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:: ‘Na Rota da Poesia’

CAMINHANDO SÓ…

De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Oh,Oh! Assim eu vou só…

Com os olhos cheios d´água,

Pela estrada da vida,

Fugindo da cidade tóxica,

Na loucura de uma saída,

Tocando em minha flauta,

Uma canção de amor e dor,

Como no espaço, astronauta,

Ou o Pequeno Príncipe e sua flor,

Caminhando só, eu vou, eu vou.

 

Eu vou só…

Caminhando por aí,

Com saudades da minha amada,

Sem o prazer de sorrir,

Seguindo meu destino,

Cósmico divino,

Entre carros apressados

A cruzar por mim,

Nessa correria sem fim.

 

Caminhando só, eu vou…

Com minha mochila,

Por entre povoado e vila,

Cheia do passado e presente,

No tempo escuro

Dessa nossa gente,

Ainda à procura de um futuro,

E eu vou caminhando só

Pelo fluxo da noite e do sol.

 

VI O AGUACEIRO BATER

Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Como num beijo elétrico,

As nuvens pesadas escuras,

Riscam raios na serra,

Lembro da minha querida terra,

E o trovão celebra as aberturas,

Das chuvas de verão,

Das danças indígenas tupãs,

Chamando seus ancestrais xamãs.

 

Naquela tarde calorosa,

Vi o aguaceiro bater,

Na roça do meu gravatá,

O verde todo florescer,

Ao lado de você,

Toda linda charmosa,

E a nambu alegre cantar,

Na campina a perdiz e a juriti,

Vi o sonho clarear.

 

Vi o aguaceiro bater,

O facão brandir no terreiro,

No Nordeste faroeste inteiro,

Senti o cheiro do solo encharcar,

O mandacaru florar,

O mato viçoso exuberante,

O sertanejo forte gigante,

Na escola a criança,

Renascer a fé e a esperança.

 

Vi o aguaceiro bater,

Dentro de mim,

Com alma de poesia,

Minha deusa guia,

Do não e do sim,

Depois da seca danada,

Vi o lavrador com sua enxada,

O chão molhado cavar,

Para a semente semear.

 

Vi a lavoura nascer,

No milagre da natureza,

Espantar toda tristeza,

No aguaceiro a bater.

 

ALEGRA-TE COMIGO!

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Alegra-te comigo:

Familiar ou amigo

Na vida e na morte,

Na perda e na sorte.

 

Alegra-te comigo,

Abra tua porta,

E deixa eu injetar,

O meu sangue

Entre tua aorta.

 

Alegra-te comigo,

Não importa a cor,

Gênero ou dor,

Que te atormenta,

Sem essa de inimigo,

Dessa ideologia nojenta.

 

Alegra-te comigo,

Ajuda-me a enxergar o amor,

Sentir o sentido do existir;

Admirar a beleza da flor;

Navegar em teu mar,

Juntar as mãos,

Caminhar, sonhar,

Como peregrinos irmãos.

O BRUXO DA BOLA

Autoria do escritor e jornalista Jeremias Macário

Os deuses do Olimpo

Te deram o divino dom,

De ser o bruxo da bola,

Com ela fazer malabares,

Como violonista do som,

E tu preferiste:

Festa e luxo,

Boates, cabarés e bares.

 

Passastes

Como cometa no fluxo,

Esse bruxo da bola,

Na enrola de muito Mané,

Com sua mágica,

Grudava a redonda em seu pé.

 

Fostes o espetáculo do mundo:

Por duas vezes o melhor,

No drible um cartola,

Maior que Garrinha na ré,

Maradona, Messi e Pelé.

 

Caneta pra lá,

Banho de lua,

Pedala pra cá,

Deixastes

O adversário no chão,

Comendo grama,

Achando ser pão,

E a bola cola,

No bruxo da bola.

 

A torcida contra

Levanta e canta,

Para aplaudir,

Gritar e curtir,

O bruxo da bola.

 

No campo ele sorrir,

Faz outra marola,

O bruxo da bola.

Lá vai o bruxo da bola,

Com ela presa na sola,

E o estádio inteiro,

Encanta com o efeito,

Que no canto enganou,

Desolou na rede o goleiro,

E goza o bruxo da bola.

 

 

 

 

BRANCA ESCRAVIDÃO

De autoria do jornalista e escritos Jeremias Macário

Guerreiam dois reinos impérios:

Muçulmano e cristão

(Habsburgos e otomanos),

Fincados em seus mistérios,

Da represália religiosa odiosa,

Criaram a Branca Escravidão.

 

Brigam corsários, paxás e reis,

Turcos, mouros, maometanos e sultão

Contra Espanha, França, Portugal e Itália,

Desde a época das Cruzadas,

Por um reino no céu,

Até a Costa da Berbéria,

(Túnis, Trípoli e Argel)

Da humana matéria,

Branca Escravidão.

 

Essa Branca Escravidão,

Tem uma abominável história,

De rasa memória,

De padres, ricos e nobres,

Pescadores, camponeses pobres,

Por mar, terra e vilas litoral,

Pela força capturados,

Como prisioneiros acorrentados,

Nos cativeiros dos banhos públicos,

Como nos campos de concentração,

Vendidos no mercado Badistão.

 

Com a perda de seus provedores,

Apartados da sua pátria,

Mulheres viúvas em prantos,

Famílias choravam suas dores,

Idosos e crianças pelos cantos,

Comiam sobras do lixo,

Sem dinheiro para remição,

Dos escravos da Branca Escravidão.

 

Expostos a chuvas e sol nas galés,

Varadas, espancamentos e torturas,

Testavam suas crenças e fés,

E o renegado surrava seu irmão.

