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:: 28/set/2026 . 23:12

UMA PROMISCUIDADE!

   Ainda bem que está findando essa promiscuidade eleitoral da qual o Brasil está refém e prossegue sem perspectivas de mudanças. Cada pleito, de dois em dois anos, é pior que o outro. O sistema de disputa é altamente desigual e desleal na partilha dos nossos torrados cinco bilhões de reais a 30 partidos (mais 23 em formação) e no horário tão baixo da propaganda na televisão e no rádio.

   É muito paradoxal quando de um lado o nosso povo se mostra ficar alheio à política, achando nojenta e repugnante, e a cegueira radical quando nas eleições os inocentes úteis se agarram ferozmente ao seu candidato, mesmo que ele seja um sujo, corrupto, mentiroso e incapaz. Nessa hora, não importa o bem do país.

  Da forma como está, a eleição é uma mistura indigesta de um caldeirão de bruxarias podres misturadas a insetos como ratos e baratas vindos de esgotos gosmentos insuportáveis. O resultado final é uma crosta lodacenta que cobre o Brasil e vai corroendo todo organismo brasileiro.

  Usar o termo promiscuidade é pouca coisa quando ouvimos sair dessas bocas o que há de pior no ser humano porque eles (a grande maioria dos candidatos) descem ao fundo do poço e rastejam como vermes da terra para se nutrir das nossas vísceras. Chegam ao mais raso nível do cinismo, do ser mau caráter prometendo fazer o impossível.

  Não existem palavras adequadas para qualificar a degradação em que chegamos, não se sabendo ao certo quem são os piores e os melhores. Os próprios eleitores, a grande maioria de ignorantes, analfabetos, rudes, incultos, fanáticos, fundamentalistas e totalmente desprovidos de sensatez, transitam na lua-cheia como bandos de vivos-mortos que são devorados pelos zumbis que saem de suas sepulturas de época em época.

   Há séculos, com suas artimanhas, com seu cangaceirismo esquartejador, decapitadores de cabeças humanas, com seus métodos mais cruéis de torturas mentais e físicas, os “coronéis”, os grandes poderosos, os chefes políticos e os salteadores das nossas dignidades foram aos poucos minando nossas forças e nos acorrentando ao tronco, ao ponto de não sentirmos mais o verdugo das chibatas no lombo.

Ao longo desse tempo e desse processo de liquidação, a começar pelo assassinato da educação, da cultura, do conhecimento e do saber, eles foram jogando salmoura e vinagre na carne fresca para curar as feridas dos escravizados, se bem que as cicatrizes permanecem para sempre.

   É o chamado lento e planejado processo de dominação das elites e das castas onde o agente ativo passa a ser totalmente passivo e subalterno como na Síndrome de Estocolmo. Não se pensa mais, desaparecendo por completo a atitude de indignação, e isso vai se passando de geração em geração.

  Eles, os donos do poder, deixam de ter inimigos porque nos tornamos inimigos de nós mesmos, principalmente nesse cenário tenebroso da polarização. Os pobres e os excluídos, as classes menosprezadas, não são mais inimigos do rei e brigam entre si como cães raivosos. É a autodestruição das próprias massas.

  As “ideologias” se tornam vampirescas, caninas e inquisitivas como nos tempos medievais. As heresias, o irracional e o ódio se encarnaram e grudam em ambas as partes. Todo corpo foi contaminado pelo vírus da cegueira.

   Nessa arena tirana, mentem os políticos porque suas mentiras se tornam “verdades”, mentem os eleitores que votam em seus carrascos, mentem as mídias quando dizem que os debates e programas servem para deixar o povo mais informado e mentem os tribunais eleitorais que fazem de conta que fiscalizam a promiscuidade do cabaré ou do puteiro.





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