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:: 2/jun/2026 . 23:10

O ESTADO É O INFERNO DE DANTE

  Há milhões de anos era o homem da pedra vivendo em cavernas e depois seus descentes formaram tribos. Alguns decidiram ser colhedores e caçadores nômades, os mais livres. Outros optaram por ferir a terra e nela se fixarem como agricultores e domesticadores dos animais.

  Até aí tudo bem, mas as tribos foram se espalhando e guerreando entre si, tudo pelo poder do domínio territorial de governar mais e mais gente. Dessa evolução, que durou milênios, nasceu o inferno que é hoje o Estado, com uma sociedade e um sistema cheio de parafernálias e burocracias que controlam todos os passos das pessoas.

  A “Divina Comédia”, do italiano Dante Alighieri (século XIV), é uma viagem alegórica, onde Dante, guiado pelo poeta romano Virgílio, desce aos nove círculos concêntricos do inferno, testemunhando os castigos reservados às almas de acordo com seus pecados. O Estado é maquiavélico e tem mais que nove camadas. No inverso, os pecados estão reservados ao Estado contra o povo.   

  Esse inferno, com suas mudanças cíclicas e suas revoluções industrial e tecnológica, foi cada vez mais ficando pior com suas labaredas de fogo, para nos consumir e extrair nossas tripas através das cobranças de impostos, taxas, obrigações, regras, deveres e um monte de papelada para nos identificar. Inchou demais, cobra o máximo e nos dá o mínimo.

  O Estado é como um dragão faminto com seu tridente que nunca se sacia do nosso sangue e só faz limitar a os nossos direitos. Os bons foram sendo nivelados com os maus e aí o inferno se tornou insuportável, ao ponto de os anarquistas terem criado a máxima de que, “se existe Governo, sou contra”.

   Criaram diversos regimes, de acordo com cada mandatário dentro das culturas ocidental e oriental. Dividiram as partes em capitalismo e socialismo. Uns autoritários, tiranos, autocráticos, teocráticos, oligárquicos, ditatoriais e democráticos, o melhor dos piores.

   Na democracia, nos iludimos que somos totalmente livres e podemos fazer o que nos vem na telha, mas não é bem assim. Mesmo nele, somos vigiados dia a dia, e o Estado continua sendo um inferno, com seus cães da peste, diabos, belzebus e satanais.

  Na vida prática, temos que seguir suas normas, não importa se razoáveis, sensatas ou absurdas, ditadas por uma sociedade hipócrita e fariseia que passa o tempo todo censurando o que ela acha o que está certo ou errado.

 O Estado inferno estabeleceu os conceitos de normal e anormal que devemos seguir, sob pena de sermos chamados a sentar no banco dos réus. Qualquer pé em falso, somos tratados como excluídos fora da linha e nos chamam de marginais.

   Com sua excessiva burocracia, criaram uma montanha de documentos, sempre em constantes processos de mudanças, para provarmos quem somos, o que fazemos, para onde vamos e como estamos nos comportando. É o Estado inferno nos controlando o tempo todo.  Com as novas tecnologias, vigia todos nossos passos.

 Todos nós somos considerados maus, falsários e estelionatários, até que se prove o contrário. Esse Estado inferno sempre está constantemente nos pedindo uma nova identidade, novo cadastro pessoal e familiar para termos direito a algum benefício-esmola, um novo título eleitoral, uma nova CNH, um novo passaporte, provas de vida e os escambaus.

 Os “donos” desse Estado entopem de papeladas e formulários estressantes que nos matam lentamente, principalmente os coitados dos idosos, não importando se tem 100 ou mais anos. Nos obrigam a entrar naquelas filas infernais que começam na madrugada e terminam ao anoitecer. Este inferno não se acaba quando se “bate as botas”.

   Para atravessarmos o outro lado do rio, conforme a mitologia grega, e alcançarmos a outra margem dos mortos, as almas penadas pelo Estado inferno têm ainda que pagar uma taxa ao barqueiro Caronte. 

Para garantir a viagem, era costume enterrar os mortos com uma moeda (o óbolo) colocada na boca que servia como pagamento. O sinistro barqueiro foi substituído pelo Estado que nos exige uma montanha de trâmites burocráticos e uma grana, senão ficamos fora do barco e viramos carniça de urubu.    

 

PRÊMIO CONHECIMENTO

  Em sessão especial, nesta quarta-feira (dia 03/6), a partir das nove horas, a Câmara Municipal de Vitória da Conquista fará a entrega do Prêmio Conhecimento sobre Conquista, que reconhece os trabalhos acadêmicos e científicos voltados para o desenvolvimento do município.

  Durante a programação, em solenidade, serão anunciados e premiados os vencedores entre os trabalhos previamente selecionados pela Comissão Organizadora da Casa.

  Além da premiação, serão apreciados projetos que tratam da Política Municipal de Proteção da Infância e da Adolescência e de Prevenção das Violências contra Crianças e Adolescentes; e da Política Municipal de Valorização da Literatura Conquistense e da Produção Literária Regional. 

