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“A GUERRA NÃO TEM ROSTO DE MULHER” – (Final)

A PUNIÇÃO POR SER PRISIONEIRO

“A NKVD prendeu meu marido e me diziam que ele era um traidor. Eu tinha trabalhado na resistência com meu marido. Era um homem corajoso e honesto. Tinham feito uma denúncia contra ele. Uma calúnia. Fui falar com o investigador e mandou que calasse a boca, me chamando de prostituta francesa. As pessoas que viveram a ocupação foram presas e levadas para Alemanha, num campo de concentração fascista. Todas eram suspeitas. Até os mortos eram vistos como suspeitos”.

De outra entrevistada do livro “A Guerra não Tem Rosto de Mulher”, da escritora russa Svetlana: “ O povo venceu e Stalin não confiava no povo. Foi assim que a pátria nos agradeceu. Por nosso amor, por nosso sangue. Meu marido voltou da guerra inválido. Estava envelhecido. Meu filho estava acostumado a pensar que o pai era branquinho, bonito, e veio um homem velho e doente”.

“Em 1931 me tornei a primeira mulher maquinista. Todo mundo se juntava nas estações para olhar a mulher maquinista. Quando começou a guerra pedimos para ir para o front. Meu marido era maquinista-chefe e eu maquinista. Passamos quatro anos viajando em um vagão, e nosso filho conosco. Sofremos vários bombardeios”.

“Meu marido tinha passado por vários países, tinha condecorações, mas estava com medo. Já tinha sido interrogado por ter sido prisioneiro, e sua obrigação era ter se matado com um tiro, mas não tinha mais cartuchos. O comissário partiu a própria cabeça com uma pedra diante dos olhos dele. Não tínhamos prisioneiros, tínhamos traidores”. Foi o que disse o camarada Stalin. Ele renegou o próprio filho que foi capturado. Os investigadores diziam: Por que ficou vivo?

“Eu e meu filho passamos quatro anos esperando que ele voltasse da guerra, e depois da Vitória mais sete do campo de trabalho. Aprendi a me calar. Não confiavam em mim nem para limpar o chão. Agora podemos falar de tudo. Nos primeiros meses da guerra, milhões de soldados e oficiais foram feitos prisioneiros. De quem é a culpa? Quem decapitou o exército antes da guerra, quem fuzilou e caluniou os comandantes vermelhos, como espiões dos alemães e japoneses? Até hoje é terrível! Temos medo”.

Depois de aprender a odiar, era preciso amar de novo – destacou uma mulher que esteve no front e pisou em terras alemãs. “Acumulamos tanto ódio no peito. Tinha vontade de ver as esposas deles, as mães que tinham parido filhos como aqueles. Como eles iam olhar em nossos olhos? Tudo quanto os soldados tinham quando já estavam em terras alemãs dividiam um pedacinho com as crianças. Fui até a Alemanha… Desde de Moscou andando”.

“Cheguei à Alemanha, e entrei logo em combate. Como não me mandei do campo de batalha. Em terras alemãs, conta uma tenente enfermeira que viu um cartaz com os dizeres: “Ai está ela, a maldita Alemanha.  Goebbels tinha convencido a todos que, quando os russos chegassem, iriam cortar, trucidar e matar. Nas casas, todos estavam mortos. As crianças jaziam mortas”.

As pessoas culpavam Hitler pela guerra – assinala uma combatente, mas a tenente respondeu para uma senhora que ele não decidia sozinho. Foram seus filhos e maridos. Segundo outra entrevistada, “você não imagina os caminhos da vitória! Andavam os presos recém-libertos, com carretas, trouxas, bandeiras nacionais. Russos, poloneses, franceses, techecos… todos se misturavam, cada um ia para o seu lado. Todos nos abraçavam. Beijavam…”

“Encontrei jovens russas e uma delas estava grávida. Tinha sido estuprada pelo patrão do lugar onde trabalhava. Ela andava e chorava, batia na barriga: Não vou levar um fritz para casa. As outras tentavam convencê-la, mas ela se enforcou, junto com o pequeno fritz”.

