CIGANAS TENTAM ENTRAR NO PROGRAMA DE PROTEÇÃO A TESTEMUNHAS
Cinco mulheres ciganas e sete crianças, vítimas das perseguições policias de Vitória da Conquista após a morte de dois soldados, no distrito de José Gonçalves, no último dia 13, estão tentando entrar no Programa Estadual de Proteção a Vítimas e Testemunhas (Provita), conforme informou o presidente do Instituto dos Ciganos do Brasil (ICB), Rogério Ribeiro.
No desenrolar dos acontecimentos e, durante a busca dos criminosos dos PMs, houve várias mortes, e outros ciganos foram espancados e torturados, sinalizando atos de vingança. Como forma de proteção, o Conselho Tutelar e outros órgãos ligados aos direitos humanos conseguiram, entre os dias 15 e 16 de julho, encaminhar essas ciganas e crianças para outra cidade da região, no sentido de preservar a vida dessas testemunhas.
Na ocasião estiveram em Conquista o presidente do ICB e o secretário Nacional do Ministério dos Direitos Humanos, Paulo Roberto, que acompanharam a saída desse pessoal da cidade. Agora, o objetivo está sendo incluir essas vítimas no Provita, mas o programa, como explicou Rogério, tem seus tramites e burocracias. O que se sabe é que a matriarca dos ciganos aceitou ser incluída nesse esquema de proteção.
O Programa Estadual de Proteção a Vítimas e Testemunhas (Provita /SP), de acordo com pesquisa, é um instrumento atuante de acesso à justiça e combate à impunidade no estado de São Paulo. Esse programa funciona desde 1999 e é vinculado às Secretarias da Justiça e da Defesa da Cidadania e da Segurança Pública. O Provita/SP faz parte do Sistema Nacional de Proteção a Vítimas e Testemunhas, gerenciado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos do Governo Federal.
O programa tem a missão de proteger vítimas e/ou testemunhas que estejam sofrendo ameaças sérias, graves e iminentes, em virtude de colaboração em inquérito policial, ou processo criminal.
O caso pode ser encaminhado por autoridades policiais, Ministério Público, Poder Judiciário, órgãos públicos ou entidades que trabalham na defesa dos direitos humanos, e até mesmo por meio de contato do próprio interessado com o Provita/SP.
Após o pedido, o(s) interessado(s) poderá(ão) ser acolhido(s), provisoriamente, até que o caso seja analisado pelo Conselho Deliberativo da entidade, instância máxima e órgão competente para a decisão final sobre o ingresso, ou não de uma pessoa no programa (e, se o caso, também a sua família) no Programa de Proteção.
O período de proteção é de dois anos e pode ser prorrogado por até dois anos ou, caso seja necessário, pelo tempo de duração do processo. O Programa de Proteção Paulista está fundamentado na Lei Federal nº 9.807/1999 e nos Decretos Estaduais nº 44.214/1999 e nº 56.562/2010.
“REMANSO – UMA COMUNIDADE MÁGICO-RELIGIOSA” (v)
O JARÊ, O GARIMPEIRO E OS DIAMANTES EM LENÇÓIS
“O Jarê é uma religião de base angolana, bastante influenciada pela cultura jeje e com muitas faces das aquisições que compõem as encantarias, entre as quais destacamos a caboclarização dos orixás” – ressaltam os autores da obra, Ronaldo Senna e Itamar Aguiar, que descrevem a formação histórica do município de Lençóis, que contou com a colaboração cultural do garimpeiro, a grande maioria vinda das Minas Gerais.
Na introdução desse capítulo, os acadêmicos dão ao leitor uma visão político-administrativa sobre o município de Lençóis, antes pertencente a Mucugê (Santa Isabel do Paraguaçu), tornando-se cidade em 20 de maio de 1864, e comarca das Lavras Diamantinas até 31 de dezembro de 1937.
Em seguida, citam os nomes dos intendentes e prefeitos, inclusive do famoso coronel Horácio Queiroz de Mattos, dentre outros que contribuíram para o desenvolvimento socioeconômico do município, hoje uma referência no turismo, tanto no âmbito nacional, como internacional.
