“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA
Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.
Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.
O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.
Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.
Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.
Essa é uma parceria com o amigo poeta e músico, baiano de Alagoinhas, Antônio Dean, que há muitos anos reside em Campina Grande da Paraíba com sua família, fazendo sucessos e cantando com sua profunda voz, a cultura nordestina para todo o Brasil.
Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”
Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.
Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.
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O CANGACEIRO CANTOR E COMPOSITOR
Entre os grupos de cangaceiros nordestinos, alguns se destacaram como verdadeiros artistas anônimos, cantando e divertindo seus companheiros depois das brigadas e das persigas, em acampamentos armados de forma improvisada nos agrestes dos sertões.
Muita coisa foi perdida, mas alguns pesquisadores conseguiram recuperar preciosidades escritas em sua linguagem que, até certo ponto, era diferenciada do povo nordestino comum. O antropólogo Estácio de Lima afirma que “a obra de arte é o que foi e é o que será”.
“Conhecer o seu semelhante, interpretar-lhe o sentimento, decifra-lhe os arcanos da alma, é algo, realmente, complexo” – diz Estácio. Segundo ele, poetas e prosadores convencionais costumam fazer-se escravos da sintaxe, da rima, do que lhes parece harmônico, dos dicionários, do estilo, da metrificação e, em última análise, dos ditames das escolas literárias, que amarram as ideias, comprometem a inspiração e alteram a realidade.
Nos versos populares, nota-se que para o jagunço, para o sertanejo em geral, o grande vaqueiro, corredor das caatingas, vale mais que um doutor. Lampião, que foi sanfoneiro, antes de entrar para o cangaço, foi um valente vaqueiro. Era grande a aproximação entre o cangaceiro e o Padre Cícero Romão, e o artista Theo Brandão retratou bem isso em seus versos.
O poeta José Cordeiro conta os preparativos, os planos e o combate em Mossoró, em 1927, onde Lampião saiu derrotado. O metrificador Antônio Theodoro fala dos apelidos dos bandidos em sextilhas de cordel.
No entanto, não se encontrou na literatura e na poesia referências sobre o Código de Honra dos cangaceiros, principalmente quanto ao tráfico de armas. Existia entre as partes um pacto de silêncio. Sabe-se, porém, que muitos oficiais da polícia, chefes políticos e coronéis de patente estiveram envolvidos, como acontece até hoje no âmbito do narcotráfico e das quadrilhas organizadas.
Quanto a arte no cangaço, entre os cangaceiros, Gitirana (não gostava que colocasse o “J” na inicial do seu nome), voz de barítono, foi o destaque e animador das festas, nas bem traçadas emboladas, com gritos guerreiros. Descreve o autor Estácio, de “ O Mundo Estranho dos Cangaceiros”, que ele mesmo se comovia, quase às lágrimas e também aos ouvintes. Ele era acompanhado pelo realejo do bandoleiro Jandaia.
Gitirana foi o cantor das caatingas e se impôs como o barítono maior de “Mulher Rendeira”. Ele gostava dos cocos. De acordo com Estácio, que entrevistou alguns de seus companheiros, Gitirana gostava dos remexidos, como “Bala in balaxo/ Bala in riba/Bala in baxo…/ Foi pru mode o cararú…/Eu não quero nem fala…/ Quem num come de castanha/ Num percebe du caju/ Num conhece du fubá…/ Quem num pode cum mandiga/ Num carrega patuá!
Nos pousos (remanso do “ponto”), nos coitos ou nas marchas penosas, ouvia-se sua voz: “Laranjeira, laranjeira/ Laranjeira, laranjá/ Eu disse pra laranjeira/ Qui num botasse fulô…/ Que passasse Cuma eu passo,/Qui passasse sem Amô!
Na alma do cangaceiro, suas rimas eram agudas, cortantes, de expressões bélicas, explosivas, nostálgicas e de afeto. Em redondilhas, outra possivelmente de Gitirana dizia: “Quem num prova de castanha/ Num conhece du caju,/ Mulé sortêra tem manha/ Qi nem sapo cururu…// Se nóis prova du dendê/ Sem cumê du caruru/ Num sabe a gente cumê/ Nem briga num suruú!
