OS BRASILEIROS ESTÃO MATANDO UNS AOS OUTROS, E TUDO INDICA QUE SERÃO OS ÚLTIMOS NO MUNDO A SEREM VACINADOS. A IGNORÂNCIA É OUTRO VIRUS MORTAL.

Dois mil e vinte começou alegre com a festa do carnaval, mesmo com a chegada da primeira visita de um personagem estranho e indesejável de nome corona, ou covid-19, que já estava fazendo estragos em outros países da Ásia e da Europa. Não se sabia que ele ia fazer a terra parar, como profetizou o poeta.

O Brasil já vinha na onda do ódio e da intolerância do racismo, da homofobia, da xenofobia e da misoginia por causa de uma eleição de extremos onde predominaram as falsas notícias de calúnias, injúrias e difamações. As esquerdas foram demonizadas como comunistas, principalmente pelos evangélicos fanáticos, como se fossem o Anticristo saído do inferno.

A SEPARAÇÃO E A CEGUEIRA

Com um governo de retrocesso, o corona aproveitou o clima para instigar mais ainda a separação e alimentar a loucura da cegueira, Com sua coroa de espinhos aqui encontrou terreno fértil para ceifar a vida de quase 200 mil brasileiros, enquanto eles continuaram brigando e se xingando. Trouxe muitas lágrimas e dores, e também a indiferença e a psicopatia.

Todos estão querendo que o nefasto ano passe e entre logo o dois mil e vinte um, como se num passo de mágica tudo fosse mudar por causa de um simples calendário. Entretanto, não é o novo que tem o poder de apagar todas essas coisas ruis de sofrimento, mas as pessoas, se elas tomarem consciência de renovação, de união e se tornarem mais humanas, não uns matando os outros.

Com esse clima de barbárie entre os brasileiros, não dá para ser otimista de que as coisas vão melhorar, pelo menos a curto prazo. A cruel realidade comportamental da nossa gente nos mostra que os primeiros meses de dois mil e vinte e um vão ser ainda mais turbulentos, com muitas mortes.

Houve uma trégua com a baixa de contaminados, mas aí vieram as aglomerações das eleições que não deveriam ter acontecido neste ano. Somado a isso, os jovens entraram nas baladas e muitos emendaram com as festas de final de ano, trocando as viagens e as visitas pela vida. São cenas tristes de um suicídio coletivo onde uns matam outros. É um país sem consciência que confunde liberdade com irresponsabilidade e desrespeito ao outro. A grande maioria é falsa e hipócrita quando fala uma coisa diante das televisões e faz outra.

A tempestade não passou e ainda vem muito vendaval destruidor por aí. Infelizmente, as cenas nos hospitais e cemitérios vão continuar chocantes, e o Brasil pode ser o último país do mundo a ser vacinado (o nosso vizinho Argentina já está imunizando sua gente). A Europa já está entrando na segunda dose. Uma vergonha!

O BRASIL FUNDAMENTALISTA

 Foi o ano em que a ciência foi renegada no Brasil fundamentalista cristão, cada vez mais isolado do mundo, visto como uma nação atrasada, tudo por culpa de um capitão-presidente que, com seus seguidores da psicopatia e da morte (muitos foram torturadores na ditadura), negaram o vírus e tripudiaram das ações de combate, deixando um país dividido e sem rumo e um comando central para unir forças contra o inimigo maior. Hoje somos inimigos de nós mesmos, com jovens em baladas e pessoas que não seguem os regramentos.

Como se não bastasse tudo isso, eles agora estão querendo boicotar as vacinas que podem nos tirar dessa tormenta infernal. Emperram, adiando datas; soltam fake news; mentem que os laboratórios não querem vender o produto; e até que a vacina é coisa comunista do diabo. Na linha de frente, o genocida-mor prega o não isolamento; incentiva a não vacinação e corta o auxílio social para mais de 30 milhões de brasileiros.

Cercado de generais e coronéis, que estão prestando um desserviço à pátria amada, como eles dizem, o capitão preferiu debochar da ciência, primeiro “receitando” um tal de cloroquina para abater o monstro espinhoso.

Tripudiou do corona e de nós (menos os seguidores aloprados), declarando em público que brasileiro não pega nada, que tudo não passa de fantasia, alarmismo, gripezinha e histeria, Nos desrespeitou dizendo que os brasileiros são uns “maricas”.

Com as mortes, desdenhou respondendo, e daí; não sou coveiro e era o destino de todo mundo. É este mesmo cara que nega a tortura e torce pela volta da ditadura, falando, cinicamente, em liberdade e democracia, quando em maio planejou fechar o Supremo Tribunal Federal

Com suas palavras e ações fascistas de racismo e homofobia, espantou o mundo apoiando as maluquices de Donald Trump, que, felizmente, está indo embora para sempre. Deixou a todos estarrecidos com o desprezo ao meio ambiente, com as queimadas da Amazônia e do Pantanal por causa do desmonte da fiscalização do Ibama. Instigou a grilagem de terras para expulsar os índios, e incentivou a garimpagem na floresta.

FEZ A TERRA PARAR

O coronavírus fez a terra parar logo no primeiro trimestre do ano. Como em filmes fantasmagóricos de ficção depois de uma invasão de extraterrenos, as cidades e suas selvas de pedras ficaram praticamente vazias. Em seus apartamentos e casas, as pessoas viraram prisioneiras. Nas ruas e nos metrôs ainda alguns viventes mascarados de cabeças baixas, mais parecendo robôs. Os países europeus fecharam suas portas e os hospitais superlotaram de doentes terminais à base de respiradores.

Não somente no Brasil, nos Estados Unidos, um xenófobo, negacionista da ciência e nazifascista no poder fez pouco do vírus. Falou barbaridades e conseguiu um monte de seguidores. Deu a louca no mundo! Um negro foi asfixiado pela polícia até a morte, colocando mais lenha na fogueira do racismo. Movimentos de protesto se espalharam por toda parte, enquanto florestas pegavam fogo.

No Brasil, um negro foi espancado até a morte num supermercado no Rio Grande do Sul. Nas redes sociais, os fanáticos retrógrados que pregam Deus, Pátria e Família saíram do armário para despejar todo seu ódio e intolerância represados há anos. O meio ambiente foi seriamente alvejado em seu coração, e grande parte das florestas foi derrubada pelas motosserras.

No final do ano houve um sinal de esperança, uma luz no fim do túnel com a chegada das vacinas. Mesmo assim, as trevas não se dissiparam porque o ser humano não consegue se libertar do seu egoísmo e se aglomera nas compras, colocando o consumismo acima de tudo. Outros desembestados e desajustados condenam a vacina, alarmando que ela provoca mutações no DNA.