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:: 20/set/2021 . 23:45

TANQUES E BARREIROS VAZIOS PELA SECA QUE CASTIGA VITÓRIA DA CONQUISTA

Fotos de José Silva

Eu com minha máquina e Zé Silva com suas potentes lentes de alcance ganhamos a estrada na semana passada rumo ao agreste conquistense para relembrar aqueles velhos tempos de repórter quando caímos no sertão para registrar a penúria do homem do campo diante das estiagens prolongadas que destruíam lavouras e traziam fome e morte.

Há cerca de oito meses que não chove em Vitória da Conquista e região, e as consequências disso são logo visíveis nos tanques e barreiros vazios de terras rachadas, marcas de mais uma seca que há séculos é fonte de notícias para a mídia impressa e eletrônica. É um tempo de sofrimento que ainda abre passagem para os carros-pipas que cortam as estradas de chão, deixando para trás nuvens de poeiras.

Ela sempre deixa um rastro de perdas, não somente de culturas de subsistência como a mandioca, o milho, o feijão, a abóbora e outros produtos, como mata de sede e fome os rebanhos dos sertanejos. Ela também escorraça o agricultor da sua terra que se retira para outras bandas pela sua própria sobrevivência. Os jovens fogem dela para as cidades e passam a viver de bicos nas periferias.

Foi esse triste quadro que eu, jornalista há 50 anos, e o meu parceiro de labuta nas reportagens, o fotógrafo Zé Silva, testemunhamos no distrito de José Gonçalves e povoados do município de Vitória da Conquista. Há muitos anos que não compartilhávamos dessa experiência de escutar o berro do boi descarregado na caatinga à procura de uma cacimba para beber água.

Sentir o sol escaldante e o pó da poeira dos pés à cabeça foi como reviver tudo aquilo novamente quando realizávamos coberturas jornalísticas para o jornal “A Tarde”. Trazíamos em nosso embornal, ou alforje, um monte de informações não muito boas, mas que vendiam jornais no outro dia.

Ouvir e conversar com os roceiros sobre as agruras da seca, dos plantios perdidos e a falta de apoio dos poderes públicos foram atos que nos deram a certeza de que quase nada mudou para melhor nesse país dos políticos que só aparecem de quatro em quatro anos.

Vamos mais adiante em nosso blog continuar esse relato entrando em mais detalhes através dos papos com nossos entrevistados e das próprias imagens do repórter fotográfico Zè Silva, que sempre foi bom nisso e sabe captar minúcias que outros não conseguem ver. Suas lentes se ajustam muito bem aos fatos, combinando imagem, luz e foco.





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