Gitirana nos deixou essa doçura de canção: “Amô remexe cá gente/Chegando di supetão…/ Mais pió qui dô di dente/ É senti parpitação. Como ele apreciava a cabrocha, cantava essa: “Cabrocha pra sê bunita/Bonita cumo os amô,/Basta um vestido de chita/ I na cabeça u´a frô!//Toda cabrocha bunita/ Num sabe tê sentimento…/Vistida entonces di chita/ Só sabe tê trivimento!
O artista chegou a ser recolhido à cadeia de Jeremoabo, na Bahia, ao se entregar, atendendo a promessa do perdão, mas a alma de poeta, habituado a viver livre no agreste, não se adaptou ao local. Revoltou-se, arrombou a prisão e partiu para Sergipe onde morreu tuberculoso, no anonimato.
Estácio de Lima nos revela que “Todamerica” gravou em disco a voz de Volta Seca, incorporando corretamente à “Mulé Rendêra”. Labareda também cantava, mas não tinha o mesmo talento de Gitirana.
Os “macacos” tinham seus cantadores que falavam dos seus embates contra os cangaceiros. Em versos, os bandidos eram sempre tratados com deboches, sem falar nas vantagens que levavam contra os inimigos.
AS PREVENÇÕES CONTAS AS CHUVAS
A questão da morte da senhora Rosânia que foi tragada pelas águas das chuvas, no canal da Avenida Caracas, na semana passada, foi amplamente debatida pelos vereadores durante a sessão ordinária desta sexta-feira (dia 13/03), realizada pela Câmara Municipal de Vitória da Conquista.
O vereador Andreson conclamou a todos a fazerem uma reflexão sobre o acontecido e dirigiu duras críticas ao poder público municipal que, de acordo com ele, foi omisso em não ter tomado as devidas providências de proteção em torno do local, tendo em vista que ocorreu o mesmo em novembro passado com um senhor que, felizmente, conseguiu sobreviver.
“O poder municipal foi omisso na morte de dona Rosânia” – enfatizou o parlamentar, alertando que a cidade precisa estar preparada para suportar os temporais advindos das mudanças climáticas que estão atingindo, não somente Conquista, mas todas as partes do Brasil e do planeta.
O parlamentar Luciano Gomes também foi no mesmo tom sobre a morte da senhora, dizendo que foi uma fatalidade anunciada. Destacou que a área do canal na Avenida Caracas precisa de grades de proteção e não de ser fechada, como foi feito.
Na ocasião, Luciano parabenizou o deputado estadual Fabrício Falcão que, em nome do Governo do Estado, fez a entrega de motos para motociclistas que não cometerem infrações nos últimos anos. A vereadora Lara usou também a tribuna para falar sobre a morte de dona Rosânia e agradeceu em público a todos que contribuíram diariamente pela busca do seu corpo.
Além das falas dos vereadores, a sessão ordinária discutiu diversos projetos da pauta, como a proposta que cria o Dia Municipal de Luto e de Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio.
Foram debatidos ainda o projeto que institui o Dia Municipal do Policial Veterano, a ser celebrado anualmente no dia 13 de junho, bem como a matéria que reconhece a escola bíblica dominical como patrimônio cultural e imaterial do município.
O CÃO RECONSTRUÍDO
(Chico Ribeiro Neto)
Numa encosta da Avenida Centenário, há alguns anos, surgiu a escultura de um homem com o cachorro na coleira, tudo feito com material reciclável, principalmente garrafas PET.
No Carnaval destruíram o cachorro e arrancaram o braço de Q-Boa do rapaz. Pois bem, a escultura de André Fernands ressurge agora, reconstruída e mais bonita. A expressão do homem é de PET, mas é de paz. Todo branco, com orelhas pretas, o cão renasceu. O trabalho de André Fernands fica numa encosta da Avenida Centenário (sentido Calabar).
“Transformando em arte aquilo que o mundo descarta como lixo”, diz André Fernands no seu Instagram (@andrefernands2009), onde se define como “artista plástico, palestrante, catador de resíduos e ambientalista, pai de João Paulo Fernandes”.
“Trabalha há mais de 30 anos com resíduos plásticos, transformando lixo em arte e embelezando a cidade de Salvador”, diz matéria sobre ele postada nos site noticiasavera.com.br em 29/4/2024, acrescentando: “Uma de suas obras mais conhecidas é o Bandeirão dos Jogos Olímpicos do Rio 2016, composto por cerca de 300 mil tampinhas de garrafa PET. Essa obra levou 6 anos para ser concluída e contou com a participação de crianças do projeto Praia Limpa na coleta das tampinhas pelas praias de Salvador”.