Uma sargento narra que um dos oficiais russos se apaixonou por uma grota alemã. A notícia chegou aos superiores. Ele foi degredado e mandado para a retaguarda. Se tivesse estuprado… É a lei da guerra. Os homens ficam tantos anos sem mulher e, claro, havia o ódio.

“Eu me lembro de uma alemã estuprada. Ela estava deitada nua, com uma granada enfiada no meio das pernas… Cinco jovens alemãs vieram falar com o nosso comandante. Elas tinham feridas lá… Todas as calcinhas ensanguentadas. Tinham sido estupradas por toda noite. Os soldados faziam filas…Disseram para as garotas: Vão lá e procurem, se vocês reconhecerem alguém, fuzilamos na hora. Temos vergonha! Mas elas entraram e choraram. Não queriam mais sangue”.

“Nos mostraram o campo de Auschwitz… As montanhas de roupa feminina, de sapatinhos infantis…As cinzas acinzentadas… Levaram-nas para o campo, para servir de adubo para o repolho… Para a alface…”

Uma operadora de artilharia cita que um dos seus soldados estava bêbado, pois quanto mais perto estava a vitória, mais bebiam. Nas casas e nos porões sempre se achava vinho. “Ele pegou o fuzil e correu para uma casa alemã. Descarregou toda munição. Ninguém teve tempo de ir atrás dele. Corremos, mas dentro da casa todos já estavam mortos. Deixem que eu mesmo me dou um tiro. Foi preso e julgado: Fuzilamento”.

Sobre antes da guerra, uma testemunha revela que estava no teatro quando começou umas salvas de palmas. “No camarote do governo estava Stalin. Meu pai estava preso, meu irmão no campo de trabalhos forçados e, apesar disso, senti entusiasmo que dos meus olhos jorraram lágrimas. Aplaudiram de pé por dez minutos”.

“E fui para a guerra, e lá escutava as conversas de voz baixa. Milhares desapareceram! Milhões de pessoas. Para onde foram? Como Stalin organizou uma onda de fome, eles mesmo chamavam de Holodomor. Mães enlouquecidas comiam os próprios filhos. As conversas não eram em grupos, sempre entre duas pessoas. Três é demais, o terceiro te denuncia.

No final, o livro descreve como foi o terror ao cerco em Stalingrado entre 1941 e 42 quando muitos morreram de fome e pela artilharia pesada dos alemães. A reação do povo russo foi fundamental para que as tropas de Hitler recuassem. São cenas terríveis e chocantes contadas por testemunhas mulheres que lutaram  durante a II Guerra Mundial.

 

GENTE QUE SOFRE

Nunca é demais falar dessa gente nossa que sofre (foto de Jeremias Macário) no dia a dia para conseguir o mínimo de sobrevivência, num país dilacerado pela pandemia da Covid-19 e pelo desgoverno que nega a ciência, incentiva o não uso da máscara e provoca aglomerações. Será que ainda não bastam as mais de 480 mil vidas perdidas? Quem vai consolar o choro dessa nossa gente que sofre nas intermináveis filas bancárias para tirar um mísero auxílio emergencial, sendo que milhares retornam para seus barracos de mãos vazias? Como amar uma pátria que não cuida de seus filhos e deixa 15 milhões fora do mercado de trabalho? E os outros milhares que passam fome? Quem vai confortar essa gente que vê seus filhos a chorar nos cantos com fome? Infelizmente, essa gente é o Brasil que sofre, sem um líder, ou um guia para lhe dar dignidade humana. Essa gente que sofre não tem seus direitos assegurados pela Constituição no âmbito social, da educação e da saúde. Quem é esse que tripudia, debocha da nação e não é punido com seu afastamento? Até quando vão abusar da paciência dessa gente humilde que só pede o pão para se alimentar? Quem é esse que quer mais mortes quando recomenda o não uso de máscaras, como se o Brasil fosse os Estados Unidos, a Inglaterra e Israel  que seguiram a ciência e vacinaram mais da metade de suas populações? Ele ainda é aplaudido pelos seus bobos da corte e seguidores da morte. Será que a história um dia os levará a um tribunal internacional de julgamento por genocídios e crimes de lesa-humanidade?

