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:: 5/set/2026 . 0:54

O BRASIL É UMA MASSA FALIDA

   Com um rombo nas contas públicas de mais de 78 bilhões de reais, entre janeiro a julho deste ano; as estatais com um déficit acumulado de 8,3 bilhões; uma dívida pública que atingiu 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB), em julho, o equivalente a 10,9 trilhões de reais, o Brasil é uma massa falida. Não vou aqui falar do déficit nas contas externas e a queda nos investimentos produtivos e na infraestrutura sucateada.

  No caso específico das estatais, “Os Correios” de hoje é a cara da massa falida do Brasil, uma empresa que foi a nocaute com um certeiro das concorrências e não se renovou. Com Mais de 80 mil empregados, registrou um prejuízo de 5,5 bilhões no primeiro semestre. Pobres carteiros, cujas cartas nem mais existem para entregar.

 Tentou enxugar, mas poucos aderiram aos pedidos de demissões voluntárias. É uma pedra no sapato do governo que não tem coragem de liquidar, privatizar ou demitir a metade por causa da tremenda reação da esquerda e da impopularidade. Do jeito que está, ninguém de bom juízo quer comprar, e não tem mais serventia nos tempos atuais.

  Vejamos ainda como anda a nossa Previdência Social. O déficit ficou em 320 bilhões de reais e as projeções apontam para um patamar superior a 250 bilhões neste ano. É mais um rombo para pagar aposentadorias, pensões e auxílios do setor privado. Os gastos com benefícios previdenciários vão além de um trilhão de reais, cerca de 12% do PIB nacional.

 O desequilíbrio continua avançando em decorrência do volume de pagamentos bem acima das arrecadações. O envelhecimento e o aumento das expectativas de vida levam os benefícios a serem pagos por mais tempo. Há menos jovens no mercado formal de trabalho para sustentar a base de contribuintes. Crescem os pedidos de aposentadorias e milhares estão nas filas de espera.

  Com a reforma trabalhista escravagista de Michel Temer, que esmagou os sindicatos e as centrais, o trabalhador se tornou massa de manobra do patrão, sem barganha para negociar. Os benefícios da carteira assinada não são mais os mesmos de antigamente. Diante do exposto, as pessoas estão migrando para a informalidade – são 38 milhões de brasileiros nessa condição, representando quase 40% da população ocupada no país – um alto contingente que não contribui com a previdência. É mais atrativo porque ganha mais e é bem menos escravo do capitalista explorador.

  Isso tudo é só uma pitada de demonstração de como o Brasil há anos é como se fosse uma empresa que trabalha no vermelho, como grande parte das famílias brasileiras, gastando mais do que se arrecada. Os pobres e as pessoas menos instruídas não entendem esse emaranhado de números e devem ficar se perguntando o que têm a ver com a dívida pública. Coisa de cachorro grande!

  Ledo engano, tudo isso recai nas costas dos mais pobres. Essa gastança desenfreada, além do que recolhe de impostos, obriga o governo federal e emitir títulos da União (papéis), pagando altos juros que resultam em mais inflação e aí, meu amigo, é um flagelo para quem tem menor poder aquisitivo.

  Comprar papéis do Tesouro é um bom negócio lucrativo do que investir em empresas comerciais e indústrias que dão mais dor de cabeça, desgastes administrativos, burocracias, altos impostos, riscos de perdas com as variáveis dos mercados interno e externo, sem contar com as questões trabalhistas.

 Além de ser uma massa falida, o Brasil é um país atrasado, arcaico, ainda com uma economia dos tempos coloniais, exportador de commodities, matérias-primas básicas, como grãos, carnes, ferro, óleo bruto do petróleo e semimanufaturados. Pouca coisa de refinados industrializados, de química fina e peças eletrônicas da tecnologia da computação.

   Para se ter uma ideia, mais de 80% dos fertilizantes utilizados na agricultura são importados. Exporta um container de grãos e compra uma caixa de chips com valor superior. O agro há anos vive mamando nas tetas do povo, o dinheiro nosso de cada dia. Por ano são bilhões de reais subsidiados pelo Estado.

   O Brasil é uma máquina pesada enferrujada num canto, como uma calandra daquelas antigas gráficas. É um país rico com uma das maiores concentrações de renda do mundo, convivendo com um povo pobre miserável que precisa de bilhões para não morrer de fome. As desigualdades sociais só aumentam porque apenas barriga cheia não faz o sujeito mudar de classe social e viver com dignidade.

  O poder desfruta das suas mordomias e privilégios em suas mansões e carrões de luxo de 500 mil a milhões, enquanto a desgraça humana padece nas periferias imundas, fedorentas de esgotos a céu aberto. O sistema de saúde é precário, apesar do SUS.

