:: 16/dez/2020 . 23:42
ELES INCITAM AS AGLOMERAÇÕES
As empresas e o comércio em geral nos entopem de anúncios publicitários neste final de ano, principalmente fazendo chamadas para as compras de Natal. A mídia também não fica atrás e tome notícias sobre as festas, dando coberturas aos seus clientes. O contraditório nisso tudo é que, do outro lado, com a maior hipocrisia, pedem para que a população não se aglomere nesses tempos cruéis de pandemia.
É isso aí, eles incitam, mordem com suas garras gananciosas e depois dão uma assoprada. O pior é que o povo, como manada, corre para as lojas, compra presentes, se endivida e chama amigos e parentes para a noite de Natal e a passagem de Ano Novo. Como no São João, vai acontecer o mesmo com o Natal, e a onda de correrias nas ruas, supermercados, feiras, lojas e outros estabelecimentos comerciais está aí. Só não vê quem não quer!
O MAU EXEMPLO DO PODER PÚBLICO
No entanto, não é somente a mídia e o comércio que contribuem para as aglomerações, com o consequente aumento do número de contaminados pela Covid-19. O poder público, que deveria dar exemplo, também colabora para que isso aconteça. No nosso caso particular, a Prefeitura de Vitória da Conquista dá mau exemplo.
Como se tudo estivesse normal, está fazendo a iluminação da cidade, principalmente da Praça Tancredo Neves, um chamariz para as aglomerações nas noites natalinas. Em respeito aos mais de 200 mortos locais, vítimas do coronavírus, e aos quase 200 mil no Brasil, o executivo não deveria fazer essa iluminação. Eles não estão nem aí para quem se foi nessa terrível leva do vírus.
É muita hipocrisia e pouco senso humanista. Nessa época do ano, não faltam os apelos de doações, com os chamamentos já conhecidos de “Natal sem Fome”. Não se trata aqui de condenar essas campanhas, só que se dá um prato de comida ao pobre no Natal, que depois é esquecido no resto do outro ano. Certamente, o miserável come no Natal e só vai sentir fome no próximo.
MAIS PREOCUPADA COM A “CARIDADE”
É uma sociedade que está mais preocupada em fazer sua “caridade”, como forma de se redimir de suas indiferenças e maldades contra os seres humanos, do que lutar, questionar e combater as profundas desigualdades sociais que assolam o nosso país. Os dados estatísticos dos organismos internacionais, que colocam o Brasil nas últimas posições do mundo nos índices de desenvolvimento humano, nos envergonham.
É muito confortável você fazer sua doação, sua esmola e depois continuar o resto do ano no seu conformismo, como se nada estivesse acontecendo no cenário político, econômico e social, onde o Estado, cada vez mais protege os mais fortes e deixa desamparados os mais fracos (o rico fica mais rico, e o pobre mais pobre).
Os atos de doações aumentam na ordem aritmética, enquanto a miséria na ordem geométrica. Até quando vamos continuar assim, sem cobrar dos governantes ações concretas, voltadas para reduzir essas desigualdades? E os altos impostos que pagamos? Boa parte é roubada pelos salteadores da nação? Todos finais de ano fazemos as festas das doações, e todos ficam “contentes”, menos os pobres miseráveis que só têm alegria e rir um dia por ano.
POR QUE OS GENERAIS ESTÃO NO PODER?
Generais, coronéis e outros oficiais estão nos principais cargos do governo do capitão-presidente, que chegou a ser expulso do exército. Será que alguém aí pode explicar o porquê dessa submissão que chega a manchar a imagem das forças armadas? Com certeza não é abnegação e altruísmo de servir a pátria amada.
Por status, poder e ganância vale tudo, até bater continência para um capitão despreparado, descompensado e truculento que chama os brasileiros de “maricas”; trata jornalista de homossexual; diz frases absurdas; isola o país de outras nações; atenta contra o meio ambiente; e tudo faz para que a população não se vacine contra a Covid-19.
NÃO DÁ PARA DESCOLAR
As forças armadas (exército, marinha e aeronáutica) podem até dizer que não têm nada a ver com isso, pois os generais e coronéis não são da ativa, mas não dá para descolar uma coisa da outra. Será que não bastou o tempo da ditadura civil-militar de mais 20 anos?
Aliás, no período da ditadura tinha menos militares nos postos chaves do governo federal do que agora. No momento atual, todos aceitaram assumir seus cargos, mesmo completamente fora da sua área, como é o caso do ministro da Saúde, que recebe ordens do capitão, apesar de esdrúxulas e contra o que recomenda a ciência. Isso é muito vergonhoso! Diz-se que o general e um grande logístico e estrategista.
O Brasil, por acaso, está em alguma guerra contra algum país? Aliás, estamos, mas no combate a um terrível vírus que já ceifou a vida de quase 200 mil brasileiros, e poderia não ter chegado a esse número se o ministro Mandetta tivesse continuado em sua pasta como médico, com sua equipe de infectologistas e epidemiologistas, recomendando o isolamento e estabelecendo os devidos protocolos.
Isso que estamos vendo dos generais fora de seus lugares é só por vocação de servir a pátria? Por que há anos o Maduro, da Venezuela, continua no poder, mesmo diante de tanto sofrimento de seus compatriotas? Em muitos aspectos, o Brasil é uma repetidora da Venezuela.
Falam de Deus, Pátria e Família, mas fazem tudo ao contrário, quando se aliam a países ditadores; armam para fechar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal; dizem que o homossexualismo é decorrência de uma família desajustada; chamam os negros de escória; incentivam o garimpo em terras indígenas; e acabam com órgãos fiscalizadores que atuam voltados para a preservação do meio ambiente.
Não tenho dúvidas que a história vai fazer o seu julgamento pelo o que o Brasil está passando e, mais uma vez, os generais vão ter sua grande parcela de culpa por terem aceitado cargos de um governo que não veio para construir, mas para destruir.
Na verdade, ele está cumprindo tudo de ruim que prometeu durante a campanha eleitoral. Só não fez mais porque teve intervenção do Congresso e do Supremo em algumas medidas malucas e psicopatas, como a mais recente de isentar a alíquota do imposto de importação para armas.
Agora quer que o brasileiro assine um termo de compromisso quando for se vacinar (não se sabe quando e se haverá). Essa prática não existe em país nenhum do mundo. Estamos vivendo os maiores absurdos que nos fazem deixar de ter orgulho de ser brasileiro. A nossa imagem lá fora é a pior possível.
Enquanto os generais se refastelam no poder, o Brasil está calado e engessado. Não existem manifestações e protestos de estudantes, operários, professores, artistas, intelectuais e outras categorias e classes. A oposição, que deixou de existir, ficou muda, surda e cega. É um silêncio ensurdecedor e uma cegueira total. Só se ouve os “blábláblás” de sempre, e os urros do capitão-presidente, gritando com os generais.
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