 

 

MEMÓRIA

Um poema do jornalista e escritor Jeremias Macário em homenagem aos torturados e mortos pela ditadura civil-militar de 1964 e que faz parte do seu livro “ANDANÇAS”

De algum lugar da selva,

De gente pobre submissa,

O guerrilheiro firme resiste,

Redigindo sua carta,

Para sua amada Marta,

Acreditando na vitória,

De construir uma justiça,

Para mudar nossa história.

 

De algum lugar da selva,

Vive uma senhora lavradora,

Onde as réstias da luz do sol,

Disputam espaços nas folhas,

Revigorando o social ideário,

De um guerrilheiro solitário,

Que foi crivado de balas.

Pela tirana metralhadora.

 

Veio a fúria do vento forte,

Cuspindo fogo pelas ventas,

No disfarce de uma chicória,

Que com seu cutelo da morte,

Devorou a nossa memória.

 

Sem o direito de nem pensar,

Quanto mais de se expressar,

Os contras foram torturados,

E sacrificados no altar.

 

Os sobreviventes dos horrores,

Ainda temem seus algozes,

Como os cães mais raivosos,

Que ainda causam as dores,

Ultrajando nossa memória.

 

De uma noite para o dia,

A lua cheia ficou vazia;

Foi-se embora toda ternura,

Porque o carrasco teve anistia,

E a família do desaparecido,

Ficou sem fazer sua sepultura.

 

Pior ainda é perdurar as trevas,

Sem a punição dos assassinos,

Que executaram nossos meninos,

E agora querem outra vez voltar,

Para massacrar e humilhar,

Quem já foi tirado do seu lar.

 

Está entalado em nossa garganta,

O grito proibido da verdade,

Dessa memória ensanguentada.

Que ainda não saiu do porão,

Para punir toda brutalidade,

Dos carrascos de plantão.

UMA CPI DO DITO PELO NÃO DITO DE MENTIRAS E DE OPORTUNISTAS

Sabe daquela pessoa perdida numa floresta que anda em círculos e termina sendo presa da fome, da sede e das feras selvagens? Pois é, assim é a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que foi criada para investigar o governo federal com relação ao tratamento no combate à Covid-19, que já matou cerca de 480 mil brasileiros por negligência e negação da ciência.

Sempre tenho dito aqui que se trata de uma CPI do fim do mundo que ainda quer interrogar governadores e prefeitos por possíveis suspeita de desvios do dinheiro público da saúde. Até o momento só se ouviu, com poucas exceções, mentiras e mentiras de oportunistas de ex-ministros, ministros e assessores incompetentes fanáticos terraplanistas.

Praticamente dela não se extraiu novidades, não muita coisa que não já se soubesse, como a existência de um gabinete paralelo da morte para orientar e conduzir os devaneios malucos do capitão-presidente. Se arrancou, na base de fórceps, uma declaração da ala governista de que não existe tratamento precoce, e nem a cloroquina serve para curar a doença.

Os prevaricadores continuaram prevaricando e não foram presos. O mais inusitado, para quebrar a monotonia, foi o aparecimento de uma médica japonesa – sei lá se é! – que mais parece ter vindo de outro planeta para receitar a cloroquina e até defender a imunidade por rebanho, no lugar da vacinação, mesmo que seja à custa de milhões de vidas.

O brucutu, que disse que ser pária é bom, mentiu descaradamente quando afirmou que nunca atacou o povo e o governo chinês. Até agora foi uma enxurrada de mentiras dos seguidores oportunistas para blindar as travessuras assassinas do capitão-presidente, que sai sem máscara em aglomerações. Depois tudo vai permanecer com antes na Casa de Abrantes.

