:: ‘Na Rota da Poesia’
NAQUELE DIA…
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Naquele dia…
Rasgou-me no peito a poesia,
Que não nasceu
De flores e amores;
Brotou das minhas dores,
Da existência do não existir,
Como se fosse um poente
Pálido sem cor,
De um escravo a sangrar,
Na chibata do seu senhor.
Naquele dia…
Esmo nas ruas,
Só a fome faminta
Me consumia
Entre vitrines e restaurantes,
Cambaleando
De barriga vazia,
Segui a passeata,
Como gado ferrado,
Dos cartazes que diziam:
Abaixo a dura ditadura!
Liberdade, liberdade!
Contra a tropa covarde.
Naquele dia…
Queria ser um Neandertal,
Pescar, caçar e colher,
Sem sentido e ideologia,
Só apenas o viver,
Sem amor romântico,
Sem culpa cristã,
Sem noção do tempo,
Para Eva dar a maçã,
Sem pensar no outro dia.
Naquele dia…
Meu coração estava ferido,
E eu só pedia,
Um pedaço de pão.
MENTE, DESCARADAMENTE
MENTE, DESCARADAMENTE!
Do livro “NA ESPERA DA GRAÇA”, de textos poéticos, de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário. Poema revisado, com algumas mudanças, inclusive o título (MENTE BRASILEIRA).
Mente moura, ibérica, negra e índia,
Essa cor do melaço,
A mente brasileira, mente,
Mente, descaradamente!
Mente feio o eleitor,
Na urna ao votar,
Depois o eleito tira seu proveito,
Promete pão e escola,
Dá circo e esmola,
E mente, descaradamente!
Mente sem hora e horário,
Reino virado ao contrário,
De sangue mestiço Pau Brasil!
Mente, descaradamente!
Gente falsa,
Compra sapato em Nova York!
Só quer falar:
I love !very good, nok, nok;
Rouba meu cofre,
E se diz inocente.
O demente, mente,
Descaradamente,
Que a ditadura não existiu;
Mente na TV,
Que não pratica preconceito;
Faz de conta que lê,
E só vê redes sociais;
Avança sinais,
Se diz humano solidário;
Apoia fascistas,
E o corrupto salafrário.
Mente vil sorrateira,
Tão incoerentemente,
Mente, descaradamente!
A puta finge amor na cama,
E que gozou;
A Igreja prega:
Que a inquisição já passou;
O malandro se gaba,
De esperto inteligente,
Povo que mente,
Descaradamente!
Todo mundo quer:
Levar vantagem em tudo,
E mente, descaradamente!
Mente, descaradamente!
Cabra da peste,
Coisa rara no Nordeste,
Como Ariano Suassuna,
Com sua viagem armorial
Sobre cultura e vida desigual.
O VELHO E O TEMPO
De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Sinto aquele aperto
De tristeza em meu peito,
Como rio seco em seu leito!
Angústia de arrebentar,
Quando você tomba ferido,
E ninguém aparece,
Para sua mão levantar.
É uma pontada doída,
Um alarido sofrido,
Sem vontade de amar,
Nem o velho e o tempo,
Que não dá pra sentir
O balanço do vento,
E as ondas do mar.
O velho e o tempo,
De derrotas e melancolias,
Vitórias e alegrias,
Amores que magoei:
Dizem que ele tem sabedoria,
O velho, ou o tempo?
O velho roga ao tempo,
Com lágrimas clementes,
Que apague as más recordações,
De tanta coisa que você estragou,
Mas o tempo vil carrasco,
Cruel inquisidor,
Impiedoso responde:
Está colhendo o que plantou.
O velho e o tempo:
Um procura curar sua dor,
O outro só lhe mostra
A flor que você machucou.
EM GRATIDÃO
Do livro “Suspiros Poéticos – a beleza da lira cor, da poetisa Regina Chaves dos Santos
{…}, sinta: deixe a brisa tocar o teu rosto, ventilar o teu coração, embrulhar os teus pensamentos, atravessar as tuas canções, – te contagiar
E depois, sorria despretensiosamente – veja, como a vida é maravilhosa!
{…}, permita espiar o manto das estrelas na madrugada, a brisa leve, e o coaxar,- dos sapos na lagoa.
Por um sorriso de menina, deixe-me, contagiar da alegria dos transeuntes… em gratidão à vida, sejamos, – amantes dos olhos da imaginação!!!
Em gratidão à vida, – sejamos sempre entusiastas do amor!
“SEJA LIVRE DE TI MESMO”
De Camila Cabral (poetisa selecionada) Volta Redonda – Rio de Janeiro, do livro “X Coletânea Viagem pela Escrita” – homenagem à poetisa Hilma Ranauro.
Permaneça mãos limpas,
Nada na memória d´alma atada,
Para quando,
Em última miséria
Nada tenhas a perder,
Nem a ti mesmo.
