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:: 2/jun/2026 . 0:10

ESSA TECNOLOGIA…!

  Pelo assunto em pauta, sei que já tem muita gente enumerando uma extensa lista de benefícios da tecnologia nos tempos modernos para a humanidade, mas meu propósito aqui é o de mostrar o outro lado dos malefícios. Afinal de contas, o jornalista é sempre um crítico.

   O primeiro deles, na minha concepção, é a desumanização, seguida do aumento da burrice, da falta do convívio interpessoal e o fim das tradições populares. Existem mais outros estragos em nossas vidas.

   Não sou mais desse mundo e me sinto deletado. Ainda não consigo me introduzir dentro de um celular. Sou mais da prosa, da conversa fora e do papo presencial, na base do olho no olho. Até a ligação telefônica ficou em desuso.  

   Quando me refiro à tecnologia, coloco na ponta o advento da internet, do celular, das redes sociais e agora da IA, e aí me lembro do filósofo italiano Umberto Eco que lá atrás dizia que o mundo ia ficar mais imbecil.

  Há muitos anos ele afirmava que a internet e as plataformas digitais deram voz a “uma legião de imbecis” que antes falavam apenas em bares, sem causar danos à coletividade, mas agora ganharam o mesmo direito à palavra que um Prêmio Nobel.  

  Para Eco, a facilidade de publicar conteúdos na web eliminou o filtro de especialistas e a credibilidade dos jornais, nivelando o debate por baixo. O grande problema não é a falta de informações, mas o excesso onde o usuário se torna incapaz de distinguir a verdade da mentira.

 Profetizou e ficou constatado que a rede como um sistema prejudica o aprendizado real, pois as pessoas passam a usar a internet como um “disco rígido externo” para armazenar fatos, ao invés de desenvolver o pensamento crítico e o conhecimento próprio. 

  Nos países mais desenvolvidos da Europa, pesquisas constataram uma queda no QI humano depois do uso intensivo dessa tecnologia porque os jovens e as pessoas em geral ficaram mais dependentes dessa ferramenta.

   Com o decorrer dos anos, o ser humano passou a pensar menos, reduzindo assim o seu raciocínio lógico e, consequentemente, o esforço e o prazer de fazer as coisas por conta própria. Se você já recebe tudo pronto, o natural é sua mente ficar mais preguiçosa, não exigindo muito dos neurônios.

  – Atualmente, meu camarada, faço tudo através da IA porque me dá as “soluções” mais rápidas e não perco muito tempo para elaborar um trabalho, como por exemplo, um texto. A IA é uma maravilha. É o que mais se ouve por aí.

  Qual o mais prazeroso, fazer uma poesia, no caso sobre amor, com a inspiração, papel e caneta na mão, ou pedir à IA e depois realizar alguns ajustes?

Pode me chamar de velho caduco ultrapassado, mas fico com o analógico, com o conceito tradicional e convencional. Prefiro “quebrar a cabeça”, como se dizia no modo antigo.

  Ninguém (somente os mais velhos) quer mais criar uma receita própria de comida saborosa, porque é só clicar na internet. Hoje são raros os livros de receitas das vovós que eram guardados nos baús e tinham um valor inestimável! Nossas tradições vão sendo aniquiladas.

   Quando me refiro à tecnologia, não estou apenas especificando a internet, mas ao mundo tecnológico no global das máquinas em geral, inclusive com relação às guerras que deixaram de ser terrestres para serem por ar, através dos mísseis, foguetes e drones voadores, substituindo os fuzis e as metralhadoras. Morrem menos soldados e mais civis.

  Criaram os trambolhos dos robores que fazem tudo em sua casa. Os aspiradores são automáticos e a pessoa não precisa mais exercitar o físico e a cabeça. Logo você não vai mais precisar de cozinheira e cozinheiro. Os fogões vão desaparecer.

   No campo, milhões foram desempregados da agricultura e empurrados para as periferias das cidades. As semeadoras e colheitadeiras fazem tudo. Costumo dizer que os gênios inventaram a tecnologia para os burros usarem.  





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