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:: 29/set/2021 . 0:42

MUSEU CONSAGRA SALVADOR DOS GRANDES ARTISTAS DA NOSSA MÚSICA

Há muito tempo que Salvador precisava ter um museu que resgatasse a riqueza musical de seus grandes artistas que ganharam fama nacional e internacional, como João Gilberto, Gilberto Gil, Raul Seixas, Caetano Veloso, Dodô e Osmar, Luis Caldas, Tom Zé, Capinam, Assis Valente, Morais Moreira e tantos outros nomes que nos orgulham.

Com um projeto iniciado lá no governo de ACM Neto, finalmente “A Cidade da Musica da Bahia” foi inaugurada na semana passada no antigo casarão de azulejos da Cidade Baixa, na Praça Cairú, em frente do Mercado Modelo e do Elevador Lacerda, numa boa localização que revive a nossa história.

Em viagem à capital por motivo familiar, tive o privilégio de ser um dos primeiros a visitar e conhecer seu grandioso acervo musical, com um estilo que não deixa nada a dever a outras casas dessa natureza em outros países avançados. Foi como entrar no túnel do tempo! Foi um planejamento de anos que valeu a pena, com um pessoal bem treinado no quesito atendimento ao turista.

Posso dizer que fiquei encantado com o que vi lá dentro sobre a Bahia Musical, se bem que faço minhas restrições a muitos personagens de “compositores” sem conteúdos em suas letras, com músicas que deixam muito a desejar, como é o caso do axé dos tempos mais atuais. Muita coisa é lixo, na minha concepção.

No computo geral, é, sem dúvida, um apanhado histórico que fica registrado para a posteridade. Lá dentro existe uma interação muito grande entre os atores dessa linguagem artística com o público. Existem estilos para todos os gostos, como do karaokê, o funk, o sertanejo, o arrocha até o pop, a bossa nova, o samba, o reague e outras misturadas características da Bahia.

Ao entrar, me senti dentro da cultura baiana em se tratando da sua expressiva musicalidade que irradia o mundo. Lá dentro você recebe uma gama de conhecimento sobre os variados tipos de samba, a capoeira, sobre o conjunto das batidas percussionistas em harmonia com o candomblé, o rock de Raul Seixas e as festas de carnaval, Santa Bárbara, de Largo e tantas outras que atraem milhões de turistas brasileiros e do exterior.

O museu, que só enriquece mais Salvador, está em três andares do prédio todo forrado de azulejos, com cabines que apresentam ao visitante um leque variado de artistas e gente que contam as histórias dessa capital da música. O local ainda possui um estúdio de gravação para quem estiver interessado em musicar seu trabalho, uma biblioteca com obras valiosas, não apenas sobre o tema do museu, uma loja de objetos de lembrança da terra e uma lanchonete.

Lá dentro existem várias salas de exibições dos carnavais e das principais festas, com belas performances dos cantores e compositores. É claro que não podiam ficar de fora os trios elétricos criados por Dodô e Osmar, sem deixar de citar o Tapajós. Diante do poder aquisitivo do soteropolitano, considero alto o ingresso de 20 reais inteira e 10 meia.

FEIRA DE AMBULANTES NO CENTRO DEIXA A CAPITAL COM PÉSSIMA IMAGEM

Fotos do jornalista Jeremias Macário

Quando morei em Salvador durante 23 anos até início dos anos 90 andava livre pelas calçadas das avenidas 7 de Setembro (imediações da Piedade e Relógio de São Pedro com a Ladeira de São Bento) e Joana Angélica, sem a preocupação de me bater numa barraca ou banca de feira livre. Saudades daquelas noites de boemia descendo até a Barroquinha ou a Ladeira da Montanha com o Gravatá!

Nos últimos anos isso ficou impossível porque aquela área mais parece um mercado indiano ou turco ao ar livre. Estive lá na semana passada para conversar com um amigo diretor do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e fiquei, sinceramente, horrorizado com um quadro que envergonha Salvador pelo seu aspecto de feiura.

Não recomendo a visita de nenhum turista porque ele vai levar para sua terra uma péssima impressão da capital e de seus governantes que deixaram aquelas avenidas serem invadidas, mais por questões eleitoreiras que sociais. Será que não existiria outra alternativa para resolver o problema de desemprego, com a consequente informalidade?

A travessa entre o Relógio de São Pedro com a Avenida Joana Angélica até o Colégio Central se transformou numa verdadeira feira de livre de verduras, frutas e outros produtos expostos a céu aberto, sem o mínimo cuidado de higienização. Aquilo ali é um atentado à saúde pública! Até a entrada da Estação da Lapa está tomada de ambulantes.

Nos locais você se depara com barracas, tendas e bancas de camelôs onde se encontra de tudo, de verduras, hortaliças, tecidos, roupas, aparelhos de som, celulares, cintos, sapatos e uma grande variedade de objetos domésticos. Muitos produtos são vendidos no chão mesmo.

As feiras livres das cidades do interior são bem mais organizadas do que aquele amontoado de vendedores que ocuparam aquelas avenidas que fazem parte do Centro Histórico. Aquilo ali é a cara de um Brasil pobre de milhões de desempregados e muita gente vinda de fora atrás de um trabalho fixo, que passaram a viver de bicos nas ruas, comercializando bugigangas.

Não dá para transitar naquelas artérias da capital, só mesmo para quem tem um negócio para resolver ou tem um emprego fixo. Não tem como uma pessoa com problema de deficiência física andar naquelas avenidas. As calçadas estão arrebentadas e a sujeira está por todo lugar.

A Praça Castro Alves e a Avenida Chile perderam totalmente seu glamour dos tempos antigos, mesmo com os hotéis Fasano (antigo prédio do jornal A Tarde) e o Palace. É um centro vazio que perdeu seu colorido e suas atrações de antigamente onde por ali passeavam todos os dias a Mulher de Roxo e outras personagens importantes, como artistas, intelectuais, políticos, governadores e prefeitos. Até o Cine Glauber Rocha (reativado) está ameaçado de ser fechado por falta de patrocinadores, depois da saída do Itaú-Unibanco do circuito.

Não temos mais o Teatro São João, as escadarias das Lojas Americanas, o Adamastor do pai de Glauber Rocha, os bares e as cafeterias que sempre estavam cheios. O quadro é de total abandono, não mais frequentado por turistas e apreciadores daqueles pontos em frente à Baia de Todos os Santos, uma paisagem deslumbrante e bucólica de encher os olhos.





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