:: 28/fev/2024 . 22:49
PARDOS-BRANCOS E OUTROS ASSUNTOS
A esta altura no Brasil ainda estamos discutindo, brigando e xingando por causa da cor da pele, se branco, negro, pardo, amarelo, cabo-verde ou caboclo. Não se prega que todos somos iguais perante a Constituição? Dizem que o sertão vai virar mar. Digo que o sertão vai é virar deserto. Não concordo que a voz do povo é a voz de Deus, e que tudo que acontece foi Ele que assim quis.
Essa política de cotas no país, inclusive para LGBT e mulheres, é puro populismo eleitoreiro que, ao invés de unir, só faz separar e criar mais ódio. Desprezamos a meritocracia dos mais esforçados, inclusive do pobre, seja lá qual for o tom da sua cútis, que derramam suor, lágrimas e sacrifícios para alcançar seus objetivos e premiamos muitos que terminam se acomodando com essa reserva de mercado.
Deixamos de enaltecer o mérito e preferimos o contraditório. O patrulhamento nos vigia dia e noite e não podemos emitir nossa opinião contrária, senão seremos logo rotulados de politicamente incorretos, racistas ou outra coisa bem pior.
Nesse entrevero da moléstia, o pardo não pode entrar com um pedido de cota senão ele será processado e execrado como branco oportunista. É o pardo-branco. Num Brasil tão miscigenado, como distinguir que o indivíduo é branco ou pardo? Seus antepassados não contam?
Meu companheiro jornalista Carlos Gonzalez me disse ter consultado a página do IBGE na internet e constatado que os pardos em Vitória da Conquista são maioria. “Na questão da premiação do edital da Lei Paulo Gustavo (citação dele), o beneficiado deveria ser o branco, com apenas 15%”. Não é contraditório e paradoxal?
Para as eleições municipais aprovaram uma carreta de 5 bilhões de reais para os partidos esbanjarem. Os maiores, cujos políticos com mandatos têm uma máquina de benesses e privilégios nas mãos, são os que levam a maior fatia do bolo. Isso é justo?
Não deveria ser o contrário? Como o pequeno vai disputar com esse grande? Ainda existem as cotas. Como resultado, temos a perpetuação no poder por 30, 40 e até 50 anos e, quando o político “velha raposa” larga o osso, deixa para seu herdeiro. As ditas “reformas” são tapa-buracos num barco apodrecido comandado pelos coronéis, não importando se de esquerda, direita, centro ou de extrema.
É a vida como ela é, meu amigo, de um sistema retrógrado que nunca vai mudar esse país. É esse esquema bruto que mantém as profundas desigualdades sociais, a pobreza e a miséria. Eles não querem incentivar a cultura, mas injetar mais ignorância e analfabetismo nas veias do povo. O menor de idade não pode ser responsabilizado pelos seus atos criminalmente, mas tem o direito de votar porque essa categoria é fácil de ser manipulada.
Outra questão que não consigo engolir são esses programas de Fies, Prouni, Sisu e outros que só fazem encher as burras de dinheiro das faculdades privadas. Por que não pegar esses bilhões de reais e investir nas universidades públicas, qualificá-las melhor, ampliar as vagas e torná-las mais atrativas para que todos nelas estudem, sem distinção de cor e gênero? Só queria entender!
Na verdade, a intenção é fazer a política do pai dos pobres ou das minorias e mãe dos ricos e da elite para agradar a todos. O jogo é ficar bem na fita, e ai de quem contestar! O nosso QI é abaixo da média internacional e vamos levando aquela vidinha de pataca.
Quem manda nesse Brasil (o maior problema) é o sistema financeiro bancário. Os quatro maiores bancos tiveram um lucro de 25 bilhões de reais no último trimestre. Por dia, essas instituições lucram 400 milhões de reais e dois bilhões por semana. Os outros não passam de idiotas otários sem capacidade para refletir ou discernir o certo do errado.
Quem comunga e concorda com essas pontuações feitas por mim (não me incomoda a ira e podem jogar suas pedras que não me atingem) é considerado portador de uma linguagem direitista e atrasada porque toca na ferida deles. Preferem que as coisas continuem como estão. Confundem o que é esquerda progressista e o que é direita conservadora. Muitas ideias parecem ser de esquerda, mas não são, e vice-versa.
Para finalizar minha salada de questionamentos, as pessoas hoje estão sendo classificadas e rotuladas através de siglas e letras como se fossem placas de veículos. Não vai demorar e logo nossos nomes vão ser trocados por esses ícones nas certidões de nascimentos. Não temos mais privacidades. As câmaras vigiam nossos passos e logo a inteligência artificial vai revelar nossos pensamentos.
RELIGIÃO, EDUCAÇÃO E SAÚDE
Carlos Alberto González
O Brasil tem mais instituições religiosas do que a soma de organizações escolares e de saúde. Os dados foram apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o Censo 2022/2023. Os números não chegam a surpreender às pessoas que, por diferentes motivos, visitam os bairros das periferias das grandes cidades, ou viajam pelo interior do Brasil. A percepção que têm é de o evangelismo de matriz pentecostal está evoluindo, no sentido de que, a partir da próxima década, deixemos de ser “a nação mais católica do mundo”.