Trinitários e mercedários

Deles faziam suborno e promoção,

Para resgatar seus servos

Dos sofrimentos e agruras,

Da negra Branca Escravidão.

 

ÊTA VIDA!

De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Êta vida!

Renhida de tanta lida:

Do nascer e crescer,

Do envelhecer e partir,

Do amar e odiar,

Do chorar e sorrir,

Do descansar e lutar,

Onde um vai, outro fica,

E o pobre a trabalhar,

Pro patrão se enricar.

 

Êta vida!

Vou a vagar por ai,

Como nobre ou faquir,

Com direito ao existir.

 

O tempo gira, gira,

O vento corta lento,

Às vezes veloz e algoz,

Arrastando tudo pela frente,

E essa gente diferente,

Nesse trem passageiro,

Na correria do dinheiro.

 

Êta vida!

Muitos dizem que ela é sabida,

Pela mulher foi parida.

Bodoque de atiradeira,

De descida e ladeira.

 

Êta vida!

De Natal e Réveillon,

Canção, amor e som,

Que atravessa o ano,

Com meta de plano,

Branco, dourado, verde/azul:

Superstição para cada um,

E eu não entendo mais nada,

Faço apenas meu zum,

Nesse mundaréu de povo,

Pra começar tudo de novo.

TANTAS COISAS

Versos de autoria do escritor e jornalista Jeremias Macário

“Uma coisa é uma coisa,

Outra coisa é outra coisa”.

 

Tudo que se faz,

É inspirado noutra coisa,

Como esta “Tantas Coisas”.

 

Coisa pode ser

Masculino ou feminino,

Substantivo, verbo e advérbio,

Adjetivo e tanta coisa.

 

Tem o coisa ruim,

Que é o capeta belzebu;

A coisa boa divina azul,

Tanta coisa assim.

 

Vou lhe contar uma coisa:

Você não pode revelar.

Então, não me conte sua coisa.

 

Bate aí nessa viola,

Uma canção, samba ou forró,

E não me deixe aqui tão só.

 

Rapaz, me deu aqui

Uma coisa na espinhela.

Não seria na costela?

Ou outra coisa?

 

Tenho uma coisa por ela,

Que não sei explicar essa coisa.

 

Não me venha com mais coisa,

Que já estou cheio de tanta coisa.

 

Mostre sua coisa,

Que mostro minha coisa.

 

Me dê sua coisa de pitada,

Pra eu dar uma tragada,

E ficar doidão nessa coisa.

 

Vá pra lá com sua coisa,

Que fico com minha coisa,

E quem quiser e vier,

Que acrescente outra coisa.

ACORDA GENTE!

Poema de autoria do escritor e jornalista Jeremias Macário

Ave Maria, Nossa Senhora!

Que conhece nossa história:

De derrota e vitória.

Acorda gente!

Que o aguaceiro bateu toda noite,

E foi trovoada de açoite,

Nessa seca caatinga cinzenta,

De dores e sabores,

Onde chuva é água benta:

Hora de plantar a semente,

Pra colher o fruto da terra,

Sem essa de guerra.

 

Acorda gente!

Que Lampião já levantou,

Pra varar todo sertão,

Com seu apetrecho e bornal,

Carabina e punhal.

 

Acorda gente!

Vamos embora trabalhar!

Olha os pássaros a cantar,

Os sapos a coaxar na lagoa;

O gavião alto voa,

Até o bezerro faz sua festa,

A nambu e a juriti

Cantam de lá,

Que o verde vai voltar.

 

Acorda gente!

Do campo e da cidade!

Viva a liberdade!

Todos juntos acreditar,

Porque ainda vale a pena,

Entrar nessa cena,

Lutar e sonhar.

O COVEIRO E A PROTISTUTA

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Você que se acha

Sabido batuta,

Diz que a profissão

Mais do mundo antiga,

É a de prostituta,

Coisa que me intriga,

Coveiro é minha opção.

 

A atividade mais velha,

É a de coveiro,

Quando o primitivo,

Enterrou seu parceiro,

Com seu ritual nativo,

Disse o primeiro amém,

Em paz para o outro além.

 

A prostituta é sorriso e alegria,

Entre as luzes do cabaré;

Escuta lamentos de psicologia,

E no quarto faz sua putaria,

Finge que goza como uma Salomé.

 

De poucas palavras e sério,

Na labuta do cemitério,

O coveiro vê e ouve o que não quer:

Até de besta corno Mané;

Gentes falsas de óculos escuros;

Choros, lágrimas e histerias;

Amantes de casos obscuros,

Onde uns elogiam o defunto,

Outros que já deveria ter ido;

Juram sinceridade de pé junto,

E o assassino que reza pro falecido.

CONVERSA PRA BOI DORMIR

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

No paralelo do Devanir:

Palavras vãs,

Ôba-ôba, blábláblá e lero-lero:

Cada qual com seus clãs,

Conversa fora,

Do aqui e do agora,

Ou conversa pra boi dormir.

 

Prosa chata e ruim,

Muito papo furado,

Coisa de cavalo alado,

Bebê de cegonha,

Falta na cara, a vergonha,

Político corrupto e safado,

Papai Noel de corcel,

Natal de comes e bebes,

Encher a pança, embriagar,

Vão todos se lascar,

No meu PIB da produção,

Do consumo à poluição,

Gente imbecil irracional,

Animal bestial,

Do profano ao cristão,

Mouros berberes islãs,

Seguidores com seus fãs,

Assim fizeram a escravidão,

De negros e brancos,

Com correntes, grilhões e trancas,

Nos troncos dos barrancos,

Nas galés e navios porões:

É a humanidade,

Da usura insanidade,

Autodestruição,

Que culpa seu Deus,

De castigo e traição,

Loucura do existir,

Conversa pra boi dormir.





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