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:: 4/jun/2026 . 23:14

CONTATO COM UM EXTRATERRESTRE

  Vou contar uma história que nunca falei para ninguém, mesmo porque seria alvo de chacotas. Tudo aconteceu lá pelo final dos anos 50, na fazenda Caldeirãozinho, no sertão do Piemonte da Chapada Diamantina de Piritiba. Deveria ter entre 12 a 14 anos de idade, um moleque calado e sofrido pela labuta da roça e castigado pelas secas.

  Tudo ocorreu num final de tarde carregada, na boca de uma mata quando capinava uma lavoura de mandioca com seu Eufrásio. Depois de um dia calorento e estafante pelo sol do verão, as nuvens estavam pesadas e escuras, com anúncio de chuvas.

    Os pássaros em revoada começavam a se recolher nas folhagens das árvores. Meu pai tinha ido fazer um curral numa propriedade próxima e não estava conosco para testemunhar o ocorrido.

   Ainda receio contar este episódio porque vão achar que não passa de uma lorota descabida, sem pé e sem cabeça. Bem, quem quiser que acredite, mas estou falando sério, e nunca fui pescador e caçador para inventar causos mentirosos.

   Somente agora, depois da idade avançada, ou velho mesmo, como se diz no popular, resolvi revelar o acontecido porque o idoso já se acostumou a ser chamado de caduco, até quando esquece algo ou dar uma tropeçada. Para o moderno, é normal.  

  O famoso “ET de Varginha” (Minas Gerais) apareceu no dia 20 de janeiro de 1996, há 30 anos. Interessante que tudo começou também numa tarde chuvosa quando três jovens afirmaram ter visto uma criatura, de pele escura, olhos grandes e vermelhos e cabeça avantajada, agachada perto de um muro.

   Narrativas daquela época registraram intensa movimentação do exército e do corpo de bombeiros nos hospitais locais e em áreas de mata. Dizem que os militares capturaram criaturas vivas e recolhidos destroços. Até hoje é um mistério.

   No entanto, uns dizem que tudo não passou de um mal-entendido, mas se fosse a visão de uma santa ou um santo, até hoje haviam milhares de devotos e romeiros fazendo peregrinações e romarias no lugar, como em Fátima, Aparecida, Guadalupe e Lourdes onde se deram as aparições.

  Bem, vamos deixar de jogar conversa fora e confessar o que vi há mais de 60 anos. Eu e seu Eufrásio já estávamos nos preparando para arrear o trabalho de limpeza quando ouvimos sussurros esquisitos de falas no outro lado da roça, inclusive com uma ventania forte, tipo de redemoinho, como se fosse arrancar os pés de mandioca.

   Corremos entre as manivas e nos deparamos com uma criatura estranha quase semelhante ao “ET de Varginha”, só que era mais simpático, olhos pequenos e pele avermelhada, mas com aspecto diferente do humano. Deu até um sorriso maroto para nós.

  No momento, minha reação foi dar meia volta e sair correndo em disparada, mas, como num truque de mágica, fiquei estático no lugar. Seu Eufrásio, porém, foi atraído como que puxado por um ima, ou seja, abduzido.  Com passos lentos, o seguiu mata a dentro num ponto de uma clareira existente na mata.

  Lembro como se fosse hoje daquele clarão de luzes fortes iluminando uma grande parte da área. Demorou alguns minutos e depois o objeto, na forma de um cilindro cheio de anéis, levantou voo numa rapidez indescritível que atualmente descrevem como supersônico.

   Fora da radiação magnética do “ET do Caldeirãozinho de Piritiba”, corri como louco entre a capoeira até chegar em casa esbaforido, entalado e amarelado de tanto medo. Nunca tinha visto coisa igual em pleno sertão nordestino!

  Ao ver minha agonia e tremedeira no corpo, minha mãe perguntava o que havia acontecido para eu estar naquele estado  de pavor. Por mais que tentasse, não consegui explicar direito a cena e só dizia que tinha fantasma e assombração na roça de mandioca.

Afinal, era só um menino matuto tabaréu e não sabia de nada sobre esse negócio de extraterrestre. Aliás, naquele tempo nem se comentava sobre isso. Acho que fui o primeiro a ver um ET no Brasil depois da invasão de Cabral que chegou com aquelas caravelas e assustou os índios.

   Sei que querem saber sobre seu Eufrásio. Pois é, ele só apareceu no outro dia, calado e pediu as contas ao meu pai que sentiu seu comportamento diferente.

  Olhou para mim como se dissesse que nunca mais pisaria os pés naquele terreno maldito. Sumiu da região e contaram que ele arribou com mala e cuia para São Paulo com toda família.

  Não tinha diálogo com meu pai para narrar o episódio. Ia me dar aquele esbregue, me chamar de mentiroso e até que estaria doente da cabeça. Era obrigado a ir àquela roça assustado e não tinha com quem me desabafar.

  Aquelas cenas perturbadoras nunca saíram da minha mente. Coisas alucinógenas psicodélicas de quem tomou LSD ou outras substâncias ácidas que provocam alucinações. Até parece que havia tomado ayahuasca. Deixa pra lá, sei que ninguém acreditou mesmo na minha história, mas criei coragem e contei! 

CALIGRAFIA DO AMOR

(Chico Ribeiro Neto)

Um conhecido me pediu para escrever uma carta de amor que ele queria mandar para uma mulher. “Isso eu não faço”, respondi. “Mas o senhor não é escritor?”, insistiu ele. Não sei escrever carta de amor, discurso político nem sermão de igreja.