Essa CPI está parecendo com o “manifesto” dos jogadores da seleção brasileira e da comissão técnica sobre a Copa América ser disputada aqui em território brasileiro em plena pandemia. Criou-se muita expectativa em torno do que o “Tite” e seus pupilos iriam dizer, inclusive contra a competição em nosso país, e terminou saindo “uma titica de galinha”. Simplesmente, uma total decepção, mas esperar o quê de jogador de futebol neste país?

Além de todo esse circo mambembe tupiniquim, o destaque dessa CPI é a tropa de choque do governo com cara de bobo da corte e, em outras ocasiões, de trapalhões tentando explicar o inexplicável, defender o indefensável. “Sua excelência fez uma bela explanação, colocando aqui nessa Comissão todos os pontos, de forma didática, sem deixar espaços para dúvidas. Sua excelência está de parabéns”. Hilário, para não dizer ridículo”.

No mais, o espetáculo continua, como o falso documento do TCU (Tribunal de Contas da União), que pode ser trocado para Tribunal Covid da União, formulado por um auditor maluco, atestando que o número de mortes pelo vírus no Brasil está supernotificado em 50%. O capitão se aproveitou disso para soltar mais uma fake news, ou um factoide, como queira. Estamos mesmo ferrados!

ESTÃO MANCHANDO SUAS FARDAS E ENVERGONHANDO NOSSO BRASIL

Não estamos mais numa Guerra Fria, com ameaças de um totalitarismo comunista, como até hoje alegam quando se fala do golpe civil-militar de 1964, mas estamos na rota do chavismo venezuelano de direita. Como aconteceu lá com o nosso vizinho, as nossas forças armadas, principalmente o exército, estão aqui manchando suas fardas por oportunismo, incitando uma ditadura em troca do poder num governo sinistro.

A um capitão expulso da própria corporação, que mais lembra a reencarnação esquartejada de alguém de um passado macabro, eles obedecem, batem continência e até quebram a hierarquia secular dos quarteis, deixando de punir um general calça curta que publicamente participou de um ato político em apoio ao seu chefe que manda e o outro cumpre as ordens. Tudo não parece uma ironia do destino que envergonha nosso país?

De braços cruzados, praticamente, com raras exceções, eles se silenciam e consentem, enquanto todos os dias nossa liberdade de expressão é ameaçada, como nesse momento em que vos falo, porque existe por aí uma ordem dos advogados conservadores pronta a dedurar quem ousar criticar o capitão-presidente e a sua estafe de generais e coronéis.

Todos os dias presenciamos atos ditatoriais emanados dos mais altos cargos do governo, que passam uma mensagem de autoritarismo para o guarda da esquina e militares que, num atentado explícito à nossa frágil democracia, querem à força impedir o cidadão de se manifestar livremente. A imagem é que está sendo tudo dominado, e a grande maioria se cala.

Até o Procurador Geral da República, que está ali para defender a nação de qualquer mazela e proteger a nossa Constituição de qualquer tirania, age de forma contrária, seguindo as pegadas do chefe que lhe indicou. A própria Procuradoria pede para arquivar as investigações sobre os ataques velados contra a democracia quando pediram claramente a volta da ditadura e do famigerado AI-5, sem contar a intenção de fechar o Supremo Tribunal Federal.

Diante de todo esse quadro de terror que nos faz reviver os tempos de chumbo dos finais dos anos 60 e início dos 70, as forças armadas vão manchando suas fardas e envergonhando o nosso Brasil, tanto no âmbito interno como externo. Mais uma vez, será que os próprios brasileiros serão os inimigos de outrora? Ainda está na hora dos generais e comandantes fazerem uma reflexão e caírem fora, antes que passem negativamente a fazer parte da história como maiores responsáveis que alvejaram cruelmente nossa democracia.

