:: dez/2020
UMA LOUCURA COLETIVA!
Mesmo com quase 200 mil mortes pela Covid-19 ainda tem muita gente dizendo que tudo não passa de exagero e mentira da mídia (estão escutando mais as redes sociais). Quando a pessoa que tem doença crônica (morbidades) é contaminado e vem a óbito, aí, no raciocínio burro dessa gente, não foi o vírus o causador da morte.
O diabetes, a pressão alta, um problema de coração ou a asma são tratáveis, e a pessoa portadora pode viver por muitos anos, desde que siga os cuidados recomendados pela medicina. Estamos vivendo um momento crítico de loucura coletiva no Brasil, ou, porque não dizer, de suicídio, conduzido por um psicopata
CONTRA A VACINAÇÃO
O fundamentalismo fanático, do tipo islâmico radical, tomou conta do nosso país e, cada vez mais, tem seguidores apoiando as loucuras do capitão-presidente, que vive a viajar com o nosso dinheiro para formaturas de soldados militares, encontros de igrejas evangélicas e até inaugurações de pinturas de equipamentos, pregando a desobediência à ciência e contra a vacinação do povo.
De um lado temos a contaminação mortal do coronavírus, e do outro, a contaminação das mentes doentias, que se alastra como se fosse um suicídio coletivo. As notícias falsas se espalham como pólvora em rastilho. As últimas são sobre a vacina de que ela modifica geneticamente o DNA das pessoas. Uma boa porcentagem da nação segue o maluco que já declarou que não vai se vacinar.
Nessa loucura coletiva e diante de milhares de vidas perdidas, hospitais superlotados, muitas lágrimas derramadas pela perda de entes queridos, temos um presidente que nem está aí para a saúde, tanto que colocou um general na pasta, que se transformou numa total balbúrdia, sem planejamento e sem estrutura.
Muitos países já iniciaram seus programas de vacinação, enquanto o Brasil virou uma Torre de Babel, e nem se sabe se vai haver. De certo mesmo, temos as aglomerações em massa numa nação inconsciente, inconsequente, perdida, atordoada, estressada e, visivelmente, embarcando na onda fanática do negacionismo, do racismo e da homofobia.
Em meio a toda essa turbulência, depois de dois anos, essa gente parece que ainda está vivendo uma campanha eleitoral contra o PT, que ficou no passado e desapareceu no último pleito municipal. Nem temos mais oposição. Todos estão calados.
Sem enxergar com o que está acontecendo no presente, a única coisa que essa gente sabe é xingar os petistas de satanás, enquanto o Brasil falece. Nada de raciocínio sobre a atual situação de caos na saúde, na educação, na economia e na política.
Sem exageros, estamos vivendo em meio a um genocídio por culpa de um governo que nem está aí, que se juntou aos generais, coronéis, evangélicos fanáticos e muita gente que se deixaram levar pela cegueira do irracional. Tudo isso é resultado de anos de ignorância e falta de conhecimento.
Esse isolamento, não o da prevenção contra a Covid-19, mas do resto do mundo, ainda tende a piorar. Engana-se quem acha que já vencemos o pior que foi 2020, e que o próximo que está chegando será bem melhor. O quadro ainda é aterrador e não atravessamos a tempestade.
A história vai nos julgar como um povo omisso. Somos uma Venezuela ao contrário. A única esperança ainda está em algumas instituições e numa tomada de posição da comunidade internacional para que esse genocídio não seja ainda mais cruel e dol
“HISTÓRIA DO POVO CIGANO” (Parte 7)
O HOLOCAUSTO NOS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO NAZISTA, AS FUGAS EM MASSA DEPOIS DA GUERRA, OS CIGANOS NOS PAÍSES COMUNISTAS, SUAS PEREGRINAÇÕES EVANGÉLICAS, CONGRESSOS EM BUSCA DOS SEUS DIREITOS INDENIZATÓRIOIS E RECONHECIMENTO COMO POVO QUE POR SÉCULOS FOI PERSEGUIDO E VÍTIMA DE PRECONCEITOS E TIRANIAS. UMA NAÇÃO EM CORRERIAS QUE NUNCA TEVE UMA PÁTRIA.
