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:: 18/ago/2026 . 22:31

O QUE SERÁ DAS ESQUERDAS?

  A quase totalidade dos candidatos a presidente da República (nem me atrevo a comentar sobre os postulantes ao legislativo) e a governadores dos estados são da direita, muitos deles extremistas.

 Um aparece dizendo que vai construir mais penitenciárias, ao invés de escolas. Outros que vão afrouxar as licenças ambientais e a legislação trabalhista. A maioria se presta a ser fantoche do Trump e prega que vai fazer “bons negócios” com os Estados Unidos, o equivalente a “abrir as pernas” no dizer popular.

   Temos o Lula com mais de 80 anos que começou sua campanha falando da exploração de petróleo na foz do Amazonas (um atraso secular), com aquela mesma conversa de antes de que o dinheiro da exploração será destinado à educação, à saúde e para investir na oferta de mais energia limpa.

   Quem não se lembra dos trilhões da Bacia de Campos que o gato comeu dos desvios dos recursos. Poucos de viés de esquerda e ainda mais sem peso representativo que não vão muito longe.

  Fico a me perguntar o que será das nossas esquerdas no Brasil, hoje tão pálidas e sem forças nas pernas para romper essa estrada pedregosa, cheia de entreguistas, neofascistas, nazistas e lobos vestidos em peles de cordeiros onde os pastores conduzem as ovelhas para esfoliar em seus matadouros.

  O que será das nossas esquerdas quando o Lula se for, já que não existem e não foram preparados outros nomes fortes com novas ideias, robustos e confiáveis para prosseguir a caminhada dos ideais socialistas, para defender e proteger esse povo, há anos tragados pelos falsos profetas?

Permanecem os discursos arcaicos, retrógrados e agressivos aos moldes dos fanáticos radicais, os quais favorecem a divisão e a polarização. É tudo que a outra banda quer para ganhar terreno e se aproveitar dos incautos e dos inocentes úteis com suas falas genéricas.

  Em meu modesto olhar, vejo estas eleições como uma das piores de todos os tempos em todas as esferas do poder. Confesso que me sinto desiludido e, se condições tivesse, partiria daqui para bem longe (pode até ser covardia) porque não suporto mais o mau cheiro desse cocô. Poderia ser até para o além dos mortos esquecidos.

  Cadê aquela saudosa esquerda dos anos 80 do PT, de outros partidos e até de nomes saídos de instituições religiosas, com o propósito de transformar o Brasil num pais igualitário, de gente honesta, comprometida com a causa social, com as bases excluídas e, acima de tudo, incorruptível?  O vento levou nessa poeira venenosa.

 Aquela esquerda foi se diluindo ao longo dos anos e se misturando à elite burguesa traidora e corrupta, pensando unicamente em se perpetuar no poder a qualquer custo, fazendo acordos com Deus e o diabo. Muitos foram corrompidos e seduzidos pela mosca azul.

Sem o acompanhamento diário, sem educação, cultura, instrução e consciência política, esse povo foi se afastando para o outro lado do falso moralismo conservador que prega pátria, família e tradição, mas pratica a traição ao país, o preconceito racial e de gênero, rouba e mata em nome de Deus.

   É essa mesma esquerda que fica perplexa, que foi se perdendo em seus princípios mais sagrados, quando ver pobres, negros, mulheres, LGBTs e outros excluídos da sociedade se posicionarem a favor dos seus próprios carrascos, como vítimas contaminadas pela Síndrome de Estocolmo.

  A causa dessa mazela está na própria esquerda que preferiu se banquetear na mesma mesa dessas víboras poderosas da oligarquia que há mais de 500 anos tudo fizeram para manter o povo oprimido e subalterno aos seus pés. Será que o Brasil vai ser o nono pais entre os doze da América do Sul a ingressar nesse pacote da direita fanática fundamentalista?

   Essa corrente sempre se opôs à distribuição de renda e, para ela, quanto maior a desigualdade social, melhor para o domínio e a manipulação, principalmente do voto nas eleições, que só muda para pior. Existem aqueles que compactuam com essa esquerda puramente por questões ideológicas partidárias, e os que se silenciam e têm medo de criticar para não serem linchados pela turba extremista.

   De um lado, a falta de uma reflexão e uma revisão autocrítica dos seus erros, um mea culpa, por terem se lambuzado com a luxúria burguesa corrupta e, do outro, o patrulhamento contra quem levanta a voz e grita bem alto que esta esquerda não é mais a dos nossos sonhos que iriam mudar a cabeça das novas gerações, hoje perdidas num vazio avassalador.

  O buraco de ozônio só cresce, e os brasileiros vão perdendo a fé e a esperança de dias melhores. Como saída suicida, muitos estão caiando nos braços dos anticristos salteadores porque deixaram de acreditar naquela esquerda que ficou lá atrás vendo a caravana de malfeitores passarem. Os cães ladram e mordem, piores que feras selvagens da savana.





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