Que mais almejar
Poderia teu coração?
Que glória teu peito
Agora nu a alcançar?
Tempo desmedido em ti
Te levando rumo ao nada.
Esse destino fatídico
A colher tua liberdade afanada.
Que grande honra seria
A independência ora perdida?
Queimado de sol, senta-se
Respira e apenas sinta.
Que a vida te faz a corte
Quando és rei de ti mesmo.
ASSIM…
Da poetisa Yna Beta – Rio de Janeiro, selecionada pela X coletânea Viagem pela Escrita – homenagem à poetisa Hilma Ranauro.
Da varanda aprecio as montanhas
Tão lindas e tão distantes
Mas, ao mesmo tempo, tão perto.
Assim… é você no meu coração!
A chuva que cai deixa
Um cheiro de terra molhada
Aroma de saudade de um tempo ido
Que não volta mais
Assim… passo meus dias
De pandemia que não tem fim,
E esperança num futuro incerto.
Cuidando dos meus amores
Numa alegria nostálgica
Assim… continuo com meus sussurros…
20/01/23
Hilma é professora de língua portuguesa, poetisa e contista. Publicou dois livros de poemas “Descompasso” (1985) que recebeu menção honrosa no Prêmio Guararapes, da União Brasileira de Escritores, e “Um murro no espelho baço” (1992).
“PERFUMES DE LAVANDA FRESCA”
Do livro “Suspiros Poéticos – a beleza da lira cor”, da poetisa Regina Chaves dos Santos
Beijo,
Do beija-flor
Sedento de amor
Beija a flor
Mais formosa
Do jardim!
Beija,
Do beija-flor
Sedento de amor
Uma alquimia, uma quimera
– um cheiro de poesia!
Beija,
Do beija-flor
Colhendo o néctar das flores
Balança a fruta-cor
O viço natural,
– o viço de um amor!
Beija,
Beija o beijo
Do beija-flor
No olfatar das flores,
– das cores do amor!
…um beija-flor
Sedento de amor
Beija a flor.
Beija a flor do meu amor…
Vestido de cetim,
– perfumes de lavanda fresca!
Beijo,
Do beija-flor
Sinfonias de um amor,
Coração ardente,
– um beija-flor!
LOUVADO SEJA…
Poeminha de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Louvado seja
O criador do universo,
Que me deu régua e compasso,
Ainda o laço,
Pra dele traçar meu verso.
Louvado seja
As ondas do mar,
Nas rochas
A fazer xuá-xuá.
Louvado seja
As intrincadas florestas,
Onde os animais
Realizam suas festas.
Louvado seja
O pôr do sol,
Que no horizonte
Arreia seu cavalo dourado
Atrás daquele monte,
Depois de um dia a galopar,
Como nosso deus-mor.
Louvado seja
O nosso amanhecer,
Com seus raios a beijar a fonte,
E aquece nosso viver,
Do inimigo e de você.
Louvado seja
Aquele que transforma
Dor em amor,
Espinho em flor.
Louvado seja
O verão que me fortalece,
O frio sereno do inverno,
O pecador,
Que ao senhor faz sua prece,
E louva a terra e o beija-flor.
ESPIANDO VAGA-LUMES
Do livro Suspiros Poéticos – a beleza da lira cor, da poetisa Regina Chaves dos Santos
Olhe para o horizonte que habita em ti e deixe fluir
-Espie vaga-lumes!
Busque enxergar entorno e além da tua volta,
– Veja o pôr do sol e aprecie o amanhecer!
Seja a criança dos olhos de um adulto,
– Escute o batuque do coração em silêncio!
Aprecie a natureza.
Leia um livro.
Tome banho de chuva.
Suba em uma árvore.
– Assopre o arranhado da criança!
Tente assoviar feito a passarinhos…
– Observe antes de pensar, e pense,
– Pense com os olhos da mente e com a sapiência do coração!
ALMA PENITENTE
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Lá fora, a lua prateada,
Dança com o vento a farfalhar
Nos vales e montes,
Com orvalho na relva,
Sereno fino nas fontes,
A anuncia outro dia
De mais um viver,
De vitória e agonia,
E eu aqui nesta cidade,
Em minha loucura solitário,
Bate a tempestade
Do vazio existencial,
Em minha alma penitente,
Vagante indigente
No embate entre o bem e o mal.
Afaste para longe de mim
Essa gente egoísta indiferente
Da minha alma penitente.
Do meu porto parto,
Em minha velha barca,
Levando minha arca,
De dores passadas,
Vidas atadas,
Pelos mares incertos,
De nevoeiros cobertos,
Numa aventura
À procura de ventura,
Oh, minha alma penitente!
Que mente com a mente,
Que ela não tema o medo
Na busca da razão,
Para curar seu coração.










