O mafioso cartel montado pelos proprietários de postos de combustíveis em Vitória da Conquista é o caso de se fazer uma devassa geral, comandada pelo Ministério Público e a Polícia Federal.
Estas vistorias do Procon/Bahia em conjunto com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e o Procon Municipal não resolvem o problema porque somente algumas empresas são notificadas, permanecendo intacto o esquema do cartel.
Sabemos que, ao longo desses anos, houve várias tentativas de investigações por parte da Câmara Municipal de Vereadores, através de CPIs, e terminou em nada. Um parlamentar, que não vou aqui citar o nome, chegou a ser ameaçado por tentar denunciar o cartel.
Além da combinação de preços, na forma de tabelamento disfarçado, os mais altos da Bahia, quando se pega o combustível em Jequié, distante 150 quilômetros, com um frete mais baixo, ainda existem unidades que “batizam” a gasolina.
A ganância e a usura são tão acintosas e inescrupulosas que os empresários aproveitaram a guerra idiota dos Estados Unidos contra o Irã, no Oriente Médio, para aumentar os preços de forma exorbitante, sem as devidas justificativas de custos.
A única arma do consumidor, que não tem a quem apelar, a não ser ao Papa, é fazer o seu desabafo na bomba na hora de abastecer seu carro. A sua voz e seu protesto não têm surtido efeitos e nem fazem mudar a situação, que continua a mesma.
Essa ação do Procon é temporária e não tem o poder de polícia de prender os responsáveis. Faz a interdição e depois o posto é aberto, perdurando o cartel.
Diante do exposto é que tem que haver uma ação da polícia federal com a intervenção da Justiça. Neste setor, existe muito cadáver para ser desenterrado, ou seja, irregularidades que lesam os consumidores em geral. .
Por que nos últimos anos surgiram tantos postos de gasolina em Conquista. É o melhor investimento da atualidade. Esse segmento proliferou na cidade, tanto quanto as farmácias, onde em cada esquina tem uma unidade. Será que nesse caroço não existe lavagem de dinheiro?
Tenho viajado por esse interior da Bahia até o norte de Juazeiro, onde também os preços dos derivados do petróleo são controlados por um cartel, mas Conquista bate o recorde, ou estão no mesmo patamar.
A diferença é que Juazeiro adquire a gasolina e o diesel provenientes da região metropolitana de Salvador, numa distância de mais de 500 quilômetros. Tanto aqui como lá, existe a ameaça de morte quando algum empresário tenta comercializar seus produtos por um preço mais baixo.
Sei de um caso de um senhor de Juazeiro que teve seu posto todo destruído porque não aceitou se alinhar ao esquema do cartel. Um chefe da máfia apareceu com um terço na mão para dar seu recado a um outro empresário que também não estava concordando com o grupo.
Todo mundo está careca de saber que o cartel dos combustíveis em Vitória da Conquista é forte, mas nunca é quebrado por causa das forças ocultas poderosas. Por que a gasolina a partir de Lagoa das Flores, ali em Anagé, ou logo na saída para o Rio de Janeiro, é mais barata?
Até ontem, a fiscalização que está sendo feita em Conquista, descobriu três bicos de abastecimento num posto com pressão acima do limite permitido. O estabelecimento foi interditado para ser regularizado. Os fiscais fizeram 18 notificações e a meta é chegar a 90 no município até o final de semana.
Sem mais comentários. Com a palavra os órgãos que têm condições de desmantelar esse cartel, e não adianta o consumidor fazer pesquisas porque as diferenças de preços são tão mínimas que não compensa o desgaste.