SONS DA CAATINGA
Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
O vento aqui bate,
E o tempo parece parar,
Como sumiço de poeira no ar,
Rodopiando meu sertão;
Bem longe o cachorro late,
Atrás da caça do caçador,
Na lamentosa cantiga,
Como aboio do vaqueiro peão,
Tocando os sons da caatinga,
Desta nordestina nação.
Sons da caatinga,
Sem igual no mundo,
Com seu mistério profundo.
Tem o som da cascavel,
Da folha seca caindo no chão,
Da rezadeira com seu véu,
Do messiânico pregando a fé,
O ritmo do xaxado e do baião,
O reisado e o forró arrasta-pé.
Tem o berro do boi no bagaço,
O chiado do carcará-gavião,
O estalo das alpercatas no cangaço,
A bala zunindo do cangaceiro,
O calango fugindo da seca,
E a poesia do cancioneiro.
Tem o rastejar da lagartixa,
Na rede, o ronco da preguiça,
O balanço do umbuzeiro,
O cantar do Assum-Preto,
O agouro rasgado da cauã,
Na chuva, o floral aguaceiro,
A cigarra no verão da quixabeira,
O colibri beijando a aroeira,
A tosse da fome tísica,
Do facão saindo faísca,
São sons da caatinga,
Com sua magia e mandinga.