No poder, ao lado de um capitão indisciplinado, eles estão carimbando embaixo, com suas próprias assinaturas, o ódio e xingamento contra os jornalistas, a quebra da hierarquia militar, a negação da ciência, o atraso na compra das vacinas, o não uso da máscara e dos protocolos no combate à Covid, o aumento desenfreado da derrubada e queimada de nossas florestas, o isolamento do Brasil do resto do mundo, entre outros atos ofensos aos brasileiros.

Tudo isso misturado é um serviço, ou um desserviço ao nosso país? As forças armadas aprovam todas essas atitudes estapafúrdias do capitão-presidente? Os quarteis estão alinhados com esse tipo de conduta? Nosso Brasil e nossos brasileiros merecem ser tão maltratados? A imagem do exército, da marinha e da aeronáutica está sendo preservada? Essas instituições estão cumprindo fielmente seu papel que reza a Constituição?

Tenho certeza que no fundo as forças armadas não concordam com esses desvios e comentam que a maior responsabilidade é dos generais da reserva, ou como se chama, os “generais de pijama”, que aceitaram altos cargos no governo por ganância, status e poder. No entanto, tudo isso respinga e muito na instituição como um todo, mancha suas fardas e envergonha o Brasil.

“CONQUISTA É UMA CIDADE EXEMPLAR”

Em uma entrevista na semana passada, o presidente da Câmara de Diretores Lojistas (CDL) disse que “Vitória da Conquista é uma cidade exemplar” no combate à pandemia da Covid-19. Confesso que fiquei espantado e horrorizado! O nosso repórter engoliu mosca porque ele proferiu uma fake news e ficou por isso mesmo.

Como exemplar, presidente, com quase 500 mortes, cerca de três óbitos por dia, quase 100 casos e com mais de 90% de ocupações de UTIs nos hospitais, sem contar a desativação de leitos no São Vicente pela Prefeitura Municipal? Como exemplar com praticamente tudo flexibilizado e muita aglomeração nos bares e restaurantes, principalmente nos finais de semana?

Vocês lojistas só querem saber de faturar, mesmo que isso seja à custa de mais vidas perdidas e famílias derramando suas lágrimas pelos seus entes queridos que se foram. Falam de empregos, mas sabemos que os comerciantes são explorados até sua última gota de sangue e estão na linha de frente da contaminação em contato direto com os clientes.

Como “Conquista é uma cidade exemplar” no controle da pandemia? No Brasil, acho que as cidades que podem ser inclusas nessa classificação são contadas a dedo e são as pequenas. É o mesmo que querer tapar o céu com uma peneira e enganar os outros. Vá dizer isso para quem perdeu um pai, uma mãe, um avô ou um filho.

Não é nem questão de criticar por criticar, mas é uma questão realista. A vacinação se arrasta lentamente como em todo Brasil de mais de 470 mil mortes. Ninguém pode se arvorar para classificar de exemplo, quando não é. Entre nós, aqui mesmo em nossa casa, proliferam os negacionistas da ciência que falam que vacina é como água. Centenas não foram tomar a segunda dose.

Considero isso como bairrismo barato, e uma tremenda mentira comprovada pelos números diários crescentes, conforme citados acima. Vejo pequenas lojas cheias além do limite ocupacional, e uma fiscalização falha, com uma equipe que não tem condições de cobrir uma cidade de 240 mil habitantes.

Vamos ter mais equilíbrio e reconhecer que estamos muito longe para sermos exemplo num Brasil onde desponta uma terceira onda da pandemia, com alguns estados vivendo um colapso nos hospitais. Pelo andar da carruagem, vamos ser um dos últimos a se livrar dessa doença. Na verdade, não somos exemplo para ninguém, quando deixamos de aplicar a vacina nos finais de semana. Ainda estamos longe de fazer o dever de casa.

“A GUERRA NÃO TEM ROSTO DE MULHER” – (Parte III)

TORTURAS E EM TERRAS ALEMÃS RUMO À VITÓRIA

As mulheres russas prisioneiras que lutaram na II Guerra Mundial contam como foram torturadas pelos alemães, e o que viram quando atravessaram a fronteira da Alemanha em direção a Berlim, em 1945, no livro “A Guerra não Tem Rosto de Mulher”, da escritora Svetlana Aleksiévitch.

