Quem não já ouviu essa frase de alguém se queixando dos comportamentos atravessados e desrespeitosos de pessoas do seu grupo, ou comunidade que lidera?
– Eu aqui tenho que decidi o que é correto ou errado, para seguir o que determina a lei, senão cada um sai aí fazendo o que bem entende e acha que deve. Labutar com gente é pior do que com os animais.
O desabafo foi de um índio cacique ao falar da sua tribo em referência às culturas que deveriam ser plantadas na terra e os cuidados que se devem ter para não agredir o meio ambiente. “É melhor cuidar de animais”.
Mesmo com normas e regulamentos, sempre aparece gente para quebrar os princípios básicos, realizar coisas diferentes e ainda acha que está com a razão.
O argumento tolo e irracional é que estamos numa democracia, que seu procedimento é liberdade de expressão e que o chefe, ou o líder, é um ditador, censor, coronel ou autoritário.
Não quer compreender que sua liberdade termina quando agride a do outro, e que democracia não é libertinagem. Esperneia, contesta e ainda vai para cima com “quatro pedras na mão”, como nas eras primitivas das cavernas.
A democracia tem dessas fragilidades, ou até diria este seu lado benéfico, porque é tolerante, mas até seus limites, visto que se o cara transgrede a lei é punido, excluído ou deletado, no caso moderno das redes sociais. Numa ditadura não existe escapatória.
Percebo isso nos grupos de ZAP, principalmente, onde são estabelecidas as normas, mas uns aparecem para passar por cima. Ora, a pessoa é livre para entrar naquele grupo e antes é sabedor das regras, mas, mesmo assim infringe. Qual razão faz ele fazer o contrário do que está escrito? Não é melhor pedir para sair, ou não ter aceito participar da turma!
Falam que a melhor obra de Deus foi ter criado o ser humano, o mais inteligente dos outros animais, dotado do saber criativo e dominador da terra. Tenho minhas dúvidas, mas me calo diante da maioria. Ele não é onipotente e sabia que lá na frente ia dar uma merda? Terá sido esse tal de livre arbítrio que esculhambou com tudo?
Para conter o ímpeto e a desordem humana, os povos das civilizações antigas tiveram que criar suas leis, umas duras e outras mais brandas. Uma das que temos maior conhecimento foi o Código de Humurabi, escrito pelo rei do mesmo nome na Babilônia (Mesopotâmia), por volta de 1772 a. C.
Eram 282 leis baseadas na “Lei de Talião” (olho por olho, dente por dente), visando unificar o Império. Tratava-se do direito comercial, familiar, propriedades e crimes. Mesmo com toda sua rigidez, muitos burlavam e eram severamente castigados.
Outra muito conhecida do Antigo Testamento foi a Lei dos Dez Mandamentos. Diz que foi entregue por Deus a Moises, no Monte Sinai, após a libertação dos hebreus do Egito, isto em torno de 1250 a 1200 a. C.
O povo estava ficando rebelde e cometendo desatinos no deserto, e aí Moisés criou esse conjunto de princípios para colocar ordem na casa, ou nas cabanas. Era gente roubando cabra do outro e marido traindo mulher, e vice-versa, que Moisés resolveu terminar com a bagunça. Estas leis não eram nada democráticas, mas eram necessárias.
Dizem que a nossa Constituição é democrática e a de outros países que adotam o mesmo regime. No Brasil, por exemplo, apesar da democracia, muitos artigos não são cumpridos, inclusive por parte dos três poderes instituídos pela Carta Magna.
Mas, voltando à vaca fria, labutar com gente é complicado, meu amigo! Por mais que seja condescendente, tem aquele (a) que não vê o líder, chefe ou seu comandante com bons olhos. Pode ser inveja ou pelo belo prazer de contrariar as normas.
É que o ser humano é um intrincado de problemas, de infortúnios, formações diferentes, traumas, soberbas, vaidades e inclinado a não aceitar o proibido. Até o líder, que adverte o seu subordinado, comete seus pecados na sociedade, muitos dos quais horrorosos e cabeludos.