Falam da grande presença dos católicos na formação religiosa da população, assinalando, no entanto, que muitos também eram adeptos do Jarê, incorporando orixás, caboclos e encantados. Essas pessoas sempre evitaram declarar dupla pertença religiosa.
Por outro lado, conforme pesquisadores figurados no livro, existia também essa dupla pertença do povo de santo ao catolicismo e ao culto dos orixás, responsável pelo sincretismo afro-brasileiro. Segundo os professores, esse referencial procede, pois “na realidade é uma composição de crenças tribais africanas, que se dividem em nações, que indicam a procedência do culto e o tipo de deus que o rege” (Epega, p. 160).
Ao localizar a área onde o Jarê viceja, Ronaldo e Itamar observam que ela foi constituída por brasileiros vindos de diversos lugares, como Minas Gerais, principalmente da região do Grão Mongol, e da cidade de Diamantina, como também do Vale do São Francisco e da Zona do Recôncavo. Contou ainda com a presença de estrangeiros árabes, judeus, franceses e africanos.
Na comparação com a agricultura e a pecuária, mais ou menos de previsibilidades, os autores dizem que a garimpagem de gemas orienta-se, na realidade, por regras do jogo, sendo o próprio garimpo um jogo. Mais adiante falam sobre a prospecção e o comércio.
Nesse quadro tem o dono da serra (proprietário de um trecho de terra), o dono do garimpo que arrenda a área por uma quantia fixa anual, ou faz um acordo com o dono da serra pela subdivisão do quinto, e o capangueiro, que é um tipo de comprador. Existe ainda o chamado meia-praça, a parte dividida entre o garimpeiro e o fornecedor (o empresário).
Itamar e Ronaldo detalham o papel de cada um dentro da garimpagem, e afirmam que o garimpo pode ser classificado como seco ou molhado, isto é, aquele em que os garimpeiros têm de deslocar água até o seco. No caso dos molhados, são garimpos de grunas de olhos d´água, ou leitos dos rios.
Existem também os garimpos equipados com infraestrutura de tanques. Neles ocorrem várias formas de pagamento e relações entre as partes, terminando no lapidário que transforma a pedra num brilhante, o qual é revendido a outros comerciantes, como ourives e joalheiros.
Quanto a decadência, descrevem que esta fase motivou o comportamento de não pagar o quinto, sob alegação de não ser roubo. Houve também a época de pagamentos de diárias por donos de garimpo e garimpeiros, relação que dispensa o fornecedor. Isso era muito usado nos tempos da florescência (corrida do diamante).
“O passado é uma referência constante; o presente, um lamento impregnado do sentido de perda; e o futuro, algo difuso, confuso, ausente como projeto, fugidio” – assinalam os autores do livro, fazendo pontuação sobre as lutas políticas dos coronéis e jagunços, durante a República Velha.
CIGANOS FOGEM EM CORRERIAS DEPOIS DE AMEAÇAS E PERSEGUIÇÕES
Com uma introdução de que a cidade de Vitória da Conquista abriu guerra contra os ciganos, o presidente do Instituto Ciganos do Brasil (ICB), Rogério Ribeiro, encaminhou um relatório à Procuradoria Geral da República, Defensoria Pública da União, ao Ministério Público Estadual, Câmara Municipal de Vereadores de Conquista (Comissão de Direitos Humanos), à OAB nacional e a outros órgãos ligados aos direitos humanos onde detalha os fatos ocorridos na semana passada que resultaram na morte de dois policiais militares, e repudia as consequentes violações contra o seu povo, com a prática de atos cruéis de tortura, perseguições e mortes (seis).
Rogério, que também é membro consultivo de Promoção da Igualdade Racial da OAB/Ceará, esteve em Conquista entre os dias 19, 20, 21 e 22 /07, mantendo contatos com órgãos, entidades e setores da polícia civil da cidade e em Itambé, no sentido de acompanhar os desdobramentos dos crimes e, ao mesmo tempo, prestar apoio logístico às famílias ciganas vítimas de atos de violência por parte de policiais locais. O comando da Polícia Militar nega que tenha havidos excessos por parte de seus subordinados, e que ainda deu proteção às famílias em fuga.