André Fernands tem vários trabalhos espalhados por Salvador que podem ser vistos no seu Instagram. Parabéns, grande artista, você reage aos dilapidadores e torna essa cidade menos cinza.
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
AVENIDA INTEGRAÇÃO
Quando aqui cheguei há 35 anos (hoje me sinto um conquistense) me disseram que a Avenida Integração (Presidente Dutra) dividia Vitória da Conquista em duas cidades, a mais pobre e abandonada, chamada de Zona Oeste, e a mais rica e privilegiada, a Zona Leste. Quis o destino que eu morasse na segunda, embora não pertencesse à classe alta. Quanto a essa diferenciação social, o povo tinha e tem total razão de assim classificar a cidade, mas com o tempo muita coisa mudou. Entretanto, os desníveis em termos de equipamentos, estrutura e poder aquisitivo ainda permanecem. José Pedral, em seu primeiro governo, a partir de 1963, tinha a intenção de reduzir essa desigualdade, porém seu mandato foi interrompido em maio de 1964 pela ditadura civil-militar. No Governo do PT foram construídos o Espaço Glauber Rocha, que sofreu desvios de suas funções, o CAIC e o Ifba (o Instituto Técnico Federal). Da parte do setor privado, surgiram alguns hotéis, restaurantes e lojas comerciais de porte, mas o peso da economia continua na Zona Leste onde os políticos sempre injetaram maiores volumes de recursos, inclusive em obras de infraestrutura. Até pouco tempo, a Lagoa das Bateias estava em estado lamentável. Que bom que foi revitalizada! A zona Oeste permanece a prima pobre, apesar da famosa Feirinha do Bairro Brasil ser o maior destaque da cidade. Na zona Leste, onde se encontram a UESB, a Universidade Federal, o Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima e outros equipamentos de importância, são realizados os maiores eventos. Até o nosso São João foi levado para o Parque de Exposições (uma insanidade). Estou agora residindo na Oeste e aqui é meu lugar. No entanto, observo as diferenças sociais, econômicas, saneamento básico e culturais. Infelizmente, os governantes ainda dão mais atenção ao lado de lá. Quem está lá não gosta de vir para cá, e vice-versa, inclusive quando se trata de vida noturna.
MAIS E MENOS
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Poucos com mais,
E muitos com menos:
É a desigualdade social,
No país do carnaval,
Onde a justiça
É para quem tem mais,
Prende e solta
Os bandidos magistrais.
Quem tem mais, quer mais,
Rouba e esfola os menos,
Que trabalha para bancar o mais,
E ainda vota nesses canibais.
O massacre é secular,
Os letrados com suas teorias,
Que só ficam no blábláblá,
Com seus discursos inviáveis,
E os menos nas orgias viscerais,
Os mais comendo pastel,
Esperando o reino do céu.
Os menos oprimem os mais.
Vamos fazer a nossa revolução,
Nesse Brasil da contramão?
NO PARAÍSO DA CORRUPÇÃO
Estava aqui pensando falar daquele sujeito João Valentão, o falastrão, também conhecido como Cachorro Louco, que sai por aí fazendo arruaças e se achando o dono do pedaço. Mija em postes e árvores para demarcar seu território. Comete bullying com atos agressivos contra os outros até que uma hora entra numa enrascada danada e encontra um pela frente do tipo osso duro de roer.
O João Valentão não pensa (neurônios lesados), não tem estratégias e acha que está sempre sem razão. Acontece que um dia ele vai parar nos quintos dos infernos com a boca cheia de formigas. Com suas garras afiadas, ele abocanhou um coelho, tomou gosto e se estrepou com uma alcateia e uma matilha unidas para se defender do raivoso, mas isso é outro assunto.
Vamos ao caso do paraíso da corrupção, coisa genuinamente brasileira, criada e patenteada há séculos pelos portugueses. Com o tempo, o trambolho foi se sofisticando como produto de exportação, com know-how próprio. Na Operação Lava-Jato, por exemplo, essa máquina de destruição em massa foi transportada para diversos países, principalmente para as Américas de Cabral e Colombo.
Com os avanços tecnológicos, a fera monstruosa de sete cabeças, com várias pernas, bocas e mãos, que vai devorando tudo pela frente (a bicha é faminta), estendeu seus tentáculos e ficou ainda mais intrincada para ser decifrada. Tornou-se o enigma da Esfinge de Tebas, “decifra-me ou te devoro”, da mitologia grega.
