:: 21/ago/2026 . 22:46
O ESTUPRO DE MULHERES E MENINAS NOS TEMPOS DO CANGAÇO NORDESTINO
O flagelo do cangaço não atingiu apenas os homens, muitos deles mortos de forma cruel e bárbaro, tendo seus corpos esquartejados e cabeças decapitadas, A violência era de lado a lado entre cangaceiros e as volantes, chamadas de “macacos”.
Em cenas chocantes e repugnantes, centenas de mulheres nordestinas sertanejas do campo, dos vilarejos e pequenas cidades, principalmente meninas a partir dos 12 anos, foram estupradas, surradas e viviam diariamente amedrontadas ao ponto de se refugiarem nas caatingas agrestes e espinhosas.
Final do século XIX e início dos anos 1900 foram os mais violentos, e o Estado nada fez para proteger essas mulheres. Parece que a história apagou de suas páginas esse fenômeno social macabro que ainda teve como causa as secas, quando mulheres comercializavam seus corpos e crianças eram vendidas para não morrerem de fome.
Um dos casos mais traumáticos, superado pela força bruta e carrasca do sertão daquela época, coisa que intriga até a psiquiatria, foi o de Dadá, mulher do cangaceiro Corisco (Cristino Gomes da Silva), o Diabo Louro.
Menina de doze anos, da região de Santo Antônio da Glória (Bahia), que ainda brincava de boneca, foi estuprada animalescamente por ele repetidas vezes, ao ponto de deixar sua vagina em carne viva jorrando sangue. O pai teve de entregar a menina, senão seria morto por Corisco.
O relato nojento foi feito pela escritora Adriana Negreiros em sua obra “Maria Bonita – sexo, violência e mulheres no cangaço”. A Maria Gomes de Oliveira, ou Maria de Déa, assim conhecida por causa da sua mãe, não chegou a ser estuprada porque já tinha um marido e acompanhou Lampião por vontade própria.
Na verdade, o feminismo começou a brotar de dentro das mulheres a partir dos anos 20, embora contestado e amordaçado, especialmente no Nordeste arcaico cangaceiro. Nas páginas dos jornais, o assunto suscitava análise de articulistas como a de que o feminismo estaria se tornando uma praga terrível, entrando em searas onde jamais deveria penetrar.
Mesmo diante das barbaridades dos cangaceiros e das volantes, onde mulheres e meninas eram violentadas porque usavam cabelos curtos e vestidos até o joelho, em 1927, a professora Celina Guimarães Viana foi a primeira mulher brasileira a se alistar para uma votação. O fato ocorreu em Mossoró (Rio Grande do Norte).
O pioneirismo nasceu no Rio Grande do Norte quando elegeu, em 1928, a primeira prefeita da América Latina. Luiza Alzira Soriano, de 32 anos, ganhou a disputa para prefeita de Lajes, fato noticiado pelo The New York Times. Em 1920 as americanas haviam conquistado o pleno direito de ir às urnas. No Brasil, somente em 1932.
Quanto a questão do cangaço, Maria Bonita, companheira de Lampião, foi a primeira mulher a entrar no grupo, em 1930. Outras logo vieram, como Maria Miguel dos Santos, a Mariquinha, sua ex-cunhada, que ganhou a vida em Juazeiro do Norte como rameira e passou a ser companheira de Ângelo Roque, o temido Labareda.
Mesmo com Maria Bonita, Lampião não deixava de satisfazer seu desejo intenso de cobrir uma fêmea, como se referia ao ato de estuprar uma mulher, enquanto ela chorava. Foi um tempo de terror para as mulheres que se escondiam no mato quando se noticiava a chegada de volantes ou cangaceiros nas vilas e povoados.
Em Mirandela (Bahia), o “rei do cangaço” ficou indignado porque um homem de oitenta anos estava casado com uma mocinha. Deu uma surra no velho e convocou seus homens a aplicar “um gera” – estupro coletivo no sertão – na jovem. Por ser chefe, não entrou na fila.
No sertão agreste, mulher que dava muitas risadas e era alegre faceira, era malvista e chamada de “sendeiras”. No entendimento dos cangaceiros, conforme ressalta Adriana em seu livro, o estupro ocorria porque as mulheres queriam. A terceira esposa do tio de Labareda, por não oferecer resistência ao “gera”, foi tida por sem-vergonha.
Interessante que entre eles, havia até uma ética do estupro. Mulheres e filhas de coiteiros não podiam sofrer “um gera”. Em 1930, numa festa de São João, em Santo Antônio da Glória, uma menina de 15 anos, filha do protetor do “capitão”, foi deflorada pelo cabra Sabiá. Pela regra, foi imediatamente liquidado.
As mulheres e meninas viviam entre a cruz e a espada. As volantes também praticavam o estupro. Foi o que fizeram com a filha de dona Elvira que dava asilo aos cangaceiros no interior de Pernambuco.
Numa busca em sua casa, os “macacos” encontraram a menina sozinha. O cabo Rosano decidiu estuprar a garota e depois oferecê-la aos colegas. A menina tinha 13 anos e ficou desfalecida. Em estado lastimável, o soldado achou por bem matá-la.
A jovem sertaneja deflorada não conseguia mais se casar. Um livro popular sobre as nubentes da época, intitulado “O que uma jovem esposa deve saber”, da escritora norte-americana Emma F.A. Drake, publicado no Brasil, em 1932, definia a mulher recém-casada como assustada, tímida, cheia de um vago temor no que se referia aos mistérios do matrimônio.