Repúdio contra as perseguições
Na ocasião, o presidente do ICB concedeu uma entrevista ao nosso blog www.aestrada.com.br onde demonstrou seu repúdio contra as perseguições e se disse decepcionado com a falta de respostas concretas por parte das autoridades militares. Rogério fez um forte apelo para que o Estado da Bahia apure todas as mortes e torturas, com o propósito de que os culpados sejam punidos. No Distrito Integrado de Segurança Pública/Vitória da Conquista foi recebido pelo coordenador delegado Roberto Júnior que se dispôs averiguar os fatos com imparcialidade.
Em sua fala, ele se referiu, principalmente, à coletiva prestada pelo secretário de Segurança Pública e o comandante Geral da Polícia Militar da Bahia, no dia 19/07 que, de acordo com ele, não foi nada transparente e deixou um rastro de dúvidas e negações quanto as ações truculentas de agentes da corporação local, inclusive contra uma idosa de 82 anos e três netos adolescentes.
No relatório, Ribeiro cita os locais em Vitória da Conquista, como no distrito de José Gonçalves, onde se deram as reações dos policiais contra os ciganos, como a invasão na casa de uma moradora, matando o filho Adenilson Almeida, de 15 anos, por volta das 22 horas do dia 13/07 (não era cigano).
Conforme os relatos do presidente do ICB, foi no mesmo dia 13 de julho que o soldado Robson Brito de Matos, 30 anos, e o 1º tenente Luciano Libarino Neves, 34, morreram na troca de tiros na zona rural de José Gonçalves. Depois do acontecido, o cigano Rodrigo da Silva Matos, 58, pai dos suspeitos dos assassinatos foi ferido e encaminhado para o presídio. No Distrito Integrado de Segurança Pública, no dia 15/07, foi interrogado de forma humilhante.
Ainda na tarde do dia 13/07, a polícia matou Ramon da Silva, o Ramonzinho, de 23 anos. No Bairro de Lagoa das Flores houve um confronto dos militares com dois ciganos. Na fuga para a cidade de Itiruçu, onde foram mortos por policiais, no dia 14 de julho, eles bateram na porta de uma cigana de 82 anos e seus três netos adolescentes, pedindo para guardar uma arma 380.
Narra o documento que policiais da Rondesp torturaram e ameaçaram de morte a idosa e seus netos de 15, 16 e 17 anos, no período de 16 horas à meia noite e 40 minutos. “Não quero nenhum pé de cigano em Conquista, senão a gente desce o laço” – disse um deles.
Nas torturas para que essas pessoas abrissem a boca, foram usados vários instrumentos de intimidação, como marreta, palmatória, canivete, cassetetes de borracha, sufoco com sacolas plásticas e água de QBOA, incluindo puxões pelos cabelos de uma cigana adolescente. Depois dessas agressões, os policiais deram duas horas para que as vítimas sumissem.
O ICB, segundo o seu presidente, prestou apoio logístico na transferência de três famílias para outros estados, sendo seis adultos e três crianças, no dia 17 de julho. No dia seguinte, outro caso de violência ocorreu no povoado de Boa Sorte, em José Gonçalves, onde uma picape foi incendiada com o corpo do empresário Diego Santos Souza, de 39 anos. Cidadão de bem, ele era dono de um restaurante, em Algodão, e membro do Apostolado da Misericórdia. A Igreja Católica não deu nenhuma nota de pesar e solidariedade sobre o acontecido.
O presidente Rogério, em seu relatório, ainda postou uma nota de repúdio a uma mensagem de ofensas no perfil de um policial fardado. Em contestação ao conteúdo da postagem, afirmou que o Instituto sempre tem lutado pela dignidade humana, a favor da igualdade racial e contra o discurso de violência, preconceito, discriminação, ciganofobia e sexismo.
Destacou também que repudia as operações policiais motivadas por vingança, com seis mortes, deixando um rastro de impunidade. Em seu desabafo, ressaltou que o medo tomou conta de Vitória da Conquista, com torturas, incêndios em veículos e casas.
