Com um rombo nas contas públicas de mais de 78 bilhões de reais, entre janeiro a julho deste ano; as estatais com um déficit acumulado de 8,3 bilhões; uma dívida pública que atingiu 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB), em julho, o equivalente a 10,9 trilhões de reais, o Brasil é uma massa falida. Não vou aqui falar do déficit nas contas externas e a queda nos investimentos produtivos e na infraestrutura sucateada.

  No caso específico das estatais, “Os Correios” de hoje é a cara da massa falida do Brasil, uma empresa que foi a nocaute com um certeiro das concorrências e não se renovou. Com Mais de 80 mil empregados, registrou um prejuízo de 5,5 bilhões no primeiro semestre. Pobres carteiros, cujas cartas nem mais existem para entregar.

 Tentou enxugar, mas poucos aderiram aos pedidos de demissões voluntárias. É uma pedra no sapato do governo que não tem coragem de liquidar, privatizar ou demitir a metade por causa da tremenda reação da esquerda e da impopularidade. Do jeito que está, ninguém de bom juízo quer comprar, e não tem mais serventia nos tempos atuais.

  Vejamos ainda como anda a nossa Previdência Social. O déficit ficou em 320 bilhões de reais e as projeções apontam para um patamar superior a 250 bilhões neste ano. É mais um rombo para pagar aposentadorias, pensões e auxílios do setor privado. Os gastos com benefícios previdenciários vão além de um trilhão de reais, cerca de 12% do PIB nacional.

 O desequilíbrio continua avançando em decorrência do volume de pagamentos bem acima das arrecadações. O envelhecimento e o aumento das expectativas de vida levam os benefícios a serem pagos por mais tempo. Há menos jovens no mercado formal de trabalho para sustentar a base de contribuintes. Crescem os pedidos de aposentadorias e milhares estão nas filas de espera.

  Com a reforma trabalhista escravagista de Michel Temer, que esmagou os sindicatos e as centrais, o trabalhador se tornou massa de manobra do patrão, sem barganha para negociar. Os benefícios da carteira assinada não são mais os mesmos de antigamente. Diante do exposto, as pessoas estão migrando para a informalidade – são 38 milhões de brasileiros nessa condição, representando quase 40% da população ocupada no país – um alto contingente que não contribui com a previdência. É mais atrativo porque ganha mais e é bem menos escravo do capitalista explorador.

  Isso tudo é só uma pitada de demonstração de como o Brasil há anos é como se fosse uma empresa que trabalha no vermelho, como grande parte das famílias brasileiras, gastando mais do que se arrecada. Os pobres e as pessoas menos instruídas não entendem esse emaranhado de números e devem ficar se perguntando o que têm a ver com a dívida pública. Coisa de cachorro grande!

  Ledo engano, tudo isso recai nas costas dos mais pobres. Essa gastança desenfreada, além do que recolhe de impostos, obriga o governo federal e emitir títulos da União (papéis), pagando altos juros que resultam em mais inflação e aí, meu amigo, é um flagelo para quem tem menor poder aquisitivo.

  Comprar papéis do Tesouro é um bom negócio lucrativo do que investir em empresas comerciais e indústrias que dão mais dor de cabeça, desgastes administrativos, burocracias, altos impostos, riscos de perdas com as variáveis dos mercados interno e externo, sem contar com as questões trabalhistas.

 Além de ser uma massa falida, o Brasil é um país atrasado, arcaico, ainda com uma economia dos tempos coloniais, exportador de commodities, matérias-primas básicas, como grãos, carnes, ferro, óleo bruto do petróleo e semimanufaturados. Pouca coisa de refinados industrializados, de química fina e peças eletrônicas da tecnologia da computação.

   Para se ter uma ideia, mais de 80% dos fertilizantes utilizados na agricultura são importados. Exporta um container de grãos e compra uma caixa de chips com valor superior. O agro há anos vive mamando nas tetas do povo, o dinheiro nosso de cada dia. Por ano são bilhões de reais subsidiados pelo Estado.

   O Brasil é uma máquina pesada enferrujada num canto, como uma calandra daquelas antigas gráficas. É um país rico com uma das maiores concentrações de renda do mundo, convivendo com um povo pobre miserável que precisa de bilhões para não morrer de fome. As desigualdades sociais só aumentam porque apenas barriga cheia não faz o sujeito mudar de classe social e viver com dignidade.

  O poder desfruta das suas mordomias e privilégios em suas mansões e carrões de luxo de 500 mil a milhões, enquanto a desgraça humana padece nas periferias imundas, fedorentas de esgotos a céu aberto. O sistema de saúde é precário, apesar do SUS.

Para que servem as teorias socialistas marxistas, os discursos comunistas, se milhões são vivos-mortos? A Constituição é o tempo todo violada e a democracia vilipendiada porque os direitos fundamentais não são respeitados, como a negação de uma educação e de uma saúde de qualidade e digna.

 Qual governante líder estadista vai desmantelar esse esquema corrupto de uma máquina monstro que atravanca o desenvolvimento social? Temos presidente da República, vice, presidentes da Câmara e do Senado, onze ministros do STF, 81 senadores, 513 deputados federais, 27 governadores e mais 27 vices, 27 assembleias estaduais e 1.049 deputados.

  Temos ainda 5.568 prefeitos, o mesmo número de vices e de câmaras municipais, com cerca de 58 mil vereadores. De políticos são quase 71 mil, mais de 13 mil assessores parlamentares na Câmara Federal, 4.500 no Senado, 27 mil nas assembleias, 600 mil nas câmaras de vereadores. São quase 800 mil funcionários não concursados.

   Os gastos disso tudo chegam a quase 130 bilhões de reais mais 6 bilhões do Fundo Partidário (35 partidos registrados no TSE e mais 73 em formação). Não estamos computando aqui as escandalosas emendas parlamentares, cujos recursos vão se dissolvendo no meio do caminho. Não deveriam existir. E os penduricalhos e os supersalários?

 Ufa, estou exausto! Peço passagem para me recolher à minha insignificância. Essa é, ou não, uma massa falida? Não são as reformas trabalhista aniquiladora do trabalhador, previdenciária, tributária e outras que vão desatar esse nó. Tudo tinha que começar por uma reforma eleitoral drástica e outra administrativa que liquidassem com as castas. O sistema eleitoral é totalmente injusto na divisão dos recursos e do horário de propaganda.

  Quem ver melhora, ou um futuro a curto, médio ou longo prazo está enganando a si mesmo; é um vendedor de ilusões querendo dar uma de bom mocinho otimista, só para dizer que é um cara que acredita na mudança. Conheço esse papo há mais de 60 anos, desde quando me entendo como gente. Triste Brasil falido!