AS TRAPAÇAS DOS PATRIARCAS
De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
De Ur veio Abraão,
Lá da terra dos Caldeus,
Com Sara e seu clã,
Com suas sandálias, desertos rasgou,
Orou ao seu Deus,
Até chegar a Canaã,
Com a escrava Agar se deitou,
E dela nasceu Ismael,
Renegados de casa pelo pai,
Pra ele restou o fel,
Dos ismaelitas fez-se a nação árabe,
Mas Jeová deu-lhe a graça,
E assim nasceu a trapaça,
Tudo por herança,
Pra encher a pança,
Do primeiro monarca patriarca
Das religiões monoteístas,
Para esconjurar os politeístas,
Que delas precisaram um dia,
Pra matar a fome,
Que a seca os consumia.
Foi no Egito do faraó,
No escaldante sol,
Que a bela e ambiciosa Sara,
Se passou como irmã,
Do esposo Abraão,
Ela foi servir seu harém,
Ambos deram a mão,
E o patriarca fez outra trapaça,
Dessa vez pela caça,
Se deu bem com um bom rebanho,
Ainda saiu no ganho,
Do seu Deus a maldição,
Mas nunca acabou a desunião,
Tudo por herança,
Para encher a pança.
Depois de muito tempo,
Abraão ganhou o filho Isaac,
Fora do antigo almanaque,
Que no lajedo amarrado,
Quase foi sacrificado,
Como prova de fé do seu genitor,
E o menino depois de homem,
Com Rebeca, a formosa gananciosa,
Namorou e se casou,
Gerou os gêmeos Esaú e Jacó,
Este último mais uma vez,
Com seu plano da mãe,
O irmão trapaceou,
Se passando como primogênito,
Com um prato de cabrito,
Ganhou a benção no grito,
Tudo por herança,
Pra encher a pança.
Esaú amargurado chorou,
Jacó para não ser morto fugiu,
Caiu nas mãos do tio Labão,
Mais esperto do que o sobrinho,
Deu uma de moço bonzinho,
Tudo por herança,
Pra encher a pança.
Foi lá na Mesopotâmia,
Que tudo se sucedeu,
Quando Jacó se apaixonou,
Ficou perdido de amor,
Pela linda ardilosa Raquel,
Como sopa no mel,
Por ela sete anos trabalhou,
Tudo por herança,
Pra encher a pança.
No dia do casamento,
Teve aquela festança de arromba,
Todo mundo caiu na dança,
O noivo tomou aquele porre,
Que de besta se embriagou,
Dormiu com a feia Lia baranga,
Com a mais velha se refestelou,
E mais sete anos foi servir a Labão,
Pela ditosa flor,
Tudo por herança,
Para encher a pança.
Na enrolada negociação,
Ganhou mais duas criadas,
Com quatro mulheres ficou,
Mais seis anos como administrador,
Em vinte fortuna acumulou,
E na fuga pra se livrar do vilão,
Raquel roubou os deuses ídolos do pai,
Se mandaram para Canaã,
Noutra lasca de trapaça,
Tudo por herança,
Para encher a pança.
O tempo gira e tudo embola,
Como no meio campo da bola,
Jacó criou doze tribos de Israel,
E o mais querido José,
O Judá do povo judeu,
Foi vendido pelos irmãos,
Para os descendentes de Ismael,
Aquele bastardo de Abraão,
Todos sempre foram meios-irmãos,
Árabes islâmicos e hebreus,
Que têm um único deus,
Assim como os cristãos.
A história nunca está acabada,
A gente pega ela pela rabada,
José, o belo bonitão,
Foi escravo do Putifar,
Guarda chefe do faraó do Egito,
Rejeitou a mulher do patrão,
Que lhe entregou como assediador,
Se lascou na masmorra prisão,
Depois ganhou as graças do rei,
Dos sonhos fez sua lei,
Armou suas trapaças,
Aumentou a herança,
E ainda encheu a pança,
Do seu pai e irmãos.