O nazismo, em 1933, herdou um aparelho jurídico pronto para controlar grupos indesejáveis. Um dos carrascos foi Georg Nawrocki, que escreveu, em 1937, num jornal: “Foi ao pactuar com a fraqueza e a indigência internas que a República de Weimar mostrou não ter instinto para resolver a questão cigana”. Para ele, os Sinti eram apenas um problema judicial. “Nós, pelo contrário, vemos a questão cigana como um problema racial que tem que ser resolvido e está a ser resolvido”. Judeus e ciganos eram de fato os dois grupos destinados à aniquilação pela ideologia nacional-socialista.
As leis de Nuremberga, de 1935, instituíam um quadro definidor quanto as qualidades da cidadania plena. Os comentários começaram a tratar os ciganos e judeus como perigosos frendrasse (raça alienígena), cujo sangue era uma ameaça mortal à pureza racial germânica. A punição era o banimento para quem se misturasse pelo casamento ou relações extraconjungais. O nazismo exterminou mais de meio milhão de ciganos nos campos de concentração e nas câmaras de gás.
AS LISTAGENS DE SANGUE E OS EXTERMÍNIOS
Em 1937 surgiu o dr. Robert Ritter, o cara que, com seus métodos, muito contribuiu para o extermínio dos ciganos pelo nazismo. Era um psicólogo e psiquiatra que, anos antes, realizou pesquisas sobre os ciganos. Assumiu a direção do Centro de Pesquisas de Higiene Racial e Biologia das Populações, em Berlim, um departamento do Ministério da Saúde do Reich. A instituição se tornou no maior centro de identificação de ciganos e de investigações sobre ligações entre hereditariedade e criminalidade.
Por meio das genealogias, das impressões digitais e da antropometria, a equipe de Ritter estabeleceu uma listagem de todos os portadores de sangue cigano, determinando seu grau de mistura racial. O seu pessoal foi para os acampamentos, para os campos de concentração e consultou os arquivos de polícia do Registro Central, transferido de Munique para Berlim, bem como aproveitou dados similares de Viena, feitos no ano de 1936.
Um decreto de Heirich Himmler, de 1938, com o título “Combate à Praga Cigana”, declarou a etnia de sangue misto a mais perigosa ao crime e recomendou a necessidade de a polícia enviar informações sobre todos os ciganos para o Registro Central do Reich.
Num relatório de janeiro de 1940, Ritter chegou a dizer que “podemos concluir que mais de 90% dos ciganos nativos são de sangue misto”. Ele caracterizou-os como um povo de origens etnológicas primitivas com atraso mental que impede de se adaptar à sociedade. Segundo ele, a questão só pode ser resolvida quando o grosso dos indivíduos inúteis de sangue misto for acumulado nos campos de trabalho. “Recomendo ainda que a reprodução dessa população seja interrompida”.
APARELHO UNIFICADO E A ESTERILIZAÇÃO
O professor E. Fischer, diretor do Instituto de Antropologia Kaiser, escreveu para um jornal que é uma sorte rara e especial para a ciência teórica florescer numa altura em que na ideologia dominante a acolhe favoravelmente, e as suas descobertas podem servir à política do Estado.
A esta altura, o Reich já possuía um aparelho bem unificado de polícia e organizações SS, em 1936, sob a direção de Himmler e do seu lugar-tenente, Reinhard Heydrich. As autoridades seguiam as instruções adotadas nos primeiros anos do Terceiro Reich sobre eugenia, fundamentada com a prevenção do crime, permitindo a esterilização de vagabundos e a deportação de estrangeiros indesejáveis.
Os criminosos menores eram enviados para os campos de concentração, o primeiro dos quais tinha sido instalado em Dachau, perto de Munique, em março de 1933. A partir de 1937, a pressão sobre os ciganos (associais) foi-se acumulando de forma impiedosa, sem reação pública interna e externa. Nesse mesmo ano, o ministro do Interior emitiu uma ordem sobre o controle preventivo do crime pela polícia. Os campos de concentração seriam o principal remédio.
Na Áustria, incorporada ao Reich, em 1938, Thobias Portschy propôs a esterilização e o trabalho forçado para proteger o sangue nórdico daquela ameaça. Contudo, foi uma ordem de Berlim que desencadeou a prisão de oito mil ciganos de Burgenland (Áustria). Alguns foram para campos de concentração, como Dachau, Buchenwald, Revensbruck (para mulheres) e Mauthausen (Áustria). Um campo especial para ciganos foi aberto em novembro de 1940, em Lackenbach, na Áustria.
