Gosto muito dos ditados populares que me fazem lembrar dos mais velhos, dos nossos ancestrais. Sempre ouvi esse quando a pessoa estava no aperto e precisava encontrar uma saída para o problema, só que é complicado caçar com um gato.
É uma maneira de falar para a gente se virar da forma do possível. Sou também adepto do ditado “antes só que mal acompanhado” e que me perdoem os protetores dos animais, não dá para confiar no gato.
Tem aquele de “enfiar o pé na jaca” quando alguém numa festividade, evento ou numa roda de bar bebe além do limite e se embriaga. Pode ser comilança exagerada quando a pessoa se empanturra e por aí vai.
Pise no rabo de um gato, mesmo sendo o dono, e ele avança em você rasgando sua pele com as unhas e ainda morde. No cachorro, ou cão, ele sai de manso e não lhe ataca.
O felino é por natureza individualista, egoísta, fica na dele e não é amigo fiel do dono. Só não me agrada esse povo chamar o bicho de meu filho, principalmente as madamas, chegando a deixar de lado seu próprio rebento sangue do seu sangue.
Quanto a esse negócio de não ter cachorro e caçar com gato, um matuto sertanejo levou a sério e colocou sua ação em prática. Na falta do cão farejador, ele foi com o gato. Dentro do mato ele soltou o bichano que sumiu sem deixar pistas e miados.
Ele ficou só com a espingarda e o seu dia não foi da caça. Ao cair da noite, ao pôr-do-sol, voltou para casa de mãos vazias e nada de gato aparecer. Dois ou três dias depois ele surge de soslaio se esgueirando pelos cantos, de barriga cheia, todo envergonhado.
Na certa se empanturrou de nambus, perdizes e outros animais menores e se esqueceu do dono. Fosse o cachorro, avisava com seu latido e ainda trazia a caça para seu amigo. O caçador olhou para o gato, fez suas matutadas e tratou logo de arranjar um cachorro.
Essa coisa de fazer arranjos e armengues quando não se tem a ferramenta principal para lhe ajudar, não dá certo. É só pepino! Quando não se tem cachorro, melhor mesmo é ir só, ou não se arriscar, do que levar o gato.
Talvez essa expressão popular da nossa cultura explique o esquema de fazer “gato” numa rede de energia elétrica puxando um fio ou cabo clandestino para sua casa ou comércio.
Geralmente não dá certo, corre-se o perigo de um incêndio com altos prejuízos, sem contar que é um crime de contravenção. O mesmo se faz com a empresa de água e programas de internet e televisivos via aparelhos contrabandeados.
Não vá nessa onda de caçar com gato que é uma barca furada. Se não tem o cachorro, melhor usar outros métodos mais confiantes e convencionais do que levar um gato que vai terminar lhe deixando na mão. Melhor mesmo é ser cachorro do que gato, mas dizem que o felino é mais astuto, sagaz e mais rápido para dominar sua presa.