Lamentou que não teve acesso aos inquéritos e nem aos laudos das perícias das mortes. Sobre a presença de policiais em acampamento cigano, Rogério indaga o que mesmo eles estavam investigando? No entanto, reconheceu que as investigações no Distrito Integrado estão sendo conduzidas de forma imparcial, e que o Instituto pede rígidas apurações sobre as abordagens nas casas dos ciganos e na rua.
Por fim, o relatório cita a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, o Comitê para Eliminação da Discriminação Racial da Organização das Nações Unidas e a Convenção Americana sobre Direitos Humanos onde estabelecem deveres do Estado de não empregar forças que violem os direitos humanos e a liberdade dos grupos desiguais.
Esses organismos recomendam o combate a qualquer tipo de discriminação, inclusive praticada contra ciganos por organizações do Estado. Rezam em seus artigos, prevenir abusos policiais e garantir medidas judiciais em caso de violações.
UMA NAÇÃO EM CORRERIAS
Uma nação milenar, alegre e dançante, como da fotografia de arquivo, que como os mouros, influenciou a criação da dança flamenga, em Andaluzia, na Espanha, sempre viveu em correrias pelo mundo a fora, desde antes de Cristo. Na Europa foi perseguida por reis, nobres e imperadores, vista com preconceito como ladrões, trambiqueiros, sujos e marginais. Na Romênia, por exemplo, por quase um século, foi escrava como os negros, e eram vítimas de atrocidades. Muitos usavam de malandragens, e até cometiam crimes para a própria sobrevivência do seu povo e de suas famílias. Pela Espanha e Portugal, a partir do século XVI, foram deportados em navios como criminosos. No Brasil, os calons e o rum (romeni –senti) viviam em correrias e sendo empurrados pela polícia de estado em estado. Bandidos aproveitavam para cometer seus crimes e colocar a culpa nos ciganos. Acossados e encurralados, muitos revidavam na troca de tiros e ocorriam matanças dos dois lados. Bem, o que muitos não sabem é que o Brasil teve um presidente cigano, o boêmio JK – Juscelino Kubistchek, que governou o país de 1956 a 1960.
BALANÇA PARA LÁ…
Poema do jornalista e escritor jeremias Macário, que pode ser encontrado em seu livro “ANDANÇAS”.
Olha o balanço das árvores,
Que o vento dá,
Balança pra lá, balança pra cá,
Depois começa tudo,
Como nas ondas do mar.
Olha o tempo passando,
Ligeiro e devagar;
Olha a morte chegando,
Com a benção de Alá.
Parte rasgando o avião,
Lotado de gente zumbi;
Criaturas saem da terra,
E aparecem como saci.
Olha a dança das folhas,
Girando pra lá e pra cá,
Levando saudades no ar.
Na avenida zunem os tiros;
Balas voam perdidas;
Criança tomba no asfalto,
No ataque dos vampiros.
Carnaval de sunga suada;
Empurra pra lá e pra cá;
Pula, pula a pipocada,
No axé do arrocha cambada.
Vadia a bela, ou a feia,
Na orgia da bundada;
Balança pra lá e pra cá,
Pra gringo e nativo
Namorar sua sereia.
No sol do meu sertão,
Balança o pau-de-arara,
Cortando o cinzento chão
De espinho, fogo e vara,
Na poeira da estrada.
Virgulino, meu capitão,
Que diz dessa nossa vida,
E da traiçoeira morte,
Sem aviso e sem razão;
Que diz da canção,
De Vandré que chora,
Mandando fazer a hora.
AUXÍLIOS, BOLSAS E DOAÇÕES SÃO ESMOLAS QUE ESCRAVIZAM O CIDADÃO
“Uma esmola envergonha o cidadão”. Quem não se lembra desse verso na canção do rei do baião Luiz Gonzaga? Pois é, por mais que seja duro, é uma verdade em nosso país, principalmente nesses tempos de pandemia quando houve um grande aumento da pobreza e, consequentemente, da fome. Segundo pesquisas, uns 30 milhões vivem nessa linha da miséria.
