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:: 21/ago/2026 . 0:09

A DIVINA CHAMADA

(Chico Ribeiro Neto)
Tinha um funcionário público aposentado chamado Raimundinho, numa cidade do interior baiano, que não perdia um enterro, porque em todos fazia um discurso, conhecesse ou não o falecido.
Era só ouvir aquelas batidas lentas do sino, sinal de enterro, que Raimundinho vestia logo seu surrado terno branco.
Na hora do sepultamento subia na lápide mais próxima e mais alta e soltava o verbo. Diziam na cidade que ele tinha “o dom da oratória”, mas muitos já não aguentavam as preleções de Raimundinho naquele sol quente.
Um dia, Raimundinho rasgou o verbo de novo durante um sepultamento:
“A morte é o caminho infalível de todos nós. Na semana passada foi Horácio, hoje é o nosso amigo Juvenal…e amanhã quem será?”
“Raimundinho”, gritou um dos presentes.
“É a puta que lhe pariu, seu filho da puta”, esbravejou Raimundinho, que já saltou da lápide desferindo socos.
Todo mundo tem uma história engraçada de cemitério. Uma vez, uma amiga viu uma cena inusitada no cemitério do Campo Santo, em Salvador. Ela estava num velório realizado numa daquelas salas. Havia outro velório na sala vizinha. Entrou uma mulher que ninguém conhecia e ficou rezando fervorosamente junto ao caixão. De repente, colocou os óculos e deu um grito de susto: “Oh, desculpem, eu errei de velório”, saiu ligeiro e deixou muitos segurando o sorriso.
Na Internet há mensagens para todas as ocasiões. Procurei por “Mensagens para Falecidos” e, antes dos exemplos de mensagens, vem o seguinte: “Para homenagear alguém que faleceu, escreva sobre o amor, a saudade e as boas lembranças que a pessoa deixou. Foque em qualidades marcantes, ensinamentos ou em um momento feliz que vocês viveram juntos. O texto deve vir do coração, com palavras sinceras e respeitosas”. Um conselho lapidar.
O jornalista e boêmio Walmir Palma, o “Seu Porreta”, foi uma vez a um sepultamento. Na sala do velório um funcionário do cemitério o abordou:
“O senhor já assinou no Livro de Presença?
“Não, nem vou assinar”.
“Por que, senhor?”
“Porque Ele (apontou para o céu) faz a chamada é por aí”.

O BUEIRO TRAVESSIA

É mais antigo que o “Bigode de Pedral”, ou o maior quebra-molas do mundo, localizado na Avenida Régis Pacheco. Foi construído na década de 50 – cerca de 70 anos de existência – originalmente para o escoamento das águas que descem da Serra do Periperi, mas se tornou num famoso ponto de travessia sob a BR-116, ligando os bairros de Nossa Senhora Aparecida ao Guarani. É hoje uma passagem improvisada para carros, bicicletas, pedestres, carroças e motos em uma área de grande movimentação que chega a congestionar o trânsito. Com o crescimento de Vitória da Conquista, transformou-se num atalho viário que gera insegurança. Não existe organização no trecho com regras de direção em vias próximas, como nas ruas Nilton Gonçalves, Paulinho Santos e Democrata. Motoristas reclamam problemas de infraestrutura, como buracos e dificuldade de visibilidade, gerando pontos de retenção. No local existe um senhor (não se sabe se é da Prefeitura Municipal) com um apito que tenta controlar o tráfego e pede um real aos usuários, numa forma de pedágio. Esse bueiro de Conquista me fez lembrar de um igual em Senhor do Bonfim, próximo à antiga Estação Ferroviária, que faz conexão com o centro e outros bairros da periferia da zona norte. Devido a ocorrência de acidentes, lá o poder executivo instalou duas sinaleiras em cada direção, resolvendo o problema do trânsito e oferecendo maior segurança para quem utiliza a passagem. Passou da hora da prefeitura, através da Secretaria de Mobilidade Urbana, tomar providências e fazer o mesmo aqui nesse bueiro da travessia da BR-116, ou Rio-Bahia.





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