:: 25/dez/2020 . 21:49
“HISTÓRIA DO POVO CIGANO” (Final)
FUGA EM MASSA, NOS PAÍSES DO SOCIALISMO SOVIÉTICO, A LÍNGUA E SEUS DIALETOS, PEREGRINOS EVANGÉLICOS E CONGRESSOS E COMISSÕES CIGANAS NA EUROPA EM BUSCA POR INDENIZAÇÕES COMO VÍTIMAS DO NAZISMO E DAS PERSEGUIÇÕES DOS GADJÉS.
Depois da guerra ocorreu uma fuga em massa dos ciganos de uma país para o outro. A maioria não foi aceita na Alemanha. Milhares abandonaram seus colonatos para serem operários fabris e da construção civil. O cenário era só de miséria entre nômades e sedentários, morando em tendas e pequenos casebres, embora o preconceito foi mais minimizado, principalmente nos países do Leste Europeu, que foram absorvidos pelo socialismo soviético.
Com a economia centralizada pelo Estado, conforme relata o pesquisador Angus Fraser em seu livro “História do Povo Cigano”, os ciganos tiveram dificuldades de se adaptar ao regime assalariado dos governos. Como o seu tino sempre foi o empreendedorismo, com trabalho autônomo e até liberal em seus negócios, eles foram reprimidos e forçados ao sedentarismo. Mesmo assim, sempre procuravam dar um jeito de se deslocar, para contrariedade dos ditadores comunistas. Muitos parlamentos tentaram regularizar a situação deles, como aconteceu na Holanda.
NO REGIME COMUNISTA
A maior parte ficou no regime comunista, e isso gerou um certo melhoramento. Era dever do Estado ajudar os grupos subdesenvolvidos. O marxismo previa a existência de diferentes nacionalidades e de minorias dentro do Estado. Só na Rússia existia mais de 134 mil, em 1959, e mais de 200 mil, em 1979, mas uma lei declarou o nomadismo como ilegal, em 1956.
A Polônia tentou integrar os ciganos nômades, com abertura de escolas e oficinas cooperativas. No entanto, eles sempre persistiam em suas migrações. Os governos misturavam condescendência com despotismo, benevolências com medidas radicais, como ocorreu na Checoslováquia.
A LÍNGUA E SEUS DIALETOS
A língua dos Sinti tem forte influência do alemão. Já os Roma são mais do Leste Europeu. Outras categorias são os Calés e os quinquis da Espanha e de Portugal, e os manouches, xoraxané, rom (kalderash) da França. Na Itália viviam os Sinti, Abruzzi e Calábria. Muitos deles vieram da Grécia. No Balcãs, existia uma grande complexidade étnica. Na Iugoslávia perambulavam 20 tribos principais entre cristãos e mulçumanos. Na Suécia, eles ficaram conhecidos como tatare e zigenare.
Nos anos 80, de acordo com estimativas do autor da obra, a população cigana era medida entre 2 a 5 milhões em toda a Europa. Suas línguas são carregadas de dialetos entre os vários grupos. Segundo Fraser em “História do Povo Cigano”, “muitas vezes se tem previsto a morte da sociedade cigana. O fato de a língua, os costumes, as tradições e todo um estilo de vida estarem em constante mutação e adotarem elementos de outra sociedade, é tido como indicador de declínio”.
Ainda conforme o acadêmico, “os valores familiares são o cimento importante de muito da vida cigana, o que se torna evidente na abordagem a um meio de ganhar a vida. Em geral, os filhos começam a contribuir assim que têm idade. Muitas vezes, com pouca instrução no sentido convencional, as crianças saem com adultos, vendendo e ajudando no trabalho dos pais”.
PEREGRINOS EVANGÉLICOS E ASSOCIAÇÕES
A maioria vive atualmente o sedentarismo. Trocaram o cavalo pelos carros para puxar suas carroças, mas o animal continua muito importante em suas vidas. Muitos passaram novamente a ser peregrinos e evangelistas, se adaptando à religião do país onde vivem. Existem ciganos católicos, protestantes e ortodoxos. No batismo e no matrimônio seguem seus costumes. Santa Sara é adotada como padroeira, e a peregrinação mais conhecida é a Les Santes Maries de la Mer, nos dias 24 e 25 de março. Outros autores falam do início de maio.
A Igreja Evangelista Cigana constitui o primeiro exemplo autêntico de uma organização de massa pan-cigana na Europa Ocidental que transcende as subdivisões tribais. Nos anos 30, a nível político, houve alguma agitação para promover um grupo de pressão internacional na Polônia e na Romênia.
Depois da Segunda Guerra, os graves problemas que os ciganos defrontaram nas sociedades industriais foram, de início, ponderados em grande parte por organizações gadjés, preocupadas com a situação das comunidades. No entanto, os ciganos começaram também a formar suas próprias associações e grupos de pressão religiosas, políticas e culturais, tanto em termos locais, como nacionais.
CONGRESSOS E COMISSÕES CIGANAS NA BUSCA POR INDENIZAÇÕES
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