:: 30/dez/2020 . 23:49
ESSA GENTE NÃO MERECE COMPAIXÃO!
Confesso que estou pensando seriamente (olá companheiros Gonzalez, Celino, Paulo Nunes, Zé Silva) de deixar de assistir noticiários das mídias convencionais em geral (nem falar de redes sociais), para não pirar e ter que me internar num hospício de loucos. Aliás, já estamos nele. Muita gente do meu Brasil não merece compaixão, e nem ser defendido porque você pode ser apedrejado como comunista satânico. É o fundamentalismo cristão evangélico.
Nossos hermanos da fronteira, a que tanto fazemos piadas sarcásticas e somos adversários ferrenhos no futebol, já estão se vacinando com produtos de vários laboratórios, curtindo com nossas caras. Aqui, vizinhos hermanos, está um samba de crioulo doido. O nosso Ministério da Saúde é um general, comandado por um capitão que, por sua vez, regula a Anvisa, uma tal de Agência de Vigilância Sanitária.
SEM AGULHAS E SERINGAS
É muita confusão e desencontros de informações, que me sinto envergonhado de contar o que está acontecendo. Uns falam em final de janeiro e outros para o meado de fevereiro. O mais grave em tudo isso, meus hermanos, é que não temos agulhas e seringas para aplicar as doses. Vamos ter que improvisar esses materiais em alguma oficina de ferreiro.
Os hospitais estão no seu limite de capacidade de atendimento, e em muitos cemitérios não existe mais espaço para sepultar os mortos da Covid-19. Muito choro e ranger de dentes! Do outro lado, os noticiários não cansam de mostrar imagens de baladas e festas de até duas mil pessoas, sem máscaras, e todo mundo na maior gandaia. Vem ai o carnaval!
Neste final de ano, o nosso país está fervendo de gente viajando nas estradas, pelos rios, pelo ar e pelo mar. Ah, você está dizendo que tudo isso não passa de mentira! Então, se tiver coragem venha ver com seus olhos. E tem mais! A nossa mídia instiga as aglomerações, noticiando que estamos em clima de festas e dando dicas de comidas, bebidas e como se preparar para as viagens.
É um formigueiro só de gente, pra lá e pra cá, a maioria de pessoas de baixo poder aquisitivo. Onde arrumam grana? Não sei explicar, meu caro. É uma doideira só! Não vale a pena ter compaixão desse pessoal, pois quando se adverte dos altos perigos, essa turma nos xinga de comunistas, esquerdistas e almas penadas do mal. Coisa é quando se critica as desigualdades sociais! Ah, aí somos chamados de diabos chifrudos vermelhos, saídos das profundezas do inferno!
A maioria já foi inoculada com o veneno do fascismo, do negacionismo da ciência e estão curtindo uma louca psicopatia. Só pode ser coisa de hipnotismo! O poeta Manuel Bandeira avisou que ia embora para Passárgada, mas foi naquela época. Eu quero ir para o país dos ciganos. Hoje, não podemos ir mais para lugar nenhum, pois não somos mais aceitos em terras estrangeiras. Somos personas non gratas, meu amigo hermano! Estamos ferrados nesse chão sem dono e comando, mais parecido com o faroeste norte-americano do bang-bang.
“O FIM DO HOMEM SOVIÉTICO”
Bem, são muitas coisas mais para falar, mas é melhor ficar quieto. São muitas barbaridades e absurdos! Para passar o tempo, estou lendo “O Fim do Homem Soviético”, de Svetlana Aleksiévitch, escrevendo algumas obras que já foram desclassificadas pela Secretaria de Cultura da Prefeitura de Vitória da Conquista e cuidando de minhas hortas para não consumir agrotóxicos, que também estão matando a gente.
Vou citar aqui algumas coisas da escritora vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2015, como “você liga a televisão e todos estão falando como bandidos: Os políticos, os homens de negócios, o presidente. Propinas, subornos, rateios…A vida humana não vale um tostão. Como na cadeia…”
“Cagaram no cérebro do povo”. “Quem perdeu a cabeça foram os chefes…” “Todos ficaram com medo, e foi por isso que o povo começou a ir à Igreja. “A ciência também trouxe à humanidade inúmeras catástrofes. Vamos, então, aniquilar os cientistas! Ela também cita o inglês Chesterton: “um homem sem utopia é muito mais assustador que um homem sem nariz”.
