Como se não bastasse a doença física do corpo, também somos “lelés da cuca”, ou seja, doentes da mente. Neste Dia Mundial do Livro (23/04), não temos muita coisa a comemorar no Brasil, apesar do aumento verificado no ano passado na venda de livros e, consequentemente, na leitura. Mais à frente, em 29 de outubro, temos o Dia Nacional do Livro. Poucos ainda cultivam o hábito da leitura.

  A grande maioria prefere o celular na mão curtindo as fofocas, as mentiras, as futilidades, os besteiróis e seguindo falsos ídolos, como influenciadores golpistas.  A onda é ser seguidor de qualquer idiota e imbecil, e o cara do outro lado ainda fala que é material de conteúdo.

 Os seguidores, e são milhões, compram até bosta do influenciador se ele postar em sua na rede. A massa em geral só quer saber de clicar e curtir. A impressão é que não pertencemos mais à espécie humana. Deu a louca no mundo. Está tudo dominado e pirado pelos influenciadores, muitos dos quais marginais bandidos.   

  O Dia Nacional do Livro (29 de outubro) é uma comemoração à Fundação da Biblioteca Nacional no Brasil. O Internacional foi escolhido pela UNESCO, em 1995, para homenagear autores, como Shakespeare e Cervantes.    

    A grande maioria das escolas públicas brasileiras, cerca de 70%, não tem bibliotecas. As grandes livrarias (Saraiva, Cultura, Civilização Brasileira) fecharam suas portas. Para não falar de Europa, na América Latina, o Brasil é um dos países com menos livrarias, sendo de longe superado pela Argentina, Uruguai, Chile, Colômbia, México e Peru. Todos têm um Prêmio Nobel de Literatura e nós nunca tivemos um nome laureado.

   A maioria em massa prefere ter o samba no pé, o axé, o pagode, o arrocha e outros ritmos de músicas lixos no rebolado do corpo do que ter a leitura, o conhecimento e o saber. Não sei qual o pior, ser doente do corpo ou doente da mente. Cada um que tire suas conclusões.   

   De acordo com pesquisa feita pelo meu companheiro jornalista Carlos Gonzalez, que já se foi, “enquanto livrarias ícones, como Saraiva e Cultura, fecharam as portas, castigadas pela queda de receita e altos custos das lojas físicas, outras redes juntaram os cacos dessa crise e vêm ocupando o espaço. De olho na experiência dos antigos concorrentes, buscam trilhar caminhos novos e evitar os erros de quem não sobreviveu às mudanças desse mercado”.

   Publicado em 7 de outubro de 2023, a Justiça de São Paulo decretou a falência da rede de livrarias Saraiva. O pedido foi feito pela própria empresa, que já teve os maiores estabelecimentos de livrarias do país, em meio ao processo de recuperação judicial, em decorrência de uma dívida de R$ 675 milhões.

   Gonzalez constatou que a chegada da venda de livros físicos da Amazon no Brasil provocou um choque no mercado. Especialistas avaliam que a tentativa da Saraiva e Cultura de acompanhar a disputa de descontos praticados pela gigante americana do e-commerce foi uma das principais razões que as levaram a fechar as portas.

   “Nos últimos 15 anos, o número de livrarias de rua no Brasil caiu de 3.073 para 2.972, segundo dados da Associação Nacional das Livrarias. É um número não apenas absurdamente baixo para um país com 5.568 municípios, mas altamente concentrado. São  1.167 lojas somente em São Paulo e 353 em Minas, o segundo estado no ranking (para se ter uma ideia, apenas a cidade de Buenos Aires, na Argentina, tem cerca de 700 livrarias)”. 

   Uma edição do jornal inglês The Guardian publicou uma matéria sobre a paixão de Buenos Aires pelos livros. A reportagem, ilustrada com foto da livraria El Ateneo Grand Splendid, revela que a capital da Argentina tem mais livrarias por habitantes do que qualquer outra cidade do planeta. São mais de 700 unidades para uma população de 2.8 milhões. Uma média de 25 livrarias para cada 100 mil pessoas. Em Londres, esse número despenca para 10 lojas para cada 100 mil habitantes. Os dados sofrem variações, mas, no geral, o quadro permanece o mesmo.

Durante a Convenção Nacional de Livrarias, realizada pela ANL (Associação Nacional de Livrarias), a entidade lançou a 5ª edição do Anuário Nacional de Livrarias com levantamento de dados de 2023. A pesquisa detectou que o Brasil tem 2.972 livrarias espalhadas pelos variados cantos do país.

Nos últimos anos, o varejo livreiro, especialmente as livrarias, passaram por muitos desafios, como crise no mercado do livro, queda das principais varejistas do país e a pandemia do coronavírus que fechou as portas das lojas por um longo período.

De acordo com os dados do anuário, o Sudeste lidera com 1.814 espaços, seguido pelo Sul (561), Nordeste (334), Centro-Oeste (165) e Norte (98). O estudo também especifica as livrarias. Em primeiro lugar estão as lojas de Interesse Geral / Literatura, com 1.047 pontos; em segundo Infantil / Juvenil / Quadrinhos, com 914 e em terceiro, as Evangélicas com 321. Católicas (290), Técnicas / Científicas (158), Sebos / Novos / Usados (102), Didáticas (52), Idiomas (46) e Espíritas (36). Outras religiões (6) também aparecem na contagem.

“Podemos considerar que os dados apresentados nos trouxeram informações positivas de modo geral”, considera a organização do Anuário. Em 2022, cerca de 100 novas livrarias abriram no Brasil, e em 2023, o resultado é mais positivo do que negativo. “Não houve declínio do varejo do livro, mas sim uma reinvenção, consolidação e enfrentamento positivo do comércio livreiro”.

No intervalo entre o último anuário – publicado em 2013 – e o atual, a queda no número de livrarias foi de 1,8%, um declínio considerado mínimo por Marcus Teles, presidente da ANL. O presidente da entidade também faz algumas ressalvas de que há livrarias faltantes, isto porque o Anuário computou dados entre o segundo semestre de 2022 e o primeiro semestre de 2023.