De uns tempos para cá, certas pessoas entendem que o “Sarau A Estrada” deve tomar posição política ideológica partidária, contanto que seja de esquerda. Não admitem, de hipótese alguma, que seja de centro ou de direita. Até aí, tudo bem.
No entanto, queremos deixar claro que o “Sarau A Estrada” sempre vai estar ao lado dos movimentos culturais em defesa do fortalecimento do setor, como na luta pela criação do Plano Municipal de Cultura, preservação do patrimônio arquitetônico, realização de festivais de músicas, literatura e outras artes, bem como, pela abertura dos equipamentos que se encontram fechados.
Ora, quando fundamos esse grupo há 16 anos, em 2010, chamado a princípio de “Vinho Vinil”, nossa primeira intenção foi a de fazer cultura através da música, da declamação de poemas, contação de causos e, principalmente, na troca de ideias e conhecimento entre artistas, intelectuais, estudantes, professores e pessoas interessadas pela arte. Crescemos ao lado da defesa e da preservação da nossa cultura.
Não criamos um partido ou movimento político, quer seja de direita, de centro ou de esquerda, embora fazemos política cultural durante todos esses anos, defendendo a sua revitalização, levantando propostas e reivindicando melhorias para o setor, não importando a posição ideológica do governo que esteja no poder.
Dentro do “Sarau A Estrada”, seus membros participantes possuem um nível cultural acima da média, uns mais e outros menos, onde cada um tem sua ideologia própria e a respeitamos porque não temos o direito e nem a função de doutrinar a cabeça de ninguém.
Durante todo este período discutimos e debatemos vários assuntos envolvendo as diversas linguagens artísticas, como também colocamos na mesa questões altamente políticas no âmbito regional, estadual, nacional e internacional, sem precisar definir o Sarau como um movimento de esquerda, como tem gente que assim pensa e acha que deve ser.
Por não termos transformado o “Sarau A Estrada” num movimento político-partidário de esquerda, direita ou centro, onde os atritos de ideias iriam se aflorar em inimizades, brigas e separações, com a consequente polarização, acredito que nisso esteja o segredo da sua longevidade. Fosse um movimento político de esquerda, simplesmente deixaria de ser Sarau para ser um partido.
Por ser um grupo que reúne uma massa crítica de conhecimento diferenciada, e pelo seu fortalecimento representativo perante a sociedade, muitos interpretam que o “Sarau A Estrada” deve tomar posição política ideológica de esquerda.
Em meu modesto entendimento, se assim procedermos, o Sarau perderá sua essência cultural para se transformar num movimento puramente político. Ademais, aqui dentro, a maioria de seus membros já é filiada a algum partido onde faz a sua militância política.
Ouvi gente dizer que o “Sarau A Estrada” é só festas para ouvir música, beber e comer, só que essas pessoas nunca frequentaram nossos encontros. Aqui distribuímos cultura e trocamos conhecimentos e ideias. Quanto a política partidária, que cada um faça em seu comitê.