As empresas e o comércio em geral nos entopem de anúncios publicitários neste final de ano, principalmente fazendo chamadas para as compras de Natal. A mídia também não fica atrás e tome notícias sobre as festas, dando coberturas aos seus clientes. O contraditório nisso tudo é que, do outro lado, com a maior hipocrisia, pedem para que a população não se aglomere nesses tempos cruéis de pandemia.

É isso aí, eles incitam, mordem com suas garras gananciosas e depois dão uma assoprada. O pior é que o povo, como manada, corre para as lojas, compra presentes, se endivida e chama amigos e parentes para a noite de Natal e a passagem de Ano Novo. Como no São João, vai acontecer o mesmo com o Natal, e a onda de correrias nas ruas, supermercados, feiras, lojas e outros estabelecimentos comerciais está aí. Só não vê quem não quer!

O MAU EXEMPLO DO PODER PÚBLICO

No entanto, não é somente a mídia e o comércio que contribuem para as aglomerações, com o consequente aumento do número de contaminados pela Covid-19. O poder público, que deveria dar exemplo, também colabora para que isso aconteça. No nosso caso particular, a Prefeitura de Vitória da Conquista dá mau exemplo.

Como se tudo estivesse normal, está fazendo a iluminação da cidade, principalmente da Praça Tancredo Neves, um chamariz para as aglomerações nas noites natalinas. Em respeito aos mais de 200 mortos locais, vítimas do coronavírus, e aos quase 200 mil no Brasil, o executivo não deveria fazer essa iluminação. Eles não estão nem aí para quem se foi nessa terrível leva do vírus.

É muita hipocrisia e pouco senso humanista. Nessa época do ano, não faltam os apelos de doações, com os chamamentos já conhecidos de “Natal sem Fome”. Não se trata aqui de condenar essas campanhas, só que se dá um prato de comida ao pobre no Natal, que depois é esquecido no resto do outro ano. Certamente, o miserável come no Natal e só vai sentir fome no próximo.

MAIS PREOCUPADA COM A “CARIDADE”

É uma sociedade que está mais preocupada em fazer sua “caridade”, como forma de se redimir de suas indiferenças e maldades contra os seres humanos, do que lutar, questionar e combater as profundas desigualdades sociais que assolam o nosso país. Os dados estatísticos dos organismos internacionais, que colocam o Brasil nas últimas posições do mundo nos índices de desenvolvimento humano, nos envergonham.

É muito confortável você fazer sua doação, sua esmola e depois continuar o resto do ano no seu conformismo, como se nada estivesse acontecendo no cenário político, econômico e social, onde o Estado, cada vez mais protege os mais fortes e deixa desamparados os mais fracos (o rico fica mais rico, e o pobre mais pobre).

Os atos de doações aumentam na ordem aritmética, enquanto a miséria na ordem geométrica. Até quando vamos continuar assim, sem cobrar dos governantes ações concretas, voltadas para reduzir essas desigualdades?  E os altos impostos que pagamos? Boa parte é roubada pelos salteadores da nação? Todos finais de ano fazemos as festas das doações, e todos ficam “contentes”, menos os pobres miseráveis que só têm alegria e rir um dia por  ano.