Claro que também existe o ditado de que a fome não espera e tem pressa. Não estou aqui para condenar os auxílios emergências, as bolsas famílias e as doações incentivadas e praticadas por grupos isolados, pessoas e organizações do terceiro setor. O que argui é que há 30 anos, ou mais, existe o chamado bolsa família e, de lá para cá, a situação só tem piorado.
Todos os dias acompanhamos nos noticiários os atos de solidariedade ou caridade (muitos evitam falar nesse termo por achar pejorativo) na forma de doações de alimentos, roupas, agasalhos de frio, sapatos e brinquedos para as crianças nas épocas de Natal, mas pouco se ouve em mutirões de emprego e oportunidades no mercado de trabalho para que o nosso cidadão se sinta digno como gente partícipe da construção social.
O Brasil precisa criar pessoas amadurecidas para que vislumbrem novos horizontes, e não que fiquem a vida toda dependentes de doações, bolsas e esmolas. Achar que elas só necessitam de pão e água, é o mesmo que escravizar suas dignidades. Só a educação, a saúde, a segurança e o emprego podem tirar a população desse abismo da pobreza.
Nem é necessário dizer que o papel dos governantes é fundamental para que o ser humano resgate sua dignidade e se livre de uma vez por todas das esmolas escravizantes. No entanto, o que temos é uma política do assim é melhor em nome do poder.
Enquanto grande parte da sociedade se mobiliza para socorrer a fome dos mais necessitados, eles lá de cima cada vez mais se acomodam e cruzam os braços. Na urgência de matar a fome, o cidadão acaba duplicando o seu papel social porque ele já paga escorchantes impostos que deveriam ser revertidos em benefício das camadas mais carentes.
Como não há reação, cobrança, conscientização política e mobilização daqueles mais esclarecidos que poderiam atuar nesse sentido com relação aos poderes públicos, esse ciclo vicioso das doações e auxílios em forma de esmolas nunca termina. No fundo, estamos também contribuindo para que essa camada tão baixa e tão pobre continue escrava do próprio poder por ela constituída. Por incrível e irônico que pareça, é desse fel que se banqueteiam os governantes e políticos para se manterem no poder. E assim caminha o nosso Brasil.
UM FUNDÃO FEDORENTO
As aves de rapina do Congresso Nacional não param de mostrar suas garras mortíferas contra o Brasil e o seu povo, como se não bastasse um poder executivo desastroso e destruidor do nosso patrimônio. Dessa vez, deputados e senadores criaram um Fundo Eleitoral de quase seis bilhões de reais (era dois bilhões) para gastar na cata de votos para suas reeleições.
É mais uma excrescência nacional quando negaram uma verba de dois bilhões para que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) realizasse o censo demográfico neste ano, que já deveria ter sido em 2020. Nada para a pesquisa e a ciência e tudo para suas farras nababescas a fim de continuarem fazendo seus malfeitos, corrupção, propinas e rachadinhas.
Até quando vão continuar destruindo o Brasil, tão rico e tão pobre, com 30 milhões vivendo na miséria passando fome? É um dos Congresso mais caros e que mais desperdiça dinheiro público no mundo. Não representa seu povo e, nessa hora, elementos da esquerda, centro e da direita se juntam para permanecerem mamando nas tetas do povo inculto e tratado pior que lixo.
São ratos, hienas e raposas na disputa pela carniça que, em toda véspera de eleições aparecem com suas emendas vergonhosas, mas, como o cão foge da cruz ou o vampiro da luz do dia, não querem nem falar de fazer uma Reforma Eleitoral para valer que termine com suas mordomias de verbas indenizatórias, reeleição, redução de parlamentares em geral e foro privilegiado. Cinicamente ainda chamam isso de reforma política, embutida nela um distritão, que para nossa gente soa mais como palavrão.
É um Brasil de terra arrasada que agora está preso na encruzilhada do retrocesso, do negacionismo da ciência e vivendo uma barbárie pior que na Idade Média. É um país que foi vendido por essa corja ao diabo chifrudo. Os ricos e poderosos transformaram o Brasil num curral de matança de gado ferrado, e ainda tem milhões que entregam suas almas em defesa desses genocidas.
