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:: 19/ago/2026 . 22:50

O LOBO, A OVELHA E O PASTOR

  Dia desses li alguma coisa rapidamente numa rede social onde citava que o pastor cuida de suas ovelhas para depois comê-las, enquanto que o lobo ficava de fora desse banquete por ser vigiado para não cometer o ato de matar o animal.

  Não sei porque cargas d´água me veio logo à cabeça a analogia do discurso do Bom Pastor do Evangelho de São João, no capítulo 10 (versículos 11 a 18). Neste capítulo, Jesus diz: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas”.

  Esta passagem remete à religiosidade dos ensinamentos de Jesus para que o pregador dê a sua vida pelo seu rebanho para que ele não se enverede pelo caminho do mal, isto é, não seja devorado pelo lobo.

   Jesus mostra amor verdadeiro, de forma voluntária, pelo seu rebanho e o diferencia do mercenário que apenas trabalha pelo dinheiro e foge quando o lobo aparece.

  Se Cristo hoje retornasse à terra, certamente condenaria e expulsaria dos templos, com raras exceções, a grande maioria dos falsos pastores evangélicos que aproveitam dos momentos mais difíceis das pessoas, as ovelhas de boa-fé, para explorar e extorquir através da instituição do dízimo.

   Além do dinheiro, a ação se estende ao campo ideológico-político através de suas fórmulas conservadoras radicais e fundamentalistas sobre pátria, família e tradição, embora não passem de moralistas quando estão entre suas quatro paredes.

Na verdade, esses pastores, com seus falsos milagres, promessas de reinos dos céus e outras práticas enganosas, agem como lobos ferozes e gananciosos que se alimentam de “ovelhas” quando elas justamente estão em desespero de vida, sem eira nem beira.

  A grande parte desse rebanho é procedente dos rincões mais pobres das zonas rurais que partem para as grandes cidades à procura de emprego e melhoria de vida. Sem muitas opções, terminam montando seus barracos nas periferias, favelas e encostas dos morros.

  Como são “ovelhas”, ou pessoas vulneráveis, os falsos pastores (lobos) entram em ação, convidando-as a frequentar suas igrejas, prometendo ajudá-las e a salvá-las daquela situação de miséria, desde quando tudo que ganhar deem uma parte para o templo de Jesus, no caso, para eles.

  Além de usar em vão o nome de Jesus, esses “pastores” invertem a lógica do discurso do Bom Pastor e, ao invés dos lobos, eles mesmos “comem” as ovelhas em diversos sentidos, no campo social, econômico e político.

  Com suas práticas de lavagem cerebral, extraídas de forma deturpada da Bíblia sobre pecado e inferno, o “pastor” passa a ser dono daquela “ovelha” que faz tudo o que ele manda temendo perder a alma para o diabo.

   De maneira inescrupulosa e sem interferência das leis e dos poderes públicos, esses “pastores” atuam livremente como mercenários, explorando essas pobres “ovelhas” num projeto de enriquecimento e poder político planejado há anos.





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