Conta que a criatura impede a passagem dos viajantes (nossa gente escrava do trabalho) e propõe um enigma, se o andante não responder corretamente, será devorado. É um desafio complicado que precisa ser interpretado, sob risco de graves consequências, como ser consumido inteiro. Dela não escapa nem a alma.
– Percebeu, meu camarada, como a corrupção no Brasil, com o passar dos anos, ficou mais complexa! Tem esquemas, como do Banco Master e outros na área financeira que, por mais que se explique, não se entende bulhufas! É um cipoal de negócios, de tramas, lavagens de dinheiro, teoremas de Pitágoras, teorias aristotélicas que poucos conseguem destrinchar a equação. Eu mesmo fico boquiaberto.
Tem coisa por aí que para ser decifrado, tem que chamar um matemático dos bons ou um analista de sistema com doutorado para fazer um organograma de como tudo funciona. Não é mole não. A maioria inculta dos brasileiros passa batida, sem falar que os mentores batem pé firme de que são inocentes e até vítimas.
Não se faz mais corrupção como antigamente, ao modo analógico estelionatário do 171, desviar o dinheiro de uma caixa público para seu próprio bolso ou falsificar um documento para ganhar uma graninha, sem valor expressivo. Atualmente só se fala em bilhões.
– Seja bem-vindo, meu amigo, ao paraíso da corrupção, mas se prepare para quebrar a cabeça se quiser entender sua engrenagem tecnológica onde estão infiltradas quadrilhas organizadas do narcotráfico (PCC, Comando Vermelho e outros), milicianos, banqueiros, advogados, empresários de diversos ramos, magistrados, políticos salafrários e até sicários, para matar quem se intromete em investigações ou sai da linha. Eles têm até “código de ética”.
Estou dizendo que a Esfinge de Tebas, agora do Brasil, com ramificações internacionais, foi se multiplicando em outras réplicas em milhares de milhares, com faces diferentes, difíceis de serem reconhecidas. Existem até cursos, com diploma e tudo, para ser um corrupto profissional. Se quiser, você pode até contratar um, a peso de ouro.
Com a introdução de fórmulas genéticas anômalas, esses seres cortantes se transformaram em formigas gigantes devoradoras de extensas lavouras. Nem formicidas ou venenos de ratos conseguem exterminá-las. A corrupção brasileira ganhou classificação e até selo de qualidade.
– Você está achando que estou exagerando? Se vê por esse prisma, é só ir acompanhando seu processo evolutivo animal, como na teoria do cientista inglês Charles Robert Darwin (1809-1882), estudioso da seleção natural (Origem das Espécies).
De acordo com sua teoria, as espécies se evoluem ao longo do tempo através da seleção natural, onde organismos mais adaptados ao ambiente têm maior chance de sobreviver e se reproduzir. Prefiro ficar com o macaco na sua origem natural, bem melhor e inofensivo do que esses humanos perversos, monstruosos e criminosos.
– Pois é, meu compadre, a espécie chamada de corrupção se adaptou muito bem no Brasil onde encontrou terreno fértil e bem adubado para se reproduzir. Nem a turma do Caça Fantasmas consegue acabar com essa peste maligna de belzebus.
VEREADORES VAO AO GOVERNADOR PEDIR OBRAS DE MACRODRENAGEM
Os vereadores Ricardo Babão, Gabriela Garrido, Paulinho Oliveira e Ricardo Gordo, acompanhados do presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, estiveram, nesta quarta-feira (dia 11/03), com o governador Jerônimo Rodrigues, em Salvador, solicitando a realização de obras emergenciais de macrodrenagem para Vitória da Conquista.
Os deputados estaduais Vitor Azevedo e Fabrício Falcão também se fizeram presentes ao encontro quando foi discutida a importância do apoio financeiro do Governo do Estado, para viabilizar intervenções estruturantes que ajudem reduzir os alagamentos e melhorar a infraestrutura urbana do município que não mais suporta as fortes chuvas com as mudanças climáticas.
Além da macrodrenagem, outras demandas estratégicas foram apresentadas, como a construção de viadutos no Anel Viário, visando melhorar o fluxo de veículos e reduzir o número de acidentes na cidade.