O brasileiro de bom senso e mais inteligente não compactua com essa bandalheira insana e assassina, mas, infelizmente, ainda é uma minoria falante que é tratada de comunista que come criancinhas. A grande maioria é alienada, masoquista e não existe como ser humano consciente político.
Esse nosso povo acha que é civilizado porque tem um celular na mão para acreditar em falsas notícias e apoiar os demolidores do futuro. Essa gente oca que se satisfaz com um carrinho, uma graninha para uma farra no bar e visitar shoppings em final de semana, nem pensa na nova geração que ela mesmo gera como se fosse apenas uma realização pessoal para encher seu ego de uma falsa felicidade.
Já nos acostumamos e nos acomodamos com uma casta de poderes donos de um rebanho que se contenta com o pouco e com as sobras. É tudo como se fosse uma ordem natural das coisas que não pode ser mais mudada. Como um castigo divino do Deus que sempre assim quis.
Para que reagir contra esse sistema? É assim mesmo, e nada se pode fazer – dizem os submissos que já aceitaram suas condições de apenas coadjuvantes ou figurantes dessa nossa história macabra, desde os tempos coloniais. Os contestadores são simplesmente execrados como marginais da sociedade que devem ser recolhidos aos muros das lamentações para se purgar de seus pecados, como queixosos e ranzinzas.
Enquanto isso, eles lá de cima vão tratando o resto como bagaço, como se nem existisse, com direito a voto, mas sem voz. A camada debaixo apenas serve como adubo para eles plantarem suas lavouras que rendem farturas para suas mesas das orgias e bacanais. O pior é que os de baixo se odeiam, não se toleram, não se unem, se matam e banalizam a violência e a desgraça.
“Nesse conflito, na geração da violência, o mais forte acaba eliminando o mais fraco, mantendo, por este motivo, o ponto de vista de que a sua proposta, tanto quanto os seus atos, são moralmente justificados”.
A frase é uma citação de Senna; Souza, no livro “Remanso – uma comunidade mágico religiosa”, dos autores acadêmicos Ronaldo Senna e Itamar Aguiar, num comentário sobre a teologia da dominação do cristianismo em relação às religiões de matriz africana, que bem serve de ilustração para o tema em questão.
MAIS UM CASO PARA O ARQUIVO MORTO
Todas as vezes que policiais militares são assassinados, de imediato vem por trás disso um rastro de revanches e vinganças que terminam sobrando para pessoas inocentes e parentes. O caso dos dois agentes mortos na semana passada no distrito de José Gonçalves, em Vitória da Conquista, não é uma exceção.
É só relembrar a chacina ocorrida numa periferia da cidade, se não me engano, há onze anos. Praticamente uma família foi eliminada por justiceiros, e as investigações não deram em nada. Na época, um promotor e um juiz que estavam dando andamento ao processo chegaram a ser ameaçados.
Os métodos são sempre os mesmos, e as apurações nunca chegam a uma conclusão, como o fato do menino Maicon que foi vítima de uma ação atabalhoada da polícia. Os familiares pediram clemência e justiça, mas o corpo da criança não foi encontrado. Tudo ficou sem resposta até hoje.
Na ocorrência mais recente, o que se fala é que um grupo de ciganos matou dois policiais que, segundo informações do próprio comando e de um delegado civil, estavam numa diligência investigativa, só que não esclarece que tipo de investigação.
Será que se tratava de uma espionagem atentatória contra a segurança nacional? É um segredo de Estado que não pode ser revelado? Mais uma vez, é tudo nebuloso, e ainda o secretário de Segurança Pública e o comandante Geral da Policia Militar dão uma coletiva à imprensa falando que tudo está sendo transparente. Como assim?
Outra questão é quanto o assassinato praticado por dois motoqueiros encapuzados a um menor de 13 anos numa farmácia. O secretário afirmou que foi uma queima de arquivo perpetrado pelos próprios ciganos, mas nada prova, sempre com aquele argumento de não atrapalhar as investigações. É tudo muito estranho! Ficam as dúvidas e as interrogações.