Recomendo sua leitura por se tratar de uma obra inédita que mostra a atuação das mulheres durante a Grande Guerra.  Esse livro e outros, como “O Fim do Homem Soviético”, lhe renderam o prêmio Nobel de Literatura de 2015.

“Chegamos na primeira frente Bielorrúsia… Vinte e sete garotas… O sentido geral era que as meninas fossem comoventes como rosas de maio, que a guerra não mutilasse suas almas. De acordo com um depoimento colhida em entrevista, “antes não tínhamos tido tempo nem de dar um beijo. Encarávamos essas coisas com mais severidade que nos tempos de hoje”.

“Beijar alguém, para nós, era se apaixonar por toda vida”. A testemunha conta que o amor no front era proibido. Se o comandante soubesse, via de regra, separava os casais e transferia para outras unidades. Mesmo assim, elas se ariscavam e se apaixonavam. “Eu era esposa de campo e campanha. Esposa de guerra. Quem não falou disso foi por vergonha. Ficaram caladas”.

Para os homens numa guerra é difícil passar quatro anos sem uma mulher. “No nosso exército não havia bordeis, nem pílulas. Só os comandantes podiam se permitir a algo, mas os soldados, não”. “Eu o amava. Ia com ele para a batalha, mas ele tinha uma mulher que amava, dois filhos. Sabia que ele não seria feliz sem mim. No fim da guerra eu engravidei. Criei nossa filha sozinha. Ele não me ajudou. Acabou a guerra. Acabou o amor. Deixou uma foto de lembrança e não queria que a guerra acabasse”.

“Eu o amei por toda vida. Já estou velha e não me arrependo” – de uma enfermeira instrutora. De outra, “eu não queria juntar amor com aquilo. Naquelas circunstâncias, o amor morreria num instante. Sem triunfo, sem beleza, como pode haver amor”?

Sobre a solidão de uma bala e de uma pessoa: “A bala é uma só. O ser humano é um só. A bala voa para onde quiser. O destino manipula uma pessoa para onde quiser. Não nos é permitido penetrar no mistério. Gritaram para nós, Vitória! Lembro do primeiro sentimento de alegria e também medo e pânico. Sobramos mamãe e eu, duas mulheres. Antes tínhamos medo da morte, e agora da vida. Era igualmente assustador”. Depois da guerra gritavam para nós: “Sabemos o que vocês faziam lá. Seduziam nossos homens. Putas do front, Cadelas militares. Nos ofendiam de várias maneiras. Eu precisava aprender ser carinhosa. Meus pés se alargaram de tanto usar botas. Na guerra não há cheiros femininos, são todos masculinos. A guerra tem cheiro de homem”.

“Hitler, depois de Napoleão, reclamava com seus generais que a Rússia não segue as regras de combate. Até hoje tenho nos ouvidos o grito de uma criança quando foi atirada dentro de um poço”. Essa é uma referência aos alemães. “Ver um rapaz jovem ser esquartejado por uma serra. Um partisan dos nossos”.

“A Gestapo prendeu minha mãe. Foi torturada e interrogada. Ficou dois anos lá. Os fascistas mandavam minha mãe e outras mulheres na frente quando saíam para as operações. Víamos umas mulheres andando e atrás delas os alemães. Em 1943, os fascistas fuzilaram minha mãe. Em vez de morrer por nada, é melhor morrer, mas não por nada”. Ela (sua mãe) usava um lencinho branco. “Eu atirava para o lado de onde ela estava vindo”.

Sobre os massacres nas aldeias, uma testemunha contou como eles tinham sido fuzilados. Enquanto eram levados para o galpão, mataram as crianças. “O fascista sinalizava: Jogue para cima, vou atirar. A mãe jogou a criança de forma que ela mesma a matasse, para que o alemão não tivesse tempo de atirar.