Bem, depois de Maria Bonita, tida como debochada, risada de rapariga (mulher da vida) e Mariquinha, outras entraram para o cangaço, como Antônia Pereira da Silva que se juntou ao Gato que gostou de outra mulher de nome Inacinha. Quando o cangaceiro se engraçava com uma mulher, ela não tinha outra opção, a não ser acompanhá-lo ou morrer.
Lídia, a morena cabrocha mais bela e que chegava a usar vestidos folgados mostrando os peitos, foi companheira do depravado Zé Bahiano, o ferrador de mulheres, conhecido como o Pantera Negro do Sertão. Por ela ter se agarrado com o cabra Bem-te-Vi, foi esmagada e morta barbaramente a pauladas.
Na cidade de Itiúba, próxima de Senhor do Bonfim, o bando de Lampião usou chicotes e palmatórias para violentar mulheres jovens que seguiam as tendências da moda e cortavam o cabelo a “la garçonne” (curtinho), como a da atriz Louise Broocks, musa do cinema mudo. Foram submetidas a uma sessão de chicotadas, conforme noticiou o jornal “A Noite” (Rio de Janeiro).
Naquele tempo, as mulheres se reuniam para costurar, cerzir, alinhavar e tricotar enquanto batiam papos e falavam das fofocas. No entanto, era prudente certa moderação no ato do ofício.
Segundo tese de doutorado do médico Antônio dos Santos Coragem, da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, (1919), pedalar as máquinas produzia excitação vaginal. Para evitar uma epidemia de luxúria, recomendava-se o uso das possantes apenas uma vez por semana.
A DIVINA CHAMADA
(Chico Ribeiro Neto)
Tinha um funcionário público aposentado chamado Raimundinho, numa cidade do interior baiano, que não perdia um enterro, porque em todos fazia um discurso, conhecesse ou não o falecido.
Era só ouvir aquelas batidas lentas do sino, sinal de enterro, que Raimundinho vestia logo seu surrado terno branco.
Na hora do sepultamento subia na lápide mais próxima e mais alta e soltava o verbo. Diziam na cidade que ele tinha “o dom da oratória”, mas muitos já não aguentavam as preleções de Raimundinho naquele sol quente.
Um dia, Raimundinho rasgou o verbo de novo durante um sepultamento:
“A morte é o caminho infalível de todos nós. Na semana passada foi Horácio, hoje é o nosso amigo Juvenal…e amanhã quem será?”
“Raimundinho”, gritou um dos presentes.
“É a puta que lhe pariu, seu filho da puta”, esbravejou Raimundinho, que já saltou da lápide desferindo socos.
Todo mundo tem uma história engraçada de cemitério. Uma vez, uma amiga viu uma cena inusitada no cemitério do Campo Santo, em Salvador. Ela estava num velório realizado numa daquelas salas. Havia outro velório na sala vizinha. Entrou uma mulher que ninguém conhecia e ficou rezando fervorosamente junto ao caixão. De repente, colocou os óculos e deu um grito de susto: “Oh, desculpem, eu errei de velório”, saiu ligeiro e deixou muitos segurando o sorriso.
Na Internet há mensagens para todas as ocasiões. Procurei por “Mensagens para Falecidos” e, antes dos exemplos de mensagens, vem o seguinte: “Para homenagear alguém que faleceu, escreva sobre o amor, a saudade e as boas lembranças que a pessoa deixou. Foque em qualidades marcantes, ensinamentos ou em um momento feliz que vocês viveram juntos. O texto deve vir do coração, com palavras sinceras e respeitosas”. Um conselho lapidar.
O jornalista e boêmio Walmir Palma, o “Seu Porreta”, foi uma vez a um sepultamento. Na sala do velório um funcionário do cemitério o abordou:
“O senhor já assinou no Livro de Presença?
“Não, nem vou assinar”.
“Por que, senhor?”
“Porque Ele (apontou para o céu) faz a chamada é por aí”.
O BUEIRO TRAVESSIA
É mais antigo que o “Bigode de Pedral”, ou o maior quebra-molas do mundo, localizado na Avenida Régis Pacheco. Foi construído na década de 50 – cerca de 70 anos de existência – originalmente para o escoamento das águas que descem da Serra do Periperi, mas se tornou num famoso ponto de travessia sob a BR-116, ligando os bairros de Nossa Senhora Aparecida ao Guarani. É hoje uma passagem improvisada para carros, bicicletas, pedestres, carroças e motos em uma área de grande movimentação que chega a congestionar o trânsito. Com o crescimento de Vitória da Conquista, transformou-se num atalho viário que gera insegurança. Não existe organização no trecho com regras de direção em vias próximas, como nas ruas Nilton Gonçalves, Paulinho Santos e Democrata. Motoristas reclamam problemas de infraestrutura, como buracos e dificuldade de visibilidade, gerando pontos de retenção. No local existe um senhor (não se sabe se é da Prefeitura Municipal) com um apito que tenta controlar o tráfego e pede um real aos usuários, numa forma de pedágio. Esse bueiro de Conquista me fez lembrar de um igual em Senhor do Bonfim, próximo à antiga Estação Ferroviária, que faz conexão com o centro e outros bairros da periferia da zona norte. Devido a ocorrência de acidentes, lá o poder executivo instalou duas sinaleiras em cada direção, resolvendo o problema do trânsito e oferecendo maior segurança para quem utiliza a passagem. Passou da hora da prefeitura, através da Secretaria de Mobilidade Urbana, tomar providências e fazer o mesmo aqui nesse bueiro da travessia da BR-116, ou Rio-Bahia.
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