Essa de jogar a culpa para os ciganos me ativou a memória de atos de terrorismo acontecidos no final da ditadura onde se fala de abertura democrática. A turma da linha dura atirou bombas em bancas de jornais e até na sede da OAB do Rio de Janeiro e espalhou notícias falsas de que foram os comunistas.
Logo depois do fato, em José Gonçalves, ocorreram três mortes na mesma semana, e aí, novamente, o secretário, o comandante e a delegada da Polícia Civil, que vieram a Conquista, disseram que os crimes não têm nenhuma relação com os policiais alvejados. É muita coincidência! Soltaram o verbo na coletiva, e nada ficou explicado como se esperava.
Infelizmente não temos mais jornalistas investigativos como antigamente. A verdade é dura, mas deve ser dita. Por medo de ameaças ou outra coisa, a nossa mídia só dá o factual daquilo que consta no Boletim de Ocorrência, o chamado BO, e a sociedade fica sem resposta.
Aliás, é essa mesma sociedade falida moralmente que manda matar, mesmo que seja de forma indiscriminada. Foi isso que ouvi de um empresário certa feita quando no Sindicato dos Jornalistas da Bahia e na Associação Bahiana de Imprensa dei uma nota de apoio à Justiça que estava investigando a chacina.
Não estou aqui para defender o crime, nem o criminoso, mas tudo tem que ser transparente, e os culpados severamente punidos. Será que tudo está sendo feito dentro da ordem e da lei, sem o conhecido corporativismo? A coletiva dos comandantes deixou mais dúvidas que esclarecimentos.
As associações e entidades representativas dos ciganos no Brasil se mobilizaram, publicando nota de repúdio contra as perseguições ao seu povo, por sinal sempre estigmatizados como bandidos, sujos e ladrões ao longo da história, desde muito tempo antes de Cristo.
O cigano Rogério Ribeiro, presidente do Instituto Cigano-Brasil e membro consultivo da Comissão de Promoção da Igualdade Racial da OAB do Ceará, em um vídeo numa rede social, pediu ao comandante da Polícia Militar de Conquista que segurasse sua tropa, embora tenha dito que foi bem recebido em sua conversa por telefone.
Como nos tempos em que viviam em correrias, diante dessas mortes e amedrontados com o que ainda possa ocorrer, muitos tiveram que fugir para outras bandas. É uma nação cujos filhos já nascem sob os olhos do preconceito e do ódio. Foram escravos na Romênia e massacrados por toda Europa e no Brasil, desde a Colônia e no Império. Quase todos foram exterminados durante o nazismo de Hitler, e nunca foram indenizados.
“REMANSO – UMA COMUNIDADE MÁGICO-RELIGIOSA” (IV)
A GARIMPAGEM E A CULTURA DIAMANTINA NA BAHIA
Nesse capítulo, os autores e acadêmicos Ronaldo Senna e Itamar e Aguiar falam da Chapada Diamantina como polo produtor e comercial das pedras, atraindo indivíduos de etnias e culturas diferentes. Essa cultura garimpeira, como já foi dito, prosperou mais em Mucugê, Andaraí, Lençóis, Iraquara e Palmeiras onde foram criadas as áreas de proteção ambiental, o Parque Nacional da Chapada e a APA Marimbus Iraquara.
Os autores citam no livro que os pesquisadores alemães Spix e Martius percorreram o interior da Bahia, entre os anos de 1817 e 1820, indo de Malhada de Pedras à capital. Os estrangeiros descreveram os aspectos do solo e as atividades agrícola, pecuária e a mineração, além dos costumes e hábitos dessa gente. Na Villa do Rio de Contas encontraram semelhanças com a região do Tijuco (Diamantina) Minas Gerais.
Como em Minas Gerais, também se verificou a presença do diamante no cascalho aurífero, caso de Rio de Contas. Na obra “Remanso”, ainda são citados os pesquisadores e estudiosos da região, como o engenheiro Teodoro Sampaio e o escritor Afrânio Peixoto.
