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:: 20/abr/2026 . 23:29

NOITE CULTURAL DE MACHADO DE ASSIS ENCANTOU “SARAU A ESTRADA”

A professora Viviane Gama encantou a todos do “Sarau A Estrada” com sua aula primorosa sobre o escritor brasileiro Machado de Assis. Estudiosa do assunto e grande admiradora da sua obra, Viviane fez uma espécie de autópsia sobre a vida do autor, sua literatura que correu o mundo e seu poder de penetração na alma humana.

Sua palestra abriu os trabalhos do Sarau A Estrada, na noite do último sábado (dia 18/04/26), no Espaço Cultural do mesmo nome, com a presença de mais de 40 pessoas entre artistas, professores, estudantes e interessados pela cultura. O evento contou ainda com a participação do cantor, poeta, compositor e músico Pappalo Monteiro, que também abrilhantou o momento com suas canções autorais e de outros representantes da música popular brasileira.

Em sua fala, Viviane afirmou que “Machado de Assis é o autor brasileiro mais estudado no mundo. Tem tese de doutorado sobre Dom Casmurro até em japonês! Sinal de que ele acertou em cheio a alma humana. Traduzido em mais de 30 línguas, só perde para Paulo Coelho e Jorge Amado em número de traduções entre os brasileiros, mas em prestígio crítico, ganha de lavada”!

Destacou ainda que “Machado viveu num Brasil escravocrata que fingia ser Paris, e usou a pena para desmascarar tudo, sem levantar a voz. Ele pegou a estrutura maluca de Sterne, o tédio filosófico de Xavier de Maistre, o ciúme de Shakespeare e a crítica social de Eça, misturou tudo, botou molho de pessimismo brasileiro e criou um jeito de narrar que ele só tinha”.

“Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito “ – assim dizem os maiores críticos literários ter sido a frase mais famosa de Joaquim Maria Machado de Assis, menino franzino do Rio de Janeiro que nasceu em 21 de junho de 1839, no Morro do Livramento, de uma família pobre e faleceu em 29 de setembro de 1908. Mal estudou em escolas públicas e nunca frequentou universidade.

Machado era filho do mulato Francisco José de Assis, pintor de paredes, e da portuguesa Maria Leopoldina. Ainda pequeno ficou órfão de mãe. O pai casa-se novamente e a madrasta lavadeira e doceira Maria Inês cuida do menino com todo carinho como se fosse mãe verdadeira. Machado, como qualquer menino pobre do Rio, nos idos de 1840, passa a vender doces nas portas dos colégios que não podia frequentar.

Ainda jovem, o escritor começou a se aproximar de intelectuais e jornalistas que lhe deram as primeiras oportunidades na vida. Aos 16 anos, Paulo Brito, dono de uma tipografia e livraria, publicou um soneto de Machado, com o título “Ela”, na “Marmota Fluminense”, onde trabalhou como revisor de textos. Nas horas vagas, se virava como caixeiro, vendendo livros.

Outros contatos na livraria abriram novas portas para nascer o futuro autor de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e outras obras de notável importância em sua carreira, como “O Alienista”, “Quincas Borba”, Dom Casmurro, o mais célebre, e tantos outros. Não se imaginava que aquele menino mirrado seria um dia fundador e presidente perpétuo da Academia Brasileira de Letras.

Em 12 de novembro de 1869, aos 30 anos, casou-se com a portuguesa Carolina Novaes, com quem teve um casamento feliz, mas não tiveram filhos. Machado faleceu cercado por Mário de Alencar, José Veríssimo, Euclides da Cunha, Coelho Neto, Raimundo Correia e Rodrigo Otávio, seus companheiros mais chegados. Consta como causa da morte uma lesão neoplásica em sua língua. Ele sofreu de epilepsia desde sua infância.

O escritor falava fluentemente o francês que aprendeu com um padeiro, além do alemão e do inglês, estudando sozinho. Por que era chamado de bruxo? A lenda teve origem em uma superstição popular que atribuiu a ele a prática de queimar cartas em um caldeirão em sua casa no Bairro do Cosme Velho, na zona sul do Rio de Janeiro. Dizem que ele fazia esse ritual para obter inspiração.

Além das cantorias de Papalo, Manno Di Souza, Fabrício, Alex e outros músicos, como sempre acontece, o Sarau, conduzido pelo nossos companheiros e companheiras Dal Farias, Cleu Flor, Eduardo Morais e Viviane, abriu espaço para debates, declamação de poemas autorais, contação de causos, bem como, uma exposição dos trabalhos da artista plástica Beth David, com miniaturas de quadros e objetos artesanais.

De acordo com os participantes e frequentadores mais assíduos, foi mais uma noite memorável, num clima fraternal e numa prosa de troca de ideias, conhecimento e saber, tudo isso acompanhado de bebidas (vinho, cerveja, uma cachacinha brasileira) e comidas saborosas.

Foi mais um encontro para matar a saudade, mas em junho temos mais um “Sarau A Estrada”, que está completando 16 anos de existência, mesmo diante dos obstáculos, tropeços e dificuldades. Trata-se de um sarau colaborativo que já tem vida própria e em breve terá seu registro legalizado como associação, sem fins lucrativos.

 

 





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