“Não tenho admiração pelo nosso próprio povo. Nem pelos comunistas, nem por nossos líderes comunistas. Especialmente hoje em dia. Todos ficaram mesquinhos, aburguesados, todos querem do bom, querem viver bem. Consumir e consumir”. “Provaram um terninho americano, ouviram o Tio Sam. Mas, o terninho americano não entra. Cai mal… Não corremos atrás da liberdade, corremos atrás de jeans… de supermercados… Fomos corrompidos por embalagens brilhantes”…
Tudo isso é só para relaxar o espírito e refletirmos um pouco, meu vizinho hermano. Estamos encurralados pelo bicho espinhoso”. Ele está nos devorando. Já levou quase 200 mil, e tem fome de mais. O povo não está nem aí para os que se foram. Será que estamos seguindo aquela parábola de que “os últimos serão os primeiros? Sei lá!
“O ANO EM QUE A TERRA PAROU” E O POVO BRASILEIRO SE ODIOU
OS BRASILEIROS ESTÃO MATANDO UNS AOS OUTROS, E TUDO INDICA QUE SERÃO OS ÚLTIMOS NO MUNDO A SEREM VACINADOS. A IGNORÂNCIA É OUTRO VIRUS MORTAL.
Dois mil e vinte começou alegre com a festa do carnaval, mesmo com a chegada da primeira visita de um personagem estranho e indesejável de nome corona, ou covid-19, que já estava fazendo estragos em outros países da Ásia e da Europa. Não se sabia que ele ia fazer a terra parar, como profetizou o poeta.
O Brasil já vinha na onda do ódio e da intolerância do racismo, da homofobia, da xenofobia e da misoginia por causa de uma eleição de extremos onde predominaram as falsas notícias de calúnias, injúrias e difamações. As esquerdas foram demonizadas como comunistas, principalmente pelos evangélicos fanáticos, como se fossem o Anticristo saído do inferno.
A SEPARAÇÃO E A CEGUEIRA
Com um governo de retrocesso, o corona aproveitou o clima para instigar mais ainda a separação e alimentar a loucura da cegueira, Com sua coroa de espinhos aqui encontrou terreno fértil para ceifar a vida de quase 200 mil brasileiros, enquanto eles continuaram brigando e se xingando. Trouxe muitas lágrimas e dores, e também a indiferença e a psicopatia.
Todos estão querendo que o nefasto ano passe e entre logo o dois mil e vinte um, como se num passo de mágica tudo fosse mudar por causa de um simples calendário. Entretanto, não é o novo que tem o poder de apagar todas essas coisas ruis de sofrimento, mas as pessoas, se elas tomarem consciência de renovação, de união e se tornarem mais humanas, não uns matando os outros.
Com esse clima de barbárie entre os brasileiros, não dá para ser otimista de que as coisas vão melhorar, pelo menos a curto prazo. A cruel realidade comportamental da nossa gente nos mostra que os primeiros meses de dois mil e vinte e um vão ser ainda mais turbulentos, com muitas mortes.
Houve uma trégua com a baixa de contaminados, mas aí vieram as aglomerações das eleições que não deveriam ter acontecido neste ano. Somado a isso, os jovens entraram nas baladas e muitos emendaram com as festas de final de ano, trocando as viagens e as visitas pela vida. São cenas tristes de um suicídio coletivo onde uns matam outros. É um país sem consciência que confunde liberdade com irresponsabilidade e desrespeito ao outro. A grande maioria é falsa e hipócrita quando fala uma coisa diante das televisões e faz outra.
A tempestade não passou e ainda vem muito vendaval destruidor por aí. Infelizmente, as cenas nos hospitais e cemitérios vão continuar chocantes, e o Brasil pode ser o último país do mundo a ser vacinado (o nosso vizinho Argentina já está imunizando sua gente). A Europa já está entrando na segunda dose. Uma vergonha!
O BRASIL FUNDAMENTALISTA
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