O primeiro percorreu o Vale do São Francisco e da Chapada pelos anos de 1979 a 1980, tendo visitado Mucugê (Santa Isabel do Paraguaçu) onde teve início a garimpagem do diamante, predominando a etnia mestiça. A Serra do Sincorá foi onde se encontrou grandes quilatagens das gemas (Andaraí, Mucugê, Lençóis, Palmeiras e a Villa de Xiquexique-Igatu).
Os autores constataram em seus trabalhos, que o ciclo do ouro (um século) foi bem mais longo que do diamante (um quarto de século). Em Lençóis, a decadência foi extrema, não se encontrando diamantes de mais de uma oitava, mas os carbonatos (utilizados na indústria de perfuração de túneis) eram mais abundantes.
O segundo indicado no livro foi o romancista e escritor de Lençóis, Júlio de Afrânio Peixoto (1876-1947), membro da Academia Brasileira de Letras, com vários livros que falam da Chapada, narrando costumes e hábitos do povo. A obra “Bugrinha”, inclusive, serviu de argumento para o roteiro de “Diamante Bruto”, do diretor Orlando Senna, em 1977, filmado em Lençóis.
De acordo com os acadêmicos, a cultura garimpeira se organizou através da economia do diamante e do carbonato. Itamar e Ronaldo descrevem sobre a consciência mineral da magia, com seus mitos, códigos e mitemas, apontando os aspectos folclóricos das festas populares (sacerdotes, brincantes e músicos). A população do município acompanha com fervor a dois principais calendários, de 20 de dezembro a seis de janeiro (reisados) e o 2 de fevereiro, que é a festa do Senhor Bom Jesus dos Passos.
Esses eventos sempre tiveram uma grande participação dos garimpeiros, moradores do município e de vizinhanças da Chapada. Dois hinos neste calendário, o dos garimpeiros e do Senhor dos Passos são citados no livro. “No mês de abril, também era comum alguns terreiros realizarem toques para os caboclos de pena, em função da data do descobrimento do Brasil. Nestes dias, rendem-se homenagens aos índios”.
“Nos dias 7, 17 e 27 de setembro soam os tambores de pau cavalo, herança dos atabaques de feituras dos candomblés nagôs… Os tambores de homens livres ecoam dos quatro cantos da cidade, em louvor aos santos Cosme e Damião. No mês de outubro, algumas casas de Jarê batem atabaques para os meninos, os Êres”.
“Os anos 70 foram uma década importante para o processo de mudanças culturais na cidade, uma vez que nela registra-se a criação da Casa de Cultura Afrânio Peixoto. A cidade foi tombada e transformada em Monumento Histórico, Artístico e Cultural Nacional”. Ainda nesta década aconteceu a filmagem de “Diamante Bruto” e tiveram início as primeiras medidas para a criação do Parque Nacional da Chapada (1985).
UMA SONECA NA AGITAÇÃO
Em meio a todo o corre-corre da cidade agitada e desumana, com pessoas pra lá e pra cá nas calçadas e lojas, o cachorro, que não é escravo do tempo e vai vivendo do que encontra em seu presente, resolve, tranquilamente, tirar a sua soneca para depois seguir sua jornada em busca da sua sobrevivência. Ele já é um morador de rua como muitos seres humanos, porque vivemos numa sociedade cruel, egoísta e desigual onde só existe lugar para os mais fortes. Com certeza ele foi abandonado pelo seu dono, como um José, uma Maria ou João que não tiveram o direito à cidadania, como reza uma Constituição, dita democrática. Muitos podem até dizer que se trata apenas de um cão no sossego do seu sono, sem estar aí para o barulho dos motores, a poluição sonora e a confusão de uma gente na luta pela vida do cada vez mais consumir. O flagrante registrado pelas lentas da máquina do jornalista e escritor Jeremias Macário também demonstra nossa desumanidade, porque os animais também são nossos irmãos, e fazem parte do nosso cotidiano. Além do mais, sempre foi um fiel amigo, sem nada cobrar em troca, apenas o seu alimento. Não tem outras ambições e nem é egoísta e individualista. A sua soneca, em plena calçada, sem um lar ou alguém que lhe cuide como deveria, é uma imagem triste de abandono, e de que ainda não somos uma sociedade civilizada como pensamos ser.



















