A PRESERVAÇÃO DA NOSSA HISTÓRIA AINDA RESISTE A DURAS AMEAÇAS
Quem não conhece o seu passado não pode vislumbrar o seu futuro. É uma pena lamentável que a cultura em nosso país esteja sendo destruída por falta de um maior apoio dos governantes. As instituições vivem sempre em crise, com a cuia na mão, sob ameaça de perder seus valiosos e inestimáveis acervos, como é o caso do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, guardiã da Independência da Bahia (2 de julho de 1823).
Em minha recente viagem a Salvador fui visitar o meu amigo diretor do Instituto, Fernando Souza, quando, na oportunidade, fiz a doação dos meus livros “Uma Conquista Cassada – cerco e fuzil na cidade do frio” e “Andanças” – causos, versos e prosas. Ouvi relatos das dificuldades para manutenção do Instituto Histórico que guarda nossa preciosa história em livros, jornais e revistas inéditos, muitos dos quais originais não mais encontrados em outros lugares.
Encravado na Avenida 7 de Setembro, em frente da Praça da Piedade, palco da condenação dos líderes da Revolução dos Alfaiates (Conjuração Bahiana), e ao lado do Gabinete Português, outra casa de grande valor cultural, o Instituto por si só é a própria história da Bahia que deveria estar em boas condições financeiras para preservar seu acervo, mas não é isso que ocorre.
Em conversas sobre essa questão do desprezo e até odiosa posição política contra nossa cultura, ouvi de Fernando que o Teatro da Gamboa (não desmerecendo suas atividades em prol da cultura) recebe do Governo do Estado uma maior subvenção financeira que o Instituto Histórico. Não dá para entender esse tipo de tratamento desproporcional.
Além do aporte de livros (mais de 50 mil), o Instituto possui várias relíquias do nosso poeta maior Castro Alves, como uma mexa do seu cabelo e suas obras mais importantes, intituladas “Espumas Flutuantes” e “Navio Negreiro”, grande parte escrito durante sua última viagem de navio do Rio de Janeiro para a Bahia quando já se encontrava doente.
Mesmo com parcos recursos, a direção da Casa conseguiu digitalizar grande parte dos principais jornais baianos e espera começar esse mesmo processo a partir de todo seu acervo, de modo a disponibilizar conhecimento e saber aos interessados pesquisadores pela internet. Pelo Instituto já passaram grandes nomes como de Pedro e Jorge Calmon (meu chefe de Redação do jornal A Tarde), Consuelo Pondé (tive o privilégio de ser seu aluno), Theodoro Sampaio e tantos outros que lutaram para manter a instituição em funcionamento.
Quero agradecer a boa receptividade e acolhida do meu amigo Fernando e sua equipe de trabalho, bem como agradecer pelos livros recebidos sobre “Manuel Querino”, de autoria dos colegas Carlos Alberto Dória e Jeferson Bacelar, “Mestre Josaphat – um militante da democracia”, de Luiz Almeida e a “Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia”, editada em 2020, que traz um estudo sobre “Luiz Gama – o advogado dos escravos”, de autoria de Nelson Câmara.


















Lamentavel como é tratada nossa cultura no país afora,parece que há um proposito de apagar a memoria
Obrigado pela atenção