NO PASSO A PASSO DA SUBIDA
O clique das lentes da máquina do jornalista e escritor Jeremias Macário seguiu o passo a passo da cidade de dois cachorros na subida cansativa da praça entre dois senhores numa conversa animada, ou preocupada com a atual situação. Não se sabia se eles eram seus donos, mas tudo aparentava que sim, porque os animais não perdiam o ritmo e nem paravam para descansar. Se não eram seus donos, eles nem percebiam que estavam sendo seguidos, inclusive pela minha indiscreta máquina. São coisas do dia a dia da cidade que passam despercebidas das pessoas que vivem em correrias para resolver seus problemas, pensativas quanto as dificuldades de cada um, principalmente neste momento de pandemia. Sorte deles (os animais) que não precisam de protocolos para andar nas ruas, e nem sabem o que está acontecendo nesse mundo do vírus matador. No entanto, os nossos cachorros também são vítimas do abandono de seus donos que, insensivelmente, largam seus bicho nas ruas, sem proteção e os devidos cuidados. Eles sempre são vistos nos becos e nas esquinas, batalhando uma comida e agua para continuar sobrevivendo. Perambulam por ai, enquanto o poder público promete criar um centro de zoonose, para tratá-los como deveria ser. Algumas entidades têm feito algumas ações para minorar seus sofrimentos, mas são muitos que continuam vagando sem seus donos, e logo o cachorro que tem sido tão fiel ao homem, o qual deveria, pelo menos, corresponder com suas amizade e fazer o mesmo.
APRENDER A VIVER
Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Por trás de um sorriso,
De uma doce Monaliza,
Tem também o choro,
De uma triste sacerdotisa,
Que sonha com o paraíso,
Mas quer viver seu namoro,
Para aprender como amar;
Fazer sentir seu sofrer,
Para aprender como vencer,
Nos passos curtos do viver,
De tantas perdas e ganhos;
Tentar ver e compreender,
Que o encanto do pôr-do-sol,
É poente de outro amanhecer.
O ter sem o manjar do ser,
É um alimento de ilusões;
Faz você esquecer de viver,
Esquecer de cuidar de si,
Do início, do meio e do fim;
De escutar tantas composições;
Faz deixar de aprender a morrer,
E nem o perfume sentir,
Da flor com gosto de jasmim.
Nunca se esqueça de curtir;
Sair por aí e sentar no jardim;
Ouvir o canto do bem-te-vi,
E tomar umas num botequim,
Para jogar a conversa fora;
Contar causos de história,
De gente que sabe fazer a hora,
E faz da sua curta trajetória
Uma minação que só jorra:
Conhecer, aprender e viver;
Ser da terra o verdadeiro sal;
Ser o fogo que arde e queima;
Ser a água que vem do ar,
Para conviver com o bem e o mal.
ELES INCITAM AS AGLOMERAÇÕES
As empresas e o comércio em geral nos entopem de anúncios publicitários neste final de ano, principalmente fazendo chamadas para as compras de Natal. A mídia também não fica atrás e tome notícias sobre as festas, dando coberturas aos seus clientes. O contraditório nisso tudo é que, do outro lado, com a maior hipocrisia, pedem para que a população não se aglomere nesses tempos cruéis de pandemia.
É isso aí, eles incitam, mordem com suas garras gananciosas e depois dão uma assoprada. O pior é que o povo, como manada, corre para as lojas, compra presentes, se endivida e chama amigos e parentes para a noite de Natal e a passagem de Ano Novo. Como no São João, vai acontecer o mesmo com o Natal, e a onda de correrias nas ruas, supermercados, feiras, lojas e outros estabelecimentos comerciais está aí. Só não vê quem não quer!
O MAU EXEMPLO DO PODER PÚBLICO
No entanto, não é somente a mídia e o comércio que contribuem para as aglomerações, com o consequente aumento do número de contaminados pela Covid-19. O poder público, que deveria dar exemplo, também colabora para que isso aconteça. No nosso caso particular, a Prefeitura de Vitória da Conquista dá mau exemplo.
Como se tudo estivesse normal, está fazendo a iluminação da cidade, principalmente da Praça Tancredo Neves, um chamariz para as aglomerações nas noites natalinas. Em respeito aos mais de 200 mortos locais, vítimas do coronavírus, e aos quase 200 mil no Brasil, o executivo não deveria fazer essa iluminação. Eles não estão nem aí para quem se foi nessa terrível leva do vírus.