O último recenseamento revelou que o Brasil possui 579.800 entidades religiosas (igrejas, templos, terreiros, centros espíritas, sinagogas, mesquitas e outros), ante 264.400 unidades de ensino e 247.400 clínicas médicas, postos de saúde e hospitais. Essa desigualdade numa escala de valores – excetuam-se São Paulo, Piauí e os três estados do Sul – não deixa dúvidas de que nossos governantes não priorizam as necessidades básicas das populações, mesmo levando em conta o aumento daqueles que abraçam a “doutrina do dízimo”.
A coleta de dados pelo IBGE deveria merecer uma análise dos poderes públicos. Por exemplo, uma média de 17 templos evangélicos é aberta diariamente nos 5.568 municípios brasileiros, muitos deles sem alvarás de funcionamento da prefeitura e do Corpo de Bombeiros, e sem o CNPJ fornecido pela Receita Federal. Como as fundações criadas por jogadores de futebol e artistas famosos, essas casas, adjetivadas de religiosas, isentas do pagamento de impostos, assumem as despesas do seu dono.
Quando apuramos os números da Bahia verificamos que dos nove milhões de endereços encontrados nos 417 municípios do Estado, 52.939 pertencem a instituições religiosas, o dobro dos estabelecimentos de ensino (28.315) e o triplo dos relacionados como de saúde (16.347). A média é maior do que a nacional. Segundo as coordenadas, seis em cada 10 municípios, incluindo Salvador, a soma de escolas e de unidades médicas e hospitalares é inferior a de igrejas e templos.
Ao analisarmos Salvador, observamos que 6.032 imóveis rotulados de religiosos (média de 2,5 para cada 1.000 habitantes) configuram o dobro dos estabelecimentos de ensino (3.018) e quatro vezes os de saúde (1.509). Este último dado é assustador, porque revela que nos dias atuais o soteropolitano, principalmente aqueles que dependem de assistência médica do Estado ou do município, está permanentemente sujeito a contrair uma doença virótica. O Carnaval acabou, mas as festas com aglomerações continuam, incentivadas ou organizadas pela prefeitura, o que resulta na propagação da dengue.
Os números coletados pelo último Censo em Vitória da Conquista são um reflexo do quadro nacional. Cristãos, umbandistas e espíritas contam com 1.162 locais para professar sua fé ou crença, ante 430 que se ocupam do ensino e 488 unidades de saúde (postos, hospitais e clínicas). Não há necessidade do uso da calculadora para ver que o conquistense está se dedicando mais à salvação da alma do que do corpo, e que há milhares de crianças e jovens longe dos bancos escolares.
Na opinião do demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, essa transição religiosa – hoje há 50% de católicos e 30% de protestantes, incluindo missionários (Batista, Presbiteriana e Metodista), pentecostais (Assembleia de Deus, Congregação Cristã do Brasil e Deus é Amor) e neopentecostais (Universal e Renascer em Cristo) – se deve a um enfraquecimento do catolicismo, notadamente nas periferias das cidades, onde as igrejas permanecem fechadas por falta de um padre.
Pentecostais e neopentecostais se aproveitam dessa ausência para introduzir a sua doutrina, que consiste, basicamente, em vender a felicidade ao homem fragilizado pela pobreza e abandonado pelo poder público. Em troca, aquele humilde de espírito faz sua doação, em dinheiro ou em bens, para a igreja. No Brasil e nos países africanos – a Igreja Universal e a TV Record foram expulsas de Angola, acusadas de vários crimes – os “mercadores da fé” encontram terreno fértil para plantar a doutrina da conversão e da salvação.
Em centenas de municípios brasileiros, localizados em sua maioria no Norte e Nordeste, o dinheiro circulante é fruto das aposentadorias pelo Funrural ou dos auxílios do governo federal. O dízimo doado mensalmente para quem ganha um salário mínimo corresponde a R$141, o preço de um botijão de gás de cozinha. Uma semente de feijão foi vendida por um “apóstolo” a R$ 1.000 como remédio para a cura da Covid-19. Fundada em julho de 1977 pelo bispo Edir Macedo – sua fortuna é avaliada em R$ 6 bi -, a IURD possui 12.500 templos em 143 países. No Brasil está em 2.319 cidades, totalizando 5.500 edificações.
Há 10 anos um líder da Igreja Anglicana no Brasil denunciava um plano, que qualificamos de terrorista, agregando religião e política, e arquitetado por influenciadores evangélicos, com o objetivo de tomar o poder no Brasil. Aqui seria criado um estado fundamentalista, com abolição de práticas de outras religiões, perseguição aos adeptos dos cultos de raízes africanas e limitação dos direitos humanos às mulheres, que seriam obrigadas a usar a burka e “aposentar” o biquini. Jair Bolsonaro emerge do baixo clero da Câmara dos Deputados para assumir a chefia do talisbã tupiniquim. A pandemia impediu (ou adiou) a execução do plano delatado pelo bispo anglicano.
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