Escrevo umas “croniquetas catarinas” há alguns anos. Também não escrevo para mudar o mundo. Isso é tarefa complicada. Escrevo para reviver minha infância (manancial inesgotável), exorcizar meus fantasmas, falar do cotidiano das pessoas ou para “botar as mágoas em dia”, como dizia uma velha amiga.

Não me peçam para escrever cartas de amor. Não se escreve um dengo. Sou um aprendiz do amar e não tenho conselhos a dar nessa área, por sinal muito complicada. “Cada qual com seu cada qual”. Nunca fui bom de conselhos, ainda mais em matéria de amor.

Disse ao interessado pela carta que a Internet está cheia de modelos de cartas de amor. É só escolher uma e copiá-la. Tem carta pra começar um namoro, pra reatar e pra terminar.

Há também modelos de cartas de amor para a namorada chorar e o texto recomenda: “Foque em vulnerabilidade, gratidão e memórias únicas”.

Há ainda dicas para tornar a carta inesquecível. A primeira dica: “Escreva à mão: a caligrafia transmite muito mais emoção e esforço”.

Se o interessado quiser jogar mais alto, a Internet oferece trechos de cartas de amor de Baudelaire, Beethoven, Napoleão e Shakespeare.

Antigamente, os camelôs vendiam livrinhos com modelos de cartas de amor. Também havia o famoso bilhete enviado, totalmente escondido, para uma virgem inacessível e recolhida ao castelo no seu enorme roupão branco.

Senti vontade dizer ao cara que me solicitou a carta: “Chegue junto, cara, melhor do que qualquer carta. Mas não faça como aquele amigo do cronista Paulo Mendes Campos que, quando jovem, aproximou-se de uma garota na praça, criou coragem e disse: “Tá de verde hoje, hein?”

Encerro com a brilhante frase do escritor e poeta Francesco Petrarca: “As duas cartas de amor mais difíceis de escrever são a primeira e a última”.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

 

 

 

 

AINDA SOBRE O “TECO-TECO”

   Concordo, em boa parte, com o comentário do meu amigo e companheiro jornalista Paulo Nunes quando explica que vivemos num sistema capitalista onde empresário só visa o lucro e não faz empreendimento algum por caridade.

  Sua análise foi em referência à decisão da Viação Aérea Azul em colocar um aviãozinho de nove passageiros, tipo “Teco-Teco, para fazer a linha Vitória da Conquista – Salvador, com duração de quase duas horas de viagem, em substituição a uma aeronave com capacidade para 72 pessoas.

   Estou de acordo com sua posição, e isso, meu caro Paulo, só comprova que Conquista nunca teve e nunca terá vocação para o turismo, ao contrário de muita gente que teima em propalar o contrário e até deu-se ao trabalho de elaborar projetos que não saem do papel.

  Sua economia tem como bases maiores os setores do comércio e serviços, com expansão da construção civil depois do avanço da educação de ensino superior a partir dos anos 2000, que atraiu muita gente da região e de outros estados.

  Conquista não tem belezas naturais como as cidades da Chapada Diamantina onde Lençóis é o ponto estratégico de distribuição dos turistas, comportando a decolagem de aviões de maior porte vindos de Salvador e de outras capitais do país, como bem destacou meu amigo.

     Certa vez, surgiu aí uma ideia esdrúxula de transformar Vitória da Conquista no Portal da Chapada Diamantina. Nesse gancho, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico até custeou o Plano Municipal de Turismo (70 mil reais junto ao Sebrae), e o poder executivo deixou de lado o Plano de Cultura, que está adormecido em berço esplêndido.

  No entanto, concordo também, em parte, com o empresário José Maria Caires quando destila a sua revolta contra a empresa Azul, ao afirmar que Conquista não merece ser rebaixada a este nível de peque cidade com um aviãozinho.

    Como a Aviação Azul recebe subsídios de ICMS do estado, conforme argumenta Zè Maria, bem que a empresa poderia baixar seus preços de forma a atrair mais passageiros que hoje estão preferindo ir à capital baiana de veículo próprio ou de ônibus. Conquista não merece isso – conclui o empresário.                                              

ESSA TECNOLOGIA…

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Tô engastorado,

Arretado no diabo,

Com essa tal de tecnologia,

O gênio inventa aqui,

Muda acolá,

Pra ganhar fama e dinheiro,

Pra burro usar.

 

Nossa humanidade,

Está cada vez mais decadente,

Menos inteligente,

O QI só faz baixar,

E agora criaram a IA.

 

Com essa tecnologia,

Poucos sabem texto decifrar,

Quanto mais fazer redação,

Até a poesia perdeu sua magia,

E tome enrolação.

 

É tanta burrice,

Com essa tecnologia,

Que com seu mal da gota,

Ninguém quer mais ler,

Escrevem e falam “ôta”,

Cantor é rebolado e coreografia,

Redes sociais, muita idiotice,

E o povo mistura,

Ciência com crendice.

 

Essa tecnologia,

Nos roubou a inspiração,

Até de escrever,

No papel e caneta na mão,

Não tem mais início, meio e fim,

É apernas fazer três pedidos,

Que logo aparece o Aladim.

 

Com essa tecnologia,

O pobre fica com um “cadim”,

Acabou o prazer,

De pintar um jardim,

Porque ela faz tudo pra você.

 

Essa tecnologia,

Pariu influenciadores,

De malandros artistas,

Com milhões de seguidores,

Falsários golpistas.

 

Com essa tecnologia,

A gente não passa de saguim,

E não venham com seu mi, mi, mi,

Com seu feixe de capim.

 

 





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