“Os feridos se alimentavam de colheradas de sal. O que seria de nós sem a população? Éramos um exército inteiro na floresta, mas sem eles teríamos morrido. Eles semeavam, lavravam a terra quando não havia tiros. As pessoas estavam apodrecendo em vida, morrendo de fome. Tinham comido todas as folhas das árvores”.

“Sempre acreditei em Stalin… Acreditei nos comunistas… Eu mesma era comunista. Vivia por ele. Depois do discurso de Khruschóv no XX Congresso, em que ele contou os erros de Stalin, adoeci, cai de cama. Não conseguia acreditar que era verdade”.

“Lutei dois anos na resistência. Perdi as pernas. Fui salva ali mesmo na floresta. A operação foi feita nas condições mais primitivas. Me puseram na mesa de operações, e não tinha nem iodo. Serraram minhas pernas com uma serra simples, sem anestesia”.

Sobre as torturas, uma prisioneira narra que nos interrogatórios da Gestapo, todo dia esperava que a porta se abrisse  e entrassem seus parentes. “Eu sabia onde tinha ido parar, e estava feliz porque não traíra ninguém. Mais do que morrer, tínhamos medo de trair. Só quando tudo acabava e me arrastavam para a cela é que eu começava a sentir dor, e aparecia a ferida. Eu virava uma grande ferida. Batiam em mim, me penduravam, sempre completamente nua. Elas estavam morrendo nos porões da Gestapo. Era um inferno! A minha vontade de viver me salvou”.

A escritora cita a história de uma mulher que decidiu ir para a resistência com a filha e lá, como mensageira, tinha que levar uma máquina de escrever. Mesmo em perigo, em meio ao tiroteio, ela levava a criança e não soltava a máquina. Nem todos os homens conseguiriam fazer isso. O comandante ficou estupefato com aquilo. Quando saímos do cerco, estava coberta de furúnculos, a pele caiando.

“Quando me levaram para a prisão, me chutaram com botas, me açoitavam com chicotes. Aprendi o que era manicure dos fascistas. Colocavam sua mão sobre uma mesa, e uma espécie de máquina espetava agulhas debaixo de suas unhas. É uma dor infernal. Você perde a consciência na hora. Você escuta seus ossos estalando e se deslocando”.

“Fui condenada à pena de morte com outras 20 garotas. Nos arrastaram para uns barracões e lá tinha uma mulher dando de mamar ao bebê. O comandante tirou a criança dos braços da mãe. Tinha uma bica de água, e ele ficou batendo a criança contra o ferro. O cérebro começou a escorrer”.

“Em 1945 me mandaram para os trabalhos forçados dos fascistas. Fui parar no campo de concentração de Croisette, na margem do canal da Mancha. No Dia da Comuna de Paris, os franceses organizaram uma fuga. Sai e me juntei aos maquis”.

UMA FLOR, É UMA FLOR

Alguém já me disse certa vez que uma flor, é simplesmente uma flor, e mais nada, mas é muito mais que isso. Embora ela em pouco tempo desapareça ou murche, fica dentro do coração de alguém. Duvido que alguém, por mais seco e empedernido que seja, olhe para uma flor e não exale sentimentos, recordações, ou não faça uma reflexão da vida. Ela pode até lembrar amargura de algum passado, mas vai lhe fazer melhor para o futuro. Outros falam, e ouvir muito isso ainda jovem, que todo poeta tem que falar de flor e dor. Não necessariamente, porque a flor por si só já é uma poesia divina, mais ainda quando sai das lentes de uma máquina. Foi isso que senti quando a captei em minha máquina, e lá estava no quintal de um amigo. Confesso que ela me cativou pela primeira vez que vi, como se diz do amor à primeira vista. Ela nos faz esquecer, mesmo que seja repentinamente, dos problemas existenciais, das angústias e até das decepções da vida. Nos renova por dentro. Uma flor, é uma flor e, além do seu perfume, seja qual for o nome, tem um sentido de estar ali em meio a esse planeta tão desumano. Mesmo assim, ainda tem gente que a destrói, como faz com o todo meio ambiente, derrubando e queimando as nossas florestas. Os pássaros e os animais silvestre são mais sensíveis que nós humanos, e jamais a pisotearia. Uma flor não é simplesmente uma flor. É muito mais que isso em sua essência e profundeza.