Na ocasião, os parlamentares ainda requereram do governador a implantação de uma maternidade regional, a instalação de mais uma unidade do SAC, na Zona Oeste, bem como avanços em projetos ligados à saúde e à educação superior.
No encontro, foi também discutida a necessidade do fortalecimento do campus da Universidade Federal da Bahia, em Conquista, incluindo a construção de um Hospital Universitário e criação de uma reitoria própria para a instituição.
Ivan Cordeiro assinalou que foi apresentado ao governador, em nome da Câmara Municipal, uma pauta importante para Vitória da Conquista, destacando que o diálogo institucional é fundamental para garantir avanços para a cidade.
O presidente da Casa ressaltou que a macrodrenagem é uma prioridade, “porque precisamos de obras estruturantes que ajudem a resolver os problemas históricos de alagamentos” que chegaram ao ponto de provocar vítimas com mortes. A agenda faz parte de uma série de encontros institucionais destinados à apresentação de demandas urgentes de Vitória da Conquista ao Governo do Estado.
ESTOU CHEIO DA CIDADE GRANDE
Nasci na roça e logo cedo fui trabalhar com meu pai. Fora os perrengues da vida, apreciava ouvir as conversas daquela gente simples do sertão, dos compadres compartilhando suas vidas, proseando e fazendo cantorias nos adjutórios das plantações e nas batidas de feijão. Os velórios e funerais também faziam parte do roteiro da vida.
Ainda moleque, aos dez ou doze anos, fui ganhando mundo. Primeiro em Piritiba, onde cursei o primário e fiz muitas tripolias naquelas ruas de chão batido. Depois Mundo Novo como sacristão do seu vigário que me indicou ao bispo para o seminário. Ruy Barbosa, Itaberaba até ingressar no Seminário de Amargosa.
Quis meu destino que caísse na cidade grande da capital Salvador baiana onde fiquei por lá durante mais de 20 anos. Tornei-me bacharel em Jornalismo e atuei como profissional, especialmente na área de economia. Chegaram até a me confundi como economista.
Quando estava cheio da cidade grande, entojado daquelas correrias para sobreviver, dando meus pulos de galho em galho, como um macaco perdido na multidão, bateu a estafa no coração e vim para Vitória da Conquista, que me deu régua e compasso.
Senti que estava retornando às minhas raízes, mas foi engano porque, além das labutas desenfreadas, a cidade cresceu e me engoliu. A idade vai avançando e me vejo irrequieto nesse labirinto, no qual me sinto um perdido.
Não tenho mais aquele tesão de sair de casa para vagar pelo centro resolvendo “pepinos” entre ruas e repartições burocráticas e me livrando dos carros com seus gazes tóxicas. O ar está contaminado de fumaça, alaridos e letreiros por todos os lados. Nesse aperreio, tenho a sensação de pânico.
Estou espremido como massa de mandioca numa prensa de casa de farinha. Não mais me apetecem esses eventos. Prefiro ficar em minha loca, ou caverna, como um eremita recluso. Dizem que o sofrimento fortalece a alma para enfrentar as adversidades, mas ninguém deseja sofrer. Seria masoquismo.
Estou mesmo cheio da cidade grande e bate a saudade daquela terrinha simples entre os caipiras, matutos e tabaréus, falando aquela língua do povo, sem as maldades e as falsidades das cidades grandes. São falas que ainda se conservam verdadeiras e sinceras.
Não tenho a pretensão de ir para a Passárgada, de Manuel Bandeira, mas, em meu torrão, serei rei. Lá não existem filas e todos conhecem todos. Nas repartições, as pessoas são solícitas e tudo é rápido e fácil de se resolver. Depois, vou dar boas risadas com a alcoviteira linguaruda de dona Delfina que adora uma fofoca e um fuxico.
Com os compadres vou ouvir e contar causos do passado, sem nem se preocupar que o mundo está pegando fogo com ogivas, drones e foguetes mortíferos cruzando os céus. Vou até esquecer que existe o Cachorro Louco que quer ser o dono do mundo.
Para a bandidagem corrupta que vive todo tempo depenando o Brasil, desejo que esses salafrários salteadores vão todos para o quinto dos infernos.
Podem dizer que estou “fugindo da raia”, da luta e da guerra, mas é que não aguento mais esse emaranhado, esse cipoal de tantas maldades, ideias idiotas e estapafúrdias. Com as injustiças sociais, vai-se morrendo mais depressa. Quero deixar essa UTI e acho que pelo tempo, vivendo neste quarto escuro, mereço respirar ares mais puros, num espaço mais amplo e limpo.
