:: 17/set/2026 . 23:36
A CEGUEIRA IDEOLÓGICA POLÍTICA É COMO FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO
Um aponta o dedo para o outro e os dois negam seus malfeitos, sujeiras e corrupções. No Brasil de hoje existe uma cegueira ideológica onde pessoas, sejam de esquerda ou de direita, compactuam com o político da sua corrente, do seu partido, mesmo sabendo que ele está envolvido em irregularidades, falcatruas e atos ilícitos.
Esta cegueira, por questão ideológica, faz o cidadão de bem, de caráter e honestidade perder a razão, trair sua própria formação e apoiar o indivíduo que comete desvio de conduta. Ele coloca sua ideologia acima daquele que age com desonestidade. O radicalismo político é como o fundamentalismo religioso. Os dois são irmãos siameses.
Numa discussão, a pessoa radical procura fazer vistas grossas e argumentar que o corrupto é inocente, que as acusações contra ele são infundadas, que não passam de perseguições políticas e são apenas ilações.
Ele não consegue aceitar que a nota que recebeu é falsa, mesmo tendo a confirmação de um perito no assunto. O radical não muda de opinião e não tem diálogo porque acha que não deve dar o braço a torcer para seu opositor. Em seu imaginário, tal atitude de reconhecer o erro seria uma fraqueza e humilhação.
A ideologia cega é um grande mal para os bons, para os sérios e para aqueles que sempre combatem a corrupção. É como consentir que tal governante rouba, mas faz, principalmente se for em prol do desenvolvimento social em nome do povo.
– Ah, ele está sendo investigado, mas está fazendo um bom trabalho em defesa dos mais pobres, dos excluídos, da democracia e luta pela liberdade de expressão e pelo avanço da igualdade, como se tudo isso justificasse suas ações imorais.
Confesso que não consigo entender determinados posicionamentos de ideólogos de esquerda que tentam acobertar, negam ou evitam citar crimes praticados por gente da sua mesma ideologia. Isso também acontece no caso inverso quando se trata da direita ou de centro.
Por muitos anos, membros do Partido Comunista, principalmente o francês, por pressão dos radicais, com medo do expurgo e até de serem mortos, procuraram esconder e desmentir os crimes sanguinários praticados por Stalin na União Soviética contra seus opositores.
Por ser de esquerda, que por princípio prega a honradez, a seriedade e a justiça social para todos, o ato de corrupção é bem mais grave e merece mais repúdio do que a ladroagem advinda de um elemento de direita não confiável porque deste não se espera muita coisa em termos de lisura.
Prezo mais pela boa formação, aquela de berço, passada de pai para filho, vinda dos mais antigos que honravam com a palavra dada do que ter ideologia de esquerda e ser salafrário, mentiroso, enganador de promessas, do tipo que fala uma coisa e faz outra por debaixo do pano.
É QUE NEM…
-
(Chico Ribeiro Neto)
Foi que nem um saco de pipoca domingo de tarde, chupar um caju vermelho e tomar uma cerveja bem gelada.
É que nem você chegando de viagem, perder o medo de visagem e acender a luz no escuro.
Foi que nem viajar no por do sol, vestir a velha calça ou tomar um sorvete de cajá.
Que nem melancia aberta na hora, você chegou em boa hora, e aí rumbora.
Como a lua chegando, um prato de andu com carne do sol e ver um girassol.
Foi que nem ver o rio cheio, o coração vazio e o tio que deu um constipio.
Que nem a curva do rio, a primeira namorada e a estrada esburacada.
Como a estrela caindo, um cavalo passando e ela mergulhando.
Foi igual a um beijo roubado, um soco bem dado e um tapa desferido.
Como a feira de manhã, sonhar com onça e abrir uma manga rosa.
Que nem acordar achando que a vida é boa, resolver andar à toa e o concerto dos sapos na lagoa.
É que nem o olho do peixe, o rabo do macaco e o sofrimento da tartaruga.
Como mordida de marimbondo, o grito furibundo e o olhar do moribundo.
Foi como a cortina que voa, a água que escoa e aquela canoa.
Foi que nem o canto do aniversário, o curió na janela e a voz dela.
Parecia uma cantiga longe, mas estava bem perto.
O BAMBUZAL DA UESB
Não são somente os prédios da Uesb que encantam, se bem que dentro deles brotam o conhecimento e o saber que devem ser compartilhados para os demais e não apenas ficarem fechados entre as quatro paredes dos próprios acadêmicos, o bambuzal, praticamente em sua entrada, passa uma sensação de que se está entrando no fundo de um túnel onde do outro lado está a luz. Sempre que tenho que ir à instituição superior de ensino, vem logo à minha cabeça o prazer de transitar ali por dentro bem devagar para apreciar a beleza poética da natureza. No momento, também me faz lembrar do lindo bambuzal na entrada do Aeroporto Internacional de Salvador, que deveria ter o nome de Castro Alves. É sempre prazeroso e faz bem ao espírito. O bambu, que tem sua origem há cerca de 65 milhões de anos, no final do período Cretáceo e início do Terciário, com dispersão na Ásia e nas Américas, é uma planta que balança, mas não cai, enverga, mas não quebra. Devemos ser como o bambu diante das intempéries da vida passageira, cuja morte a chamamos de a tirana. De acordo com pesquisas científicas, a China foi o primeiro local a cultivar a planta em larga escala, há mais de cinco mil anos. No Brasil existem mais de 260 espécies nativas do bambu, conhecidas como taquaras, usadas por povos indígenas. A palavra veio do Oriente, derivada de um idioma da Malásia. O bambu é uma das matérias primas mais versáteis do planeta. Pela sua resistência, é utilizada na engenharia e até na alimentação. Ele também recebe o nome de “aço verde”, substituindo a madeira e até o ferro em estruturas. Também é aproveitado na fabricação de móveis e objetos decorativos, como luminárias, persianas e cestos. As fibras podem ser transformadas em tecidos macios em roupas, lençóis e toalhas. O broto é um alimento tradicional e nutritivo na culinária asiática. No meio ambiente, o bambu sequestra grandes volumes de carbono e é usado ainda na produção de carvão vegetal de alta qualidade, bem como na industrialização de papel. Na cultural oriental chinesa e japonesa existem diversos provérbios, como “o bambu que se curva é mais forte que o carvalho que resiste”, “ o bambu curva-se, mas não quebra”, “o bambu leva anos para criar raízes, mas depois cresce em semanas”, “Para aprender sobre o bambu, vá até o bambu” e “seja como o bambu: oco por dentro para manter o coração leve”.
ERRANTE…TOCA PRA MIM…
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Queria ser
Um errante mochileiro,
Solitário furando fronteiras,
Girar o mundo inteiro,
Guerrear contra o capital,
Disseminar a paz e o amor,
E combater a injustiça social.
Aqui fiquei em meu terreiro,
No riscado do meu facão,
Nesta aldeia de meeiro,
Assistindo passar a procissão.
Para curar esta minha dor,
A agonia da minha alma,
Toca pra mim
Uma canção sideral,
Que me faça estrela
A navegar
Neste infinito universal.
Toca, toca pra mim
Uma música celestial,
Para que leve seu som
Até meu suspiro final.
Serei um viajante errante,
Quem sabe no outro além;
Encontrarei a minha flor,
Para me responder quem sou.
Toca, toca pra mim,
Aquele canto divino,
Na guitarra, gaita ou violino.
- 1














