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:: 14/ago/2026 . 23:47

O CANGAÇO E A LITERATURA

   Tanto no aspecto oral como na escrita, o cangaço ocupou um vasto espaço na literatura brasileira, especialmente a nordestina, em todos os gêneros, como ensaios, pesquisas, romances, crônicas, no cordel, na poesia e entre repentistas e trovadores.

 O tema despertou estudos acadêmicos em mestrados e doutorados, sem falar que ultrapassou fronteiras de historiadores de outros países. No jornalismo, o fenômeno foi noticiado desde os pequenos periódicos do sertão do Nordeste a grandes jornais e revistas do Sul, tendo Lampião como personagem principal, que chegou às capas do The New York Times.

  Em sua obra “Lampião-Senhor do Sertão”, a autora Élise Grunspan-Jasmin cita uma lista de importantes escritores que se dedicaram ao assunto, como do poeta, folclorista e musicólogo Mário de Andrade (1893-1945), “O Baila das Quatro Artes”, publicado em 1932.

   “É igualmente nas obras dedicadas ao folclore do sertão, como as de Leonardo Mota (1891-1947), originário da região de Quixadá (Ceará), cognominado “o embaixador da alma sertaneja”, que estão compilados numerosos poemas de cordel que têm Lampião por objeto”.

  Entre seus trabalhos, a autora pontua “Cantadores”, lançado pela primeira vez em 1921; “Violeiros do Norte e Linguagem do Sertão Nordestino” (1925), com um capítulo intitulado “Os Cangaceiros e o Folclore”; “Sertão Alegre”, de 1928; e “No Tempo de Lampião”, de 1930.

  O Centro de Pesquisa sobre o Folclore, ligado ao Departamento de Antropologia da Fundação Joaquim Nabuco, possui uma importante coleção de folhetos de cordel sobre o cangaço e obras gravadas em fitas cassete sobre a cultura oral e o folclore do sertão de Pernambuco.

  Ainda entre as mais utilizadas por estudiosos do tema, Élise destaca a obra de Gustavo Barroso, “Terra de Sol Natureza e Costumes do Norte”, publicado em 1912. Barroso que usava o pseudônimo de João do Norte era escritor, folclorista do sertão do Ceará. Entre seus livros, três tratam do cangaço, como o supracitado “Terra de Sol…”; “Heróis e Bandidos”: “Os Cangaceiros do Nordeste” (1917); e “Alma de Lama e de Aço: Lampião  e Outros Cangaceiros”, de 1928.

   Nascido em 1896, em Sergipe, filho de um coronel do sertão, o poeta e médico Ranulfo Prata escreveu baseado em testemunhos uma das primeiras obras dedicadas a Lampião ainda em vida, isto em 1934. Na tradição lombrosiana, esta obra visava relatar os males e atrocidades praticados por Lampião nos sertões de Sergipe e Bahia nos anos de 1920 a 1930.

   O tenente e depois coronel João Bezerra, oficial das forças policiais de Alagoas que, com sua tropa, pôs fim a Lampião, em Angico, em julho de 1938, nascido em 1898, no município de Afogados da Ingazeira (Pernambuco) escreveu “Como Dei Cabo de Lampião” (1940).

  Optato Gueiros, nascido em 1894, no sertão de Pernambuco, oficial que por muitos anos perseguiu Lampião, tomou a iniciativa de em 1950 escrever uma obra sobre suas atividades no seio das forças de repressão do cangaço. Trata-se de “Lampião: Memórias de um Oficial”.

  Originário da Fazenda Lagoa do Saco, município de Jeremoabo, no sertão da Bahia, Joaquim Góis, que combateu Lampião por cerca de seis anos, escreveu uma obra documentária, intitulada “Lampião, o Último Cangaceiro”, publicada em 1966.

  Dentre outros de grande importância, a escritora de “Lampião – Senhor do Sertão” inclui em sua lista, Felipe de Castro, baiano que tomou parte nas lutas contra o cangaço, escreveu nos anos 60 “História Pátria”; Estácio de Lima, médico baiano “biotipologista” escreveu o livro “O Mundo Estranho dos Cangaceiros”,  publicado em 1965; Rodrigues de Carvalho, nascido na mesma região de Lampião (Vila Bela – Serra Talhada), publicou nos anos 60 a obra “Serrote Preto: Lampião e seus Sequazes”; Nertan Macêdo, jornalista, natural de Umbuzeiro (Paraíba) fez várias biografias de cangaceiros, do Padre Cícero, Antônio Conselheiro e Floro Bartolomeu; Aglae Lima de Oliveira, de Cabrobó (Pernambuco) escreveu “Lampião, Cangaço e Nordeste” (1970); Padre Frederico Bezerra Maciel reuniu um amplo estudo em “Lampião, Seu Tempo, Seu Reinado: Um Capitulo da Evolução Social do Nordeste”, em 1979; Antônio Amaury Correia de Araújo, nascido no Sul do Brasil, redigiu com Vera Ferreira (neta de Lampião) nos anos 1995/96, vários livros, como “O Espinho do Onipá: Lampião, a História”, “Assim Morreu Lampião”, “Gente de Lampião” e “Lampião: As mulheres e o Cangaço”, entre os anos 70 e 80; Frederico Pernambucano de Mello com sua obra-prima “Guerreiros do Sol” (1985); e José Alves Sobrinho, filho de José Saturnino, escreveu em 1997, um livro relatando os conflitos entre seu pai e Lampião.





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