:: 22/fev/2024 . 23:44
A LEI PAULO GUSTAVO E O PROJETO SOBRE A MEMÓRIA DA FOTOGRAFIA
Estive na Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel (deveria ter sido desmembrada para abrigar só a Cultura) para ver minhas notas a respeito do projeto sobre a “Memória da Fotografia em Vitória da Conquista”, no edital da Lei Paulo Gustavo. Comprovei ter ficado de fora ou na suplência dos pareceristas por causa da questão de cotas destinadas a negros e a gênero, o que considero um absurdo dos absurdos.
Não entrei com nenhum recurso como muitos me recomendaram por considerar ainda mais irritante e estressante nesta minha idade. Além do mais, não iria haver nenhuma mudança e, para mim, basta a plena consciência de que minha proposição foi inédita, bem fundamentada e seria um bom projeto para a cidade. Repito, mais uma vez, que não sou eu quem vai perder.
Bem, vamos aos fatos concretos para demonstrar que fui “eliminado” por outros motivos fixados pela própria Lei Paulo Gustavo, os quais, na minha concepção, não justificam. Nas notas dadas pelos pareceristas no âmbito da Pontuação Qualidade foi dez; Relevância da Ação, dez; Aspectos de Integração, nove; Orçamento (quinze mil reais), oito; Coerência, Objetivos e Metas, dez; Ficha Técnica da Atividade, nove; Trajetória Artística Cultural (curriculum vitae), dez; e Contrapartida, dez, sem contar o cinco que é o peso por idade.
No entanto, nada de pontuação no campo gênero e no relacionado a negros e indígenas, embora eu seja pardo para todos efeitos, inclusive científicos. Como o projeto foi na área de literatura, no lugar da obra sobre a História da Fotografia em Conquista optaram em escolher a proposta de um livro de poesia, se não me engano, sobre a Mulher Cordial.
Não tenho nada contra a poesia, muito pelo contrário. É uma das vertentes artísticas que eu mais admiro ao lado da música. Até entendo que o mundo conturbado e desmano de hoje precisa de muita poesia. Não se trata de desqualificação. O que não consigo engolir e aceitar é que um projeto cultural para ser aprovado tenha como diferencial a cor da pele e o gênero. Até quando vamos continuar adotando esses métodos como critérios de qualificação para um projeto?
Para ser sincero, também não concordo com esse peso cinco por conta de ser idoso. O que tem que ser levado em consideração é a importância e o mérito do trabalho proposto, inclusive seu benefício para a memória e a cultura da cidade. Conforme soube, todos pareceristas foram de fora.
Não se trata de uma questão de contestar por ter sido “reprovado”, mesmo com boas notas. Sempre fui um crítico desses editais, primeira pela sua própria natureza burocrática que aqui denominei de “burrocrático” pelas suas intrincadas exigências, Como se não bastasse, agora colocam um percentual para as cotas.
DE UM TUDO
(Chico Ribeiro Neto)
Eu e meu irmão Cleomar, meninos no Porto da Barra, cavamos um túnel na areia da praia. Um cavando de cada lado até nossas mãos se encontrarem. “Como vai o senhor?”, nos cumprimentamos embaixo do túnel, sorrimos e mergulhamos.
XXX
De um punhado de farinha apareceu uma rainha que tem que contar sete histórias para sobreviver.
XXX
Descobri que a lágrima é salgada e que há sorrisos doces e sorrisos amargos.
XXX
Descobri que gosto das pontes pequenas, principalmente daquelas pontes japonesas.
XXX
– Do que foi que senhor mais gostou?
– De um, tudo.
XXX
Aquele cisco doía no olho ou na alma?
XXX
Tinha (ou ainda tem) uma bolacha chamada Paciência.
XXX
Aprendi que se apontar para uma estrela nasce uma verruga na mão, que o mistério está dentro do peixe e que o melhor silêncio está no fundo do mar.
XXX
“De tudo ficou um pouco.
Do meu medo.
Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.
Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).
Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
– vazio – de cigarros, ficou um pouco (…)”
(Trecho do poema “Resíduo”, de Carlos Drummond de Andrade).
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
O VELHO E O RIO
Oh quantos ensinamentos! Um com sua idade avançada de humano ancião que aprendeu muitas coisas da vida e ainda procura se renovar até a sua finitude. O outro tem milênios de anos e também se renova continuamente, nunca sendo sempre o mesmo. Ambos com suas finitudes. O velho e o rio estão unidos e se respeitam através do prazer de um servir ao outro. Banhar-se no rio e ser banhado por ele, apesar do ser humano não ter tanta consciência disso, ao ponto de estar sempre agredindo com sua ação destruidora e egoísta de só querer receber sem dar em troca o que o seu irmão rio necessita para continuar vigoroso e novo. No entanto, o velho, com sua sabedoria de anos, ao se banhar deve agradecer suas águas que limpam, refrescam seu corpo e confortam sua alma. Deve também pedir perdão pelos males praticados em vida, e os dois, o velho e o rio, seguem sua jornada, cada um procurando ensinar que homem e natureza precisam estar unidos para que não haja retrocessos. Por coincidência, a imagem é um flagrante do encontro do velho ou do idoso, como queiram, com o “Velho Chico”, o nosso conhecido São Francisco, amigo dos nordestinos.
ALEGRA-TE COMIGO!
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Alegra-te comigo:
Familiar ou amigo
Na vida e na morte,
Na perda e na sorte.
Alegra-te comigo,
Abra tua porta,
E deixa eu injetar,
O meu sangue
Entre tua aorta.
Alegra-te comigo,
Não importa a cor,
Gênero ou dor,
Que te atormenta,
Sem essa de inimigo,
Dessa ideologia nojenta.
Alegra-te comigo,
Ajuda-me a enxergar o amor,
Sentir o sentido do existir;
Admirar a beleza da flor;
Navegar em teu mar,
Juntar as mãos,
Caminhar, sonhar,
Como peregrinos irmãos.
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