Às vezes, os temas se cruzam em meu caminho e aí entra aquele dilema. Pensei em falar um pouco sobre as estações do ano que, com o aquecimento global, ou mudanças climáticas, estão cada vez mais confusas e indefinidas.

  Ontem (dia 21/09) foi comemorado do Dia da Árvore, aniversário do meu netinho Samuel, e pensei que temos menos árvores no planeta devido ao desmatamento, sobretudo no Brasil. Primavera entra neste 22 de setembro, conforme a cronologia do tempo, mas temos menos flores e a estação tem a cara de verão.

  Talvez esse negócio de intelectual e povo não sejam termos mais adequados, mesmo porque o primeiro é um tanto pedante. Quanto ao segundo, todos nós somos povo, uns com nível mais baixo e outros mais alto.

  Na verdade, o que quero mesmo dizer é que nos tempos atuais percebemos um grande distanciamento entre aqueles poucos com conhecimento e saber mais crítico e lógico do que os que estão naquela camada mais baixa do entendimento, dificultando o diálogo em todos os segmentos da vida. A nossa gente hoje aceita de bom grado, por exemplo, a descarecterização do São João e da cultura popular em geral.

 Da mesma forma que em nosso país existe uma profunda desigualdade social, em decorrência da concentração de renda cada vez mais acentuada, essa desigualdade também se acentuou no caso da intelectualidade, ou do conhecer geral.

  Este distanciamento do qual me refiro, não se observa apenas entre os mais pobres, mas também em muitos com maior poder aquisitivo, a classe média, por exemplo, e mesmo os mais ricos que, nos últimos anos, colocaram a riqueza acima da escolaridade, inclusive os que a obtêm de forma ilícita e corrupta.

    Entendo que esta diferença aumentou em razão de diversos fatores. Nos últimos 60 ou 70 anos houve um atrofiamento da educação e da cultura; reduziu-se o número de leitores, principalmente a partir do avanço tecnológico da internet com o celular; e o conteúdo das nossas universidades sofreu um desgaste em consequência dos fatores acima citados. Os nossos jovens perderam a essência da boa música, do se debruçar num livro, numa peça teatral, num filme autoral e preferem o caminho mais fácil.

   A mudança do próprio ensino curricular que mais prioriza a formação técnica, para atender ao mercado de trabalho, que as disciplinas de conhecimento geral em outras áreas das humanas, como história, português, geografia, filosofia e sociologia (estas duas últimas nem mais existem), fez encolher essa massa crítica do pensar.

   É uma questão complexa e polêmica numa discussão entre os próprios chamados intelectuais. Quase esquecia aqui de citar o período da ditadura militar como um dos fatores que contribuiu para distanciar este espaço do saber intelectual e os que entraram num vazio do desconhecimento.

  Pode ser que esteja errado, mas vejo as pessoas hoje mais distantes do racional, o que as levam a serem mais manipuladas e enganadas. Repetem o que ouvem como papagaios e não conseguem diferenciar o falso do mais próximo à verdade.