Para que servem as teorias socialistas marxistas, os discursos comunistas, se milhões são vivos-mortos? A Constituição é o tempo todo violada e a democracia vilipendiada porque os direitos fundamentais não são respeitados, como a negação de uma educação e de uma saúde de qualidade e digna.

 Qual governante líder estadista vai desmantelar esse esquema corrupto de uma máquina monstro que atravanca o desenvolvimento social? Temos presidente da República, vice, presidentes da Câmara e do Senado, onze ministros do STF, 81 senadores, 513 deputados federais, 27 governadores e mais 27 vices, 27 assembleias estaduais e 1.049 deputados.

  Temos ainda 5.568 prefeitos, o mesmo número de vices e de câmaras municipais, com cerca de 58 mil vereadores. De políticos são quase 71 mil, mais de 13 mil assessores parlamentares na Câmara Federal, 4.500 no Senado, 27 mil nas assembleias, 600 mil nas câmaras de vereadores. São quase 800 mil funcionários não concursados.

   Os gastos disso tudo chegam a quase 130 bilhões de reais mais 6 bilhões do Fundo Partidário (35 partidos registrados no TSE e mais 73 em formação). Não estamos computando aqui as escandalosas emendas parlamentares, cujos recursos vão se dissolvendo no meio do caminho. Não deveriam existir. E os penduricalhos e os supersalários?

 Ufa, estou exausto! Peço passagem para me recolher à minha insignificância. Essa é, ou não, uma massa falida? Não são as reformas trabalhista aniquiladora do trabalhador, previdenciária, tributária e outras que vão desatar esse nó. Tudo tinha que começar por uma reforma eleitoral drástica e outra administrativa que liquidassem com as castas. O sistema eleitoral é totalmente injusto na divisão dos recursos e do horário de propaganda.

  Quem ver melhora, ou um futuro a curto, médio ou longo prazo está enganando a si mesmo; é um vendedor de ilusões querendo dar uma de bom mocinho otimista, só para dizer que é um cara que acredita na mudança. Conheço esse papo há mais de 60 anos, desde quando me entendo como gente. Triste Brasil falido!

 

 

UM PROGRAMA ENGRAÇADO E CHATO

 De dois em dois anos as redes de televisão e rádio do Brasil são obrigadas a exibir por mais de um mês um programa engraçado e chato de se ver. Este, todo mundo está careca de saber qual é. A grande maioria assisti e até vibra com seus atores e atrizes preferidos.

 – Oh, como um programa humorístico pode ser engraçado e, ao mesmo tempo, chato?

 – Pois é, meu amigo, este é inédito! Engraçado porque é carregado de mentiras, promessas impossíveis de serem realizadas; não existe um projeto delineado e planejado no papel; não tem roteiro escrito; “quem tem boca diz o que quer”; e é feito na base do improviso, o que serve para testar a “capacidade” cognitiva do artista.

  É chato porque é sempre repetido e praticamente se ouve as mesmas coisas dos programas anteriores. A outra parte chata é que irrita o ouvinte ou telespectador quando entra o bate-boca onde os atores tentam ganhar na base do grito. Todos querem falar ao mesmo tempo.

  Dizem por aí que tem regras, normas e leis estabelecidas por uma Mesa Julgadora, mas é apenas um faz de conta. Vez ou outra corta-se alguém que solta um palavrão ou comete algo indecente, isto para dar uma desacelerada na turma.

  Quando o cara é repreendido, paga uma multinha; recorre e até alega que está sendo utilizado bode expiatório, mas o programa prossegue. Coisa é no final quando os participantes botam para quebrar!

  É muita gente engraçada que sai dos quatros cantos do Brasil porque os prêmios são valiosos e o artista vencedor não necessita trabalhar muito, sem contar os privilégios e as mordomias, como de só atuar três ou no máximo quatro dias da semana.

  A corrida é acirrada e o candidato ao teste se “vira nos trinta”, cada um com seu potencial artístico e criatividade. Uns contam piadas, causos do passado, anedotas e estórias da carochinha. Outros fazem malabarismos, caretas e expressões esquisitas.

   O comum é que todos comem qualquer coisa que se oferecer, até alimento estragado, insetos, carne de animais exóticos e entram em qualquer lugar, seja cavernoso ou não. Essa é a parte mais engraçada do programa.

  Ah, ia me esquecendo de dizer que tem o dia da votação para ver quem serão os aprovados no teste! Existe uma urna e cada um, entre os milhões de brasileiros, vota naquele que o votante achou mais “capacitado” durante a empreitada do engraçado chato.





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