É muita hipocrisia e pouco senso humanista. Nessa época do ano, não faltam os apelos de doações, com os chamamentos já conhecidos de “Natal sem Fome”. Não se trata aqui de condenar essas campanhas, só que se dá um prato de comida ao pobre no Natal, que depois é esquecido no resto do outro ano. Certamente, o miserável come no Natal e só vai sentir fome no próximo.
MAIS PREOCUPADA COM A “CARIDADE”
É uma sociedade que está mais preocupada em fazer sua “caridade”, como forma de se redimir de suas indiferenças e maldades contra os seres humanos, do que lutar, questionar e combater as profundas desigualdades sociais que assolam o nosso país. Os dados estatísticos dos organismos internacionais, que colocam o Brasil nas últimas posições do mundo nos índices de desenvolvimento humano, nos envergonham.
É muito confortável você fazer sua doação, sua esmola e depois continuar o resto do ano no seu conformismo, como se nada estivesse acontecendo no cenário político, econômico e social, onde o Estado, cada vez mais protege os mais fortes e deixa desamparados os mais fracos (o rico fica mais rico, e o pobre mais pobre).
Os atos de doações aumentam na ordem aritmética, enquanto a miséria na ordem geométrica. Até quando vamos continuar assim, sem cobrar dos governantes ações concretas, voltadas para reduzir essas desigualdades? E os altos impostos que pagamos? Boa parte é roubada pelos salteadores da nação? Todos finais de ano fazemos as festas das doações, e todos ficam “contentes”, menos os pobres miseráveis que só têm alegria e rir um dia por ano.
POR QUE OS GENERAIS ESTÃO NO PODER?
Generais, coronéis e outros oficiais estão nos principais cargos do governo do capitão-presidente, que chegou a ser expulso do exército. Será que alguém aí pode explicar o porquê dessa submissão que chega a manchar a imagem das forças armadas? Com certeza não é abnegação e altruísmo de servir a pátria amada.
Por status, poder e ganância vale tudo, até bater continência para um capitão despreparado, descompensado e truculento que chama os brasileiros de “maricas”; trata jornalista de homossexual; diz frases absurdas; isola o país de outras nações; atenta contra o meio ambiente; e tudo faz para que a população não se vacine contra a Covid-19.
NÃO DÁ PARA DESCOLAR
As forças armadas (exército, marinha e aeronáutica) podem até dizer que não têm nada a ver com isso, pois os generais e coronéis não são da ativa, mas não dá para descolar uma coisa da outra. Será que não bastou o tempo da ditadura civil-militar de mais 20 anos?
Aliás, no período da ditadura tinha menos militares nos postos chaves do governo federal do que agora. No momento atual, todos aceitaram assumir seus cargos, mesmo completamente fora da sua área, como é o caso do ministro da Saúde, que recebe ordens do capitão, apesar de esdrúxulas e contra o que recomenda a ciência. Isso é muito vergonhoso! Diz-se que o general e um grande logístico e estrategista.
O Brasil, por acaso, está em alguma guerra contra algum país? Aliás, estamos, mas no combate a um terrível vírus que já ceifou a vida de quase 200 mil brasileiros, e poderia não ter chegado a esse número se o ministro Mandetta tivesse continuado em sua pasta como médico, com sua equipe de infectologistas e epidemiologistas, recomendando o isolamento e estabelecendo os devidos protocolos.
Isso que estamos vendo dos generais fora de seus lugares é só por vocação de servir a pátria? Por que há anos o Maduro, da Venezuela, continua no poder, mesmo diante de tanto sofrimento de seus compatriotas? Em muitos aspectos, o Brasil é uma repetidora da Venezuela.
Falam de Deus, Pátria e Família, mas fazem tudo ao contrário, quando se aliam a países ditadores; armam para fechar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal; dizem que o homossexualismo é decorrência de uma família desajustada; chamam os negros de escória; incentivam o garimpo em terras indígenas; e acabam com órgãos fiscalizadores que atuam voltados para a preservação do meio ambiente.
Não tenho dúvidas que a história vai fazer o seu julgamento pelo o que o Brasil está passando e, mais uma vez, os generais vão ter sua grande parcela de culpa por terem aceitado cargos de um governo que não veio para construir, mas para destruir.
