junho 2026
D S T Q Q S S
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
282930  

:: 24/jun/2026 . 22:10

UMA COPA SEM ESPETÁCULO COM UM FUTEBOL MECÂNICO-MONÓTONO

  Com a escassez de craques dribladores e inteligentes da cabeça, com a bola no pé – somente dois ou três nesta Copa – tendo em vista que os outros não passam de grandalhões centroavantes de quase dois metros de altura fazedores de gols, o nosso futebol perdeu seu espetáculo arte daquele gingado malicioso, “pra lá e pra cá”, confundindo os adversários. Cadê aquele futebol cadenciado e bonito de se ver, com lances e dribles estonteantes?

  Como apreciador dessa modalidade (já fui jogador quando jovem), o nosso futebol perdeu seu espetáculo, especificamente nesta competição de 2026, e se tornou uma prática esportiva mecânica-tecnológico de força física, de passes longos e errados, falta de domínio da redonda, sem falar de bolas que voam no ar e atravessam estádios.

  Nem vou aqui comentar sobre a seleção brasileira onde todos são do mesmo nível, com um pouco mais alto do Vinícius Júnior – o Neymar já se foi como último dos moicanos – porque não temos craques como naquelas épocas passadas. Na partida de ontem (quarta-feira, dia 24/06), duas falhas clamorosas do goleiro da Escócia ditaram o resultado. Pelo que já assisti, não me arrisco apontar as equipes finalistas.

 As seis últimas copas, esses elencos da “terra das chuteiras”, não mais me empolgam e não alimento ilusões, principalmente este que aí está. Não entro nessa onda da televisão exclusivista que tenta empurrar goela abaixo um futebol casca dura.

 Desde 1962 que acompanho as copas com grandes craques que foram desaparecendo e atualmente são raros, a contar nos dedos. No início era tudo pelo radinho de pilha, mas, mesmo assim era emocionante. Foi em 1958 que o Brasil perdeu o complexo de vira-lata, de inferioridade, carimbado por Nelson Rodrigues.

  No Brasil, os autores dessa reviravolta foram Pelé, Garrincha, Didi, Zagalo e tantos outros que vieram em seguida, como em 1970, com Tostão, Jairzinho, Dirceu, Rivelino, Carlos Alberto, Clodoaldo e o próprio Pelé. Tivemos ainda Sócrates, Zico, Falcão, Romário, Bebeto, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldão e outros que nos encantaram.

O tempo foi passando e o futebol foi deixando de ser espetáculo e arte, para ser um jogo mecânico e monótono, como nessa Copa de 2026. A impressão é que, de uns anos para cá, houve uma seca danada e acabou com a safra de craques.

  A FIFA (a Federação Internacional de Futebol) introduziu muitas mudanças, principalmente nas regras e ampliou o número de países participantes para dinamizar o esporte mais popular do mundo. Algumas transformações foram benéficas e outras polêmicas, como esse tal de VAR. O milimétrico impedimento deveria deixar de existir.

   No caso dessa atual, com mais nações, para ganhar mais dinheiro, nessa embolada de normas, houve uma grande contradição na ideia de tornar a partida mais dinâmica com mais bola rolando, que foi a criação do tempo técnico para “hidratação” (dois) de três minutos e mais o intervalo de 15. Isso mais parece imitação do voleibol.

 Essas paradas representam o contraditório com as regras da cobrança de lateral onde o atleta só tem cinco segundos para arremessar a bola, o mesmo com o goleiro, e o jogador caído no campo, atendido pelo médico, tem que sair do gramado e esperar um minuto para retornar à peleja.

  Ora, as paradas desnecessárias – antigamente num calor de mais de 30 graus, o jogador só tinha o clássico intervalo e ninguém desmaiava em campo – só servem para esfriar o ritmo do futebol, dos torcedores nos estádios e os que estão na tela, sem falar na vantagem para quem está perdendo e sendo sufocado no ataque. Isso não é bom até para os atletas que estão com o sangue aquecido e de repente esfria.

   Nos últimos 30 ou 40 anos, o que mais me chama a atenção é a evolução do futebol africano e de alguns asiáticos que deixaram de ser ingênuos e competem de igual para igual com as tradicionais seleções, inclusive as europeias, fontes de treinamentos para eles que atuam em muitos clubes daquele continente.

  No entanto, o mal é que aprenderam em escolas mecânicas e ainda cometem erros de amadores. Como armas, para neutralizar o adversário, ainda usam a força física e a velocidade. Ainda deixam a desejar. Mais para a frente, tem tudo para ser um futebol só seu e até ser campeão.





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia