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:: 16/abr/2026 . 22:40

O MELHOR ADVOGADO

(Chico Ribeiro Neto)

Estou em sintonia com o mar, na praia, tentando fazer boiar os pensamentos; afundar alguns e resgatar outros.

A sintonia é logo interrompida, a uns 5 metros de mim, por três homens e uma mulher, um isopor e uma caixa de som que dilacera qualquer tímpano. A caixa ataca com reggaes, alguns até bonitos, mas escondem o barulho do mar. Eu estava tão envolvido naquele marulho que tive raiva de cortarem o meu barato.

Tem gente que não consegue viver sem barulho. Chega em casa e liga logo a TV. Entra no carro e liga o som.

Menos barulho, principalmente na praia, que convida ao recolhimento e à sintonia do próprio corpo (e cabeça) com o mar. Somente escutando o mar e os rios, vamos descobrir os segredos das águas. Acho que o surfista, enquanto espera as ondas, conversa mais de perto com o mar.

Nunca esqueço uma senhora na praia do Farol da Barra que, com um copo de cerveja na mão, tocou em mim apontando para o mar e disse: “É o meu melhor advogado! Posso estar com o problema que for, é só olhar para o mar que resolvo tudo, melhoro logo”. E repetia: “Meu melhor advogado!”

No mar e na terra precisamos reencontrar e cultivar o silêncio. Ele nos devolve a nós mesmos e podemos ter uma conversa mais franca, de homem pra homem. No silêncio a gente reescreve as palavras.

Por falar em silêncio, selecionei algumas frases famosas sobre ele:

“O silêncio é um amigo que nunca trai”. (Confúcio)

“Dai a todas as pessoas seus ouvidos, mas a poucas a sua voz”. (Shakespeare).

“Se soubéssemos quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo”. (Oscar Wilde).

“O silêncio é uma confissão”. (Camilo Castelo Branco).

“O silêncio é um campo plantado de verdades que aos poucos se fazem palavras”. (Thiago de Mello).

“O silêncio é a virtude dos loucos”. (Francis Bacon).

“As pessoas que não fazem barulho são perigosas”. (La Fontaine).

“O silêncio é a retórica dos amantes”. (Pedro Barca).

“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”. (Martin Luther King).

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

 

 

OS PASSARINHOS E A SERRA

Um final de tarde telúrica e poética, pouco visível aos olhos humanos, que não é no campo, mas na cidade corrida feita de concreto, pedras, asfaltos e multidões com seus problemas. Nela (cidade) também existem cenários de meditação pintadas pela natureza. É só captar suas nuances. Os passarinhos pousam no fio do poste se preparando para o anoitecer, depois de mais um dia cortando ares com suas asas, de galhos em galhos, à procura de alimentos. É a luta pela sobrevivência, bem mais tranquila que a do ser humano. O que será que eles estavam confabulando? Alguns planos para o outro amanhecer? Que nada! Não existem essa preocupação! Nossas lentes não conseguem flagrar suas prosas. Do outro lado, belas imagens da Serra do Periperi ou Piripiri, como queiram, onde o rajar da luz do pôr-do-sol reflete numa nuvem lá no infinito do outro lado do horizonte. São cores que apascentam nossa alma depois de um dia que se vai para dar lugar ao anoitecer. O urbano também é rural, basta parar um pouco para observar os sinais da divina natureza, embora invisível aos olhos das pessoas. Tudo é poesia, dependendo da forma do seu olhar. A vida não é só reboliço, inquietação e tristeza, é também quietude, calmaria e renovação quando se decide observar a rotação natural das coisas.  Os passarinhos e a Serra são apenas exemplos de elos que fazem mudar nossos sentidos. Existem muitas outras imagens que nos transportam para outras visões de um além diferente.

FACES OCULTAS

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Faces ocultas,

Gentis e brutas,

Como o árido das caatingas,

Poéticas de floridas cantigas.

 

Cada um em sua labuta

Tem sua face oculta,

Seu ponto fraco e forte,

Uma banda escura,

A outra de ternura.

 

Como na lua,

Você tem a invisível,

Onde mora o segredo,

Como letra ilegível,

Guarda seu enredo

Nos desafios do medo.

 

Faces ocultas

De noites mal dormidas,

Que nem o senhor tempo

Cura suas feridas,

Gemidas de lamento,

No zunir cortante do vento.

 

Face oculta,

Faces ocultas,

Umas da violência,

Outras dos fanatismos,

Raízes da doutrina da crença,

Cheias de ideologias de ismos,

Que só a canção da viola,

Me conforta e consola,

Me leva ao divã do amor,

E alivia minha dor.





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