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:: 18/jun/2026 . 22:18

QUER “SACANAGEM”?

( Chico Ribeiro Neto)
” Só tomo cerveja depois que boto um salzinho na boca”, diz uma amiga.
Bar sem tira-gosto bom não presta.
Um tira-gosto inesquecível. Minha colega, jornalista Helô Sampaio, pegou um pedaço de charque no armazém e bar do Capenga, na Avenida Vasco da Gama, e jogou em cima do velho balcão de madeira. Jogou álcool e tocou fogo. Quando a chama estava bem baixinha, quase apagando, ela jogou a farinha, que grudou na carne. Depois, haja cerveja.
Cito alguns bons tira-gostos: moela com pão, passarinha, charque frito, carne do sol, casquinha de siri, salame, amendoim cozido ou torrado, caldo de feijão, peixe piramutaba frito, agulhinha frita, acarajé e torresmo. Uma farofinha é indispensável. Antigamente havia nos botecos ovos cozidos de várias cores na prateleira do balcão.  “São de hoje”, atestava o dono do bar.
Tinha um cara que frequentava o Bar do Chico, na Barra, cujo tira-gosto era uma salada de tomate, cebola e pimentão temperada com sal e azeite.
Na minha juventude toda festinha tinha “sacanagem”, sucesso nas décadas de 70 e 80. Não é  o que você está pensando. Era um espetinho feito com rodelas de salsicha em lata, queijo, azeitona e outros ingredientes.
A origem do termo é explicada por Lorena K. Martins no artigo “Tá a fim de uma sacanagem? Petisco de festa dos anos 80 reina nas mesas dos bares em BH”, postado no site otempo.com.br em 4/4/2025: “A origem do termo ‘sacanagem’ ainda é incerta, mas, segundo o historiador Luiz Antônio Simas, em seu livro “Sonetos de Birosca e Poemas de Terreiro” (2022), a explicação mais provável está na forma como os insumos eram montados no palito. Como ele descreve, “o fato de um ingrediente vir trepado em cima do outro já diz tudo: é uma sacanagem generalizada, com o queijo trepando no pimentão, a salsicha por cima do presunto e por aí vai”.
Havia também o tira-gosto coletivo. Não esqueço do amigo e jornalista Raimundo Machado, que, depois que a gente fechava a edição do jornal A Tarde, por volta de meia-noite, chegava na barraca de Dona Edna, vizinha ao jornal, e pedia logo uma cerveja e um mocotó em prato fundo. Cortava tudo miudinho, fazia aquele mexidão com pimenta e farinha, traçava uma boa garfada e passava o prato para o vizinho.
Uma vez, em Caculé (BA), um visitante chegou querendo um tira-gosto de ave, uma codorna, juriti ou perdiz. Com dois amigos, rodou vários bares onde só tinha tira-gosto de carne ou de linguiça de porco. Até que chegaram no boteco de um velhinho e perguntaram se havia tira-gosto de ave e ele respondeu: “A única ave que tenho aqui é um galo velho que tá lá no terreiro e que, se eu botar pra cozinhar agora (11 da manhã) só vai tá pronto meia-noite”.
Adoro uma tripa de porco frita na hora, com farinha, numa barraca de feira do interior. Se esfriar, não presta. Fica goguenta.
Será que no céu tem tira-gosto? Ou é só vinho de missa com água?

CORTARAM O JAMELÃO

   Em minhas visitas ao distrito da Tapera, no município de Encruzilhada, terrinha bucólica, agradável e pacata, dividida entre parte alta e baixa – até deveria ser construído um elevador, do tipo o “Lacerda”, em Salvador – onde nasceu minha esposa Vandilza Gonçalves, sempre apreciava a formosura da frondosa árvore na pracinha do lugarejo, chamada de Jamelão, que fornecia sua sombra a quem nela se abrigava. Estive lá no início deste mês e fiquei triste com sua derrubada pela Prefeitura Municipal, mesmo com os protestos dos moradores. Em seu lugar, o poder executivo ergueu um tipo de “coreto” aberto de madeira e telha, sob o argumento de que embeleza mais a área e beneficia mais a comunidade e a quem passa por ali. Se derrubar uma árvore já é um grande pecado contra a natureza, principalmente nos tempos atuais de aquecimento global, o monstrengo do prefeito destoou com a praça. Aquilo ali, senhor prefeito, ficou mais parecendo com um barracão para abrigar tropeiros que não mais existem! Nossas lentes estão sempre abertas para flagrar os absurdos e este foi mais um que não agradou em nada os taperenses, conforme comentários que ouvi no mercadinho de “Tonio”, inclusive do ilustre personagem folclórico “Três Quinas”. Depois ainda tem gente que diz que “a voz do povo é a voz de Deus”. Se assim fosse, o prefeito de Encruzilhada não teria ordenado a derrubada do antigo Jamelão, que deixou muitas saudades, sobretudo entre os moradores mais antigos. No lugar do Jamelão, o prefeito deveria ser obrigado a plantar mais 100 árvores na Tapera e, mesmo assim, não seria redimido do crime ecológico contra o meio ambiente.

O MAR E EU

Poema da poetisa Ana da Silva, extraído da Coletânea “Entre Palavras e Marés: Vozes Femininas”, da qual participa nossa poetisa Regina Chaves, membra do nosso “Sarau A Estrada”.

Eu amo o mar, não sei se o mar me ama.

Como vou saber?

Eu… Enigmática assim como o mar.

As ondas vêm, vão e se quebram,

Mas o mar não se abala.

Nem eu me abalo com as ondas

Que vêm me abraçar,

Eu as devolvo pro mar.

Ah… O mar…Imensuravelmente airoso.

Eu… Insignificante, pretencioso

Trazendo o mar na imensidão

Para dentro do coração.





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