Na verdade, ele está cumprindo tudo de ruim que prometeu durante a campanha eleitoral. Só não fez mais porque teve intervenção do Congresso e do Supremo em algumas medidas malucas e psicopatas, como a mais recente de isentar a alíquota do imposto de importação para armas.
Agora quer que o brasileiro assine um termo de compromisso quando for se vacinar (não se sabe quando e se haverá). Essa prática não existe em país nenhum do mundo. Estamos vivendo os maiores absurdos que nos fazem deixar de ter orgulho de ser brasileiro. A nossa imagem lá fora é a pior possível.
Enquanto os generais se refastelam no poder, o Brasil está calado e engessado. Não existem manifestações e protestos de estudantes, operários, professores, artistas, intelectuais e outras categorias e classes. A oposição, que deixou de existir, ficou muda, surda e cega. É um silêncio ensurdecedor e uma cegueira total. Só se ouve os “blábláblás” de sempre, e os urros do capitão-presidente, gritando com os generais.
“HISTÓRIA DO POVO CIGANO” (Parte 6)
AS TEORIAS INTELECTUAIS DAS DOUTRINAS BIOLÓGICAS, “COMBATER O MAL CIGANO”, AS ESTERILIZAÇÕES, O HOLOCAUSTO CONTRA OS CIGANOS QUE DIZIMOU MAIS DE MEIO MILHÃO, AS SEDENTARIZAÇÕES NOS PAÍSES COMUNISTAS E OS PEDIDOS DE INDENIZAÇÕES.
Com a subida de Hitler ao poder, na Alemanha, em 1933, o nazismo já encontrou um terreno propício pelos cientistas e intelectuais para impor sua política de esterilização e extermínio dos ciganos e outros viajantes considerados inúteis e inválidos pelo regime de pureza das raças. O primeiro campo de concentração foi instalado para excluir os ciganos da sociedade e, durante a Grande Guerra, a etnia foi vítima do mesmo holocausto dos judeus. Em trabalhos forçados, em campos de concentração e câmaras de gás foram mortos mais de meio milhão de ciganos.
De acordo com relato do acadêmico e pesquisador britânico, Angus Fraser, as migrações na Europa Ocidental, principalmente, apertaram as atitudes dos governos contra os ciganos. Com a chegada do século XX, as coisas pioraram com o nazismo. “As portas dos campos da morte assumiram o papel do averno dos antigos para o inferno”. Foram invocadas as teorias intelectuais das doutrinas biológicas sobre a pureza das raças, das estirpes e da eugenia do final do século XIX, colocando em prática as políticas de repressão.
A CRIMINALIZAÇÃO DAS “RAÇAS INFERIORES”
O ensaio do conde francês Gobineau (1853/5) teve enorme influência sobre o pensamento filosófico e político, especialmente na Alemanha. Para ele, a raça era o fator decisivo do desenvolvimento histórico (existem raças superiores e inferiores e o topo é conferido à ariana). Gobineau achava a miscigenação desastrosa. As suas ideias foram ainda mais distorcidas pelo inglês Houston Stewart Chamberlain, cuja obra “Fundamentos do Século XIX” (1899) exaltava o papel históricos dos teutões.
A partir de suas teorias, as doutrinas biológicas vieram revolucionar a criminologia com “O Homem Delinquente”, de 1876, de Cesare Lombroso (Origem Atávica do Crime). Lombroso nada tem de bom sobre os ciganos e ainda serve de base para os agentes do crime apertarem o cerco. Os ciganos foram classificados como frívolos, desavergonhados, imprevidentes, ineptos, barulhentos, violentos e licenciosos, gostavam de carne podre e eram suspeitos de canibalismo.
Com o Darwinismo Social, concluiu-se que o fator biológico é o determinante em todas as esferas da vida. Na concepção dessas doutrinas, o Estado moderno tinha que voltar sua atenção para a promoção dos biologicamente válidos e nada de proteger os fracos. A partir dessas ideias e outras do tipo, começou-se a “combater o mal cigano”. As repressões tiveram início na Holanda, na fronteira com a Alemanha, mesmo para os ciganos que eram ricos. No rastro, os vizinhos tomaram medidas restritivas.
Os germânicos sempre desconfiaram dos ciganos. Mesmo depois da formação do Novo Império e da anexação da Alsácia e da Lorena, em 1871, os Lander que constituíam o Reich não abandonaram seus controles de fronteiras internas. Cada um continuava a ser responsável pelo seu próprio policiamento e pela administração das medidas contra os ciganos.