Estou de saco cheio da cidade grande onde meu lugar não é mais aqui, correndo pra lá e pra cá, como um escravo freguês das contas de todo mês, além da apertada feira, cada vez mais racionada. Minhas últimas gotas de sangue estão se esvaindo para manter um falso padrão nesta ilusão da cidade grande.
Meu templo está poluído, com teias de aranha. Não sou mais gente dessa gente, mas um peixe fora da água. Meu lugar não é mais aqui na cidade grande em meio a esta selva de concreto. Não faço mais parte deste tabuleiro onde todos só querem ser vencedores. Preciso partir para respirar.
CONSULTE O “PAI DOS BURROS”
Certa feita, um professor de português, de certa forma debochado – hoje politicamente incorreto – depois de falar sobre conjugação verbal, uso dos pronomes, conjunções e objetos diretos e indiretos, no final da aula contou uma piada, sem muita graça.
Disse que um moço mais letrado, mas um tanto exibido, entrou num bar e chamou o garçom de lacaio para lhe servir. Como se fosse um elogio à sua pessoa, o cara foi lá em sua mesa, todo sorridente. Ele fez mais uns gracejos com palavras difíceis.
Poucos alunos riram, mas um lá do fundo, da chamada turma do “paredão”, indagou do professor o que significava lacaio e ele respondeu, consulte o “Pai dos Burros”.
A moçada de hoje ficaria baratinada com esse termo “Pai dos Burros”, e seria preciso explicar que se trata do nosso tirador de dúvidas, o Dicionário, nos dias atuais praticamente em desuso. Infelizmente, grande parte da nossa juventude, além de escreve errado, tem o celular para fazer uma consulta. Poderia ser chamado de o “Pai dos Internautas? Tenho minhas dúvidas, porque ainda prefiro o “Pai dos Burros”.
Lembro que naquela época do meu primário, ginásio e do clássico, todas escolas tinham um Dicionário, e até em algumas salas. A gente ficava brincando de falar difícil como forma de gozação e xingar os colegas. Era o bastante para o ofendido recorrer ao “Pai dos Burros”. Muitas vezes resultava até em brigas.
Imaginou chamar outro de meruxinga, ou até mesmo merdáceo! Seria uma forte ofensa, mas nossos políticos são uns verdadeiros merdáceos. Se você não sabe o que é, então, consulte o “Pai dos Burros”.
Um dia ouvi um doutorzinho, num lançamento de um livro, pronunciar que a nossa língua é pobre e fraca de vocabulário. Confesso que fiquei estarrecido e irado. Não me contive e fui tirar satisfação, com os bofes inchados de raiva. “Como você diz que nossa língua é pobre? É a primeira vez que ouço isso em minha vida”.
Por essas e outras é que a nossa língua está sendo chafurdada na lama pelo complexo de inferioridade, ou perda cultural. Santa ignorância! Os letreiros nas lojas estão todos inglesados. Nos shoppings até parece que você está na Inglaterra ou nos Estados Unidos.
As pessoas metidas a bestas, como dizia Ariano Suassuna, se sentem chicosas e ainda ridicularizam quem não pronuncia corretamente os termos ingleses, como se fosse uma obrigação, mas falar o português errado, pode.
Em Paris, me recordo bem, fui a uma tabacaria e pedi uma carteira de cigarro Lucky Strike e tive o cuidado de carregar bem na pronúncia do “estraike”. O francês me olhou atravessado e corrigiu para “estrike”, como estava escrito. Sem mais comentários.
Bem, meu camarada, vamos voltar ao nosso “Pai dos Burros” da língua portuguesa, umas das mais difíceis do planeta, extraída da Flor do Lácio, o nosso latinorum, mas nela está embutida o grego (conquista dos gregos pelo Império Romano), expressões árabes (Península Ibérica), o tupi-guarani e o africanês.
Temos como palavras greco-latinas, biblioteca, raramente frequentada, democracia, injuriada pelas injustiças e as corrupções, oftalmologia, biologia, geografia, habeas corpus (latim), usadas pelos bandidos e sicários. O grego é comum em terminologias técnicas/científicas, enquanto o latim forma a base gramatical e vocabular, como avicultura, beligerante, cordial, grátis e por aí vai.
