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:: 11/set/2026 . 0:14

O BOI QUE PAROU UMA AVENIDA

(Chico Ribeiro Neto)
Um boi na pista causou um engarrafamento de três horas na Avenida 23 de Maio (região central de São Paulo) até ser laçado por um sargento do Corpo de Bombeiros.
O curioso é que, mesmo depois de amarrado, o boi continuou provocando lentidão no trânsito, porque os motoristas passavam devagar para ver o animal capturado.
Uma veterinária foi entrevistada pela Folha de S. Paulo e explicou que “ainda é uma incógnita o trajeto que o boi fez para chegar à avenida”. Engraçado foi o mapinha feito pela Editoria de Arte do jornal, mostrando “as áreas afetadas pelo boi”, citando as vias que tiveram tráfego lento.
O boi mexeu com o centro de São Paulo e chamou a atenção de todo mundo. Muitos, ao verem o engarrafamento que durou das 7 às 10 da manhã, se perguntaram o que era: greve de ônibus? Passeata dos bancários? Algum novo jacaré que veio andando lá do Tietê?
A pergunta da veterinária me deixa matutando sobre de onde teria vindo aquele boi. Será que era o “boi voador” da música de Chico Buarque? “Manda prender esse boi/seja esse boi o que for”.
Os animais surpreendem com suas aparições inesperadas. O gato que desce do muro num salto, os cachorros que resolvem “cruzar” na frente do convento, a galinha que entra pela janela da casa, o passarinho que faz cocô na sua cabeça, o boi que aparece no meio da avenida e o chipanzé que fugiu do caminhão de um circo e pulou de uma vez no capô de um carro.
Estas aparições tiram a gente do sério, é a natureza interferindo na fria rotina dos homens, a nos sacudir para o inesperado da vida.
“Uma flor nasceu na rua”, diz Drummond em seu belíssimo poema lembrando como passa “o rio de aço do tráfego”.
De vez em quando, surge uma novidade,  um animal ou uma flor, para bagunçar o coreto, engarrafar uma avenida e arrancar olhares estupefatos.
Naquele dia, centenas de paulistas chegaram ao trabalho com uma novidade pra contar. Se demora um pouco mais, o boi ganharia nome, camisa do Corinthians e poderia até ser perseguido violentamente por quem nunca mais viu um quilo de carne. Toureiro era o que não faltava para essa “farra do boi”.
O boi que apareceu na Avenida 23 de Maio, na semana passada, tinha uns quatro anos, pesava cerca de 200 quilos e,  segundo a veterinária, estava “passando bem”. Certamente um pouco estressado de ver tanto carro e pouco mato.
O animal foi recolhido ao Centro de Zoonoses da prefeitura. O dono do boi tinha cinco dias para se apresentar e retirá-lo. Caso não aparecesse, o boi seria leiloado. A avenida que foi pasto por três horas retornou à sua vidinha de trânsito.
(Crônica publicada no jornal A Tarde em 2/10/1991).

A UNIVERSIDADE É NOSSA

  Não sei se é coisa só da minha cabeça, uma opinião isolada, mas entendo que a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, criada por decreto em 1980, a partir do curso de Formação de Professores, precisa interagir mais com a sociedade conquistense. A vejo como um corpo acadêmico fechado de pensadores que discutem teorias e teses entre si. Lembro que quando aqui cheguei, em 1991, ir à Uesb era como fazer uma pequena viagem dentro de uma capoeira de chão batido. Tudo isso deixou de existir com a expansão da Avenida Olívia Flores e a instalação de instituições e empresas, conectando a Uesb à cidade em termos físicos. No entanto, a distância do conhecimento e do saber não me parece ter mudado. Sei que a Universidade realiza muitos projetos de extensão e outras atividades no campo econômico, cultural, social e político, mas existe uma sensação de que a comunidade não entra como participe e pouco usufrui de seus programas. Em seu Colegiado ou Conselho não poderia caber representações da sociedade? Como a Universidade é nossa, porque é paga pelo contribuinte, os membros dessa sociedade não deveriam também ter o direito em algumas decisões internas, como na votação da reitoria? Em Vitória da Conquista, infelizmente, só existem dois museus, o Regional, na Praça Tancredo Neves, e o Padre Palmeiras, na Praça Sá Nunes, administrados pela Uesb e poucos eventos são realizados naquelas unidades. Sinto que existem poucos projetos de desenvolvimento do município capitaneados pela instituição de ensino. Isto é falha do poder público, uma questão política que deixa de realizar convênios? É a sociedade que tem que buscar a Uesb, ir até ela, ou vice-versa? São questionamentos que precisam ser esclarecidos, mas Conquista poderia ser mais beneficiada pela Uesb no sentido de melhorias da sua infraestrutura, principalmente com projetos direcionados aos bairros mais carentes das periferias.  A impressão é que a Uesb não faz parte da cidade. É um debate que precisa ser provocado. Sabemos que dentro da Uesb existem correntes políticas que talvez impeçam um melhor relacionamento com a sociedade.





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