setembro 2026
D S T Q Q S S
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930  

:: 3/set/2026 . 23:41

O MAU EXEMPLO DO PODER PÚBLICO

O ACESSO MAIS HORRÍVEL DE CONQUISTA

Pouca gente tem percebido que a entrada e a saída, ou seja, o acesso de Vitória da Conquista, cortando o Anel Viário, em direção a Anagé e a Brumado, na boca do agreste do sertão do sudoeste, é o mais feio e passa uma péssima imagem ao visitante. Não dá para instalar ali uma placa de “Seja Bem-Vindo”. Seria até ridículo e motivo para piadas.

Quem vem de Brumado e faz a rotatória do Anel e pega a avenida do mesmo nome se depara com sucatas, carros velhos enferrujados, lixo e entulhos de ambos os lados próximos ao Atacadão, principalmente de um grande terreno na faixa esquerda pertencente ao Governo do Estado da Bahia.

Comentamos aqui sobre o problema dos lotes privados abandonados que se transformaram em matagais, lixeiras e são verdadeiros atentados à saúde pública. Cobramos uma fiscalização mais rígida por parte da Prefeitura Municipal no sentido de penalizar os proprietários que não cercam ou muram suas áreas.

O mau exemplo, no caso específico desse terreno abandonado na saída de Conquista para Anagé há muitos anos, vem justamente do poder público estadual. Trata-se de uma extensa área infestada de ferros velhos, entulhos, mato, lixos orgânicos e sólidos, utilizada até para queima de fios para extração de cobre. O local mete medo por quem transita por ali.

Em determinados locais, o mau cheiro invade as residências ao lado do loteamento Sobradinho, cujos moradores sofrem com o barulho e a poluição de fuligens da “Sucata Esperança”. Em frente ao terreno ainda existem duas empresas de reciclagem e muitos estão denominando o local de “Rota do Lixo”. Aqui ali está mais para matança do que esperança.

Os moradores clamam por providências e reivindicam que o terreno seja beneficiado em prol da comunidade através da construção de casas populares, uma praça de lazer e entretenimento, escola, posto de saúde ou outros equipamentos, oferecendo outro visual à entrada da cidade.

Quando aqui cheguei, há 35 anos, este terreno já existia e continua lá sem nenhuma serventia, a não ser como depósito de lixos de toda espécie e estacionamento para caminhões da Sucata que se tornou num inferno para os habitantes das redondezas.

Nossas lentes flagraram um absurdo que viola a legislação brasileira no que diz respeito à preservação do meio ambiente e o desrespeito às pessoas que são obrigadas a viver dentro da sujeira em meio a ratos, cobras, escorpiões, mosquitos da dengue e todo tipo de insetos.

Sem dúvida, é o acesso mais horrível de Conquista, por muitos chamada de a “Suíça ´Baiana”.  Pelo visto, diante do  aspecto do terreno abandonado, está mais para “Haiti”. A terceira maior cidade da Bahia, com cerca de 400 mil habitantes, não merece isso.

SONS DA CAATINGA

Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

O vento aqui bate,

E o tempo parece parar,

Como sumiço de poeira no ar,

Rodopiando meu sertão;

Bem longe o cachorro late,

Atrás da caça do caçador,

Na lamentosa cantiga,

Como aboio do vaqueiro peão,

Tocando os sons da caatinga,

Desta nordestina nação.

 

Sons da caatinga,

Sem igual no mundo,

Com seu mistério profundo.

 

Tem o som da cascavel,

Da folha seca caindo no chão,

Da rezadeira com seu véu,

Do messiânico pregando a fé,

O ritmo do xaxado e do baião,

O reisado e o forró arrasta-pé.

 

Tem o berro do boi no bagaço,

O chiado do carcará-gavião,

O estalo das alpercatas no cangaço,

A bala zunindo do cangaceiro,

O calango fugindo da seca,

E a poesia do cancioneiro.

 

Tem o rastejar da lagartixa,

Na rede, o ronco da preguiça,

O balanço do umbuzeiro,

O cantar do Assum-Preto,

O agouro rasgado da cauã,

Na chuva, o floral aguaceiro,

A cigarra no verão da quixabeira,

O colibri beijando a aroeira,

A tosse da fome tísica,

Do facão saindo faísca,

São sons da caatinga,

Com sua magia e mandinga.





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia