(Chico Ribeiro Neto)

Estou em sintonia com o mar, na praia, tentando fazer boiar os pensamentos; afundar alguns e resgatar outros.

A sintonia é logo interrompida, a uns 5 metros de mim, por três homens e uma mulher, um isopor e uma caixa de som que dilacera qualquer tímpano. A caixa ataca com reggaes, alguns até bonitos, mas escondem o barulho do mar. Eu estava tão envolvido naquele marulho que tive raiva de cortarem o meu barato.

Tem gente que não consegue viver sem barulho. Chega em casa e liga logo a TV. Entra no carro e liga o som.

Menos barulho, principalmente na praia, que convida ao recolhimento e à sintonia do próprio corpo (e cabeça) com o mar. Somente escutando o mar e os rios, vamos descobrir os segredos das águas. Acho que o surfista, enquanto espera as ondas, conversa mais de perto com o mar.

Nunca esqueço uma senhora na praia do Farol da Barra que, com um copo de cerveja na mão, tocou em mim apontando para o mar e disse: “É o meu melhor advogado! Posso estar com o problema que for, é só olhar para o mar que resolvo tudo, melhoro logo”. E repetia: “Meu melhor advogado!”

No mar e na terra precisamos reencontrar e cultivar o silêncio. Ele nos devolve a nós mesmos e podemos ter uma conversa mais franca, de homem pra homem. No silêncio a gente reescreve as palavras.

Por falar em silêncio, selecionei algumas frases famosas sobre ele:

“O silêncio é um amigo que nunca trai”. (Confúcio)

“Dai a todas as pessoas seus ouvidos, mas a poucas a sua voz”. (Shakespeare).

“Se soubéssemos quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo”. (Oscar Wilde).

“O silêncio é uma confissão”. (Camilo Castelo Branco).

“O silêncio é um campo plantado de verdades que aos poucos se fazem palavras”. (Thiago de Mello).

“O silêncio é a virtude dos loucos”. (Francis Bacon).

“As pessoas que não fazem barulho são perigosas”. (La Fontaine).

“O silêncio é a retórica dos amantes”. (Pedro Barca).

“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”. (Martin Luther King).

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)