  Estará ainda em apreciação a Política Municipal de Enfrentamento da Violência contra Mulheres; bem como da Ampliação da Participação Feminina nos Espaços Sociais, Comunitários e Institucionais.   

  Serão também debatidas propostas voltadas à segurança alimentar de estudantes da rede pública municipal durante os períodos de recesso e férias escolares, bem como a valorização funcional, bem-estar e apoio alimentar dos profissionais da educação.

  Vale lembrar que na noite desta terça-feira (dia 02/06) foi realizada, na Câmara de Vereadores, uma audiência pública sobre teatro amador e profissional onde os artistas da área se fizeram presentes,

   Na ocasião, apontaram diversos questionamentos e críticas visando o maior apoio do poder público a este segmento, como a falta de espaços culturais para realização de seus ensaios e apresentação de seus espetáculos.  

 

ESSA TECNOLOGIA…!

  Pelo assunto em pauta, sei que já tem muita gente enumerando uma extensa lista de benefícios da tecnologia nos tempos modernos para a humanidade, mas meu propósito aqui é o de mostrar o outro lado dos malefícios. Afinal de contas, o jornalista é sempre um crítico.

   O primeiro deles, na minha concepção, é a desumanização, seguida do aumento da burrice, da falta do convívio interpessoal e o fim das tradições populares. Existem mais outros estragos em nossas vidas.

   Não sou mais desse mundo e me sinto deletado. Ainda não consigo me introduzir dentro de um celular. Sou mais da prosa, da conversa fora e do papo presencial, na base do olho no olho. Até a ligação telefônica ficou em desuso.  

   Quando me refiro à tecnologia, coloco na ponta o advento da internet, do celular, das redes sociais e agora da IA, e aí me lembro do filósofo italiano Umberto Eco que lá atrás dizia que o mundo ia ficar mais imbecil.

  Há muitos anos ele afirmava que a internet e as plataformas digitais deram voz a “uma legião de imbecis” que antes falavam apenas em bares, sem causar danos à coletividade, mas agora ganharam o mesmo direito à palavra que um Prêmio Nobel.  

  Para Eco, a facilidade de publicar conteúdos na web eliminou o filtro de especialistas e a credibilidade dos jornais, nivelando o debate por baixo. O grande problema não é a falta de informações, mas o excesso onde o usuário se torna incapaz de distinguir a verdade da mentira.

 Profetizou e ficou constatado que a rede como um sistema prejudica o aprendizado real, pois as pessoas passam a usar a internet como um “disco rígido externo” para armazenar fatos, ao invés de desenvolver o pensamento crítico e o conhecimento próprio. 

  Nos países mais desenvolvidos da Europa, pesquisas constataram uma queda no QI humano depois do uso intensivo dessa tecnologia porque os jovens e as pessoas em geral ficaram mais dependentes dessa ferramenta.

   Com o decorrer dos anos, o ser humano passou a pensar menos, reduzindo assim o seu raciocínio lógico e, consequentemente, o esforço e o prazer de fazer as coisas por conta própria. Se você já recebe tudo pronto, o natural é sua mente ficar mais preguiçosa, não exigindo muito dos neurônios.

  – Atualmente, meu camarada, faço tudo através da IA porque me dá as “soluções” mais rápidas e não perco muito tempo para elaborar um trabalho, como por exemplo, um texto. A IA é uma maravilha. É o que mais se ouve por aí.

  Qual o mais prazeroso, fazer uma poesia, no caso sobre amor, com a inspiração, papel e caneta na mão, ou pedir à IA e depois realizar alguns ajustes?

Pode me chamar de velho caduco ultrapassado, mas fico com o analógico, com o conceito tradicional e convencional. Prefiro “quebrar a cabeça”, como se dizia no modo antigo.

  Ninguém (somente os mais velhos) quer mais criar uma receita própria de comida saborosa, porque é só clicar na internet. Hoje são raros os livros de receitas das vovós que eram guardados nos baús e tinham um valor inestimável! Nossas tradições vão sendo aniquiladas.

   Quando me refiro à tecnologia, não estou apenas especificando a internet, mas ao mundo tecnológico no global das máquinas em geral, inclusive com relação às guerras que deixaram de ser terrestres para serem por ar, através dos mísseis, foguetes e drones voadores, substituindo os fuzis e as metralhadoras. Morrem menos soldados e mais civis.

  Criaram os trambolhos dos robores que fazem tudo em sua casa. Os aspiradores são automáticos e a pessoa não precisa mais exercitar o físico e a cabeça. Logo você não vai mais precisar de cozinheira e cozinheiro. Os fogões vão desaparecer.

   No campo, milhões foram desempregados da agricultura e empurrados para as periferias das cidades. As semeadoras e colheitadeiras fazem tudo. Costumo dizer que os gênios inventaram a tecnologia para os burros usarem.  





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