LÍQUIDO AMARGO

Poema de autoria do escritor e jornalista Jeremias Macário, que pode ser encontrado em seu livro “ANDANÇAS”

Dá para escutar o vento farfalhar no trigal,

No brandir das espadas na poeira da arena;

Ouvir o galope do corcel a milhas de distância,

Quando o silêncio visceral da morte,

Derrama seu líquido amargo da solidão,

Pelo corpo que não é mais seu.

 

Dar para sentir o salto veloz da fera,

A dilacera suas presas mortais,

Na garganta sanguenta da razão.

 

O líquido amargo expele sua fórmula,

E com toda calma arranca sua alma,

Para um outro além da dimensão,

Sem ao menos pedir a sua permissão.

 

 

OS COMERCIÁRIOS E O “SÃO VICENTE”

Não vou questionar aqui tecnicamente os critérios adotados de vacinação por grupos prioritários que são inúmeros, mas existem casos de categorias que nem são tanto urgentes, enquanto outras, como a dos comerciários, por exemplo, que já deveriam ter sido incluídos na etapa de imunização. Em Conquista, a aplicação da vacina por idade parou nos 60, se não me engano.

Também não vou aqui citar outra classe profissional, mas a impressão que se tem é que os comerciários não contam com nenhuma representação sindical para defender a inclusão desses trabalhadores entre prioritários. Se formos avaliar, eles estão diariamente em contato direto com clientes nas lojas, por assim dizer, na linha de frente.

Os comerciários são profissionais de poder aquisitivo baixo, que todos dias pegam ônibus lotados para o comércio, tanto de ida ao batente como de volta para casa. Durante todo dia de trabalho cansativo pegam lojas cheias no atendimento aos consumidores. Pode-se afirmar que eles são obrigados a enfrentar aglomerações.

Enquanto isso, outras categorias de menor risco de pegar Covid reivindicam a primazia da vacina, justamente porque têm entidades sindicais e conselhos mais fortes. Existe aqui em Conquista um sindicato dos comerciários que parece não funcionar. Saudades do nosso dileto amigo Guimarães, o “Guima”, que sempre estava lutando em defesa da classe!

Outro assunto que gostaria aqui abordar é quanto ao Hospital São Vicente da Santa Casa da Misericórdia de Vitória da Conquista. Quando cheguei a esta terra, em 1991, e até há poucos tempos, esta unidade de saúde era 100% SUS, e aí ela foi se privatizando até se tornar praticamente particular, com a participação de outros associados empresários do setor de saúde.

Nos últimos anos, somente um pequeno espaço é reservado para pacientes do SUS, e a maior parte para quem tem dinheiro. Diz-se que foi uma política adotada no sentido de evitar o fechamento do hospital. Mesmo que seja, é mais um erro cometido nesse país tão desigual de tanta pobreza e miséria.

Para completar, nesta semana, a Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista anunciou a desativação de vários leitos destinados aos doentes de Covid, alegando corte de recursos federais, tudo isso num momento em que o índice de ocupação é alto, superior a 90% no caso das UTIs para tratar esse maldito vírus.

Diante dessa crítica situação, Vitória da Conquista agora só tem praticamente dois hospitais do SUS Covid-19, para atender a uma região de mais de 50 municípios, o que faz ainda agravar o quadro. Mesmo assim, as medidas restritivas foram afrouxadas pelo poder público municipal. Para completar, no feriado desta quinta-feira, os lojistas decidiram abrir suas portas, o que leva mais gente às ruas, tudo por mais lucros, em detrimento da preservação da vida.

 





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