradores de Vitória da Conquista são os maiores culpados pelo município aparecer no ranking de casos e mortes de dengue na Bahia? Não existe uma estatística ou pesquisa que identifique ou aponte o maior culpado, mas tudo indica ter sido o poder público que negligenciou o uso de ações preventivas contra a proliferação do mosquito. Tenho sempre comentado aqui que os terrenos de particulares abandonados foram os principais focos e criadouros de larvas dos mosquitos. Isto poderia ter sido evitado se a Prefeitura Municipal tivesse feito o seu papel de fiscalizador e aplicado a lei que obriga que proprietários mantenham limpos, cercados ou murados seus terrenos para que não se tornem áreas de entulhos e lixos. Outra questão foi o empoçamento, por muito tempo, de águas das chuvas em ruas de chão, sem falar nos esgotos quebrados, de responsabilidade da Embasa, mas também do executivo municipal que deixou de acionar a empresa para realizar os devidos consertos. É uma vergonha que Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, tenha sido a campeã em óbitos e no número de casos de dengue na população. É também um demonstrativo do descaso nas áreas da saúde e da educação, colocando as festas como prioridade para ganhar votos do eleitor. A prefeita sepultou a nossa cultura e colocou a saúde na UTI.

A FEIRA É MELHOR NA VÉSPERA

 

(Chico Ribeiro Neto)

Sexta-feira, 28 de junho, 12 horas. Começa a feira do sábado em Caculé, Bahia. Isso mesmo. Essa feira, que antes só era aos sábados, vai até o início da noite de sexta e retorna no sábado cedinho, começando a fechar depois do meio-dia.

A feira de sexta é a preferida dos moradores: “A gente compra tudo novinho, chegado da hora.”

Nos dias de maior movimento aparece o Shopping Chão: barracas que vendem peças de cama, mesa e banho e roupas masculina e feminina, às vezes com pequenas avarias. A etiqueta pode estar colada no meio das costas da blusa tapando um furo.

A feirante exibe com orgulho o molhe de cenourinhas, beterraba, alface, rúcula, espinafre, coentro e cebolinha e diz com orgulho; “É tudo da minha roça!”.

Quando dá meio-dia de sábado o movimento começa a cair e os feirantes lançam as promoções aos gritos de “é dois, é dois, é dois”, por um quilo de batata doce, ou “é quatro, é quatro, é quatro”, por uma penca de banana.

São quase 13 horas. Muitos já desarmaram as barracas. A caixa de som de uma loja da praça da feira toca:

“Pau-de-arara é a vovozinha

Eu só viajo é de avião.

Humorista de almanaque

Aprendiz de gozador

Eu vou lhe levar na Bahia

Você vai cair duro em Salvador (…)

(Trecho da música “Pau-de-arara é a vovozinha”, do Trio Nordestino).

Na feira de Caculé você pode ainda comer um churrasquinho de boi, porco ou frango por 5 reais e ganhar de cortesia uma dose de carqueja num copo de cafezinho. Você pode também fazer fotos, como estas:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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