Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Como num beijo elétrico,

As nuvens pesadas escuras,

Riscam raios na serra,

Lembro da minha querida terra,

E o trovão celebra as aberturas,

Das chuvas de verão,

Das danças indígenas tupãs,

Chamando seus ancestrais xamãs.

 

Naquela tarde calorosa,

Vi o aguaceiro bater,

Na roça do meu gravatá,

O verde todo florescer,

Ao lado de você,

Toda linda charmosa,

E a nambu alegre cantar,

Na campina a perdiz e a juriti,

Vi o sonho clarear.

 

Vi o aguaceiro bater,

O facão brandir no terreiro,

No Nordeste faroeste inteiro,

Senti o cheiro do solo encharcar,

O mandacaru florar,

O mato viçoso exuberante,

O sertanejo forte gigante,

Na escola a criança,

Renascer a fé e a esperança.

 

Vi o aguaceiro bater,

Dentro de mim,

Com alma de poesia,

Minha deusa guia,

Do não e do sim,

Depois da seca danada,

Vi o lavrador com sua enxada,

O chão molhado cavar,

Para a semente semear.

 

Vi a lavoura nascer,

No milagre da natureza,

Espantar toda tristeza,

No aguaceiro a bater.