A política de Bismarck tinha duas vertentes. Uma delas era excluir ou livra-se dos ciganos estrangeiros e levar os nacionais, que ainda fossem itinerantes, a adotar uma vida sedentária. Todavia, os documentos oficiais não procuravam confinar-se aos ciganos num sentido puramente racial, para evitar problemas de definição como “ciganos e pessoas que viagem à maneira dos ciganos”.
“COMBATER O MAL CIGANO”
A Alemanha não teve dificuldades em garantir a cooperação dos Estados vizinhos para manter os ciganos à distância. A diretriz sobre o” combate ao mal cigano”, emitida pelo ministro do Interior da Prússia, em 1906, enumerava nove acordos bilaterais com a Áustria- Hungria, Bélgica, Dinamarca, França, Itália, Luxemburgo, Holanda, Rússia e Suíça.
DEU A LOUCA NO BRASIL DA PSICOPATIA
A princípio, o psicopata é até uma pessoa gentil e aparenta ser normal. No entanto, ele não tem empatia com o semelhante e nem está aí para o sofrimento do próximo. Não acredita na ciência, mas se mostra fervoroso, só que ele é agressivo, truculento e considera anormal quem não comunga com suas ideias retrógradas, homofóbicas, xenófobas e racistas. Diz-se patriota nacionalista, mas isola a nação com atitudes reacionárias. Não está nem aí para o meio ambiente, e coloca o Estado a serviço dos mais fortes em detrimento dos mais fracos. O psicopata tem muitos seguidores fanáticos.
Não sou nenhum psicólogo, mas me arisco a dar meu palpite a estes tipos de comportamentos, com os quais estamos hoje convivendo no Brasil, especialmente nesta época de pandemia da Covid-19 onde temos um governo negacionista que está mais preocupado em salvar a economia do que vidas humanas. Foi assim desde o início da chegada do vírus, e vai fechar o ano com quase 200 mil mortes. Mesmo assim, o capitão-presidente diz que estamos no finalzinho da pandemia. É muito desdém e deboche!
O BATE-BOCA DA VACINAÇÃO
Como se não bastasse tudo isso, deu a louca no Brasil com a esperança da chegada da vacinação para combater o vírus. Primeiro o presidente declara em público que a vacina não é obrigatória, insinuando dúvidas nas pessoas, quando ele deveria afirmar o contrário, e estimular a imunização em massa para que todos fiquem protegidos. Fala em liberdade e democracia e prega o desrespeito para com o outro.
Outra loucura e sinal de psicopatia é a falta de estratégia do governo federal no comando central da vacinação via Ministério da Saúde, como sempre ocorreu nos programas nacionais dessa natureza. O general, que recebe ordens do capitão-presidente, preferiu politizar a vacinação no país considerado como um dos mais contaminados do mundo em termos de casos e mortes. O índice por contaminação é altíssimo!
Sem comando central, os estados e as prefeituras, com atitudes isoladas, montam seus planos, inclusive na aquisição dos fabricantes do produto, de acordo com suas preferências. O povo fica entre a ansiedade e as incertezas, enquanto o governo federal bate-boca com os governadores, como numa briga entre bêbados de botequim.
Infelizmente, estamos sem direção, e não se sabe quando, e nem como será o processo de vacinação. Pelo andar da carruagem, vai ser uma verdadeira “guerra”, com filas quilométricas e muito sofrimento. Ficamos esse tempo todo ouvindo esse blábláblá na televisão, com informações desencontradas, que nos deixa mais depressivos. De um lado o vírus. Do outro, a inflação dos alimentos a nos acossar, e os ricos ficando mais ricos e os pobres mais pobres, encurralados como bois sendo levados para os matadouros.
Isso é muito triste e vergonhoso. Enquanto assistimos outras nações avançarem em seus programas, inclusive a Inglaterra, com seriedade e aprovações urgentes das agências de vigilância sanitária, no Brasil só se ouve o bate-boca, agora com o general do Ministério da Saúde dizendo que vai confiscar as vacinas dos estados. Não se sabe o que é pior, se esse governo louco, ou se o vírus que ceifa vidas. Aliás, se tivéssemos uma gestão competente, o Brasil não estaria nesse nível de genocídio.