Em árabe existem mais de três mil palavras. As mais comuns são as iniciadas em “al”, como almofada, almoxarife, algodão, açúcar, alface, fulano, armazém, azeite, alicate, tambor e tantas outras. No tupi-guarani, temos abacaxi, açaí, caju, capivara, jacaré, pipoca, potiguara. Do africano, principalmente originárias dos grupos bantos, usamos muito o samba, dendê, cafuné, moleque, dengo, quitanda, fubá, bagunça e muvuca (casos do nosso país), berimbau, axé, cuíca, quilombo, senzala e tantas outras.
No “Pai dos Burros”, que se tornou arcaico nos ensinos escolares dessa modernidade burra, você vai encontrar todos os significados dessas palavras, mas sua preguiça não deixa, meu jovem, cujos neurônios estão voltados para as telas das fofocas e dos mexericos.
Coitado do nosso “Pai dos Burros”! Parece até um objeto contagioso. Ficou lá encostado num canto poeirento como se fosse um leproso. Quem se lembra aí das enciclopédias Barsa, Atlas, do famoso Dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira com José Batista da Luz, do Michaelis, do professor Alpheu Tersariol. Deixa quieto porque muitos dos nossos estudantes nunca ouviram falar nesses nomes e nem sabem como manusear um “Pai dos Burros”.
Estou lendo a obra do médico e antropólogo, Estácio de Lima, sobre o cangaceirismo e sempre tenho que recorrer ao “Pai dos Burros”, quando ele faz sua descrição estrambólica mesológica do árido solo nordestino e fala das características típicas do cangaceiro que enfrentava adversidades das caatingas, fugindo das persigas das volantes.
Com suas definições, vim descobrir que sou um leptossomático (alô meus amigos Itamar, Manno e Luís Altério!), e não um picnóide ou picnídio (alô meu amigo Dal Farias!), que não teria o devido atributo de se mobilizar com facilidade nos sertões do cangaço. O mestre ainda cita a esquizotemia, o hipogenitalismo e a melanodermia na classificação do cangaceirismo e do nordestino em geral.
No computador, ou no celular, essas palavras são assinaladas como desconhecidas ou erradas. Pois é, não vou traduzir minha modesta crônica. Quem quiser entender melhor que consulte o “Pai dos Burros”. Êta égua! Tô ferrado!
PROGRAMA “MEU LAR”
Está em fase de análise pela Câmara Municipal de Vitória da Conquista, em conjunto com o poder executivo, o Programa de Lei Complementar que institui e disciplina a criação da moradia “Meu Lar”, visando reduzir o déficit habitacional de Conquista de mais de dez mil famílias.
O presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, prometeu dar celeridade ao programa, devido a relevância social da iniciativa que contará com recursos de 30 milhões de reais dos 400 milhões de empréstimo da Caixa Econômica Federal. Ivan adiantou ser preciso avançar na política habitacional. “Esta matéria terá toda agilidade do legislativo”.
Além da proposta, a Prefeitura Municipal também pretende implementar a regularização urbanística e fundiária em áreas ocupadas por populações em situação de vulnerabilidade. A presidência da Câmara assinalou que existe um consenso entre os vereadores sobre a urgência do tema.
“Meu compromisso como presidente da Casa é conduzir um debate maduro e ágil, permitindo que o Programa “Meu Lar” saia do papel o quanto antes, dentro do rigor técnico para que o benefício chegue de fato às famílias mais necessitadas, principalmente às mulheres chefes e aos idosos”.
Foi elaborado um diagnóstico habitacional do município que serviu como base para a definição das prioridades e das estratégias da política habitacional. A proposta ainda atualiza a legislação municipal, alinhando-a às diretrizes do Estatuto da Cidade e às políticas nacionais de habitação.
Durante a sessão ordinária de ontem (segunda-feira, dia 09/02), o legislativo discutiu diversos projetos de interesse da comunidade, como a proposta que cria a autorização para o sepultamento de animais domésticos de estimação em jazigos, túmulos ou campos pertencentes aos seus tutores nos cemitérios do município.
Os parlamentares discutiram também a instituição do Dia Municipal de Conscientização sobre Experiências Adversas na Infância (ACEs) a ser comemorado no dia 20 de setembro, bem como, a proposta que estabelece o Dia Municipal da Ação Climática no âmbito do município.

