Sempre tenho dito que esse governo já deveria ter sido afastado por insanidade mental por nos chamar de “maricas” e nos deixar desamparados, sem rumo nas portas dos hospitais superlotados, com choros e ranger de dentes. Eles ficam a bater boca, enquanto a população cada vez mais se aglomera nas ruas, nas praias, shoppings, parques e baladas.
TODOS MENTEM
Por outro lado, os governadores e prefeitos, em geral, inclusive de Vitória da Conquista, preferem ampliar o número de leitos do que restringir a flexibilização do comércio, especialmente agora no período de festas de final de ano. Os lojistas e empresários em geral, que só pensam no lucro, fazem de conta que seguem os protocolos, simplesmente colocando um frasco de álcool gel nas portas dos estabelecimentos. No fim, todos mentem.
Estive esta semana na rua e observei muitas lojas pequenas com o número de pessoas circulando no interior além do limite estabelecido. Como praticamente não existe fiscalização (o poder público também mente), os comerciantes não controlam a entrada dos clientes como deveria. Na verdade, para eles, quanto mais gente visitando sua loja, melhor, porque pode entrar mais grana.
Há três ou dois meses, antes das eleições, vinha dizendo que entre final de novembro e início de dezembro nós teríamos um novo pico da Covid-19, (não precisa ser infectologista) com mais mortes, numa repetição, talvez ainda maior, do que aconteceu no meado do ano. Para os políticos, a eleição não seria fator de contaminação porque só estavam pensando no poder. Está aí agora o resultado! Muitos deles estão com o vírus, e devem ter passado para outros.
A MOTO E O TRÂNSITO
A motocicleta (originária da bicicleta) veio primeiro que o veículo motorizado. No início eram as charretes e carruagens charmosas que conduziam os senhores do dinheiro, puxadas por cavalos. As carruagens lembram os tempos do oeste norte-americano do faroeste. Depois chegaram os carros antigos para revolucionar o transporte e, como todo progresso vem junto também seus efeitos negativos para os humanos, esse meio de locomoção exigiu a construção de vias, ruas e rodovias transitadas que começaram a provocar acidentes com vítimas fatais. Começaram os engarrafamentos nas cidades, e ai a indústria cuidou de fabricar as motos para agilizar o transito das pessoas. Acontece que elas, de duas rodas perigosas, viraram símbolos da morte por causa da imprudência dos condutores que passaram a costurar o trânsito para chegarem antes dos veículos em seus locais de destino. Subiram, alarmantemente, o número de acidentes, a maioria com mortes, quando não deixam graves sequelas no indivíduo. Como gafanhotos do trânsito, os motoqueiros se metem entre os veículos, cortando por todos os lados e depois culpam os motoristas dos veículos. Dificilmente um motoqueiro reconhece que entrou errado e terminou sofrendo um acidente. Sempre colocam toda culpa no veículo de quatro rodas por ser maior. Nos últimos anos, cresceu, assustadoramente, o número de motos (foto do jornalista Jeremias Macário) rodando nas ruas de Vitória da Conquista. Essa elevação de motos na cidade está diretamente ligada com o aumento de mortes no trânsito, por falta de responsabilidade dos motoqueiros, pois se trata de um meio de condução que exige muito cuidado e prudência.
A CIGARRA, A VIOLA E A GUITARRA
Poema em processo de acabamento de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Assim é a cigarra, a viola e a guitarra,
Uma arrebenta o peito com sua cantoria,
Para anunciar as chuvas a cair lá no sertão,
A viola no seu arrasto faz chorar o coração,
Pra falar de amor e do destino nordestino,
E os três regem o concerto da sinfonia.
A cigarra vaidosa exibe seus acordes,
Para disputar a conquista da sua rainha,
A viola sola a saudade da sua amada,
Que foi embora sem deixar uma só linha,
A guitarra rasga o som dos Rolling Stones,
E as multidões deliram com os megatons.
Canta, canta os seus versos a cigarra,
No canto forte do cigano andante gitano,
E a viola acompanha o tom da guitarra,
No triste lamento das nossas florestas,
Queimadas pelos alienígenas perversos,
Que acabaram com suas vidas de festas.
Em louvor ao Criador da nossa mãe gaya,
A cigarra canta, canta que até desmaia,
Uma canção alegre e também de tristeza,
Na melodia sublime da viola e da guitarra.

















